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domingo, 24 de fevereiro de 2019

Tio Sam quer o Petróleo da Venezuela, babaca!

Tio Sam quer o Petróleo da Venezuela, babaca!

POR QUE TIO SAM ESTÁ POUCO SE LIXANDO COM A DITADURA NA ARÁBIA SAUDITA MAS SE DIZ PREOCUPADO COM A VENEZUELA?

Por Cris Penha - Via Facebook - 23/02/2019

Vamos pensar um pouco, deixar de ser marionete da mídia brasileira e dos americanos. 

Tio Sam nunca esteve preocupado com democracia em lugar nenhum do planeta. Sempre que foi conveniente aos seus interesses imperialistas, apoiaram os piores ditadores no Oriente Médio e na América Latina, como no Brasil pós 1964.

Arábia Saudita é um reino, dominado por uma família. É uma ditadura sanguinária onde até outro dia não era permitido às mulheres assistirem um jogo de futebol. Mas possuí a segunda maior reserva de petróleo do planeta: 265,9 bilhões de barris, sendo um dos maiores fornecedores dos Estados Unidos. 

A família de Osama bin Laden é uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita e tinha negócios com os americanos até pouco antes dos fatídicos atentados de 2001. Saddan Hussein também foi outro aliado importante, não só pela questão do petróleo mas por se opor ao regime iraniano dos Aitolás que tinha derrubado um ditador marionete de Tio Sam na Revolução Iraniana de 1979, o xá Reza Pahlavi no poder desde 1941. Na guerra Irã x Iraque nos anos 80, os americanos forneceram armas ao Iraque pra depois invadir o país, quando Saddan já não se comportava como Washignton queria.

E o que a Venezuela tem a ver com isso? Simples. 

A Venezuela possuí a maior reserva de petróleo do planeta: 297,7 bilhões de barris e a PDVSA tem negócios em solo americano como a rede de distribuição e postos CITGO. Apesar disso, antes do chavismo, mais de 80% da população vivia na miséria. A partir do momento em que Chaves direciona parte da riqueza do petróleo para a maioria da população, através de políticas de distribuição de renda, além de fortalecer e renovar as Forças Armadas comprando armamentos pesados da Rússia, a economia do país passa a ser sabotada, interna e externamente.

Não muito diferente do que vimos aqui após o pré-sal, com a diferença que na Venezuela o Exército não é capacho dos americanos e parte da população foi politizada, ao contrário daqui onde o povo assiste o desmonte do país na tela da Globo sem fazer nada. 

Não se pode analisar a questão da Venezuela sem ver os interesses por trás que envolvem o petróleo.

Se fosse pela democracia, Tio Sam não teria se aliado aos piores ditadores e governantes em todos os cantos do planeta, inclusive na Venezuela antes de Chaves ou ao nosso projeto de ditador, Bolsonaro.

Agora, vamos olhar a situação da “democracia” brasileira, com golpe disfarçado de impeachment e prisão sem provas do maior líder de oposição, antes de meter o nariz na situação venezuelana, numa operação que de ajuda humanitária não tem nada. 

Também é preciso entender que o pré-sal é uma das maiores reservas de petróleo descobertas neste século. Não fosse por isso talvez os americanos não estivessem tão “preocupados” com nossa “democracia”.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

CONTEÚDO LOCAL [DA INDÚSTRIA DO PETRÓLEO], TCHAU QUERIDO!

Os canalhas anti-pátria se adonaram do petróleo e dão uma banana ao Brasil

Por Fernando Brito - Tijolaço - 25/10/2016

Enquanto os idiotas da Firjan e da Fiesp, que financiaram o golpe que derrubou o governo nacionalista, foram pedir a Michel Temer que não entregue toda a indústria associada à exploração de petróleo, a Petrobras de Temer maquina um golpe contra o Brasil.

O consórcio detentor do mega campo de Libra – liderado pela Petrobras, com participação da Shell, Total e dus empresas chinesas pediu à Agência Nacional do Petróleo a liberação para construir completamente no exterior a primeira da plataforma que irá explorar a jazida. No pedido, Petrobras e seus sócios alegaram que pretendem construir o navio-plataforma com a japonesa Modec.

Pelo contrato assinado por eles, o conteúdo local previsto em contrato é de 55% mas, se depender da vontade do ex-ministro do apagão, Pedro Parente, que está desmanchando a política nacional de petróleo, nem telhadinhos, gradis e escadas vão ser feitos aqui. Nada. Zero por cento.

Portanto, nem emprego, nem renda, nem impostos para esta “ralé” do povo brasileiro.

Só gente muito canalha conspira assim contra o seu próprio povo, seu próprio país.

É tão escandaloso que nem mesmo a ANP, que também não morre de amores pelo Brasil, quer liberar geral. O mais provável é que a “cota” nacional seja “minguada” aí para coisa de 30 ou 35%.

O que, em se tratado de uma obra de US$ 1 bilhão dará uma perda de US$ 200 – 250 milhões de dólares. E perda que ainda é mais expressiva porque o que será “liberado” para o estrangeiro é aquilo que tiver maior valor de conhecimento tecnológico agregado.

É bom que a turma do governo e das entidades patronais não passe na porta dos estaleiros, onde todos os dias centenas de trabalhadores vão bater à procura de um emprego.

Vai que eles resolvam não bater só na porta…


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O Pré-Sal é vosso! "Hoje é um dia histórico, dia em que Congresso traiu povo brasileiro e entregou Pré-Sal, nosso passaporte p/ futuro, p/ os estrangeiros." Erika Kokay (PT-DF).

O PRÉ-SAL AGORA É DELES

Brasil 247 - 05/10/2016
Em uma sessão longa e tumultuada, em que deputados da oposição vestiram jalecos de petroleiros para defender o pré-sal, e foram chamados de "ladrões", aos gritos, por parlamentares governistas, foi aprovado o projeto de lei que retira da Petrobras a obrigatoriedade de participar da exploração do pré-sal e abre o negócio a empresas estrangeiras; placar foi de 292 votos a favor, 101 contra e uma abstenção; faltam ser analisados destaques ao texto, o que deve ocorrer na semana que vem; "Hoje é um dia histórico, dia em que Congresso traiu povo brasileiro e entregou Pré-Sal, nosso passaporte para o futuro, para os estrangeiros", lamentou a deputada Erika Kokay (PT-DF)


247 - Em uma sessão longa e tumultuada, em que deputados da oposição vestiram jalecos de petroleiros para defender o pré-sal, e foram chamados de "ladrões" por parlamentares governistas, foi aprovado o projeto de lei que retira da Petrobras a obrigatoriedade de participar da exploração do pré-sal e abre o negócio a empresas estrangeiras.

