domingo, 23 de abril de 2017

O brasileiro é um escravo da mídia. Manipulado 24 horas por dia, o brasileiro não pensa por si mesmo

O brasileiro é um escravo da mídia.

Por Cris Penha - via Facebook - 23/04/2017 

Infelizmente o ódio plantado pela mídia dividiu a sociedade, famílias e amigos. Não se debate ideias, políticas sociais e econômicas. Acabou o diálogo. Os especialistas escolhidos a dedo explicam as causas da crise econômica e as receitas pra sair dela de acordo com os interesses dos donos das emissoras e do mercado financeiro. Dividiram pra conquistar o poder indiretamente, já que pelas urnas não conseguiam.
Charge: Zeppa Ferrer
Criminalizaram tudo que foi feito desde 2003, como se o país fosse uma Suécia em 2002, ao mesmo tempo que blindaram as políticas liberais e a corrupção dos partidos de direita. Culparam apenas a esquerda pela corrupção, quando a delação da Odebrecht deixou claro que o problema é histórico, generalizado e passa pelo nosso sistema político arcaico, onde a população tem sua parcela de culpa por eleger políticos corruptos e sem compromisso com a maioria da população.

Nem com tudo que estamos vendo, com o país sendo governado por uma quadrilha de delatados por corrupção, com essas reformas que destroem direitos históricos, com o corte de programas sociais importantes, com a entrega das riquezas nacionais, o povo se une pelo país. Por muito menos a população foi às ruas em 2013 quando o país crescia: 20 centavos e serviços públicos padrão Fifa. Ganharam de Temer o desmonte desses serviços e estão pouco se lixando. Por muito menos arrancaram Dilma: pedaladas fiscais. Hoje o déficit público é maior, culpam os aposentados por isso, nem se menciona a mais alta taxa de juros do planeta e ninguém não quer nem saber. Por que não tem a mesma reação hoje?

A grande mídia, altamente concentrada no país nas mãos de poucas famílias e suas retransmissoras, rádios e jornais locais nas mãos de políticos de direita, teve papel fundamental ao longo da história de combater e destruir políticos nacionalistas com visão social e blindar seus corruptos de estimação até os levarem ao poder. Não é diferente agora. Pra inflar manifestações de rua, jogaram a culpa da corrupção em um partido e em Dilma que nem acusada de pedir ou receber propina é. Pra destruir políticas sociais implantadas da última década, fizeram o diabo. E ainda fazem, como vemos com Lula, que se cometeu erros merecia o mesmo tratamento que a mídia dá aos seus políticos de estimação, como Aécio, Serra, Alckmin, FHC, Temer, todos com denúncias graves nas costas, mais até do que Lula. Percebe-se que a intenção não é destruir Lula por uma questão de corrupção (se provada), mas pelo que ele fez e representa.

A mídia defende os próprios interesses e os interesses dos anunciantes: grandes empresas que vão ganhar muito com essa reforma trabalhista e a terceirização irrestrita. Esconde que sempre tiveram ligação com o Estado, conseguindo empréstimos bilionários, vultosas verbas de publicidade mesmo na crise. Que apoiaram diversos movimentos anti democráticos e que foram contra a maioria das conquistas dos trabalhadores, como o 13º salário por exemplo. Manipulado 24 horas por dia, o brasileiro não pensa por si mesmo, aceita o que a grande mídia diz mesmo quando vai contra seus interesses. Só protesta se esta mandar. Hoje blindam o governo Temer dizendo que as reformas não podem parar para que o povo aceite o que aí está, mesmo sendo um governo nefasto e corrupto.

É quase impossível lutar contra algo assim, se a própria população não se liberta. O brasileiro é um escravo da mídia. Nós tentamos alertar desde o início, desde 2014 o que estava em jogo. Pessoalmente, assim como muitos aqui, fui xingado e ridicularizado mas quem vai pagar o pato? Quem vai ser terceirizado? Quem vai perder direitos trabalhistas e se aposentar com 65 anos após quase meio século de contribuição? Quem ajudou a colocar um governo ainda pior em termos de corrupção? Quem nunca entendeu que o problema passava por reforma política? Que o objetivo por trás do impeachment/golpe nunca foi acabar com a corrupção? Que estavam sendo usados pelo Pato Amarelo delatado que vai lucrar nas costas dos paneleiros com essas reformas?

