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terça-feira, 1 de abril de 2014

1964: o uso dos militares pelos grupos civis reacionários. O que houve no Brasil não foi um golpe militar, mas um golpe de classe com uso da força militar.

1964: o uso dos militares pelos grupos civis reacionários
Leonardo Boff - 01/04/2014
Os 50 anos do golpe militar, pela violência que implicou, agora devidamente tirada a limpo pela Comissão Nacional da Verdade, não pode deixar nenhum cidadão honesto indiferente. Importa assinalar claramente que o assalto ao poder foi um crime contra a constituição e uma usurpação da soberania popular, fonte do direito num Estado democrático. O primeiro Ato Institucional de 9/4/1964 alijou esste princípio da soberania popular ao declarar que “a revolução vitoriosa como Poder Constituinte se legitima por si mesma”. Nenhum poder se legitima por si mesmo; só o fazem ditadores que pisoteiam qualquer direito. O golpe militar configurou uma ocupação violenta de todos os aparelhos de Estado para, a partir deles, montar uma ordem regida por atos institucionais, pela repressão e pelo Estado de terror.

Bastava a suspeita de alguém ser subversivo para ser tratado como tal. Mesmo detidos e sequestrados por engano como inocentes camponeses, para logo serem seviciados e torturados. Muitos não resistiram e sua morte equivale a um assassinato. Não devemos deixar passar ao largo, os esquecidos dos esquecidos que foram os 246 camponeses mortos ou desaparecidos entre 1964-1979. E agora está sendo descoberta a eliminação de muitos indígenas, tidos como empecilho ao crescimento econômico. Sobre alguns deles foram lançadas até bombas de napalm.

O que os militares cometeram foi um crime lesa-pátria. Alegam que se tratava de um estado de guerra, um lado querendo impor o comunismo e o outro defendendo a ordem democrática. Esta alegação não se sustenta. O comunismo nunca representou entre nós uma ameaça real pois qualquer manifestação neste sentido foi brutalmente reprimida, não sem o apoio da CIA dos EUA. Na histeria do tempo da guerra-fria, todos os que queriam reformas na perspectiva dos historicamente condenados e ofendidos – as grandes maiorias operárias e camponesas – eram logo taxados de comunistas e de marxistas, mesmo que fossem bispos como o insuspeito Dom Helder Câmara.

segunda-feira, 31 de março de 2014

História do Brasil e da imprensa brasileira. Golpe militar de 1964. A Globo e a ditadura militar, segundo Walter Clark, autor do livro "O Campeão de Audiência"

A Globo e a ditadura militar, segundo Walter Clark
Blog do Argemiro Ferreira - 03/04/2010
Ainda que não tivesse sido esse o objetivo de sua autobiografia, na qual relatou há 19 anos a incrível trajetória que o transformara no todo-poderoso senhor, por mais de uma década, da quarta rede comercial de televisão do mundo, Walter Clark acabou por oferecer no livro – O Campeão de Audiência (veja a capa abaixo), que teve o jornalista Gabriel Priolli como co-autor, Editora Best Seller, 1991 – uma contribuição importante para a compreensão das relações muito especiais entre a TV Globo e o regime militar à sombra do qual floresceu. Além de rejeitar a conhecida imagem da emissora como uma espécie de porta-voz do “Brasil Grande” do ditador Médici, ele garantia nunca ter visto Roberto Marinho (foto no alto, da capa do livro promocional assinado por seu empregado Pedro Bial), “se humilhar diante de quem quer que fosse, milico ou não, presidente da República ou não. Ao contrário, é uma altivez que fica sempre no limite da arrogância.”

sexta-feira, 28 de março de 2014

50 anos do Golpe Militar. “Muito Além do Cidadão Kane”: a incrível atualidade do único documentário sobre Roberto Marinho.

"Meio século após o golpe, “Muito Além do Cidadão Kane” reforça esse ponto: um relato honesto e abrangente sobre a ditadura tem, obrigatoriamente, de levar em conta o protagonismo da TV Globo e de Roberto Marinho. Sem o doutor Roberto, provavelmente nada teria sido possível.