"Hoje é um dia histórico, dia em que Congresso traiu povo brasileiro e entregou Pré-Sal, nosso passaporte p/ futuro, p/ os estrangeiros. Todos os países que optaram por entregar petróleo aos estrangeiros amargam pobreza, desigualdade e subdesenvolvimento. Uma lástima!", lamentou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

"Com 292 votos favoráveis, golpistas acabam de entregar o pré-sal ao capital estrangeiro. Um retrocesso para a Petrobras. Uma lástima para o Brasil", comentou a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Para Ivan Valente (PSOL-SP), o projeto é uma "dilapidação do patrimônio público".

Leia mais no texto da Agência Câmara:

Aprovado fim da participação obrigatória da Petrobras na exploração do pré-sal

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 292 votos a 101, o projeto de lei que desobriga a Petrobras de ser a operadora de todos os blocos de exploração do pré-sal no regime de partilha de produção (PL 4567/16, do Senado). Faltam ser analisados destaques ao texto, o que deve ocorrer na semana que vem.

Por horas, a oposição obstruiu os trabalhos por ser contra a flexibilização da regra com o argumento de que isso abrirá caminho para a futura privatização da Petrobras e perda de arrecadação da União.

A Lei 12.351/10 institui o regime de partilha e prevê a participação da Petrobras em todos os consórcios de exploração de blocos licitados na área do pré-sal com um mínimo de 30% e na qualidade de operadora.

O operador é o responsável pela condução da execução direta ou indireta de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento, produção e desativação das instalações.

sábado, 28 de novembro de 2015

Elo perdido. Esqueçam o que o PIG publica. É questão de dias para o "Petrolão Tucano" explodir.

Prisão de Delcídio deflagra o "Petrolão Tucano"

Zé Augusto - Blog Amigos do Presidente Lula - 29/11/2015

Esqueçam o que o PIG publica. É questão de dias para o "Petrolão Tucano" explodir.

Nas cerca de 1 hora e meia de gravação da conversa do senador Delcídio Amaral (PT-MS) gravadas por Nestor Cerveró, ele não cita absolutamente nada de maracutaia envolvendo Lula e Dilma. Nem mesmo cita nada envolvendo o PT. E era uma conversa privada com parceiros dele nas maracutaias, portanto poderia falar à vontade de malfeitos, como falou de alguns.

Charge Renato Aroeira - "O Elo Perdido?" 

Mas conversou sobre negociatas com a Alstom dos tempos em que era diretor de Gas e Energia da Petrobras no governo FHC (entre 1999 e 2001), antes de virar a casaca para o PT em 2002.

Fala também sobre o senador José Serra (PSDB-SP) ter jantado com ele para sondar se Gregório Preciado (ex-sócio e casado com uma prima de Serra) estava na delação de Cerveró e Fernando Baiano. Delcídio comenta que Gregório é quem está por trás de Baiano.

Conversa sobre propinas na compra de Pasadena ter sido uma "operação interna" da diretoria internacional "sem ter política" no meio. Cerveró teria pego uma parte da propina e disse que doou para campanha eleitoral de Delcídio sem o senador saber de malfeitos, coisa que os procuradores não acreditaram, segundo a conversa.

Além da gravação, pelo menos quatro ex-diretores e gerentes da Petrobras que foram subordinados a Delcídio e Cerveró são acusados de receberem propinas em Pasadena.

É curioso como Delcídio em nenhum momento fala que vai conversar com Dilma ou com Lula para aliviar Cerveró e outros diretores corruptos na Lava Jato. Fala em conversar com Temer, com Renan e com ministros do STF.

A única citação à Dilma é sobre ter visto na delação premiada de Cerveró vazada conter o tópico "Dilma sabia de todos os movimentos de Passadena" (uma afirmação dúbia, que não serve para incriminar). E Delcídio não faz nenhuma interferência para retirar isto da delação, só se preocupa em retirar seu próprio nome e o do banqueiro André Esteves. Logo, é ridículo jornalistas do PIG dizerem que Delcídio estaria ali no interesse de Dilma.

Com relação à Lula, acontece a mesma coisa. Delcídio comenta que Fernando Baiano pegou o "roteiro" da delação de Cerveró que falava do Bumlai e usou antes de Cerveró. Ou seja, Delcídio sabia que o nome de Lula seria usado e também não tava nem aí, só preocupando consigo e com André Esteves.

No final Delcídio ainda fala de Dilma, mas comentando achar que nem o Ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM), apita na Petrobras, indicando que Dilma não está deixando haver ingerência política. E demonstra ter pouco conhecimento do que se passa dentro da Petrobras hoje.

As capas dos jornalões de sábado são sintomáticas. Globo, Folha e Estadão já começam a jogar Delcídio para segundo plano. Não fazem ataques a Lula no caso Delcídio.

E só Estadão dá algum destaque em Delcídio ter falado em depoimento na Polícia Federal que Dilma o teria consultado sobre a indicação de Cerveró em 2003. Dilma desmentiu prontamente.

Segundo a Secretaria de Comunicação Social, "a presidenta Dilma Rousseff nunca consultou o senador Delcídio Amaral ou qualquer outra pessoa acerca da nomeação de Nestor Cerveró, para a diretoria da Petrobras" e "no período em que exerceu a função de ministra de Minas Energia, nunca sequer foi consultada ou mesmo participou, em qualquer medida, dessa indicação".

O Planalto informa que "aliás, como é público e notório, a presidenta da República não manteve relações pessoais com Nestor Cerveró, seja antes ou depois da sua designação para a diretoria da Petrobras".

Na cúpula das redações já sabem: o Petrolão Tucano vem aí.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O Desafio do Pré-Sal - Uma aventura para orgulhar o Brasil na Discovery Channel (A TV brasileira não fez nada parecido, como era de seu dever)

Uma aventura para orgulhar o Brasil

Por Fernando Brito · 25/10/2015 - Tijolaço
Produção de óleo e gás da Petrobras no pré-sal ultrapassou 1,1 mi barris/dia

Não é novo, tem quatro anos.

Mas me passou e deve ter passado a muita gente despercebido.

O documentário dirigido por Rodrigo Astiz e Marcello Bozzini, produzido pela Mixer para o Discovery Channel é algo que deve ser assistido e divulgado nestes tempos em que tentam reduzir a Petrobras a um amontoado de corruptos e ineptos.

É a prova que a nossa maior empresa vai sacudir a poeira que alguns de seus ex-integrantes atiraram sobre ela e continuar a ser a grande ferramenta de libertação econômica do Brasil.

Com narrativa técnica que não esconde a emoção dos homens e mulheres que tornaram possível descobrir e explorar em tempo recorde a maior jazida de petróleo do novo século.

Assista, chame a família para ver.

A TV brasileira não fez nada parecido, como era de seu dever.

Mas está aí, jorrando 1 milhão de petróleo por dia e crescendo a cada mês.