Me desculpem esse texto grande, textão para os midiotas que nos colocaram nessa situação e que acham que é possível explicar a realidade do país em uma frase. Cansei de perder tanto tempo assim defendendo quem está mais preocupado com o time de futebol, a final do BBB ou com a novela. Claro que não vou desistir, continuarei fazendo a minha parte, talvez com menos frequência do que já faço pois realmente cansa. Mas o brasileiro merece o que está por vir. Merece perder direitos históricos. Merece pagar o pato. Pelo menos até 2018 quando esperamos que já tenham percebido a triste situação em que se colocaram e, consequentemente, o país.

sábado, 22 de abril de 2017

O golpe de 2016 evoluiu para a ditadura jurídico-midiática da Rede Globo com a Lava Jato e setores da PF, judiciário e STF

O Brasil sob a ditadura Globo-Lava Jato

Por Jeferson Miola - Via Facebook - 22/04/2017 
É difícil aceitar a dolorosa realidade, mas o Brasil está, efetivamente, sob um regime ditatorial. O golpe de 2016 e o regime de exceção evoluíram para a ditadura jurídico-midiática da Rede Globo com a Lava Jato e setores da PF, judiciário e STF. Assim como na ditadura instalada com o golpe de 1964, a engrenagem desta ditadura também contou com a participação decisiva da Rede Globo.

O editorial do jornal O Globo deste 22 de abril, por ironia o dia que marca 517 anos da descoberta do Brasil pelos dominadores portugueses, revela a simbiose estratégica entre a Globo e a força-tarefa da Lava Jato. Ambos, a serviço de interesses estrangeiros, adotam idêntica linguagem, empregam os mesmos métodos, e partilham do mesmo ódio fascista aos seus inimigos.

No editorial “Cerco de depoimentos confirma Lula como o chefe”, o Globo conclui existir “estridente evidência de que Lula não poderia desconhecer aquilo tudo”. No dicionário do regime de exceção, “estridente evidência” é sinônimo de “não temos provas, mas temos muita convicção”.

A imputação da Globo – “Lula como o chefe” – é variante daquela acusação leviana, apresentada no power-point do fanático procurador Deltan Dallagnol: “Lula é o comandante máximo do esquema de corrupção”.

Num tom inquisitorial, medieval, O Globo sentencia: “O desnudamento de Lula em carne e osso, em praça pública, com os pecados da baixa política brasileira, parece apenas começar”. Por outra ironia da história, esta frase dantesca foi escrita no dia seguinte ao feriado nacional de 21 de abril, data em que se homenageia o revolucionário Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier, líder da Inconfidência Mineira na luta de libertação do Brasil da Coroa Portuguesa que em 21/4/1792 foi enforcado, esquartejado e as partes do seu corpo expostas “em carne e osso, em praça pública” – como preconiza a Globo – para desencorajar os revoltosos pela liberdade e pela independência.

O sistema político foi estrategicamente destroçado. Os sem-voto hoje deliberam sobre a política e os destinos do país, num contexto de flagrante ilegitimidade e desordem institucional. O Brasil não se movimenta para nenhum lado antes de assistir, todas as noites, as edições maniqueístas do Jornal Nacional – verdadeiras ogivas nucleares lançadas para dizimar a imagem do maior líder popular do país.

O que seria inconcebível numa democracia saudável é naturalizado no regime de exceção – como, por exemplo, o vídeo dos obscurantistas procuradores Dalagnoll e Carlos Fernando insuflando a população contra o Congresso para impedir a aprovação do projeto de lei que pune o abuso de autoridade deles próprios, posto que se consideram soberanos, acima das Leis e da Constituição.

O Congresso, dominado por uma maioria de parlamentares corruptos e ilegítimos que perpetrou o golpe de Estado com o impeachment fraudulento da Presidente Dilma, promove a destruição dos direitos econômicos e sociais e entrega a soberania nacional esperando, em troca, ser retribuído pela ditadura jurídico-midiática.

Os empreiteiros já condenados na Lava Jato agora mudam o conteúdo dos depoimentos prestados no início da Operação e passam a fabricar mentiras [como a invenção de que Lula teria mandado destruir provas] para que o justiceiro Sérgio Moro consiga inventar, na audiência judicial de 3 de maio, um crime que caiba no Lula.

A prisão dos empreiteiros é usada como barganha e moeda de troca para fazer com que estes mesmos grupos capitalistas que corrompem o sistema político há décadas, ajudem a ditadura Globo-Lava Jato na missão doentia de liquidar Lula e o PT.

Em novembro de 2016, o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, mentiu e prestou falso testemunho no TSE com o objetivo de dar causa à cassação do registro do PT pelo tribunal presidido pelo tucano Gilmar Mendes, no que foi desmascarado pelas provas apresentadas pela defesa da Dilma. Apesar do dolo comprovado, o safado empresário ficou impune, não foi punido. 

A mudança das delações da Odebrecht e da OAS, forçada para incriminar o ex-presidente Lula, é um atentado ao Estado de Direito e à democracia. Esta prática corrente, de arbítrio da Lava Jato, só é possível porque a Operação foi concebida como um organismo monolítico dos militantes tucanos incrustrados na PF, no MP e no judiciário – todos eles [delegados da PF, procuradores e juízes], sem exceção, com manifestações odiosas nas redes sociais – anti-PT, anti-Lula e pró-PSDB.

