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domingo, 6 de novembro de 2016

"Recomeçar do zero", esquecendo Lula, é a profilaxia recomendada pelos sábios do golpe em todas as frentes.

Por que eles querem que o Brasil esqueça Lula?

Por que com ele é como se Getúlio falasse; ou Allende para os chilenos; ou Perón para os argentinos; ou Cárdenas para os mexicanos. Com uma diferença: Lula vive

Por: Saul Leblon - Carta Maior - 04/11/2016

Respira-se um cheiro azedo de fardas, togas e ternos empapados da sofreguidão nervosa que marca as escaladas de demolição do Estado de Direito nos solavancos da História.

Consulte os anos 30 na Alemanha, os 50 do macarthismo norte-americano, os 60 da ditadura brasileira, os 70 do massacre chileno...

Há um clima de dane-se o pudor por parte das elites e da escória que a serve.

Faz parte desses crepúsculos institucionais a perda dos bons modos e a convocação das milícias, enquanto o jornalismo isento finge não ver a curva ascendente do arbítrio.

Com a mesma desenvoltura com que se anistia montanhas de dólares remetidos ao exterior, classifica-se o MST como ‘movimento criminoso’.

Persegue-se e intimida-se estudantes secundaristas com lista de nomes exigindo que se delate endereços de colegas ocupantes ...

Invade-se a bala dependências e movimentos sociais e de metralhadora em punho escolas tomadas por adolescentes que reclamam o direito de opinar sobre a própria educação.

Ensaios da orquestra.

Decibéis crescentes, afiados pelo mesmo diapasão ecoam de diferentes pontos do país.

Só não ouve quem não quer.

Há dinheiro, patrocínio e poder em jogo na incapacidade auditiva para ouvir os gritos da democracia sendo violada na sala ao lado de onde se discute a ‘reconstrução do Brasil’.

A conveniência reflete a insurgência que se esboça.

A resistência ao golpe escapa ao que se supunha ser o alvo isolado e triturado pela centrífuga da Lava Jato.

Adolescentes falam o que a vastidão dos votos nulos, brancos e abstenções cifraram nas urnas municipais, quando suplantaram os vitoriosos de São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre...

Se as duas vozes se fundirem num idioma único, o que acontecerá?

O cheiro azedo exalado das fardas, togas e ternos de corte fino, empapados da sofreguidão nervosa, reflete essa esquina incerta da História para a qual caminha o país.

A truculência policial e midiática sobe rápido os degraus da exceção.

Essa é a hora diante da qual a resistência progressista não pode piscar.

Daí a importância da campanha lançada neste dia 10 de novembro para sacudir a hesitação em defesa do óbvio.

O óbvio hoje começa por defender Lula.

Porque sem defender Lula, não será possível defender mais ninguém, e mais nada, do galope desembestado da ganância no lombo da violência fardada e da cumplicidade togada.

Por ninguém, entenda-se o Brasil assalariado e o dos mais humildes.

A imensa maioria da população.

Aquela que vive do trabalho, depende de serviços públicos, tem seu destino atado ao do país, ao do pre-sal, ao da reindustrialização, ao da democracia social, carece de cidadania, respira salário mínimo e enxerga na previdência o único amparo à velhice e ao infortúnio.

Lula é a espinha histórica das costelas de resistência que precisam se unir para conter a demolição em marcha disso tudo.

Desempenha essa função por uma razão muito forte.

Essa que o milenarismo gauche parece ter esquecido --ou hesita em saber que sabe-- enquanto aguarda o juízo final de Moro para recomeçar do zero.

‘Recomeçar do zero’ é a profilaxia recomendada pelos sábios do golpe em todas as frentes.

Desde a demolição dos direitos trabalhistas, à revogação da soberania no pre-sal, passando pela Constituição de 1988, o Prouni, a previdência ...

Mas, principalmente: recomeçar do zero esquecendo Lula.

Porque ele é –ainda é Lula-- a inestimável referência de justiça social na qual a imensa parcela dos brasileiros de hoje e de ontem se reconhecem.

É dele a voz que quando fala e é ouvida no campo e nas cidades.

Mais que simplesmente ouvida: respeitada e compreendida.

A diferença dessa voz é que ela não carrega só palavras.

Carrega experiência, luta, erros, acertos, raiva, riso, derrotas, vitórias, cujo saldo são conquistas coletivas encarnadas em holerite, comida, emprego, autoestima e esperança.

segunda-feira, 7 de março de 2016

A mídia e a direita escancararam a guerra; agora chegam a pedir ação dos militares contra aqueles que ousam desafiá-las. Não há mais "em cima do muro".

A partir de agora, é FUNDAMENTAL se manifestar... Acredite: o silêncio só fortalecerá os golpistas


Pablo Villaça - Via Facebook - 06/03/2016

Aqueles que me acompanham há algum tempo sabem que frequentemente escrevo sobre a necessidade da serenidade na política. Inúmeras vezes falei que não era aceitável tratar oponentes políticos como inimigos. Salientei que o debate não se faz com violência.

