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sábado, 12 de março de 2016

Por que não vou às ruas dia 13/03/2016: "Porque o discurso de combate à corrupção sempre foi usado (contra Getúlio, JK, Jango e outros) quando as elites empresariais e midiáticas foram pegas com a "boca na botija" para se safarem das suas responsabilidades"

POR QUE NÃO VOU ÀS RUAS AMANHÃ?

Robson Sávio Reis Souza - Via Facebook - 12/03/2016
Charge Armandinho 
Defendo o direito às manifestação. Respeito e não tenho ódio dos que pensam diferentemente de mim. Mas, por que não vou às ruas amanhã?

a) Porque respeito as regras do jogo democrático e os resultados das urnas: eleições ocorrem a cada quatro anos e a soberania popular está acima de quaisquer interesses pessoais, políticos, partidários;

b) Porque só acredito na justiça que age com isonomia: ou a lei vale igualmente para todos ou não é justiça;

c) Porque não acredito na grande mídia: trata-se de um poderoso ator político historicamente a serviço dos donos do capital; a mídia brasileira nunca foi e não é democrática;

d) Porque os principais líderes das manifestações de amanhã fazem parte do roll dos políticos mais corruptos, violentos e mesquinhos deste país;

e) Porque defendo o legado dos últimos anos: diminuição das desigualdades; ampliação de direitos; acesso universal às políticas públicas; defesa do patrimônio nacional;

f) Porque o discurso de combate à corrupção sempre foi usado (contra Getúlio, JK, Jango e outros) quando as elites empresariais e midiáticas foram pegas com a "boca na botija" para se safarem das suas responsabilidades;

g) Porque penso que a política se dá pela negociação e respeito ao adversário e nunca pela eliminação do oponente: isso é fascismo;

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Vídeo. Wanderlei Silva, ex-lutador de MMA, filiado ao PSDB, critica Dilma por obra parada de responsabilidade do tucano Marconi Perillo. Tico Santa Cruz, em sua página no Facebook, alerta Wanderlei para o erro: "Se liga ai Wanderlei, vamos canalizar nossa indignação para as pessoas certas."

Atleta critica Dilma por obra parada de responsabilidade do governo de Goiás

Fabiana Pulcineli - O Popular - 06/10/2015 

Em vídeo postado ontem no Facebook, o lutador de MMA Wanderlei Silva critica a presidente Dilma Rousseff por uma obra parada em Anápolis que é de responsabilidade do governo de Goiás. Embora a placa em frente à construção do Centro de Convenções de Anápolis esteja identificada como do governo estadual, ele aponta o valor da obra e ataca o governo federal.

Saiba mais: Marconi abandona obra do Centro de Convenções de Anápolis

O atleta diz que Dilma esteve no local para inaugurar a obra, que não ficou pronta. "A nossa excelentíssima presidente esteve aqui e teve a cara de pau de inaugurar uma obra totalmente inacabada. Não está nem na metade ainda. É uma prova do desrespeito ao dinheiro público." Ele diz ainda que é mais um exemplo dos "elefantes brancos espalhados pelo Brasil". "Isso é uma vergonha. Isso me revolta", completa.

Dilma nunca foi a Anápolis inaugurar o Centro de Convenções. Pode ser que o lutador tenha confundido com o trecho goiano da Ferrovia Norte-Sul, na mesma cidade, de fato entregue no ano passado, bem antes de entrar em funcionamento.

Apesar de comentários esclarecendo o fato no post do atleta, o vídeo foi mantido no ar e tem mais de 525 mil visualizações e 14 mil compartilhamentos até o momento. Há quem aplauda e sugira que o lutador entre para a política.

A placa da obra informa custo de 112 milhões, vindos do Fundo Estadual de Desenvolvimento de Atividades Industriais (Funproduzir). Na campanha eleitoral do ano passado, a obra foi anunciada pela equipe do governador Marconi Perillo (PSDB) como "praticamente pronta", mas de fato está parada e não há previsão de entrega.

Em março deste ano, a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) admitiu que a obra estava paralisada por falta de recursos. O governo havia quitado metade do preço total – cerca de R$ 60 milhões –, mas suspendeu o pagamento por problemas orçamentários.

Não há informações sobre o que Wanderlei veio fazer em Anápolis. Ele tem um contrato de publicidade para uma empresa de suplementos que tem sede no Distrito Agroindustrial (Daia) da cidade.

O blog tentou contato com a assessoria através do e-mail disponível no site do lutador, mas ainda não obteve resposta.

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Ps.   Wanderlei Silva é filiado ao PSDB e gravou vídeo apoiando o candidato Aécio Neves nas eleições de 2014.

Ps.2 Tico Santa Cruz, em sua página no Facebook, alerta Wanderlei para o erro.
"O Lutador Wanderlei Silva gravou um vídeo com informações equivocadas sobre uma Obra no Estado de Goiás. Como pessoa pública, me senti no dever de corrigir e ressaltar algumas questões, porque é um equívoco comum atualmente. Foi compartilhado 19 mil vezes e teve quase um milhão de acessos. Espero ter ajudado.
Se liga ai Wanderlei, vamos canalizar nossa indignação para as pessoas certas.
Abraços."
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sábado, 22 de agosto de 2015

20/08: Qual seu recado para os manifestantes do dia 16/08?