Não existe na força-tarefa um único funcionário público com perspectiva jurídica dissonante, o que asseguraria equilíbrio, isenção e imparcialidade da Lava Jato. O controle ideológico da Operação por aqueles agentes partidarizados é absoluto; e, por isso, a Lava Jato se converteu neste campo livre e desimpedido para o arbítrio que se conhece.

A Lava Jato se afastou definitivamente do escopo investigativo e criminal e adentrou no território perigoso do nazi-fascismo; naquilo que Hannah Arendt conceituou como “a banalidade do mal” – um ambiente institucional propício às escolhas autoritárias, ditatoriais, fascistas.

A situação do Brasil no pós-golpe se encaminha para um regime ditatorial de novo tipo, diferente dos regimes ditatoriais do passado. A ditadura de hoje não é civil-militar; porque é jurídico-midiática.

O padrão da resistência democrática, por isso, tem de mudar, não pode seguir o mesmo curso. A Lava Jato espezinhou totalmente o sistema político [a sobrevivência do Temer e da cleptocracia golpista se deve a isso]; a Operação vergou a resistência do grande capital, que é uma espécie de Estado paralelo dentro do Estado de Direito, fazendo com que os grandes capitalistas se insurjam [contraditoriamente] contra Lula, o governante que mais expandiu o capitalismo brasileiro.

Agora, com a ditadura jurídico-midiática, a Globo e a Lava Jato assumem a dominância absoluta do projeto transnacional de dominação anti-popular e anti-nacional.

A luta em defesa da Constituição e pela restauração do Estado de Direito no Brasil tem de subir de patamar – a desobediência civil é um direito humano inalienável; um direito legítimo e uma forma de luta eficiente contra as ameaças totalitárias e contra as formas de dominação baseadas na tirania e na opressão.

sábado, 15 de abril de 2017

Fernando Horta: Guarde suas avaliações éticas para quando você for votar para miss mundo ou para o próximo papa

É a Síria que leva bomba, mas é a esquerda brasileira que se despedaça.
Por Fernando Horta - Via Facebook - 15/04/2017


Nos últimos dois dias a esquerda brasileira está numa luta intestinal da qual só pode sair mais merda (com o perdão do trocadilho). É um defeito grande de todas as esquerdas do mundo acharem-se reserva moral da luta anti-imperialista e anti-capitalista. Cada um querendo mostrar que sua careca é mais limpa e mais lustrosa e que até o seu bumbum é tão cheiroso quanto o de neném recém trocado.

Enquanto isto, a direita, que esta semi-morta, respira e se apoia. As delações do odebrecht expõem 3 coisas e somente 3 coisas certas:


1) A Odebrecht só é o que é em função do seu parasitismo com o Estado Brasileiro


2) Este parasitismo começou nos tempos de Emílio Odebrecht, ou seja lá nos idos dos anos 60 e 70


3) As empresas brasileiras fazem política e os políticos brasileiros são capitalistas argentários.

De resto, tudo precisa ser investigado e apurado. Para a direita e esquerda. Com relação ao Lula pesam duas coisas e nenhum crime:


1) Tudo o que falam dele é do período POSTERIOR ao de ser presidente


2) Usar seu prestígio pessoal em benefício de A ou B não é contra a lei em país algum.


3) Receber dinheiro pelo seu conhecimento, sua retórica ou seus contatos chama-se "capitalismo" e "networking".


O resto são ilações, inveja, desonestidade intelectual, preconceito, discurso de ódio, traição de quintas colunas e etc. Escolha onde o seu discurso se encaixa.


E guarde suas avaliações éticas para quando você for votar para miss mundo ou para o próximo papa. Política não é uma aula de jardim de infância onde crianças puras expressam suas ideias e vontades de forma livre buscando o elogio das professoras.


Política é suja, baixa, violenta e pragmática. Se você quiser governar, vai ter que aceitar negociar com feudos de poder encalacrados localmente ou burocraticamente. Só faz discurso do purismo ético na política um fascista ou a esquerda que nunca ganhou eleição.

O momento exige pragmatismo. O momento exige união. Parem de picuinhas.


Edit1: E tudo o que o Emílio Odebrecht disse, nós historiadores conhecemos no mundo todo desde o século XVIII. Não existe capitalismo sem corrupção. O que leva ao entendimento que a corrupção é um subproduto do capitalismo.


Edit 2: Todo o empresariado brasileiro fez e faz exatamente como o Odebrecht, talvez em escala um pouco menor. Vá em qualquer município brasileiro e veja o que é uma licitação.