Infelizmente, se sempre adotei esta postura de forma natural, sem qualquer esforço, nos últimos dias passei a ter que me obrigar a mantê-la. Se os acontecimentos de quinta/sexta-feira conseguiram algo, foi radicalizar até mesmo quem se orgulhava da moderação.

Na quinta-feira, uma delação não homologada (e que, mesmo se fosse, deveria ser sigilosa) foi publicada na IstoÉ. Enquanto o suposto delator se recusou a confirmá-la, o procurador-geral da república, que seria o responsável por fazê-la, foi mais enfático: negou sua existência. Isto não impediu a Globo e suas cúmplices de transformarem a tal "delação" em destaque absoluto. Se Delcídio antes era retratado por elas como um sujeito sem escrúpulos, imediatamente sua palavra passou a ter peso de lei - não eram necessárias mais quaisquer provas; Delcídio havia afirmado e pronto. Até que, claro, ele se negou a confirmar a delação e voltou a ser sumariamente ignorado.

Já na sexta-feira de madrugada, por volta de duas da manhã, o editor da Época (ligada à Globo), que há muito já deixou de sequer simular qualquer objetividade jornalística, tuitou duas vezes sobre a ação da PF que só aconteceria horas depois. Uma ação que, de novo, deveria ser sigilosa, mas sobre a qual a imprensa já havia sido informada há dez dias (como comprovou a denúncia feita pelo blogueiro Eduardo Guimarães uma semana antes). Antes que a PF chegasse ao apartamento de Lula, um helicóptero da Globo sobrevoava seu apartamento e repórteres da Foxlha esperavam na porta. Já os ADVOGADOS do ex-presidente ainda não haviam sido notificados.

Mas o abuso maior estava por vir: sem ter sido sequer intimado previamente, Lula foi submetido à humilhação do depoimento coercitivo - um abuso tão grande de poder que até dois ministros do STF (um deles historicamente crítico à esquerda) condenaram a ação, bem como juristas respeitados e até mesmo (pasmem) um dos fundadores do PSDB, Bresser Pereira.

O abuso, claro, foi ignorado pela Globo e suas comparsas; o Jornal Nacional chegou a aumentar em meia hora sua duração para celebrar a ação. Já no sábado, quando a sede do PT foi atacada em Belo Horizonte, a Globo chamou de "protesto" o que era claramente um ato de violência - e quando algo similar aconteceu em outra capital, a emissora ENTREVISTOU os "manifestantes".

Por outro lado, quando manifestantes se posicionaram diante dos prédios da emissora neste domingo, foram chamados de "milícia" e os colunistas Merval e Noblat chegaram a convocar OS MILITARES pra combater a "turba".
Charge Renato Aroeira
Como manter a serenidade assim? Como tentar se manter ponderado quando passamos a viver em um país no qual a oposição agora, mesmo perdendo nas urnas, se vê no direito até de dizer quem pode ou não ser ministro? No qual a mídia escancarou de vez o objetivo de destruir toda a esquerda? No qual um juiz, "premiado" pela Globo e celebrado por tucanos, usa o poder judiciário para perseguir os inimigos políticos das corporações?

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Lava Jato, a origem. A promiscuidade entre as empreiteiras e políticos teve início com a ditadura militar e com a cumplicidade explicita da mídia.

Samuel Wainer escancara as relações entre a “grande” imprensa no Brasil e as empreiteiras

Por Cynara Menezes - Socialista Morena - 12/06/2016

O jornalista Samuel Wainer (1910-1980) foi, para quem não conhece a sua trajetória, um dos maiores jornalistas do país. Judeu do bairro do Bom Retiro, em São Paulo, de origem humilde, conseguiu construir seu próprio jornal, o Última Hora, um diário de perfil popular que logo conquistaria tiragens gigantescas, ameaçando o poderio da meia dúzia de famílias que detém o controle da imprensa em nosso país. Claro que os coronéis midiáticos não iriam permitir que um joão-ninguém roubasse seu público, e patrocinaram a destruição do império jornalístico fundado por Wainer com o apoio de Getúlio Vargas.

Compara-se muito atualmente a caçada a Lula à perseguição a Getúlio e a Juscelino Kubitschek. Pois eu encontro mais paralelos entre a história da Última Hora/Samuel Wainer e a do PT/Lula: o jornal de um outsider que tenta, para sobreviver, fazer o mesmo que os outros meios de comunicação fazem, ou seja, conseguir dinheiro junto às grandes fortunas brasileiras, ao governo e às empreiteiras. Os demais jornais podiam (e podem) fazer isso. A Última Hora e Wainer, não. O mesmo aconteceu com o PT e Lula: tentaram fazer parte de um clube que não os aceitava como sócios. Obviamente estão sendo expulsos agora. Samuel Wainer e a Última Hora foram investigados, assim como Lula e o PT, enquanto os outros jornais/partidos seguem inimputáveis.