Perguntamos a quem foi no ato do dia 20/08 o que eles diriam a quem participou das manifestações do dia 16/08 contra o governo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Loucura, loucura! Rio de Janeiro, no caldeirão do "fora Dilma", teve expulsão da "traidora" (sic) Rede Globo e manifestante pedindo novas eleições: "Eu gostaria do Jair Bolsonaro ... Aécio não!... Bolsonaro é ficha limpa, Bolsonaro nunca foi acusado por nada..."

Manifestação contra o Governo – Rio de Janeiro, 16/08/2015
Gonzo Na Cara - 16/08/2015



O repórter chileno Juan Manoel Jara entrevistou pessoas que protestavam contra o governo na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele teve a chance de encontrar um super herói brasileiro, gente que faz análises freudianas de petistas, gente com saudades dos anos de chumbo, que não passou no vestibular, que respeita os carecas e cabeludos, que odeia o comunismo brasileiro, gente chateada porque não pode andar armada e porque é chamada de coxinha, gente que sente saudade da soberania do império, que sabe que mulher não faz filho sozinha, integralista, gente com raiva do Facebook e que acha tudo isso um saco, que conta com o comandamento de São Miguel Arcanjo e gente que não tem dinheiro pra comprar comida… opa! Não, péra, isso não teve, não!

domingo, 23 de março de 2014

Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade. Os últimos blocos tardios do carnaval. Os blocos da morte. Blocos tristes, que não cantam o amor nem a alegria, que marca e contagia o coração brasileiro. Os raivosos passistas desses blocos dizem que estão com Deus. Mas se olvidam que Deus não está com aqueles que defendem os que usaram porretes, choques elétricos e pau-de-arara.

O BRASIL E OS BLOCOS DA MORTE
Mauro Santayana - 23/03/2014
(Hoje em Dia) - O Carnaval acabou há alguns dias, mas tem gente convocando novos blocos para sair às ruas.

Esses últimos blocos tardios, tem o nome de MARCHA DAS FAMÍLIAS COM DEUS PELA LIBERDADE.

Link - Marcha da  Ku Klux Klan - Washington:  08-08-1925 

Os seus raivosos passistas dizem que estão com as famílias.

Mas se esquecem de outras famílias, que há cinquenta anos desfilaram em marchas semelhantes, e que – apesar disso - tiveram irmãos e filhos torturados e “desaparecidos” pelos agentes do mesmo regime que ajudaram a colocar no poder, no dia primeiro de abril de 1964.

Os raivosos passistas desses blocos dizem que estão com Deus.

Mas se olvidam que Deus não está com aqueles que defendem os que usaram porretes, choques elétricos e pau-de-arara. Que espancaram e assassinaram homens e mulheres indefesas, nos porões, como fizeram com seu único filho, um dia, chicoteando-o, rindo e cuspindo em seu rosto antes de cravar em sua cabeça uma coroa de espinhos, para que a usasse, sob a sombra da Cruz, a caminho do Calvário.

Eles pedem a prisão e o massacre de comunistas, como antes o faziam os nazistas, com os judeus, os ciganos, e os homossexuais.
Mas se esquecem do Papa Francisco – que defende o direito à opinião e à diversidade - que disse que não era comunista, mas que nada tinha contra os marxistas, porque ao longo da vida havia conhecido vários, que eram homens honestos e boas pessoas.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A nova era da violência. Whiteblocs devem ser combatidos com a mesma virulência com que combatem a democracia.


"A atual era da violência, patrocinada por ideólogos, jornalistas, blogueiros, ativistas (nova profissão a necessitar de emprego permanente), professores, artistas, em acréscimo aos descontentes hepáticos, testemunha a agregação de múltiplos grupelhos, partidos sem futuro e fascistas genéticos aos tradicionais estimuladores da violência, os proprietários do capital. São algozes anônimos, encapuzados, escondidos nos codinomes das redes sociais, na covardia das palavras de ordem transmitidas a meia boca, no farisaísmo das negaças melífluas." 


A nova era da violência
Wanderley Guilherme dos Santos - Carta Maior - 13/02/2014

Autores intelectuais dos assassinatos já acontecidos e por vir são os whiteblocs. Devem ser combatidos com a mesma virulência com que combatem a democracia

Professores universitários do Rio de Janeiro, de São Paulo e outras universidades falam do governo dos trabalhadores como se fosse o governo do ditador Médici, embora durante aquele período não abrissem o bico. Vetustos blogueiros, artistas sagrados como marqueteiros crônicos, jovens colunistas em busca da fama que o talento não assegura, políticos periféricos ao circuito essencial da democracia, teóricos sem obra conhecida e de gogó mafioso, estes são os mentores da violência pela violência, anárquica, mas não acéfala. Quem abençoa um suposto legítimo ódio visceral contra as instituições, expresso em lamentável, mas compreensível linguagem da violência, segundo estimam, busca seduzir literariamente os desavisados: a violência é a negação radical da linguagem. Mentores whiteblocks, igualmente infames.