“Muito Além do Cidadão Kane”: a incrível atualidade do único documentário sobre Roberto Marinho
Kiko Nogueira - Diário do Centro do Mundo - 28/03/2014 

O documentário “Muito Além do Cidadão Kane”, de 1993, é uma daquelas obras com a rara capacidade de ficar mais atuais à medida que o tempo passa — um, por sua qualidade, dois, pela falta completa de algo parecido.

Conta a história de Roberto Marinho e da Globo. Nos 50 anos do golpe, ajuda a compreender uma relação umbilical e uma, digamos, retroalimentação em que uma das partes teve fim — a ditadura — e a outra seguiu firme e forte.

“Beyond Citizen Kane” foi produzido pelo Canal 4 britânico e dirigido por Simon Hartog, cineasta independente que começou a carreira nos anos 60. Hartog morreu quando o filme estava sendo editado. Não pôde ver seu impacto.

Foi exibido na Inglaterra. A Globo tentou comprar os direitos para se livrar dele, mas Hartog já havia se precavido contra isso numa cláusula. Em seguida, entrou na Justiça para proibir sua exibição no MAM do Rio em março de 1994 — e ganhou, naturalmente. Os pôsteres foram recolhidos pela polícia.

A cópia que passaria no MIS, em São Paulo, foi confiscada a mando do governador Luiz Antonio Fleury. Outras puderam circular legalmente em universidades só nos anos 2000. Hoje, graças à internet, “Muito Além do Cidadão Kane” está no YouTube na íntegra.

O tom não é de libelo, não é histérico, não é conspiratório. Ao contrário, é uma longa reportagem, extremamente sóbria, contando uma história que não tinha sido contada sobre a maior rede de televisão do Brasil e seu dono. Isso é notícia.

Hartog e equipe falaram com mais de 40 pessoas — de Chico Buarque a Armando Falcão, de ACM ao ex-diretor de jornalismo da Globo Armando Nogueira. Acompanham, também, a “família Silva”, moradora da periferia de Salvador. Pai, mãe e filhos num barraco escuro, cujo maior foco de luz vem de uma telinha de tevê na mesa da sala/cozinha, ligada no Fantástico.

Há vozes críticas, evidentemente: Brizola (que compara RM a Stalin, já que ambos mandavam seus desafetos para a Sibéria ou para o “esquecimento”); Chico Buarque, lembrando do poder “assustador” da emissora e dos jabás; Lula, pré-Lulinha Paz e Amor, reclamando do “senhor” que manda em tudo e da cobertura das greves do ABC.

Mas ali estão também empresários, publicitários (como Washington Olivetto), políticos, funcionários e ex-funcionários. Armando Falcão, ministro da Justiça durante a ditadura, lembra com carinho do amigo e diz, candidamente, que ele já era “revolucionário antes da Revolução de 64”. “Doutor Roberto nunca me criou nenhum tipo de dificuldade”, diz ele. Roberto Civita, dono da Abril, explica como sua empresa não conseguiu as concessões que queria em 1980 após a falência da Tupi.

Hartog mostra, com imagens e depoimentos da época, como a Globo se esforçou para sedimentar a boa reputação do regime militar. Lembra que a fatia do bolo publicitário da propaganda governamental já era grande na época e que, em 1990, a Globo detinha 75% da verba total no país.

Walter Clark, chefe da emissora antes de Boni, conta que Roberto Marinho o demitiu porque Clark “já tinha montado o trem elétrico e agora ele podia brincar à vontade. É uma pessoa bem parecida com o Cidadão Kane, mas acho que ele não tem o Rosebud”.

Marinho, obviamente, não deu entrevistas. Surge ao lado de todos os generais e, em seguida, com Tancredo, Sarney e Collor. “Doutor Roberto é meu amigo há mais de 30 anos. O pessoal tem muita inveja”, afirma Antônio Carlos Magalhães, feito ministro das comunicações por Roberto Marinho no governo Sarney.

A certa altura, menciona-se a minissérie “Anos Rebeldes”, que tratou da inquietação da juventude brasileira no fim dos anos 60. Ficou manca: faltou um papel para a Globo, que não é coadjuvante.