Mas quando foi que começou essa promiscuidade entre as empreiteiras e os políticos? Não é verdade que foi a partir da ditadura militar. Segundo conta Samuel Wainer em sua autobiografia, Minha Razão de Viver, estas relações remontam à década de 1950, e contaram com a cumplicidade explícita dos meios de comunicação. A coisa funcionava assim: os donos de jornais atuavam como representantes das empreiteiras, a garantia de que o serviço prestado seria pago. Chantageavam o governo para que utilizasse tal empreiteira em determinada obra; se não o fizesse, passaria a ser atacado pelo veículo em questão. Se cedesse, o dono do jornal ganhava da empreiteira 10% sobre o valor orçado para a obra. Ora, ora, e nós pensando que foram os políticos que inventaram a propina…

O empreiteiro era, segundo Wainer, “uma figura essencial aos interessados em decifrar os segredos do jogo do poder no Brasil”. E continua sendo… A única diferença é que, em vez da relação direta que tinham com os donos dos jornais, o dinheiro foi providencialmente “limpo”: passaram a ser anunciantes. Ainda hoje as grandes construtoras figuram entre os que mais publicam anúncios na imprensa –só perdem para o governo, que tragédia. Será que se a Lava-Jato fosse uma operação séria estes elos poderiam ser melhor revelados? Difícil acreditar, quando a operação Zelotes, que originalmente foi criada para investigar um escândalo de sonegação de impostos que envolvia meios de comunicação, acabou tendo como único foco o ex-presidente Lula e seus familiares…

Samuel Wainer também fala das benesses que os empresários de comunicação obtinham do governo federal, como a isenção fiscal e a facilidade para a importação de papel-jornal e maquinários –sem contar os anúncios. Quando o PSDB ocupava a presidência não era muito diferente. Em 1999, o BNDES, um banco público, se tornou SÓCIO da Globo Cabo (4,8% de participação). Em 2002, ainda no governo FHC, o BNDES injetou 284 milhões de reais, em valores da época, na emissora. Obviamente o presidente FHC não iria faltar à inauguração do reluzente novo parque gráfico dos Marinho.


Em 2003, já no governo Lula, os jornais tentaram conseguir junto ao BNDES um novo empréstimo, desta vez em conjunto, para salvar sua situação financeira. O empréstimo não foi concedido. Quando eu vejo a pressão da imprensa pela volta dos tucanos ao poder, fico pensando: não haveria aí algum interesse financeiro? Se o PSDB voltar ao poder, haverá um Proer da mídia? Me parece meio óbvio.



Fiquem com Samuel Wainer e o trecho de Minha Razão de Viver em que fala sobre as relações promíscuas dos donos da imprensa com as empreiteiras.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Bob Fernandes: "Diante do Choque e Horror com Paris, cabe-nos uma reflexão: e por que, no Brasil, aceitamos, convivemos com média de quase 60 mil homicídios/ano?"

Horror com terror em Paris. Indiferença com Brasil e seus 10% de homicídios do mundo
Por Bob Fernandes via Facebook - 16/11/2015



Horror e Dor diante do Terror que matou 129 e feriu 350 em Paris. Tanto Ódio, Terror e Horror nascem da história do hoje, e do ontem já secular.

Mas, seja a violência histórica ou a dos homens-bomba e seus fuzis, seja a das invasões ou dos assépticos aviões drone e seus defeitos "colaterais", não há desculpa aceitável.

Seja em nome de Deus, ou de "valores" agora tão citados, violência retroalimentando violência é imperdoável. Aceitar é negar a Vida.


Diante do Choque e Horror com Paris, cabe-nos uma reflexão: e por que, no Brasil, aceitamos, convivemos com média de quase 60 mil homicídios/ano?

Na média, mais de 160 homicídios/dia. No Brasil, responsável por 10% dos homicídios do mundo, se assassina uma "Paris" e mais 30 pessoas por dia.

Nesse final do ano em que nos chocamos com o Horror na França, chegaremos a um milhão e meio de homicídios em três décadas e meia... Um Genocídio.

E diante de ampla indiferença, porque quase sempre nas periferias, nas "quebradas" de pobres e miseráveis.

Depois de uma das nossas chacinas alguém cometeu uma explicação: "...ora, porque isso não é mais notícia..."

A frase é um tratado sobre a cultura de indiferença e desprezo. Indiferença que anestesia consciências e impede a percepção do que avança.

Organizações em estágio pré-mafioso, PCC e Comando Vermelho, entre outras, já governam periferias e presídios. E a reação é como se não houvesse o amanhã.

A organização Human Rights Watch informa: em Pernambuco, 32 mil presos se amontoam onde caberiam 10 mil e 500.