A era da violência produziu a proliferação dos algozes e a democratização das vítimas. Antes, a era das máquinas trouxe a direta confrontação entre o capital e o trabalho, as manifestações de protesto dirigiam-se claramente aos capitalistas em demanda por segurança no serviço, salário, férias, descanso remunerado, regulamentação do trabalho de mulheres e crianças. Reclamos precisos e realizáveis. Politicamente exigiam o fim do voto censitário, o direito de voto das mulheres, o direito de organização, expressão e manifestação. Exigiam, em suma, inclusão econômica, social e política.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Quais os atores do "#naovaitercopa" e suas verdadeiras intenções. Quem são esses grupos que estão nas ruas? O que eles querem? Como se vestem? Como se reproduzem? Não, você não vai ver isso no próximo Globo Repórter.

"(...) contrariando todas as verdades absolutas do #NãoVaiTerCopa, um estudo da FGV prevê que R$142 BILHÕES serão injetados na economia com a realização da competição, além de mais de 3 milhões de empregos e, consequentemente, um acréscimo de R$63,48 bilhões à renda da população. Essas pesquisas científicas não ajudam em nada o movimento, principalmente num ano de eleição. Qual seria o custo político do sucesso - inclusive financeiro - da organização da Copa? Provavelmente a consolidação da candidatura Dilma na ponta da corrida eleitoral. Uma tragédia a ser evitada pelos opositores, sejam eles de esquerda ou direita.

É por essas e outras que PSOL, PSTU, tucanos, black blocs, acadêmicos do guarani-kaiowá, entusiastas do golpe militar e Batman do Leblon, já decidiram o que é melhor para o país. Por isso, gritemos todos numa só voz #NãoVaiTerCopa*.

#AcordaBrazil #PartiuGuerraCivil

* o movimento #NãoVaiTerCopa é filho do movimento #AcordaBrazil e, caso a Copa se concretize, automaticamente será rebatizado como #NãoVaiTerEleição."
#NãoVaiTerCopa #NãoVaiTerFusca #PartiuGuerraCivil

Por Jornalismo Wando - 28/01/2014

A cena acima foi registrada no último sábado em São Paulo, em meio a uma onda de protestos motivados pela campanha #NãoVaiTerCopa

Um protesto cujas motivações não poderiam ser mais nobres: os excessivos gastos do governo com a Copa. Apesar de tudo estar definido desde 2007, o Brasil que despertou em junho sabe que agora pode mais. Pode tanto que já decidiu pelo povo. E o povo não quer a Copa.

O mais difícil é identificar os personagens de um movimento tão heterogêneo, em que todos gritam com autoridade: "Não vai ter Copa!", mas poucos revelam suas verdadeiras intenções.

Mas quem são esses grupos que estão nas ruas? O que eles querem? Como se vestem? Como se reproduzem? Não, você não vai ver isso no próximo Globo Repórter. Eu mesmo ousarei traçar o perfil dos diversos atores do #NãoVaiTerCopa - uma tarefa nada fácil diante da complexidade desse novo Brasil, o mesmo país que sediou a Treta no Leblon na semana passada.

Seguem os rótulos:

Black Blocs = a face mais visível e violenta do movimento. Destruidores de símbolos capitalistas, os jovens anarquistas escolhem a dedo os seus alvos: relógios públicos, pontos de ônibus, orelhões, lojas de departamento e agências bancárias. São contra a Copa, os partidos, a direita, a esquerda, a família, a propriedade privada, o Estado burguês e mais uma lista infinita de itens considerados nocivos ao povo. Um autoritarismo adolescente que sabe muito bem o que o povo quer.



Militantes PSOL e PSTU = jovens de esquerda. Leram - ou afirmam ter lido - Marx, Gramsci, Lênin. Consideram o futebol o ópio do povo e Dilma uma traidora da esquerda de raiz. Fazem questão de se diferenciar dos arruaceiros black blocs, mas admiram o ímpeto revolucionário do grupo e adoram ver o circo pegar fogo. Não visam a eleição no final do ano, mas apenas o bem estar da população.

Indignados do Facebook = frequentadores assíduos das caixas de comentários dos grande portais, esses divulgadores do senso comum multinível dizem ser contra todos os políticos e partidos, mas no fundo, bem lá no fundo, são antipetistas fanáticos. Suas principais bandeiras políticas são: contra a corrupção, contra a impunidade, contra o mal, contra a violência urbana, contra a fome na África e contra tudo-o-que-está-aí. Para eles, os black blocs são vandalos infiltrados pelo PT para manchar seu movimento pacífico pela volta dos militares, os únicos realmente capazes de fazer valer a vontade do povo. Maycon Freitas é um dos líderes desse grupo.

Acadêmicos do Guarani-Kaiowá = intelectuais acadêmicos de esquerda que têm ojeriza à política partidária engravatada e tendem a glamurizar todo e qualquer movimento jovem, sexy e ousado que se insurgir contra o status quo. Os Acadêmicos dão sustância intelectual às ações diretas do movimento e convencem muita gente da importância política do quebra-quebra. Estão sempre dispostos a cumprir o papel de ídolo da garotada.