Coisa de gente que acredita no Brasil, coisa que irrita os que nos querem eternamente uma colônia.



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O rebaixamento do QI - Mino Carta comenta "confissão" de FHC sobre a Petrobras que não foi manchete nos jornalões da mídia nativa. Resumiu em "pequenas notas" escondidas.

O livro de memórias do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o trecho no qual ele afirma que a "bandalheira" na Petrobras já acontecia em seu governo são o tema da conversa entre o diretor de redação, Mino Carta, e o editor de mídia-online, Lino Bocchini.



Saiba mais:

Editorial
O rebaixamento do QI
Além de política, econômica e social, a crise é a da inteligência
Mino Carta - CartaCapital - 23/10/2015

Proclama a manchete da Folha de S.Paulo de sexta-feira 16: “Delator diz ter repassado R$ 2 mi para nora de Lula”. Texto a justificar o título, retumbante na primeira página, relata que, segundo o lobista Fernando Soares, o Baiano, o dinheiro foi entregue por ele a um amigo de Lula para ser levado à mulher de um dos filhos do ex-presidente, de fato dotado de quatro noras. O tal amigo, apontado como intermediário da operação, nega.

Alto e bom som, como não poderia deixar de ser, o Estadão também na sexta trombeteia: “Baiano diz que amigo de Lula acertou propina de US$ 5 mi”. De novo em cena aquele prestativo amigo, esclarece o texto, capaz de precipitar a manchete, para entregar a grana ao já ilustre Nestor Cerveró e mais dois funcionários da Petrobras.

Nem o Washington Post manifestou tamanha empolgação ao colher as provas do envolvimento de Nixon no Watergate. Pergunto aos meus estupefactos botões em que país dito democrático e civilizado confusas delações premiadas de um lobista, obviamente a carecerem de prova, seriam apresentadas pelos principais jornais com o destaque que lhes foi conferido pelos jornalões paulistas? Respondem em uníssono: Brazil, zil, zil. Algo me preocupa, nesta e outras situações similares, a saber a imediata credulidade de quem lê, pronto a repetir quanto leu qual fosse a sacrossanta verdade.

Há quem observe: contássemos com outra mídia, a opinião pública brasileira seria bem menos enganável. À parte o fato de que tenho dúvidas em relação à expressão opinião pública, em um país de 204 milhões de habitantes onde a Folha de S.Paulo se orgulha de alcançar 20 milhões, graças a cálculos baseados no fator multiplicador. Mas, no fundo, não é este o motivo da minha preocupação. A atual diz respeito, de fato, ao quociente de inteligência (nem ouso falar no espírito crítico) do leitor.

O momento do Brasil dos graúdos, devastado pela insensatez e movido a ódio de classe, favorece o triunfo da sandice e a impossibilidade de um debate justo, honesto, equilibrado. Inteligente. Por exemplo. Em um rompante de coerência, o PT se manifesta contra apolítica econômica do ministro Levy, e a mídia nativa, como sempre fiel do pensamento único, clama contra o engodo.

Ou, por outra, avisa: não se deixem enganar, isto é jogo de cena. Pelo comedido emprego de neurônios, não seria difícil entender que a sinceridade petista, no caso, bate de frente com os propósitos da presidenta. Não há, é solar, o estratagema das cartas marcadas.

Na moldura, se estabelece uma preciosa informação prestada por Fernando Henrique Cardoso em seu livro de memórias. Mereceria, esta sim, muito mais destaque do que lhe foi oferecido pelos jornalões de quarta 21: em 1996, quando presidente, o príncipe dos sociólogos teve sua atenção chamada para a corrupção reinante na Petrobras e deixou de intervir. Invoco a ajuda dos meus perplexos botões: “Mas a Petrobras não era governo também na época de FHC? Ou muito me engano?”

Esta, sim, é incoerência, dizem. Como assim? Recorrem a Justiniano: quem cala consente. Donde, concluo, seria o caso de dar à confissão do presidente tucano o peso devido, do tamanho de um deslize gravíssimo, de uma indiferença criminosa. Seria, retrucam, mas FHC tem poltrona cativa, adamascada, na casa-grande, e a reverência inoxidável da mídia nativa. Sei, sei, resmungo, mas ele também, ao confessar, não nos brinda com uma prova de esperteza. Pode tudo, no entanto.

Susto enorme levei, na manhã da quarta 21, ao tropeçar na manchete do Estadão. Ao vê-la de longe imaginei a eclosão da guerra mundial. Em toda a largura da primeira página, e em duas linhas. Ao lê-la, respirei aliviado, falava de uma das habituais delações destinadas a incentivar a crença no envolvimento de Lula em algum, qualquer, negócio escuso. Tentativa patética, se não estivéssemos no Brazil, zil, zil, ambiente cada vez mais propício ao rebaixamento progressivo do QI.

Nos últimos dias, me peguei diante de duas plateias bastante distintas. Em um debate sobre o excelente livro de Paulo Henrique Amorim, O Quarto Poder, Uma Outra História, em companhia de Laura Capriglione e do próprio autor.

Outra oportunidade tive ao receber o Prêmio Especial Vlado Herzog, que me honra e me comove, mesmo porque aquele assassínio cometido na masmorra do DOI-Codi é perfeito símbolo da violência de uma ditadura feroz e insana, ditadura antes civil que militar, porque nascida nas dependências da casa-grande, de onde saiu a convocação da caserna para a execução do serviço sujo.

Na primeira plateia, falava-se em democratização da mídia. Na outra, em liberdade de imprensa ameaçada. Pontos de vista opostos, ambos equivocados, conforme meus botões, embora o segundo seja ou hipócrita ou francamente néscio. Aqui a plateia acredita que liberdade se completa por si só, sem o corolário da igualdade, de sorte a se tornar, graças a tal ausência, na liberdade dos senhores de contar a história a seu talante.

Quanto à democratização da mídia, não sei o que exatamente significa. Bastaria aplicar por meio de leis específicas o que a Constituição determina com toda clareza contra o monopólio e o oligopólio. Sosseguem, leões: nosso Congresso nunca dará qualquer passo neste rumo. A democracia implica naturalmente uma mídia democrática. Precisaríamos é democratizar o Brasil.
Veja também

FHC sabia de tudo

Em livro de memórias, FHC diz ter sido informado por Benjamin Steinbruch de escândalo na estatal em 1996
CartaCapital - 23/10/2015

Em entrevista à revista alemã Capital, publicada em agosto deste ano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o escândalo de propinas em contratos da Petrobras havia começado no governo Lula. Mas Narciso só acha feio o que não é espelho.

No livro Diários da Presidência – volume 1, a ser lançado em 29 de outubro, FHC assume que tinha conhecimento de um esquema de corrupção na estatal em seu primeiro mandato e nada fez para interrompê-lo.