O presidio de Igarassu têm 3.800 presos onde cabem 426. Quem "governa" o presídio são 27 presos.

Eles têm as chaves e comandam pavilhões, e milícias. São chamados de "chaveiros" ... Multiplicam-se denúncias de estupros coletivos.

Em Pedrinhas, no Maranhão, dois presos desapareceram, sobraram só pedaços. Relatos internos de canibalismo. Teriam sido cozinhados e comidos.

Natural, humano, o Horror com o Terror em Paris. Assustadora, e reveladora, a indiferença com o Genocídio e o Horror cotidianos no Brasil.

domingo, 15 de novembro de 2015

Coincidência? Na véspera de ser demitido da GloboNews Sidney Rezende criticou o pensamento único da mídia, em seu blog pessoal, com o post intitulado “Chega de notícias ruins” - “Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também”.


Chega de notícias ruins

Sidney Rezende - SRZD - 12/11/2015 - 09H54

Em todos os lugares que compareço para realizar minhas palestras, eu sou questionado: "Por que vocês da imprensa só dão 'notícia ruim'?"

O questionamento por si só, tantas vezes repetido, e em lugares tão diferentes no território nacional, já deveria ser motivo de profunda reflexão por nossa categoria. Não serve a resposta padrão de que "é o que temos para hoje". Não é verdade. Há cinismo no jornalismo, também. Embora achemos que isto só exista na profissão dos outros.

Os médicos se acham deuses. Nós temos certeza!

Há uma má vontade dos colegas que se especializaram em política e economia. A obsessão em ver no Governo o demônio, a materialização do mal, ou o porto da incompetência, está sufocando a sociedade e engessando o setor produtivo.

O "ministro" Delfim Netto, um dos mais bem humorados frasistas do Brasil, disse há poucas semanas que todos estamos tão focados em sermos "líquidos" que acabaremos "morrendo afogados". Ele está certo.

Outro dia, Delfim estava com o braço na tipoia e eu perguntei: "o que houve?". Ele respondeu: "está cada vez mais difícil defender o governo".

Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também.
Charge Laerte Coutinho
O Governo acumula trapalhadas e elas precisam ser noticiadas na dimensão precisa. Da mesma forma que os acertos também devem ser publicados. E não são. Eles são escondidos. Para nós, jornalistas, não nos cabe juízo de valor do que seria o certo no cumprimento do dever.

Se pesquisarmos a quantidade de boçalidades escritas por jornalistas e "soluções" que quando adotadas deram errado daria para construir um monumento maior do que as pirâmides do Egito. Nós erramos. E não é pouco. Erramos muito.

Reconheço a importância dos comentaristas. Tudo bem que escrevam e digam o que pensam. Mas nem por isso devem cultivar a "má vontade" e o "ódio" como princípio do seu trabalho. Tem um grupo grande que, para ser aceito, simplesmente se inscreve na "igrejinha", ganha carteirinha da banda de música e passa a rezar na mesma cartilha. Todos iguaizinhos.

Certa vez, um homem público disse sobre a imprensa: "será que não tem uma noticiazinha de nada que seja boa? Será que ninguém neste país fez nada de bom hoje?". Se depender da imprensa brasileira, está muito difícil achar algo positivo. A má vontade reina na pátria.

É hora de mudar. O povo já percebeu que esta "nossa vibe" é só nossa e das forças que ganham dinheiro e querem mais poder no Brasil. Não temos compromisso com o governo anterior, com este e nem com o próximo. Temos responsabilidade diante da nação.

Nós devemos defender princípios permanentes e não transitórios.

Para não perder viagem: por que a gente não dá também notícias boas?



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Cidadania - Senado aprova lei que regulamenta direito de resposta a ofendidos pela mídia. Se ganhar na Justiça o direito de resposta, o ofendido poderá gravar vídeo, áudio ou mesmo ocupar a bancada de um telejornal para ler sua resposta.

Senado aprova lei que regulamenta direito de resposta a ofendidos pela mídia
EBC - 04/11/15 - Por Mariana Jungmann Edição:Armando Cardoso Fonte:Agência Brasil

O plenário do Senado aprovou hoje (4) projeto do senador Roberto Requião (PMDB-PR) regulamentando o direito de resposta nos meios de comunicação, mas exclui os comentários feitos por usuários da internet nas páginas eletrônicas dos veículos de comunicação social.

O texto determina o direito de resposta à pessoa (física ou jurídica) ofendida por qualquer reportagem, nota ou notícia “divulgada por veículo de comunicação social, independentemente do meio ou plataforma de distribuição, publicação ou transmissão que utilize, cujo conteúdo atente, ainda que por equívoco de informação, contra a honra, intimidade, reputação, conceito, nome, marca ou imagem”.