Fora do Eixo = máquina de papar edital conectada com todos os grupos acima, o grupo horizontaliza e dissemina a ideia do mundo pós-rancor, onde é possível captar dinheiro dos grandes capitalistas pra lutar contra o capitalismo, ter apoio do governo para lutar contra o governo e, assim, ganhar o lastro político necessário pra manter a máquina em movimento. Tudo ao mesmo tempo, agora e ao vivo pela TV Ninja.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Os rolezinhos nos acusam: somos uma sociedade injusta e segregacionista

"(...) eles denunciam a nossa maior chaga: a desigualdade social cujo verdadeiro nome é injustiça histórica e social. Releva, no entanto, constatar que com as políticas sociais do governo do PT a desigualdade diminiui, pois segundo o IPEA os 10% mais pobres tiveram entre 2001-2011 um crescimento de renda acumulado de 91,2% enquanto a parte mais rica cresceu 16,6%. Mas esta diferença não atingiu a raíz do problema pois o que supera a desigualdade é uma infraestrutura social de saúde, escola, transporte, cultura e lazer que funcione e acessível a todos."
Os rolezinhos nos acusam: somos uma sociedade injusta e segregacionista
Leonardo Boff - 23/01/2014

O fenômeno dos centenas de rolezinhos que ocuparam shoppings centers no Rio e em São Paulo suscitou as mais disparatadas interpretações. Algumas, dos acólitos da sociedade neoliberal do consumo que identificam cidadania com capacidade de consumir, geralmente nos jornalões da mídia comercial, nem merecem consideração. São de uma indigência analítica de fazer vergonha.
Mas houve outras análises que foram ao cerne da questão como a do jornalista Mauro Santayana do JB on-line e as de três especialistas que avaliaram a irrupção dos rolês na visibilidade pública e o elemento explosivo que contém. Refiro-me à Valquíria Padilha, professora de sociologia na USP de Ribeirão Preto:”Shopping Center: a catedral das mercadorias”(Boitempo 2006), ao sociólogo da Universidade Federal de Juiz de Fora, Jessé Souza,”Ralé brasileira: quem é e como vive (UFMG 2009) e de Rosa Pinheiro Machado, cientista social com um artigo”Etnografia do Rolezinho”no Zero Hora de 18/1/2014. Os três deram entrevistas esclarecedoras.

Eu por minha parte interpreto da seguinte forma tal irrupção:

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Almofadinhas, coxinhas e mauricinhos: fujam para Miami. Os bárbaros chegaram. A turma do fundão da classe chegou ao pátio; chegou aos condomínios; chegou aos aeroportos e agora quer invadir os shoppings!

"Não nos resta outra alternativa se não viajar até um país civilizado, espécie de América Latina que deu certo, para nos sentir civilizados. É necessário ficar longe da baderna toda para ser reconhecido, para dar autógrafo a outros almofadinhas em um lugar limpo e livre dos incapazes de reconhecer a própria inferioridade - sem inveja da civilização porque está no coração da civilização. Um lugar onde, enfim, podemos exercer nosso direito à almofadagem em paz."

Almeidinha: "Fujam para Miami. Os bárbaros chegaram"
Todo mundo sabe como devemos nos comportar no shopping: como bons almofadinhas. Lugar de baderna é baile funk
Por Matheus Pichonelli - CartaCapital - 15/01/2014


Vou confessar uma coisa: não estou acostumado com a fama. Mas ser astro das redes sociais e ter dado entrevista em programa de apresentador misógino de tevê fizeram de mim um rosto conhecido nos lugares onde a civilização já chegou. Por exemplo. Durante as férias, andava pelas ruas de Miami, onde posso comprar por um preço civilizado um perfume que no Brasil é vendido com taxas e impostos de odores bárbaros, quando fui reconhecido por um fã:
-Oi, você não é aquele almofadinha da internet?


A expressão soou como um sopro quentinho de um leite com pera no inverno: estava em casa.

Um almofadinha reconhece o outro pelo olhar: e o meu, em evidência, atravessou a fronteira. Sim: é bom sentir essa sensação. E é bom saber que somos muitos.

Não confundam “rolezinhos” com “black blocs”. "Espero ver jovens pobres e de baixa instrução mostrar o que os filhos da elite foram incapazes em suas “jornadas” de 2013".

