Já li quem dissesse que os 6%, ainda um dos menores índices de desemprego do mundo e da história do Brasil, são a prova definitiva da desagregação da política econômica."
"Os 6% obrigam, no entanto, a falar de uma certa hipocrisia. Foi em abril, sob uma pressão violentíssima da turma de fraque & cartola, que o Banco Central cedeu e modificou a taxa de juros – este sim, um sinal poderoso e de efeitos materiais bem conhecidos sobre o conjunto da economia."
Hipocrisia de fraque & cartola
Paulo Moreira Leite - ISTOÉ
Apenas a hipocrisia de grandes senhores - esses que em espírito vestem fraque e cartola de banqueiros da belle époque -- justifica o tom preocupado, quase alarmante, com a alta do desemprego anunciada ontem.
Apenas a hipocrisia de grandes senhores - esses que em espírito vestem fraque e cartola de banqueiros da belle époque -- justifica o tom preocupado, quase alarmante, com a alta do desemprego anunciada ontem.
O desemprego subiu para 6%, contra 5,8% em maio. Milhares de pessoas não conseguiram o trabalho que procuravam e isso não é bom para ninguém.
A rigor, contudo, não é um patamar alto, ainda que seja uma raridade. Só em 2002, quando o Brasil era governado por Fernando Henrique Cardoso, o país teve um desemprego maior do que 6% em junho.
A preocupação sobre os 6% se justifica por uma pergunta: este número aponta para uma tendência de novas altas no futuro?
Impossível saber agora.
A leitura da maioria de nossos observadores sugere impressões falsas sobre o comportamento da economia.
Dá a impressão de que possíveis altas do desemprego, com queda do salário e a reversão de um ambiente espantosamente saudável quando se olha para o mundo lá fora, inevitavelmente estão a caminho.
Isso porque o país estaria condenado, por leis da natureza ou castigos divinos, por ter se recusado a cumprir o ABC do pensamento monetarista. Claro que não é assim.