De acordo com a proposta, a resposta poderá ser divulgada, publicada ou transmitida no mesmo espaço, dia da semana e horário em que ocorreu o agravo e deverá ser exercida no prazo de 60 dias, “contados da data de cada divulgação, publicação ou transmissão da matéria ofensiva”.

Os senadores retiraram do texto uma modificação da Câmara, estabelecendo que a resposta seria divulgada por um representante do meio de comunicação e retomaram o texto original, que permite ao ofendido, no caso de veículo de mídia televisiva ou radiofônica, requerer o direito de responder ou fazer a retificação pessoalmente.

Desse modo, se ganhar na Justiça o direito de resposta, o ofendido poderá gravar vídeo, áudio ou mesmo ocupar a bancada de um telejornal para ler sua resposta.

Ao fim da votação, o senador Requião comemorou a aprovação e dedicou a nova lei ao falecido senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC). “Só quero oferecer este projeto à memória do senador Luiz Henrique da Silveira, agredido, sem a menor possibilidade de resposta. Ele morreu magoado por não ter tido o direito ao contraditório e o direito de defesa”, afirmou Requião.


O texto segue para sanção presidencial e, em seguida, para publicação no Diário Oficial da União.

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Roberto Requião dedicou o projeto ao senador Luiz Henrique da Silveira, falecido em maio deste ano pouco tempo após enfrentar denúncias do uso da sua influência para encaminhar pacientes a hospital público.


20 anos do dia em que Brizola venceu a Globo. O milagre em que nem a gente acreditava

Fernando Brito - Tijolaço - 15/03/2014


Hoje, se completam 20 anos do dia em que Cid Moreira, com seu ar afetado e seus cabelos brancos (nem os muito velhos se lembram dele de cabelos pretos…), começou a ler o histórico direito de resposta de Leonel Brizola no Jornal Nacional.

Foi a penúltima vitória do guri que saiu de Carazinho para enfrentar o mundo, um quixote gaúcho, do tempo em que os gaúchos eram quixotes e provocavam os versos geniais do pernambucano Ascenso Ferreira: Riscando os cavalos!/Tinindo as esporas!/Través das cochilhas!/Sai de meus pagos em louca arrancada!/— Para que?/— Pra nada!

Durante 22, 23 anos, convivi com ele, 19 dos quais diariamente.

Praticamente formei, com ele, a minha vida adulta, pois era um garoto de 22 anos quando esse contato começou, numa reunião num apartamento na Rua Cabuçu, no Lins de Vasconcellos, subúrbio da Zona Norte carioca.

domingo, 18 de outubro de 2015

Dez Mandamentos para o Jornal Nacional - 10 - "Não cobiçarás os 54 milhões de votos que Aécio Neves não teve nas urnas em 2014, nem desejarás que o Brasil vá por água abaixo, até porque nesse naufrágio afundamos todos e nem a arca de Noé vai ajudar o William Bonner e a Renata Vasconcelos. "

Dez Mandamentos para o Jornal Nacional

Por: Eduardo Nunomura e Pedro Alexandre Sanches - Farofafá - CartaCapital - 16/10/2015

O maior, mais assistido e mais comentado noticiário da televisão brasileira vive uma crise sem precedentes. Perde audiência para a novela Os Dez Mandamentos da TV Record. O Jornal Nacional sem audiência é comoBuchecha sem Claudinho. Estamos perplexos. Abaixo, tentamos encontrar soluções para que o Sansão da TV Globo recupere sua credibilidade diante do Golias da emissora do bispo Edir Macedo.

1

Record-X-Globo

Amarás ao Jornalismo de qualidade sobre todas as coisas e acima de todos os desejos mais secretos (ou não) de manipular os fatos. O povo não é bobo e tem todo o direito de escolher as bondades edulcoradas d’Os Dez Mandamentos em vez das maldades em série do Jornal Nacional.

2

Múmia

Não usarás em vão o santo nome do Jornalismo em histórias de cachorros heróis, lorotas de “apesar da crise” e piadinhas “descontraídas” entre apresentadores, só para fazer hora até que a novela bíblica da Record termine e A Regra do Jogo possa começar.

3

jornal

Assistirás ao Fantástico aos domingos, inclusive porque não há Os Dez Mandamentos aos domingos.

4

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Honrarás o voto e a democracia brasileira, em vez de insinuar pela enésima vez que algum impeachment vai acontecer amanhã.

5

william-bonner-homer-simpsom

Não matarás os fatos, a reputação de políticos sem provas, nem a inteligência do telespectador Homer Simpson. #NãoSomosRacistas

6

UDN

Não adulterarás as notícias, carregando de tintas as denúncias contra o PT, escamoteando falcatruas do PSDB e do PMDB e disfarçando as imposições de sigilo do governador Geraldo Alckmin.

7

CRb-pL2WEAAAsye

Não roubarás o tempo da trabalhadora e do trabalhador brasileiros, que precisam dormir logo após Os Dez Mandamentos (exceto William Waack), nem falsificarás números de ibope agora que o instituto GfK está na área.