Não confundam “rolezinhos” com “black blocs”
Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania - 15/01/2014
 O fenômeno social “rolezinho” já ameaça se equiparar em importância política às “jornadas de junho” – como se convencionou chamar o movimento de classes média e alta que se espraiou pelo país no ano passado a partir de São Paulo e que levou centenas de milhares de pessoas às ruas por todo país sob a desculpa dos aumentos das passagens do transporte público.
Ao longo das últimas semanas e, sobretudo, dos últimos dias começaram a surgir análises de todos os matizes sobre o fenômeno. Algumas mais profundas e relevantes, outras rasas, burras, preconceituosas.
Com efeito, há hoje um “rolezinho” para cada gosto nas cabeças dos mais diversos analistas.
Em primeiro lugar, vamos acabar com essa história de que haveria qualquer similitude entre os garotos e garotas pobres, em maioria negros e mulatos e oriundos de bairros da periferia de São Paulo e os grupos que foram às ruas praticar quebra-quebras no ano passado.
Pesquisa Datafolha feita no auge das manifestações de junho de 2013 traçou o perfil dos manifestantes. A maioria tinha entre 21 e 35 anos (63%) e ensino superior (78%). Os do “rolezinho” são adolescentes, não usam máscaras do revolucionário inglês Guy Fawkes e não usam roupas de grife propositalmente esfarrapadas, ao estilo bicho-grilo chique.
Outra diferença: esse movimento desorganizado, espontâneo de adolescentes pobres da periferia não é manipulado por partidos, não tem lideranças como as moças e rapazes branquinhos, universitários e de classe média e alta do Movimento Passe Livre que esnobaram políticos que com eles tentaram conversar, como Dilma e Fernando Haddad. E, o que é mais importante, não fizeram uso político das suas movimentações.
Ninguém viu cartazes contra políticos ou contra Propostas de Emenda Constitucional (PECs) com os garotos do “rolezinho”. E é de duvidar que em próximas incursões esses cartazes apareçam.
Além disso, não houve e não haverá nesse movimento os grupos neonazistas que espancaram militantes da CUT e do PT que se aventuraram nas “jornadas” de junho e que delas foram expulsos por eles.
Alguns temem que “black blocs” se infiltrem nos “rolezinhos”. Não creio. Em primeiro lugar porque, se isso ocorrer, acabarão com o movimento. A garotada vai se recolher. Apesar de gritar, cantar, dançar, esses meninos e meninas têm medo de infringir a lei. E têm sido pacíficos. Pobre mesmo não brinca com as forças de repressão do Estado.
Não houve enfrentamentos entre a garotada da periferia e a PM. Foram reprimidos, mas não atiraram coquetéis Molotov, não depredaram patrimônio público e privado e se danos houve foi por conta da truculência policial, que gerou correria.
Por conta disso, as reações dos reacionários já se fazem presentes. Os colunistas da Veja e de outros veículos da mídia reacionária e tucana já se mobilizam para criminalizar os garotos. E a mesma Justiça que permaneceu hibernando quando os filhos das classes média e alta demonstravam sua selvageria agora investe contra a pobreza.
A virulência das críticas da grande mídia aos “rolezinhos”, pois, começa a crescer. Até aqui, o prêmio foi para o colunista da Veja Rodrigo Constantino. Em seu blog, atacou os garotos com toda a sua impressionante mediocridade e com sua burrice cavalar. Abaixo, trecho do post em que ataca o movimento.
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“(…) Não toleram as “patricinhas” e os “mauricinhos”, a riqueza alheia, a civilização mais educada. Não aceitam conviver com as diferenças, tolerar que há locais mais refinados que demandam comportamento mais discreto, ao contrário de um baile funk. São bárbaros incapazes de reconhecer a própria inferioridade, e morrem de inveja da civilização (…) Os “rolezinhos” da inveja precisam ser duramente repreendidos e punidos. Caso contrário, será a vitória da barbárie sobre a civilização (…)”
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Rolezinho e racismo. Veto a rolezinho, com o respaldo da justiça, consagra o apartheid brasileiro. No shopping JK Iguatemi seguranças fizeram uma triagem para definir quem poderia entrar e quem deveria ficar de fora – no segundo grupo, estariam todos aqueles que tivessem aparência de jovens da periferia, ou seja, pardos ou negros.

Rolezinho e racismo
GGN - BLOG NASSIF - Fábio de Oliveira Ribeiro - 13/01/2014

Esta semana dois países colidiram num Shopping e o resultado foi uma explosão de irracionalidade.

Garotos pobres da periferia de São Paulo (nem brancos, nem bem nascidos), combinaram dar um “rolezinho” no Shopping Itaquera. O resultado foi repressão policial desmedida e cenas que lembram bastante as proporcionadas pelo regime racista da África do Sul antes de Mandela ser eleito presidente http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1396629-video-mostra-pms-agredindo-jovens-em-rolezinho-dentro-no-shopping-itaquera-em-sp.shtml .
Regime Apartheid na África do Sul. Para que ninguém nunca se esqueça! . Mais fotos aqui.
Shoppings são locais privados abertos ao público. Portanto, não devem em hipótese alguma discriminar quem irá ou não adentrar em suas dependências. Quem adentra a um Shopping não pode ser obrigado a consumir, nem deve ser colocado para fora porque resolveu passear com os amigos pelo local. Mas não foi isto o que ocorreu.

O “rolezinho” indesejado dos garotos pobres provocou um verdadeiro Estado de exceção. Uma parte da população brasileira, branca e bem nascida, parece acreditar que eles não deveriam ter direito de ir e vir. Então o “rolezinho” foi brutalmente interrompido, inclusive com anuência do Judiciário paulista http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1396585-shoppings-de-sp-conseguem-liminar-na-justica-para-impedir-rolezinho.shtml .