Em seu livro de memórias, o ex-presidente revela ter sido alertado em 1996 sobre um escândalo na Petrobras em um almoço com Benjamin Steinbruch, dono da Companhia Siderúrgica Nacional e indicado pelo tucano para o Conselho da estatal.

“Eu queria ouvi-lo sobre a Petrobras. Ele me disse que a Petrobras é um escândalo. Quem manobra tudo e manda mesmo é Orlando Galvão Filho, embora Joel Rennó tenha autoridade sobre Orlando Galvão.”

Em 1996, Rennó era presidente da estatal e Galvão Filho o presidente da BR Distribuidora. O tucano registrou ainda “que todos os diretores da Petrobras são os mesmos do conselho de administração” e sugeriu a existência de um jogo de cartas marcadas nas decisões da empresa. “São sete diretores e sete membros do conselho. Uma coisa completamente descabida.”

Embora tenha afirmado que havia necessidade de “intervenção” na Petrobras, FHC preferiu não interferir. “O problema é que eu não quero mexer antes da aprovação da lei de regulamentação do petróleo pelo Congresso.”

Esta, sim, é uma informação que mereceria dos jornalões da mídia nativa uma manchete, espaço sempre reservado apenas a acusações contra Dilma e Lula. Os petistas só foram acusados em delações premiadas e não há provas materiais contra eles. Por outro lado, o diário de FHC deixa claro: ele sabia de tudo.


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Paulo Henrique Amorim: O PIG está muito mais raivoso. O PIG adquiriu um ódio que é só comparável aquele que existia no tempo de Vargas.




O PIG está muito mais raivoso. O PIG adquiriu um ódio que é só comparável aquele que existia no tempo de Vargas. Um dos motivos pelos quais Vargas se matou em 1954 foi porque ele fez a Petrobras. Um dos motivos do ódio contra Dilma e Lula hoje... está o contrato de partilha da Petrobras." 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

O auto-de-fé de Graça Foster. O enredo de sua vida que bem poderia sugerir uma homenagem de uma escola de samba, acabou destruído pelo fogo inquisidor. As fogueiras foram substituídas pelas capas de jornais e revistas. Virou máscara de carnaval e viu, do seu apartamento, dezenas de pessoas a lhe atacar a honra e a dignidade.

O auto-de-fé de Graça Foster
"O enredo de sua vida que bem poderia sugerir uma homenagem de uma escola de samba, acabou destruído pelo fogo inquisidor. Muitas daquelas pessoas que lá foram a sua casa, não seriam capazes de fazer um escracho em frente à casa de um torturador da época da ditadura, mas foram capazes de insultar uma mulher que foi vítima de injusta campanha vilipendiosa.

Estamos todos a pequeno um passo midiático de sermos tidos por corruptos e criminosos. Saiu uma nova delação, mas qual? As capas de revistas e jornais prescindem de realidade concreta, basta a manchete. Para justificá-la, apenas se diz que Sicrano envolveu o nome de Fulano em uma delação premiada e pronto.
"

Por Patrick Mariano - Justificando - 07/02/2015


Nelly Senff é uma doutora em engenharia química que em 1975 resolve sair do leste para oeste de Berlim em busca de uma nova vida com o filho Alexej, após a morte do namorado. A vida nova na Alemanha Ocidental esbarra na difícil experiência de morar em um centro de refugiados e nos intermináveis e torturantes interrogatórios a que é submetida.

Aos poucos, descobre que a burocracia estatal da qual quis fugir e a insensibilidade impregnada nos procedimentos e processos administrativos não é muito diferente de um lado a outro. No Ocidente, fica à mercê do serviço secreto dos EUA que impiedosamente a coloca num jogo cruel de incontáveis interrogatórios sobre seu namorado. A ação faz com que Nelly desenvolva o medo e a desconfiança de tudo e de todos, até mesmo sobre a veracidade da morte do pai de seu filho. O processo pode despertar quadros paranoicos e isso Kafka bem ilustrou.


Tudo isso se passa no filme Westen (Alemanha, 2013), de Christian Schwochow. O filme faz parte da nova safra de filmes alemães e retrata, com profundidade, o drama do sujeito face ao estado. A luta é desigual e, quando não se dá em conformidade as regras estabelecidas, causa dor, sofrimento e a destruição do outro.

Nelly fugia de algo que ultrapassava as fronteiras e mal sabia que a sedução do poder punitivo sem freios é capaz de atravessar regimes e ideologias políticas.

Vivemos tempos parecidos. Existem algumas semelhanças entre a personagem do filme e Graça Foster, para além do fato de ambas serem engenheiras químicas. A personagem brasileira foi condenada sem julgamento por fatos que sequer participou. Como Nelly, sem sequer saber do que era acusada, passou meses sendo defenestrada na “opinião pública”, virou máscara de carnaval e viu, do seu apartamento, dezenas de pessoas a lhe atacar a honra e a dignidade.

De Foster pode se dizer (embora questionável seja) que não tenha sabido gerir uma empresa no momento de sua maior crise, mas não é disso que se trata. As pessoas que foram à sua residência não traziam cartazes escrito[1]: “má gestora”. Entre os inquisidores que foram a rua se ouvia:

“a gente quer que ela abra a boca e conte [o que sabe sobre os esquemas de corrupção dentro da estatal] e deixe de blindar os envolvidos. Ela está envergonhando todo mundo”.

E nas janelas, moradores aplaudiam o protesto e gritavam:

“Ô Graça Foster, você vai ver, o seu vizinho tem vergonha de você”.

Aqui há muitas semelhanças com as cerimônias de penitência (auto-de-fé) ocorridos na península ibérica séculos atrás. As fogueiras foram substituídas pelas capas de jornais e revistas.

Poucos ali sabiam que Maria das Graças Silva Foster saiu do interior de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, morou em favela da zona carioca e chegou a catar papelão e latas para contribuir na economia de casa até se tornar a primeira mulher a ocupar o cume da maior empresa brasileira.

O enredo de sua vida que bem poderia sugerir uma homenagem de uma escola de samba, acabou destruído pelo fogo inquisidor. Muitas daquelas pessoas que lá foram a sua casa, não seriam capazes de fazer um escracho em frente à casa de um torturador da época da ditadura, mas foram capazes de insultar uma mulher que foi vítima de injusta campanha vilipendiosa.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Paulo Francis, um fantasma nas redações. Em 1997 Paulo Francis afirmou que diretores da Petrobras engordavam contas bancárias na Suíça com dinheiro de propinas obtidas na compra de equipamentos. A lembrança de sua denúncia vem agora assombrar antigos dirigentes da empresa petroleira e colocar a imprensa brasileira diante de um dilema.