8

protesto-globo-AgA

Levantarás o falso testemunho de Eduardo Cunha (que negava ter conta na Suíça, a terra prometida dos sonegadores) e deixarás de ocultar que a companheira dele, Cláudia Cruz, é ex-apresentadora e garota-propaganda da emissora.

9

extintor-de-incendio-aparece-em-cena-de-os-dez-mandamentos-original

Não desejarás que a mulher do bispo (Os Dez Mandamentosfracasse no Ibope. O povo já decidiu trocar de canal e prefere assistir à novela do extintor no Egito. 😃😃😃😃😃😃

10

bonner-renata-vasconcellos

Não cobiçarás os 54 milhões de votos que Aécio Neves não teve nas urnas em 2014, nem desejarás que o Brasil vá por água abaixo, até porque nesse naufrágio afundamos todos e nem a arca de Noé vai ajudar o William Bonner e a Renata Vasconcelos. #SomosTodosMaju

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quem vai adotar os vira-latas? Após a mea culpa sem culpa da Rede Globo, é preciso recolher nas ruas os órfãos do “quanto pior, melhor”, que começaram torcendo para a Croácia na partida inaugural e já não sabem quem são.

Quem vai adotar os vira-latas?
Luciano Martins Costa - Observatório da Imprensa - 27/06/2014
CHARGE VITOR TEIXEIRA
A imprensa brasileira já vinha fazendo lentamente o caminho de volta para a realidade ao reconhecer que a Copa do Mundo no Brasil é, até aqui, um grande sucesso e uma ampla coleção de recordes. Até a revista Veja, que há alguns anos abandonou o jornalismo, já ensaiou o processo de transição do pessimismo para a celebração, caso os fatos continuem a desafiar suas próprias previsões.

Faltava a Rede Globo de Televisão, que vinha remoendo em suas entranhas a contraditória situação de beneficiária e contestadora do evento. Não falta mais: na edição de quinta-feira (26/6), o Jornal Nacional dedicou 2 minutos e 21 segundos a uma espécie de mea culpa sem culpa. Ou, melhor, a emissora reconhece que havia um excesso de pessimismo no noticiário durante o período que antecedeu o pontapé inicial na bola, mas a culpa não foi da imprensa brasileira: segundo a Globo, foi apenas a imprensa internacional que errou na dose de negativismo.

Em tom conciliador, o apresentador William Bonemer Júnior, conhecido como Bonner, fez a passagem da emissora para o campo oficial da festa (ver aqui o vídeo e o texto correspondente).

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A velha mídia, um Velho do Restelo à brasileira que não só torce contra o Brasil, mas também joga contra. Aqui ele se impregnou nas redações de revistonas e jornalões. Sai de campo numa maca, como uma espécie de Suárez que mordeu a si mesmo.

O VELHO DO RESTELO SAI DE CAMPO CONTUNDIDO
Lelê Teles - Blog Fala Que Eu Te Escuto - 25/06/2014 

Charge Vitor Teixeira
Quando Vasco da Gama partia a caminho das Índias, conta-nos Camões em seu famoso e longo poema épico, havia um ancião derrotista, fracassomaníaco e catastrofista, mirando de longe as naus e vaticinando urubologamente: não vai dar certo!

Seu vaticínio deu com os burros n’água e a expedição deu no que deu!

Mas o espírito do Velho do Restelo continua vivo. Aqui ele se impregnou nas redações de revistonas e jornalões e se transformou; o Velho do Restelo à brasileira não só torce contra o Brasil, mas também joga contra.

Até as vésperas do maior evento internacional ocorrido nestas plagas, a mídia bilionária e familiar vocacionava em alto e bom som, para todo o planeta ouvir, que o evento não daria certo.

Os estádios não ficariam prontos, os aeroportos entrariam em colapso, não haveria transporte público, haveria uma epidemia de dengue (em pleno inverno!) e faltariam ainda bolas, gandulas e apitos.

A mídia internacional, ao invés de embarcar na nau para o novo mundo, ficou na praia a ouvir os resmungos e rabugens do Velho derrotista.

Quando se deu conta, viu que perdia o seu precioso tempo, quem foi na frente descobriu o mundo novo.

A Copa do Mundo no Brasil é um sucesso. O mundo inteiro está aqui, direta e indiretamente, e está maravilhado: os estádios são lindos e funcionais, os aeroportos estão belos e confortáveis, o país tem uma ginga própria, um multiculturalismo invejável, uma culinária variada e original, uma paisagem encantadora e os gringos estão fascinados pela beleza feliz da nossa gente. Não falta quem diga que voltará outras vezes.

O Brasil ganhou credibilidade no planeta, nunca teve a sua imagem exposta por tanto tempo e pra tanta gente e por um preço tão baixo. O país, que era um mito no imaginário mundial, agora ganhou carne e osso.