A CF/88 garante a todos os cidadãos, sem qualquer distinção de raça, credo, cor ou situação econômica, o direito de ir e vir. Portanto, a decisão judicial que implicitamente revogou esta garantia para atender às veleidades racistas e classistas do Shopping é bastante questionável. Idem para o comportamento brutal da PM, cuja função é garantir o exercício dos direitos constitucionais dos cidadãos e não impedir seu exercício como se vivêssemos num regime deapartheid racial, sócio-econômico ou cultural.

A decisão judicial que legitimou a brutal repressão policial no Shopping e cassou o direito de ir e vir dos garotos pobres (nem brancos, nem bem nascidos), expõe uma chaga aberta. No Brasil existem dois países. Um não quer conviver com o outro e deixou isto bem claro ao recorrer à força bruta estatal para discriminar quem pode e quem não deve passear no Shopping.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Black blocs, o assassinato do menino Douglas e o inferno anunciado…A ação black bloc no Brasil é fruto, sim, também disso. E principalmente disso. Da violência policial.

"A ação black block no Brasil (e ela é diferente de outros países), se alguém ainda tinha dúvida, é fruto, sim, também disso. E principalmente disso. Da violência policial. Os black blocs nunca lutaram por vinte centavos, por transporte melhor ou por melhores salários dos professores. Esses meninos têm ódio da polícia. Eles pulam de ódio da polícia. Eles querem derrotar a polícia. Não são só garotos e garotas de periferia. Mas os que não são também não aceitam como legítima a ação das forças policiais. E querem derrotar a polícia.

Se acho isso bom? Se acho isso ruim? Não acho nada. Quero que a democracia que construímos seja capaz de se relacionar com essa questão sem tentar eliminar fisicamente esses meninos e meninas. E sem criminalizar suas ações e reações." 

Black blocs, o assassinato do menino Douglas e o inferno anunciado…
Renato Rovai - Revista Forum - 29/10/2013

No dia 3 janeiro à noite, bem antes das Jornadas de Junho, uma chacina chocou São Paulo. Laércio de Souza Grimas, o DJ Lah, de 33 anos, do grupo Conexão do Morro, foi assassinado com outras seis pessoas num bar do Campo Limpo, zona Sul de São Paulo. Bar que ficava em frente ao local onde tinha sido assassinado o pedreiro Paulo Batista do Nascimento, numa execução que, filmada, acabou no Fantástico da Rede Globo.

No dia 7 de janeiro, ainda em férias, escrevi um post sobre o assunto. Um dos trechos:

“Segue um relato-reportagem, a meu pedido, feito pelo repórter Igor Carvalho sobre o caso do massacre de Campo Limpo e seu contexto. Igor esteve ontem no local da chacina e conversou com uma série de pessoas que pediram anonimato. O clima em Campo Limpo e em outros bairros da periferia é terrível. Misto de revolta e medo. Perfeito para produzir reações extremadas. Quem acha que a situação atual é ruim, vai ter saudades do hoje. São Paulo pode virar um inferno. Eu, acima assinante, responsabilizo Alckmin por isso. Foi ele quem disse que quem não reagiu está vivo. E que de certa forma autorizou a bárbarie.” Você pode ler a nota inteira aqui

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Black blocs, segundo pesquisador, são politizados, de esquerda e sobretudo de extrema-esquerda, são distintos em cada manifestação. De maneira geral, quem mais participa desses grupos são anarquistas, anticapitalistas, feministas radicais e ecologistas

Black blocs são politizados e expressam revolta contra injustiças sociais, diz pesquisador
RBA - Tadeu Breda - 28/10/2013 

Estudioso dos jovens mascarados, Francis Dupuis-Déri defende que a tática é uma reação à violência policial, e nasceu na Alemanha de 1980 da convicção de que é preciso ir além das passeatas

Link da imagem RT . Photo by Reuters / Nacho Doce
São Paulo – “É preciso perturbar e reagir quando a polícia ataca o povo.” Essa é uma das explicações que o cientista político Francis Dupuis-Déri elaborou sobre os black blocs durante os mais de dez anos em que estuda a tática dos jovens mascarados que se infiltram nas manifestações populares para atacar símbolos do capitalismo. “Apenas uma ínfima parcela da elite controla os negócios globais. Existe um sério déficit democrático no mundo. As pessoas estão revoltadas e consideram que já não basta se manifestar pacificamente.”

Professor da Universidade de Québec em Montreal (Uqam), no Canadá, Dupuis-Déri conversou com a RBA por e-mail. Respondeu a perguntas sobre a origem histórica dos black blocs, na Alemanha Ocidental, nos anos 1980, e sobre como tem sido a repressão à tática em outros lugares do mundo. Na entrevista, ficamos sabendo que os governos de São Paulo e Rio de Janeiro não foram os únicos a ferir as liberdades civis na tentativa de reprimir o descontentamento dos black blocs. “Os conflitos políticos se polarizam e o Estado age de maneira burra, através da repressão policial e da detenção dos dissidentes.”

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Marilena Chauí: “não. As manifestações de junho não mudaram o país”. Podem servir “não para acordar o Brasil, mas acordar o PT”.