Meio século após o golpe, “Muito Além do Cidadão Kane” reforça esse ponto: um relato honesto e abrangente sobre a ditadura tem, obrigatoriamente, de levar em conta o protagonismo da TV Globo e de Roberto Marinho. Sem o doutor Roberto, provavelmente nada teria sido possível.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Ditadura militar. Corrupção, miséria, censura, violência, insegurança, opressão e trabalho infantil institucionalizado (reduziu a idade mínima legal de trabalho para 12 anos).

Corrupção, miséria, censura, violência, insegurança, opressão e trabalho infantil na ditadura
Juremir Machado da Silva - CORREIO DO POVO - 25 de março de 2014

Só que não estuda ou age por má-fé e ideologia fala em segurança, ensino de qualidade, empregabilidade total e padrão de vida invejável durante o regime militar.

Charges de Vitor Teixeira
A ditadura foi o sistema do trabalho infantil institucionalizado, da inflação alta, da redução do poder aquisitivo dos mais pobres, da insegurança no emprego, do fim da estabilidade com a criação do FGTS, da violência estatal, da corrupção eleitoral e da retirada de investimentos da saúde e da educação. Os primeiros mensalões aconteceram naqueles dias, com compra de voto e de apoio parlamentar. Segue um trecho de meu livro “Jango, a vida e a morte no exílio” sobre esse quadro desolador. 

Uma resolução do Ministério da Justiça crava seu veneno noutro coração, o da imprensa, enfim, acordada: “É vedada a descrição minuciosa do modo de cometimento de delitos”. 

A ditadura gosta de agenda positiva: censura a divulgação da descoberta de uma carga de drogas no quartel da Barra Mansa. 

O gaúcho Arnaldo Pietro, ministro do Trabalho, bloqueia, em 1974, as notícias sobre sua fracassada política salarial. Até “gravuras eróticas de Picasso” caem na malha fina do obscurantismo dos censores por obscenas.

domingo, 23 de março de 2014

Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade. Os últimos blocos tardios do carnaval. Os blocos da morte. Blocos tristes, que não cantam o amor nem a alegria, que marca e contagia o coração brasileiro. Os raivosos passistas desses blocos dizem que estão com Deus. Mas se olvidam que Deus não está com aqueles que defendem os que usaram porretes, choques elétricos e pau-de-arara.

O BRASIL E OS BLOCOS DA MORTE
Mauro Santayana - 23/03/2014
(Hoje em Dia) - O Carnaval acabou há alguns dias, mas tem gente convocando novos blocos para sair às ruas.

Esses últimos blocos tardios, tem o nome de MARCHA DAS FAMÍLIAS COM DEUS PELA LIBERDADE.

Link - Marcha da  Ku Klux Klan - Washington:  08-08-1925 

Os seus raivosos passistas dizem que estão com as famílias.

Mas se esquecem de outras famílias, que há cinquenta anos desfilaram em marchas semelhantes, e que – apesar disso - tiveram irmãos e filhos torturados e “desaparecidos” pelos agentes do mesmo regime que ajudaram a colocar no poder, no dia primeiro de abril de 1964.

Os raivosos passistas desses blocos dizem que estão com Deus.

Mas se olvidam que Deus não está com aqueles que defendem os que usaram porretes, choques elétricos e pau-de-arara. Que espancaram e assassinaram homens e mulheres indefesas, nos porões, como fizeram com seu único filho, um dia, chicoteando-o, rindo e cuspindo em seu rosto antes de cravar em sua cabeça uma coroa de espinhos, para que a usasse, sob a sombra da Cruz, a caminho do Calvário.

Eles pedem a prisão e o massacre de comunistas, como antes o faziam os nazistas, com os judeus, os ciganos, e os homossexuais.
Mas se esquecem do Papa Francisco – que defende o direito à opinião e à diversidade - que disse que não era comunista, mas que nada tinha contra os marxistas, porque ao longo da vida havia conhecido vários, que eram homens honestos e boas pessoas.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Lousa, giz e chumbo. Enquanto prendia estudantes e professores, a ditadura rapidamente mudou o modelo de ensino no Brasil.