E parece que é só o começo de uma grande festa, que a redescoberta do Brasil atrairá um enorme volume de turistas estrangeiros ao país. E teremos, ainda e para reforçar, uma Olimpíada daqui a pouco.

O ÍNDIO BLACK BLOC

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Kotscho e a cobertura midiática da Copa. Para alcançar seus mal disfarçados objetivos políticos e eleitorais, após três derrotas seguidas, os antigos "formadores de opinião" abrigados no Instituto Millenium resolveram partir para o vale tudo, e quebraram a cara. Mas a canalhice não tem limites...

Maior legado da Copa no Brasil é a força do povo
Kotscho - Balaio do Kotscho - 24/06/2014

Faz duas semanas, deixei um país em guerra, afundado nas mais apocalípticas previsões, e desembarquei agora noutro, na volta, bem diferente, sem ter saído do Brasil. Durante meses, fomos submetidos a um massacre midiático sem precedentes, anunciando o caos na Copa do Fim do Mundo.

Link da imagem  Aqui para ouvir o 
Fomos retratados como um povo de vagabundos, incompetentes, imprestáveis, corruptos, incapazes de organizar um evento deste porte. Sim, eu sei, não devemos confundir governo com Nação. Eles também sabem, mas, no afã de desgastar o governo da presidente Dilma Rousseff, acabaram esculhambando a nossa imagem no mundo todo, confundindo Jesus com Genésio, jogando sempre no popular quanto pior, melhor.

Estádios e aeroportos não ficariam prontos ou desabariam, o acesso aos jogos seria inviável, ninguém se sentiria seguro nas cidades-sede ocupadas por vândalos e marginais. Apenas três dias após o início da Copa, o New York Times, aquele jornalão americano que não pode ser chamado de petista chapa-branca, tirou um sarro da nossa mídia ao reproduzir as previsões negativas que ela fazia nas manchetes até a véspera. Certamente, muitos torcedores-turistas que para cá viriam ficaram com medo e desistiram. Quem vai pagar por este prejuízo provocado pelo terrorismo midiático?

Agora, que tudo é festa, e o mundo celebra a mais bela Copa do Mundo das últimos décadas, com tudo funcionando e nenhuma desgraça até o momento em que escrevo, só querem faturar com o sucesso alheio e nos ameaçam com o tal do "legado". Depois de jogar contra o tempo todo, querem dizer que, após a última partida, nada restará de bom para os brasileiros aproveitarem o investimento feito. Como assim? Vai ser tudo implodido?

A canalhice não tem limites, como se fossemos todos idiotas sem memória e já tenhamos esquecido tudo o que eles falaram e escreveram desde que o Brasil foi escolhido, em 2007, para sediar o Mundial da Fifa. Pois aconteceu tudo ao contrário do que previam e ninguém veio a público até agora para pedir desculpas.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Mosaico de uma imprensa vira-lata. As maiores asneiras terroristas publicadas sobre a Copa do Mundo: vídeos, manchetes de jornais, capas de revista, editoriais, previsões catastrofistas.

As piores previsões da mídia sobre a Copa
Jornal GGN - 24/06/2014
 

As manifestações mais esdrúxulas sobre a Copa do Mundo 
Luis Nassif - Jornal GGN - 23/06/2014 - 08:41 - Atualizado em 23/06/2014 - 12:23

Vamos montar um mosaico das maiores asneiras terroristas publicadas sobre a Copa do Mundo: vídeos, manchetes de jornais, capas de revista, editoriais, previsões catastrofistas. Depois, faremos uma seleção das dez piores para uma votação visando eleger a campeã. http://jornalggn.com.br/noticia/as-manifestacoes-mais-esdruxulas-sobre-a-copa-do-mundo


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Latifundiários da mídia, tremei! Em terras gaúchas, o governo do estado passou a reservar 20% das verbas publicitárias para as mídias locais, regionais e comunitárias. Um começo do que pode se tornar uma política pública nacional.

Latifundiários da mídia, tremei!
Por Bruno Marinoni - Coletivo Intervozes - 06/06/2014

Em terras gaúchas, o governo do estado passou a reservar 20% das verbas publicitárias para as mídias locais, regionais e comunitárias. Um começo do que pode se tornar uma política pública nacional.

O Rio Grande do Sul sancionou uma nova lei que reserva 20% das verbas publicitárias do Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado para as chamadas mídias locais, regionais e comunitárias. A medida redistribui a aplicação do dinheiro público, antes direcionada, prioritariamente, ao oligopólio midiático.