Marilena Chauí: “não. As manifestações de junho não mudaram o país”
Carta Maior - 11/09/2013

Carta Maior entrevistou Laymert Garcia dos Santos e Marilena Chauí por ocasião de debate ocorrido na USP. Enquanto Laymert nota os partidos “visivelmente anacrônicos” e “incapazes de falar com a juventude”, Marilena pensa que as manifestações podem servir “não para acordar o Brasil, mas acordar o PT”.
Carta Maior entrevistou Laymert Garcia dos Santos e Marilena Chauí por ocasião do debate Brasil em Tempo de Manifestações, ocorrido na Universidade de São Paulo (USP).

Para Laymert, professor de Sociologia da Unicamp e doutor em Ciências da Informação pela Universidade de Paris VII, o que as manifestações de junho trouxeram de novo foi a politização dos jovens, tanto nas ruas quanto nas redes.

Segundo o professor, “é extremamente importante pensar nessa relação rua/rede porque é no entre os dois que está a novidade da política”.

Além disso, Laymert faz coro com os que notam os partidos “anacrônicos” e “incapazes de falar com a juventude”.

Já Marilena Chauí, filósofa da USP e membro-fundadora do PT, foi lacônica e não menos polêmica do que em suas últimas intervenções públicas: “não. As manifestações de junho não mudaram o país”, afirmou.

sábado, 7 de setembro de 2013

Ricardo Kotscho. Fracassa em todo o país “o maior protesto da história”

"Se as oposições e seus aliados do Instituto Millenium esperavam o 7 de Setembro para dar uma guinada no cenário político-eleitoral do país, amplamente favorável à presidente Dilma e ao governo federal, como foi registrado nas últimas pesquisas, é bom que procurem logo outro povo e outro mote para "o maior protesto da história". Desta vez, foi um fiasco retumbante."
Fracassa em todo o país “o maior protesto da história”
Ricardo Kotscho - Publicado em 07/09/13 às 16h20

Fracassou em todo o país "o maior protesto da história do Brasil", evento anunciado durante toda a semana nas redes sociais e amplificado por setores da grande imprensa, que divulgaram massivamente os atos de protestos marcados para 149 cidades.

Até as quatro da tarde deste sábado de 7 de setembro, hora em que começo a escrever, não houve nada que lembrasse as grandes manifestações das chamadas "Jornadas de Junho", que levaram milhões de brasileiros às ruas nas principais cidades brasileiras.

Ao contrário, não vimos nada de multidões protestando "contra tudo e contra todos", carregando faixas e cartazes com as mais diferentes reivindicações, mas apenas alguns bandos de arruaceiros, umas poucas centenas de integrantes dos grupos mascarados do Anonymous e dos Black Blocs, tentando invadir desfiles militares, queimando bandeiras e entrando em confronto com a polícia, principalmente no Rio e em Brasília.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Criticar o governo, sim. O capitalismo, nunca. A mídia passou de insufladora a opositora das manifestação, à medida em que os atos foram derivando da oposição a governos para a contestação ao sistema.

"Meu palpite me diz: enquanto a raiva se voltava contra o governo e os governantes, “essa infâmia de políticos corruptos”, “a dona Dilma”, “a turma do mensalão”, aí o partido da mídia se deliciava. As multidões ululantes vociferavam, justificadamente, contra a péssima qualidade dos serviços públicos, primeiro os transportes, depois a saúde, e a educação, e a segurança, e tudo o mais, se é por aí, ok, perfeito, abaixo os podres poderes, o Estado é o mal maior." 

Os dois “povos” da mídia, por Nirlando Beirão
Tijolaço - 05/08/2013


O colunista da CartaCapital Nirlando Beirão, em artigo publicado hoje, diz que a mídia passou de insufladora a opositora das manifestação, à medida em que os atos foram derivando da oposição a governos para a contestação ao sistema. Afinal, boa aparte dos serviços “públicos” brasileiro é…privada: escolas, hospitais, telefonia e comunicação. E nem por isso é barato, acessível ou de boa qualidade.

Não são, mas são sagrados. Porque privados.

Abaixo, o artigo de Beirão:
Criticar o governo, sim. O capitalismo, nunca

A tarefa da mídia parece ser separar o povo do povo. De um lado, as nossas ideias, do outro, os vândalos

Nirlando Beirão

Dá para notar que os protestos de rua estão perdendo a mística, o encanto, para quem está do lado de lá deles – digo, a mídia oligárquica e, por extensão, aquela facção ameba, mais influenciável, da chamada opinião pública. Mais do que perder o fascínio, as manifestações começam a provocar descrença e irritação, como se a explosão espontânea e legítima das massas estivesse sendo agora apropriada por uns grupelhos descabelados de radicais e arruaceiros.

Não tenho mais idade para me regozijar com cenas de depredação, mas me irrita a hipocrisia dos que aplaudiam antes e agora criticam. Tenho até um pequeno, descompromissado palpite, a respeito desse divórcio que se deu entre o momento em que o protesto era uma beleza e o momento em que o protesto passou a ser um horror. Nada melhor, aliás, para balizar essa reviravolta, do que a cobertura, sempre tão isenta, sempre tão imparcial, do jornalismo eletromagnético da Globo e a dos dinossauros de papel.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

MPL. Passe Livre, sobre propinoduto tucano: “Vamos às ruas no dia 14 de agosto”. Como os veículos de mídia, que tem tratado o propinoduto como o "quarto segredo de Fátima", irão noticiar os protestos?