Trecho do filme "Caro Francis" de Nelson Hoineff

Paulo Francis não morreu

Luciano Martins Costa - Observatório da Imprensa - 17/11/2014

Os jornais do fim de semana registram o que pode vir a ser o ponto de inflexão das relações viciadas entre a política e os interesses privados no Brasil. A prisão de 24 altos executivos, entre os quais quatro presidentes de grandes empresas e um ex-diretor da Petrobras, coloca nas mãos da Justiça o material necessário para aprofundar as investigações sobre a corrupção e passar a limpo o sistema de financiamento de campanhas eleitorais.

A última etapa da ação policial está sendo chamada de “Juízo Final”. Os jornais dizem que serão citados pelo menos 70 senadores e deputados. Também está publicado que todos os partidos, com exceção do PSOL, foram financiados pelas empreiteiras acusadas no escândalo.

O evento coloca o Brasil diante da possibilidade de levar à frente uma “Operação Mãos Limpas” como a que sacudiu as instituições italianas nos anos 1990. O alto risco dessa operação reside no fato de que sua continuidade pode depender do empenho da imprensa em dividir com equilíbrio e de forma equânime as responsabilidades, sem omitir ou dissimular as culpas conforme a filiação partidária dos acusados. Deve-se lembrar também que o esquema descrito pelos jornais na segunda-feira (17/11) é uma cópia exata do “clube de fornecedores” revelado no escândalo do metrô de São Paulo.

Entre as muitas páginas publicadas desde sábado (15), apenas a Folha de S. Paulo dá espaço para os dois pontos que irão definir o alcance da ação policial. Num deles, o colunista Luiz Fernando Viana (ver aqui) critica a omissão da imprensa em buscar as origens do esquema de corrupção que envolve gestores públicos e fornecedores de produtos e serviços ao Estado. O jornalista questiona: “Por que passamos a achar que nos cabe apenas noticiar os acontecimentos mais recentes, sonegando ao leitor informações que ampliariam sua capacidade de discernimento?”

No outro exemplo, o articulista Ricardo Melo observa (ver aqui), muito a propósito, que, em 1997, o jornalista Paulo Francis afirmou, em comentário no programa Manhattan Connection, que havia um esquema de roubalheira na Petrobras. O então presidente da empresa, Joel Rennó, em vez de tomar alguma providência, abriu um processo de US$ 100 milhões contra Francis, lembra o articulista da Folha.

Um fantasma nas redações

Portanto, está definido o ponto mínimo de movimentação da imprensa diante do escândalo, sem o qual o noticiário deixa de merecer credibilidade: quais eram os fatos a que se referia o polêmico comentarista.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Petróleo que a mídia dizia não existir já enche 500 mil barris/dia. Assim como nas previsões sobre o “dia do juízo final” na Copa, a mídia estrangeira foi na conversa da mídia “brasileira” e agora, tanto quanto no esporte, pagará mico também na economia.

Petróleo que a mídia dizia não existir já enche 500 mil barris/dia
Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania - 30/06/2014 

Ao longo dos últimos anos, o “viralatismo” midiático e tupiniquim se cansou de fazer previsão tão furada quanto as que fez sobre a Copa de 2014, que afundaram como o Titanic assim que a competição começou. A mídia tucana dizia que o petróleo que o governo Lula e, depois, o governo Dilma afirmaram que jorraria do pré-sal não passava de “propaganda do governo” e que, se esse petróleo existisse, demoraria 10, 20 anos para ser extraído.

Assim como nas previsões sobre o “dia do juízo final” na Copa, a mídia estrangeira foi na conversa da mídia “brasileira” e agora, tanto quanto no esporte, pagará mico também na economia.

No início do ano, o vetusto diário ianque Washington Post cravou espalhafatosa matéria sob inspiração dos vira-latas tupiniquins: “Petróleo do Brasil, da euforia à dura realidade”. O “Post” dizia que a “euforia” brasileira com o pré-sal era tiro de festim, pois a existência das reservas era questionável e, caso o petróleo existisse, iria “demorar a jorrar”.

Clique na imagem para visitar a matéria do “Post” original.



A mídia internacional, afinal de contas, vem vindo na onda da brasileira desde 2008, quando o governo Lula já avisava da imensa descoberta que mudaria o futuro da nação. Pobre mídia gringa…

Aqueles oráculos do “viralatismo” verde-amarelo eram os de sempre – e ainda são. Suas previsões furadas eram as de sempre – e ainda são. Assim como previram o caos na Copa, previram que o pré-sal era balela – mas, sobre essa, não terão como “prever” mais nada…

E ninguém melhor para ilustrar um texto sobre previsões furadas em economia do que ele, o bom e velho Carlos Alberto Sardemberg, quem, nos fins de noite globais, ao lado do sombrio Willian Waack protagoniza verdadeira sessão-depressão em rede nacional.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Pensamento único nos veículos de mídia. A cartelização mediocrizante da notícia. Nossa mídia é um cartel, no sentido clássico do termo.


A cartelização mediocrizante da notícia
Luis Nassif - Jornal GGN - 23/06/2014 

1. TODOS os grupos de mídia fizeram a mesma cobertura negativa da Copa, com os mesmos tons de cinza, o mesmo destaque às irrelevâncias, prejudicando seu próprio departamento comercial pelo desânimo geral que chegava aos anunciantes.

2. NENHUM grupo preparou uma reportagem sequer mostrando os detalhes de uma organização exemplar, que juntou governos federal, estaduais, municipais, Ministério Público, Tribunais de Conta, Polícia Federal, Secretarias de Segurança, departamentos de trânsito, construtoras, fundos de investimento. NENHUM!

3. Depois, TODOS fazem o mea culpa e passam a elogiar a Copa no mesmo momento.



4. Na CPMI de Carlinhos Cachoeira TODOS atuaram simultaneamente para abafar as investigações.

5. Na do “mensalão”, TODOS atuaram na mesma direção, no sentido de amplificar as denúncias e esmagar qualquer medida em favor dos réus, até as mais irrelevantes.

6. Na Operação Satiagraha, pelo contrário, TODOS saíram em defesa do banqueiro Daniel Dantas, indo contra a tendência histórica da mídia de privilegiar o denuncismo.

7. No episódio Petrobras, TODOS repetiram a mesma falácia de que a presidente Maria da Graça disse que foi um mau negócio e o ex-presidente José Sérgio Gabrielli disse que foi bom negócio. O que ambos disseram é que, no momento da compra, era bom negócio; com as mudanças no mercado, ficou mau negócio. TODOS cometeram o mesmo erro de interpretação de texto e martelaram durante dias e dias, até virar bordão.

8. No anúncio da Política Nacional de Participação Social, TODOS deram a mesma interpretação conspiratória, de implantação do chavismo e outras bobagens do gênero, apesar das avaliações dos próprios especialistas consultados, de que não havia nada que sugerisse a suspeita. Só depois dos especialistas desmoralizarem a tese, refluíram - com alguns veículos ousando alguma autocrítica envergonhada.