Edit 3: a mesma cara de santo do Mainardi negando a sua delação fez a Luciana Genro ... então ... menos "moral de cuecas" e mais pragmatismo.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Frei Betto e as delações premiadas que multiplicam judas brasileiros e plena Semana Santa

Delações premiadas ou suspeitas?, por Frei Betto

"Empresários e altos funcionários públicos sabem que o comprimento da língua pode reduzir a extensão da pena"

Por Frei Betto - Jornal GGN - 14/04/2017

Passei pela prisão duas vezes (1964 e 1969-73). Fui submetido a inúmeros interrogatórios. O objetivo dos algozes era obter delações. Sem prêmios, exceto livrar-se de mais torturas físicas.

Sob o governo Médici se prometeu liberdade imediata ao preso político que, na TV, arrependesse de suas atividades e louvasse o “milagre brasileiro” do regime militar. Em São Paulo, apenas meia dúzia aceitou a proposta.

As delações aceitas pelos juízes Moro e Fachin merecem ser acolhidas com cautela. Para empresários e altos funcionários públicos, habituados a salários astronômicos e vida nababesca, estar preso é uma tortura. E sabem que o comprimento da língua pode reduzir a extensão da pena. Por isso delatam.

Nenhuma delação pode ser aceita como fato consumado, como ocorria no stalinismo. É preciso apresentar provas de que os delatados de fato transgrediram a lei. Mandaram a ética e os escrúpulos às favas.

Em plena Semana Santa, a lista de Fachin não merece ser encarada como a multiplicação dos Judas brasileiros, a serem sumariamente condenados e malhados. O Direito deve prevalecer sobre as nossas divergências, antipatias e ressentimentos em relação aos políticos citados.

Vale frisar que visceralmente corrupta é a institucionalidade política brasileira, na qual o eleitor vota e o poder econômico elege. A nação espera, há décadas, a profunda reforma que torne a nossa democracia verdadeiramente representativa e participativa.

Frei Betto é escritor e colunista de O Globo, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.

domingo, 2 de abril de 2017

O capitalismo não é mais um capitalismo de empresários e trabalhadores, mas um capitalismo de rentistas

Rentistas ou empresários?

Por Bresser-Pereira - via Facebook - 01/04/2016

O capitalismo foi um capitalismo de empresários capitalistas e trabalhadores. Havia luta pela distribuição da renda entre eles – a luta de classes –, porque os empresários eram liberais, mas havia também solidariedade, porque, como os trabalhadores, eram nacionalistas, porque sabiam que o mercado interno era seu grande ativo, que precisava ser protegido da cobiça do Ocidente. A combinação dialética entre liberalismo e nacionalismo econômico ou desenvolvimentismo era o segredo político do capitalismo. Porque este envolvia um compromisso, uma coalizão de classes, cuja expressão maior e melhor foi a social-democracia.
Ontem, o presidente Temer sancionou a lei da terceirização. Mais um passo no sentido de destruir os direitos trabalhistas. Uma violência contra os trabalhadores. Sancionou-a em nome dos empresários? Não creio. Sancionou-a em nome dos rentistas. E talvez de empresários tristemente equivocados.

O capitalismo não é mais um capitalismo de empresários e trabalhadores, mas um capitalismo de rentistas, financistas e executivos das grandes empresas. O empresário é uma figura em extinção. Existe ainda espaço para ele, porque há ainda espaço para a criatividade, a inovação e o risco. Existe espaço para eles na agricultura e em alguns serviços. Mas um espaço que diminui todos os dias. E, na área da indústria, no Brasil, quase desapareceu, desde que, em 1990, com a abertura comercial, o país desmontou seu mecanismo de neutralização da doença holandesa e as empresas industriais passaram a ter uma grande desvantagem competitiva.

Muitos empresários – aqueles que não faliram, nem venderam suas empresas para as multinacionais – trataram de também serem rentistas sobreviver. Mas, objetivamente, são ainda empresários, porque administram diretamente suas empresas. Serão, também, subjetivamente, empresários, ou venderam sua alma ao liberalismo financeiro-rentista que vem do Ocidente rico e também está em profunda crise?

Esta é uma pergunta que precisamos fazer aos empresários, e a nós mesmos. Porque não vejo qualquer futuro para o Brasil se a resposta for, “sim, não há mais empresários, apenas rentistas e altos executivos”. Porque, assim, continuaremos uma economia quase-estagnada, como é também a economia do Ocidente. Porque Brasil continuará dominado por um liberalismo injusto, ineficiente, e dependente que aprova “reformas” antissociais e antinacionais como é a lei da terceirização. Porque um capitalismo sem empresários é um capitalismo sem alma.

https://web.facebook.com/bresserpereira/posts/1512304048811441