Lousa, giz e chumbo
Subfinanciamento da escola pública e privatização do setor estão entre os principais legados das políticas educacionais da ditadura

Cida de Oliveira e Sarah Fernandes - Rede Brasil Atual - 15/03/2014

O JORNAL / JCOM / D.A. PRESS / (RJ 12/07/1968)
Enquanto prendia estudantes e professores, a ditadura rapidamente mudou o modelo de ensino no Brasil





Em meio a um emaranhado de fusões de escolas e concentração de conglomerados universitários, o ensino superior privado brasileiro segue de vento em popa. Um levantamento da consultoria Hoper Educação, com base em dados de 2013, constatou crescimento de faturamento de 30% entre 2011 e 2013, de R$ 24,7 bilhões para R$ 32 bilhões. Conforme a consultoria, estão matriculados hoje no ensino superior privado 5 milhões de alunos.

Os números do setor têm reflexo no Censo Escolar do Ministério da Educação. Os dados de 2011, divulgados em 2013, indicam que das 2.365 instituições que participaram do levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 88% são particulares – percentual que praticamente repete o do censo anterior. Entre as dez maiores instituições de ensino superior em números de matrículas de graduação, nove são privadas.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, mostra que em 2012 estavam na rede privada 74,6% dos estudantes, percentual que aumentou em relação ao ano anterior, que era de 73,2%. O crescimento da educação como negócio é inversamente proporcional à queda na qualidade dessa modalidade ensino, pouco fiscalizado.

domingo, 16 de março de 2014

Soldadinhos da ditadura. Os inocentes “brasilianos” nascidos sob a ditadura militar que marcharam "pelo Brasil". Meninos e meninas do interior do Brasil nascidos no final da década de 1960 e começo dos 1970, é a mais inocente de todas as vítimas do golpe.

Os inocentes “brasilianos”
Cynara Menezes - CartaCapital - 15/03/2014

A minha geração é a mais inocente das vítimas do golpe. Viemos ao mundo sob uma ditadura. Os generais já estavam lá. E não sabíamos de nada. Apenas marchávamos

Sabe aquela criança acenando com a bandeira do Brasil de cartolina verde e amarela, diante do pelotão que passa num desfile militar? Aquela, marchando de chapeuzinho de soldado, em fila, junto com os coleguinhas da escola no 7 de setembro? De uniforme branco e azul impecável, Vulcabrás nos pés brilhando, sorrindo sob um sol inclemente? Sou eu.

A minha geração, meninos e meninas do interior do Brasil nascidos no final da década de 1960 e começo dos 1970, é a mais inocente de todas as vítimas do golpe. Viemos ao mundo sob uma ditadura militar. Quando chegamos aqui, os generais já estavam lá. E não sabíamos de nada do que estava acontecendo. Apenas marchávamos.

Imagem: ALPESTRE/RS - 1976 




Marchei todos os anos da minha infância, do pré-primário à 8a. série. Entre os ensaios, que começavam em julho, e o dia 7, acho que marchei o suficiente para ir a pé do Rio Grande do Sul até Rondônia. Na véspera da grande data, minha mãe passava a “farda” (sintomático: chamávamos o uniforme escolar de “farda” no interior da Bahia) e eu engraxava meus sapatos com Nugget e os escovava até deixá-los com aparência de novos. Ficava orgulhosíssima do feito.

Não sabíamos por que marchávamos, só que era “pelo Brasil”. Cantávamos o hino e hasteávamos a bandeira diariamente. Nas aulas de Educação Moral e Cívica, nos ensinavam que era crime não respeitar o hino e a bandeira. A propaganda era tanta que até hoje tenho na memória a musiquinha do sesquicentenário da Independência, que aconteceu quando eu tinha 5 anos! “Sesquicentenário da Independência/ Potência de amor e paz/ Esse Brasil faz coisas/ Que ninguém imagina que faz.” Também sei de cor o hino brasileiro, o da Independência, o da Bandeira, o do Soldado e até o da Marinha. Éramos treinados para ser soldadinhos da ditadura, num eterno tiro-de-guerra, sem fuzis.

Um ano marchei fantasiada de intelectual, com beca e capelo, segurando um dicionário; no outro toquei surdo na banda; em outro ainda, fui vestida como integrante do coral da escola. Não me lembro de jamais ter reclamado de nada, só achava ruim que a ordem na fila fosse do mais velho para o mais novo, porque eu sempre ficava na rabeira. A coisa mais antidemocrática do meu mundinho era a escolha da baliza: por que só ela podia ir na frente de todos no desfile?