É um cartel, no sentido clássico do termo.

sábado, 17 de maio de 2014

Petrobras. A compra de Pasadena se tornou pauta da grande imprensa com o objetivo de dar à oposição partidária, principalmente PSDB e PSB, um mínimo de argumento (tinham quase nada) nas próximas eleições...

Mídia e oposição querem sangrar a Petrobras, a bem dos EUA
Dr. Rosinha - Carta Maior - 15/05/2014 

A compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras não foi um negócio equivocado e atendeu a planejamento definido ainda no governo FHC.

Para ser bondoso e não pensar em coisa pior, prefiro dizer que há nos meios de comunicações privados um imbróglio de informações sobre a compra, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Digo "bondoso" porque sei que toda empresa privada, mesmo as de mídia (rádios, TVs, jornais, revistas, etc.), tem interesses políticos, econômicos, financeiros, comerciais, etc.

A compra de Pasadena se tornou pauta da grande imprensa com o objetivo de dar à oposição partidária, principalmente PSDB e PSB, um mínimo de argumento (tinham quase nada) nas próximas eleições, muito embora esse argumento contrarie os interesses nacionais e não se sustente em um exame mais profundo.

E chamo de imbróglio porque vou aqui usar livremente o artigo de Marcelo Zero, que justamente assim designa todo esse assunto.

Na realidade, a Petrobras sempre incomodou os conservadores do país. Pudera. Nascida da histórica campanha nacionalista “o Petróleo é nosso”, a Petrobras se converteu naquilo que os neoliberais consideram praticamente uma impossibilidade: uma empresa estatal bem sucedida e eficiente.

Ela é um acabado contraexemplo das teses antiestatais e antidesenvolvimentistas que sustentavam o fracassado paradigma privatizante e liberalizante, cantado em prosa e verso pelo PSDB, DEM e PPS, que ruiu no início deste século. Ruiu no Brasil graças aos governos do PT, e na Europa e nos Estados Unidos, por ser um sistema que sobrevive do (U$S) oxigênio do Estado.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Manchete: lucro da Petrobras caiu 30%. E em lugar nenhum: o da Shell caiu 44% e o da Chevron, 27%

Manchete: lucro da Petrobras caiu 30%. E em lugar nenhum: o da Shell caiu 44% e o da Chevron, 27%
Fernando Brito - Tijolaço - 10/05/2014

O ódio da imprensa brasileira à Petrobras não tem tamanho.

O resultado financeiro trimestral divulgado ontem – R$ 5,4 bilhões – só
foi inferior ao de 2013 ( R$ 7,7 bi) porque a empresa provisionou R$ 2,4 bilhões para o pagamento de indenizações de um imenso programa de desligamento voluntário de nada menos que 12% de seus empregados.

Basta somar e ver que, sem isso, seria maior.

Tanto que o lucro operacional no 1º trimestre de 2014 foi de R$ 7,6 bilhões, 8% superior ao do último trimestre de 2013.

A tal queda de produção de 2.552 mil barris de óleo equivalente (petróleo e gás) diários para 2.531 mil é menor do que a produção de um único poço posto em operação quinta-feira, no pré-sal do Campo de Lula (26 mil barris/dia) e só ocorreu porque uma plataforma alugada está sendo substituída por uma própria no campo de Roncador e pela paralisação, por um incêndio, da plataforma P-20 (20 mil barris diários) no campo de Marlim, provocada por um incêndio e já de volta à produção.

Quem entende do negócio sabe que, no lugar de ser decepcionante, o desempenho da Petrobras foi bom e será ótimo nos próximos balanços trimestrais.

Até porque não foi um bom trimestre para as petroleiras.

O lucro trimestral da Shell caiu 44% no trimestre.

O da BP caiu 23%.

Os ganhos no 1° trimestre da Chevron, 27%.

Mas isso não virou manchete lá, porque todos sabem que são oscilações normais na operação de uma empresa petrolífera.

quinta-feira, 27 de março de 2014

A Petrobras é a maior e mais bem-sucedida empresa do Brasil. E por ser uma estatal e eficiente, sempre incomodou os conservadores do país.

A PETROBRÁS INCOMODA

Erro cometido na compra de Pasadena não pode encobrir vitórias recentes na mais bem sucedida empresa da história do país

por Marcelo Zero (*)

A Petrobras incomoda. Na realidade, a Petrobras sempre incomodou os conservadores do país.

Pudera. Nascida da histórica campanha nacionalista “o Petróleo é nosso”, a Petrobras se converteu naquilo que os paleoliberais consideram praticamente uma impossibilidade: uma empresa estatal bem-sucedida e eficiente. Ela é um acabado contraexemplo das teses antiestatais e antidesenvolvimentistas que sustentavam o fracassado paradigma privatizante e liberalizante que ruiu no início deste século.

Assim, a Petrobras é anátema, nos cânones do (paleo)neoliberalismo tupiniquim. Não deveria existir, mas existe. Não deveria fazer sucesso, mas faz. A Petrobras é a maior e mais bem-sucedida empresa do Brasil.

No início, há 60 anos, diziam que o Brasil não tinha petróleo. Convenientes estudos de geólogos estrangeiros asseguravam que não havia jazidas de óleo em território nacional. A Petrobras, portanto, não fazia muito sentido.

Mas ela perseverou e acabou descobrindo, graças a um enorme esforço de pesquisa, jazidas significativas de petróleo e gás em nosso leito marítimo. Primeiro no Nordeste; depois na Bacia de Campos. Tais jazidas, situadas no que hoje se conhece como pós-sal, contribuíram para diminuir bastante a nossa dependência de importações de hidrocarbonetos.

Mesmo assim, as ofensivas contra a grande estatal brasileira continuaram. No governo Collor, o Credit Suisse chegou a apresentar um plano para privatizar a Petrobras. O plano privatizava a companhia por partes. Primeiro, se venderiam as suas subsidiárias, o que, de fato, ocorreu posteriormente. Depois, a holding seria fatiada em unidades de negócio, as quais seriam privatizadas, em seguida.

No entanto, foi no governo FHC, que essas ofensivas se intensificaram e se concretizaram parcialmente.

Com efeito, foi naquele governo que se promulgou a famosa Lei nº 9478/97. Essa norma produziu duas grandes consequências.

segunda-feira, 24 de março de 2014

O jogo pesado: tirar a Petrobras de campo. Uma costela de pirarucu engasgada na goela do neoliberalismo, que atrapalha a "ordem natural das coisas".

O jogo pesado: tirar a Petrobras de campo
Saul Leblon - Carta Maior - 24/03/2014

O caso Pasadena pode ser tudo menos aquilo que alardeia a sofreguidão conservadora. O alvo é: espetar na Petrobras a prova da presença do Estado na economia.