"O propinoduto tucano está sendo tratado pela mídia como o quarto segredo de Fátima."
Palmério Dória
Imagem do FACEBOOK. Soldadinho de chumbo

Passe Livre, sobre propinoduto tucano: “Vamos às ruas no dia 14 de agosto”

Revista Forum - Publicado em 30 de julho de 2013 às 7:05 pm  


Movimento Passe Livre calcula que passagem custaria R$ 0,90 se dinheiro supostamente desviado em governos do PSDB fosse aplicado no transporte
Por Igor Carvalho

O Movimento Passe Livre anuncia que no dia 14 de agosto voltará às ruas. O grupo irá realizar uma manifestação em parceria com o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, por conta do suposto propinoduto esquematizado nos contratos para as obras do Metrô, que pode ter desviado R$ 400 milhões dos cofres públicos. O caso, ocorrido em gestões do PSDB, foi denunciado pela multinacional Siemens.
“Nossa posição é que é um absurdo que o dinheiro público esteja sendo desviado do transporte. São mais de R$ 400 milhões desviados, isso daria para reduzir a tarifa a R$ 0,90”, afirma Matheus Preis, militante do MPL-SP.

terça-feira, 30 de julho de 2013

"Vozes das ruas", das "classes conscientes de última hora". Por que só agora polícia, saúde, educação e transporte preocupam?



Por que só agora?
CNN - Coxinha News Network - 30/07/2013 
Por que só agora polícia, saúde, educação e transporte preocupam?
Weden Alves, no Facebook

Essa é uma pergunta que se tende a ignorar, porque a resposta aponta como uma lança para nossa hipocrisia de cada dia. Sinceramente, estou muito pouco preocupado com a preocupação que certos grupos sociais passaram a ter com a violência policial contra eles. Porque estes mesmos grupos sempre ignoraram (e até motivaram) a violência policial contra os outros. Também não acredito nesta enorme insatisfação com a saúde pública, com a educação, com os aeroportos, com o transporte público, que, de uma hora para outra, as velhas classes médias começaram a ter. Por quê? Explico, a começar pela saúde.

Por muito tempo o SUS foi "coisa de pobre". E merecia piadas e não preocupação. Isso há muito pouco tempo. Vi gente por aqui mesmo se vangloriar de que nunca usaria o SUS. Pobres tolos. Lógico que usam. Da Samu à Anvisa, passando pelas vacinações em massa, e aquela operação do coração ressarcida pelo sistema aos planos de saúde, o SUS, como a Geni de Chico Buarque, sempre foi a puta a quem se recorreu na hora do sufoco. Para ser desprezada logo depois.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

CNN - Coxinha News Network. Revolta dos Coxinhas é movimento niilista, reacionário e antidemocrático

"Na verdade, a hegemonia da atual semântica política é niilista, reacionária, antidemocrática. Mesmo as manifestações em favor de teses populares adquirem conotação truculenta. Com todo o narcisismo de que são portadores, movimentos e personalidades de grande notoriedade não conseguem desfazer a impressão de que perderam o controle sobre o emocional da população. A conjuntura é fascistoide. A pauta trabalhista das centrais sindicais era a aparência para esconder uma real tentativa de retomar a alma das ruas. Foi uma manifestação chinfrim, o dia nacional de lutas, e não recuperou a hegemonia. Ficou apenas a impressão de que reclamava do governo a extinção do fator previdenciário e a realização de uma reforma política, entre outras bandeiras costumeiras, sem consequência significativa."
Revolta dos Coxinhas é movimento niilista, reacionário e antidemocrático
CNN - Coxinha News Network - 26 de julho de 2013

Anomia niilista
Por Wanderley Guilherme dos Santos
Valor Econômico

Milhões de pessoas foram projetadas a estações de consumo e lazer das quais nunca haviam tido sequer notícia. Passado o deslumbramento, expectativas ambiciosas cresceram em velocidade maior do que caíam taxas de juros e sinais inflacionários, levando a audacioso endividamento das famílias. Por fim, a ressaca veio sob forma de aguda ansiedade sobre o futuro imediato, tornando-as vulneráveis aos anúncios de que crescimento econômico em torno de 3,0% significará desastre, desemprego generalizado e uma queda livre, sem rede de proteção, dos trapézios sociais alcançados.

Rápidos deslocamentos ascendentes desenraízam as pessoas da matriz societária original, provocando crises de identidade e desorientação quanto a valores, estando por serem substituídos os anteriores, desaprendidos. Max Weber apontou a reserva de ebulição aí depositada, tanto quanto nas crises de despenhadeiro, quando enormes contingentes de trabalhadores são despejados na escala social com destino à miséria e desesperança. E, ambos, períodos de extensa anomia social, insegurança quanto a rumos e subversão de critérios de avaliação e escolha social. Atração fatal à anomia, o niilismo, o negativismo militante candidata-se a acompanhante emocional, pacificador da insegurança dos segmentos desorientados.