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Clube militar critica "covardia" do Globo. "Equívoco, uma ova". "Declarar agora que se tratou de um “equívoco da redação” é mentira deslavada."

"Dupla mentira: em primeiro lugar, o apoio ao Movimento de 64 ocorreu antes, durante e por muito tempo depois da deposição de Jango; em segundo lugar, não se trata de posição equivocada “da redação”, mas de posicionamento político firmemente defendido por seu proprietário, diretor e redator chefe, Roberto Marinho, como comprovam as edições da época; em segundo lugar, não foi, também, como fica insinuado, uma posição passageira revista depois de curto período de engano, pois dez anos depois da revolução, na edição de 31 de março de 1974, em editorial de primeira página, o jornal publica derramados elogios ao Movimento; e em 7 de abril de 1984, vinte anos passados, Roberto Marinho publicou editorial assinado, na primeira página, intitulado “Julgamento da Revolução”, cuja leitura não deixa dúvida sobre a adesão e firme participação do jornal nos acontecimentos de 1964 e nas décadas seguintes."

Clube militar critica "covardia" do Globo
247 - 3 DE SETEMBRO DE 2013 ÀS 22:34

Clube rebate editorial do "O Globo", no qual o jornal tenta justificar apoio dado ao golpe militar de 1964; "pressionado pelo poder político e econômico do governo, sob a constante ameaça do “controle social da mídia” – no jargão politicamente correto que encobre as diversas tentativas petistas de censurar a imprensa – o periódico sucumbiu e renega, hoje, o que defendeu ardorosamente ontem. Alega, assim, que sua posição naqueles dias difíceis foi resultado de um equívoco da redação, talvez desorientada pela rapidez dos acontecimentos e pela variedade de versões que corriam sobre a situação do país”
247 – O Clube Militar publicou em seu site nesta terça-feira (3) uma posição crítica ao editorial do jornal O Globo que reconheceu como “equívoco” o apoio ao golpe militar de 1964. Intitulado “Equívoco, uma ova”, o texto do clube diz que o jornal adota uma “mudança de posição drástica” e pratica uma dupla mentira ao se desculpar pelo apoio. " Trata-se de revisionismo, adesismo e covardia do último grande jornal carioca", critica.

“Pressionado pelo poder político e econômico do governo, sob a constante ameaça do “controle social da mídia” – no jargão politicamente correto que encobre as diversas tentativas petistas de censurar a imprensa – o periódico sucumbiu e renega, hoje, o que defendeu ardorosamente ontem. Alega, assim, que sua posição naqueles dias difíceis foi resultado de um equívoco da redação, talvez desorientada pela rapidez dos acontecimentos e pela variedade de versões que corriam sobre a situação do país”, afirma.

Confira a opinião do clube na íntegra:

Equívoco, uma ova

Nomes de presidentes da ditadura batizam quase mil escolas do Brasil

"Atualmente há no Brasil 976 colégios municipais, estaduais e federais com os nomes dos cinco presidentes do Regime Militar, de 1964 a 1985 (ficaram fora da conta os ministros da junta que chefiou o país de agosto a outubro de 1969). Só o marechal Humberto Castello Branco, que governou de 1964 a 1967, é homenageado em 464 unidades. Ao todo, o país tem 3.135 escolas com nomes de ex-presidentes." 
Nomes de presidentes da ditadura batizam quase mil escolas do Brasil 
Pragmatismo Político - 02/09/2013
Brasil tem quase mil escolas com nomes de
presidentes da ditadura militar (Reprodução) 

Das 3.135 unidades escolares públicas que homenageiam ex-dirigentes da República, 976 pertencem aos cinco generais que comandaram o regime militar

Na Escola Municipal Presidente Médici, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, boa parte dos alunos tem pouco a dizer sobre o general que governou o país de 1969 a 1974. “Minha vó falou que ele era um sanguinário”, conta uma aluna do 8º ano. “O professor de Geografia disse que ele não era uma boa pessoa”, afirma uma colega de sala, de 14 anos, quando perguntada sobre o gaúcho ditador, responsável pelo período de maior recrudescimento à liberdade de expressão na ditadura militar brasileira.
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Dentro da unidade, porém, há um mural com fotos do homenageado e, segundo professores, o nome do colégio é usado para abordar o assunto em sala.