O caso Pasadena pode ser tudo menos aquilo que alardeia a sofreguidão conservadora.


Pode ser o resultado de um ardil inserido em um parecer técnico capcioso. Pode ser fruto de um revés de mercado impossível de ser previsto, decorrente da transição desfavorável da economia mundial; pode ser ainda –tudo indica que seja-- a evidência ostensiva da necessidade de se repensar um critério mais democrático para o preenchimento de cargos nas diferentes instancias do aparelho de Estado.

Pode ser um mosaico de todas essas coisas juntas.

Mas não corrobora justamente aquela que é a mensagem implícita na fuzilaria conservadora nos dias que correm.

Qual seja, a natureza prejudicial da presença do Estado na luta pelo desenvolvimento do país.

Transformar a história de sucesso da Petrobrás em um desastre de proporções ferroviárias é o passaporte para legitimar a agenda conservadora nas eleições de 2014.

Ou não será exatamente o martelete contra o ‘anacronismo intervencionista do PT’ que interliga as entrevistas e análises de formuladores e bajuladores das candidaturas Aécio & Campos? (Leia neste blog ‘Quem vai mover as turbinas do Brasil?’)

Pelas características de escala e eficiência, ademais da esmagadora taxa de êxito que lhe é creditada – uma das cinco maiores petroleiras do planeta, responsável pela descoberta das maiores reservas de petróleo do século XXI-- a Petrobrás figura como uma costela de pirarucu engasgada na goela do mercadismo local e internacional.

quinta-feira, 6 de março de 2014

5 questões que desafiam a grande imprensa comercial do copo meio vazio. Numa lista de 13 grandes economias, incluindo China e Estados Unidos, o Brasil apresentou o terceiro maior crescimento. Mas, para a velha turma do quanto pior melhor, nem se o crescimento fosse superior a 13% seria considerado razoável.

5 questões que desafiam a grande imprensa
A imprensa comercial joga contra o Brasil. No time da oposição, é a camisa 9 da propaganda anti-governo, se posicionando na grande área para as eleições

Daniel Quoist - Carta Maior - 05/03/2014

1. O PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2013. Numa lista de 13 grandes economias, incluindo China e Estados Unidos, o Brasil apresentou o terceiro maior crescimento. Esse crescimento é ruim para o país? Para o país não, mas para a oposição além de medíocre, é sofrível! É como se os bicos dos tucanos tivessem rachado ao colidir com a parede da realidade mundial. Qualquer país adoraria conviver com a mediocridade de um crescimento de sofríveis 2,3% em seu PIB. Mas, para a velha turma do quanto pior melhor, nem se o crescimento fosse superior a 13% seria considerado razoável.
LINK: Em 2013 PIB cresce 2,3% e totaliza R$ 4,84 trilhões
2. Qualquer militante oposicionista pode infernizar a vida dos petistas presos na Papuda? Pode e é simples: basta um jornal qualquer publicar que José Dirceu se comunicou com alguém usando um celular e então ou o ministro Joaquim Barbosa ou seu preposto, o delegado da Vara de Execuções Penais, Bruno Ribeiro, o mantém em regime fechado e adia até não mais poder o prazo para decidir sobre seu pedido para trabalhar fora do presídio. Se um site instrumentalizado pela oposição difundir com algum sucesso a notícia de que Delúblio Soares ofereceu uma feijoada na Papuda, tal versão já será mais que suficiente para trazê-lo de volta ao regime fechado. Mais um pouco e o estagiário de uma revista dirá que José Genoíno começou uma briga ao estilo “Velozes e Furiosos” no pátio de sua casa. Resultado: em meia hora estará amargando o regime fechado no pátio da Papuda.
LINK: Petistas enfrentam Globo e Band durante protesto contra prisão de Dirceu e Genoino
3.  Qual a reação do colunismo político sobre os rompantes, diatribes e chiliques de Joaquim Barbosa ao vivo e a cores na TV Justiça quando insiste em mostrar indisfarçável repulsa ao voto proferido por Luiz Roberto Barroso? Consideram politicamente muito pertinente e juridicamente muito natural. Recebe até conselhos para se aposentar antecipadamente e se candidatar nas eleições de 2014. Os motivos oferecidos à guisa de conselhos ao irritadiço ministro estão a um passo da infâmia: porque amargar uma derrota no STF e se “submeter” à presidência de Ricardo Lewandowski dentro de mais alguns meses? O ministro faz intervenções abruptas e histriônicas sempre de olho no relógio da Corte – há que estar sincronizado com o início do Jornal da Nacional da Globo. Não lhe parece natural que a bancada do JN deixe de mencionar seu nome e de lhe reforçar a aura de justiceiro solitário sempre que é feita a escalada das matérias.
LINK: Joaquim Barbosa é eleito Messias no 1º turno
4. Porque um jornal espanhol – o influente El País – afirma em sua capa que é praticamente unânime a avaliação de que a Petrobras é um sucesso no longo prazo e que a petrolífera brasileira será capaz de reduzir o endividamento este ano seguindo seu plano estratégico e, ao mesmo tempo, notícia como essa nem mesmo chega a ser considerada como nota de rodapé em qualquer dos tradicionais jornais brasileiros? Nossa imprensa tradicional só repercute no Brasil matéria publicada no exterior que diminua o prestígio do Brasil, ataque suas instituições econômicas a começar pela insistência na demissão do ministro Mantega ou que espinafre a organização da Copa 2014 e preveja a falência da Petrobras. Em síntese, repercussão apenas para o Brasil que não pode de modo algum dar certo. Porque o que dá certo levanta a bola do governo e levantando essa bola, mais água cairá no moinho da reeleição da presidenta Dilma. O risco para a grande imprensa é que o PT seja vitorioso e dessa vez... em primeiríssimo turno.
LINK: Sucesso exploratório no pré-sal é de 100% em 2013
5. Luiz Roberto Barroso tem feito os mais brilhantes e bem fundamentados votos que um ministro do STF tenha proferido nos últimos anos sobre a AP-470, o dito mensalão, muito bem, porque então não recebe qualquer aplauso da grande imprensa? Porque o que interessa é manter o STF em seu viés máximo de partidarismo político, atuando como partido político de forma escancarada, transformando seu presidente Joaquim Barbosa em candidato à presidência da República e no único capaz de levar as eleições de outubro próximo para um hipotético segundo turno. Barroso é jurista, é professor de direito, é reconhecido nos meios jurídicos por um refinamento intelectual que destoa profundamente dos demais integrantes da Corte. Porque ao se posicionar sobre quaisquer temas jurídicos, Barroso tem mais é que ser escanteado para o banco de reservas. Sua postura, altivez e independência o tornam impossível de ser patrulhado e menos ainda de ser “colonizado” pela grande imprensa.

LINK: STF: Barroso é contra "tribunal de exceção"


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Brasil agregará mais petróleo ao mundo até 2025 do que o Oriente Médio. Vamos ser mais importantes para suprir o crescimento da demanda de petróleo do que a Arábia Saudita, do que o Iraque, do que o Irã, do que o Kuwait somados!


Brasil agregará mais petróleo ao mundo até 2025 do que o Oriente Médio
Fernando Brito - Tijolaço - 13 de novembro de 2013 | 10:25

Quem quiser se iludir, que se iluda.

Pode ficar achando que a mídia está preocupada com a receita da Petrobras ao defender o aumento – necessário, aliás – dos preços dos combustíveis.

Ou que a turma do “vende-país” que se assanha para voltar, de carona com Aécio Neves ou Eduardo Campos – tanto faz, como diz FHC – é que sabe fazer “leilão bão”.

Ou ainda que não insuflam os bem intencionados – mas ingênuos – que acham que se pode deixar o petróleo dormindo lá no pré-sal, esperando que o Divino Espírito Santo nos arranje o dinheiro para explorarmos sozinhos, com tudo o que isso envolve de centenas de bilhões de dólares de investimento.
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Agora, que quiser entender, de verdade, o que está por detrás dessa história, olhe o gráfico acima, divulgado ontem pela Agência Internacional de Energia, em seu relatório anual. A Agência é um órgão da OCDE reúne os países desenvolvidos e alguns poucos em desenvolvimento, e o Brasil não é um deles.

Sim, é isso mesmo que você está vendo lá nos dados: o Brasil vai contribuir MAIS que o Oriente Médio no crescimento da produção de petróleo mundial até 2025. E o resto do mundo tem previsão de queda na produção.

Entendeu? Vamos ser mais importantes para suprir o crescimento da demanda de petróleo do que a Arábia Saudita, do que o Iraque, do que o Irã, do que o Kuwait somados!

Será que você se recorda do quanto foi investido em guerra, armamento, sabotagem e intervenção nestes países nos últimos 30 anos?

Será que aqui não vale uns tostõezinhos para quem gastou tanto, em dólares e em vidas humanas, para garantir seu suprimento de petróleo?

A partir daí, meu preclaro amigo e minha arguta amiga, deixo por sua conta imaginar.

Só digo ainda duas coisas, apoiado neste segundo gráfico.


A primeira é de que previsão da AIE para o Brasil é modesta e conservadora, sobretudo no segundo período, de 2025 a 2035. O potencial de nosso pré sal é maior que esse e nem está integralmente revelado.

A segunda é para tomar cuidado com a conversa de “fontes limpas” de energia que, embora seja correta e deva ser perseguida por todos os países – e são os ricos que mais resistem a essa obrigação – é usada, com frequência, com a mesma hipocrisia com que se fala da Amazônia, depois de terem devastado as florestas de seus próprios países.

Nossa matriz energética para a geração de energia elétrica é e será muito, mas muito menos, poluidora do que a do restante do mundo, sobretudo a dos países desenvolvidos, que são verdes só no quintal dos outros, depois de terem cimentado os seus.

A poluição é um fato econômico e, como todos os fatos econômicos tem um lado perdedor e um ganhador. O perdedor somos toda a humanidade, mas o ganhador sabemos muito bem quais são.

Por: Fernando Brito

sábado, 19 de outubro de 2013

Negócio da China. Por que é bom torcer para que a China ganhe o leilão de Libra

A China e o campo de Libra
Tijolaço - 19 de outubro de 2013 | 13:48

O jornalista Paulo Nogueira toca num ponto que já foi abordado pelo Tijolaço algumas vezes, com outro enfoque. A presença da China na parceria com a Petrobrás, explorando o Campo de Libra, é mais vantajosa para o Brasil do que a norte-americana ou britânica. No artigo, Nogueira cita uma economista zambiana que tem abordado as diferenças entre China, Europa e EUA no tratamento dos problemas do continente africano.

Enquanto Europa e EUA sempre se caracterizaram pela exploração predatória, temperada por um assistencialismo de ongs, a China tem gerado empregos, indústrias e empreendedorismo na África. Nogueira, ao final do texto, dá uma estocada no nacionalismo hipócrita e demagógico de Serra, flagrado pelo Wikileaks prometendo dar o pré-sal a Chevron, petroleira norte-americana.


Por que é bom torcer para que a China ganhe o leilão de Libra
Por Paulo Nogueira, no Diario do Centro do Mundo

Uma questão tem sido virtualmente ignorada — ou deliberadamente distorcida — no controvertido leilão do campo de libra: a presença da China.

É a chamada boa notícia.

Torcemos para que a China ganhe. É o melhor parceiro que se pode ter hoje. Em seu excelente livro “The Winner Take All”, que relata a corrida organizada e bem-sucedida chinesa em busca de recursos naturais que garantam seu futuro, a economista Dambisa Moyo mostra como a China rompeu o paradigma ocidental nessa área.

Tradicionalmente, o ocidente promoveu guerras para tomar posse de áreas ricas em recursos naturais. Por meio das bombas, estabeleceu relações que eram absurdamente desfavoráveis para os países plenos de recursos. Veja o que os Estados Unidos fazem há anos no Oriente Médio, por exemplo, para assegurar petróleo.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Petrobras. Lições de uma sessentona rebelde que nasceu das ruas. Há 60 anos, uma geração de homens e mulheres apostou que o petróleo era necessário ao país.

"Se dependesse das restrições da época e do imediatismo das elites saqueadoras, Getúlio Vargas não teria criado a Petrobrás, naquele 3 de outubro de 1953."

Lições de uma sessentona rebelde
Saul Leblon -Carta Maior - 01/10/2013

Mais que uma empresa de petróleo, a Petrobrás é um marcador incômodo do desenvolvimento brasileiro.

Seus sessenta anos comemorados nesta 5ª feira, 3 de outubro, arguem o país do século 21 com um exemplo de audácia bem sucedida trazida do ciclo anterior.

A implícita capacidade de cobrar o presente com o desassombro de um passado que o pré-sal atualiza e magnifica, talvez seja a principal explicação para a profunda antipatia que a simples menção do seu nome inspira no sistema auditivo conservador.

Mais que antipatia, há um esforço para tornar inaudíveis as perguntas que a sua trajetória enseja.

Por exemplo: como é que uma Nação que teve audácia de se credenciar na corrida do petróleo, num tempo em que isso equivalia a uma maratona de ricos, sofre hoje a duras penas para fazer rodovias?

Ou ampliar portos? Ou ainda, estender dormentes de trens? Rasgar e concretar um simples canal para levar um pouco do São Francisco ao sertão nordestino, que concentra a maior demografia mundial em um regime semi-árido?