Se a lei já valesse no ano de 2013, por exemplo, no qual foram gastos cerca de R$ 52 milhões com propaganda oficial pelo Executivo Estadual do Rio Grande do Sul, teríamos R$ 10,4 milhões fomentando o desenvolvimento de pequenas iniciativas em terras gaúchas. Embora a proposta não vá além dos limites do que poderíamos considerar um misto contraditório de “intervencionismo” com “liberalismo clássico” (o Estado alimentando a fé de que o fomento da concorrência é a solução para os nossos males), a desconcentração do poder privado é uma ação importante em um setor que, ao longo de toda sua história, foi dominado pelo oligopólio empresarial e pela exploração comercial.

Os grandes grupos de comunicação no país funcionam como verdadeiros centros de gravidade que parasitam os recursos públicos. Os governos, interessados em autopromoção, injetam dinheiro nas empresas de mídia que concentram as maiores audiências, o maior número de leitores, etc. Assim conseguem mais visibilidade para os seus feitos e colhem os frutos nos períodos eleitorais. O oligopólio se fortalece e aumenta sua capacidade de concentrar público e atrair dinheiro do Estado. Está dado o círculo vicioso.

É preciso vontade política e dispositivos legais que façam com que a propaganda oficial se transforme numa política pública de fomento da pluralidade e da diversidade. A comunicação social, para a maioria dos nossos governos, é pensada como um instrumento de autopromoção, e não um direito que precisa ser garantido a todos e todas. Como resultado, tem-se o giro de uma engrenagem que concentra o poder econômico e ideológico-cultural nas mãos dos mesmos donos da mídia e o poder político nas mãos das mesmas elites regionais e nacionais. A população, em geral, é alijada desse sistema.

terça-feira, 11 de março de 2014

Ano quatorze. Um Brasil alvo de cobiças e sabotagens. A artilharia pesada será no campo da economia, estúpido! Sempre com a dedicada ajuda da grande mídia, que de quebra, seguirá sua toada de criminalização da politica - seu tema preferencial.

O ANO QUATORZE
Mauro Santayana - 11/03/2013

(Revista do Brasil) - Desde a criação do calendário, pelos sumérios, há quatro mil anos, o desenrolar dos acontecimentos deixou de depender exclusivamente do acaso, para incluir feriados e eventos religiosos e políticos que passaram a datar e servir de palco para a história.

O Brasil, neste décimo quarto ano do milênio, contará com dois grandes marcos desse tipo: a Copa do Mundo e as eleições de 2014.


Eles contribuirão para chamar ainda mais a atenção da população mundial para um país que já é importante, por si só, globalmente. Com todos os nossos problemas, e o complexo de vira-lata de amplos setores da sociedade brasileira, somos o quinto maior país em território e população, o segundo maior exportador de alimentos, a sétima economia e o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos.

Tudo isso obriga não apenas a que o Brasil não possa ser ignorado, mas faz, também, com que nosso país seja cobiçado, e esteja sendo ferrenhamente disputado, nos mais variados aspectos da economia e da geopolítica, pelos principais blocos, nações e empresas do mundo.

O crescimento da dimensão política e econômica da Nação, nestes primeiros anos do século XXI, transformou o Brasil na bola da vez de uma permanente batalha, entre espoliação e independência, o modelo que prevaleceu nos últimos 200 anos - e outras visões de mundo, voltadas para a busca de caminhos alternativos para a construção do desenvolvimento econômico e social da humanidade.

As antigas potências coloniais e neocoloniais, que lutam para manter nosso país, ou amplos setores dele, sob sua influência, sabem que esse embate se dará, na economia, na política, na comunicação, e tem plena consciência do que esta em jogo, no Brasil, neste ano.

Na economia, e de se esperar, que elas reforcem, nos próximos meses - sempre com a dedicada ajuda da grande mídia - o discurso de esvaziamento da importância econômica do Mercosul; de valorização de mitos neoliberais como o da Aliança do Pacífico; de fragilidade dos fundamentos de nossa macro economia; da existência de um suposto protecionismo brasileiro, teoricamente responsável pela diminuição de nosso percentual de participação no comércio mundial - para o qual só haveria um remédio - estabelecer rapidamente acordos de livre comércio com os países mais ricos.

Essa é a estratégia que deverá ser aprofundada nos próximos meses. Pressionar o país permanentemente, apresentando cada eventual percalço como fruto de um suposto afastamento, no sentido econômico e político, do Brasil com relação aos países “ocidentais”.

Assim, enquanto a mídia - nacional e internacional – distrai determinadas parcelas da opinião publica, com alertas sobre a Argentina, Nicolás Maduro e a “bolivarianização” do Brasil e do Mercosul, os EUA e a Europa aproveitam para avançar sobre nosso mercado interno, aumentando, como fizeram em 2013, seus superávits em 50% e 1.000%, respectivamente, para 11,4 e 5,4 bilhões de dólares.

quinta-feira, 6 de março de 2014

5 questões que desafiam a grande imprensa comercial do copo meio vazio. Numa lista de 13 grandes economias, incluindo China e Estados Unidos, o Brasil apresentou o terceiro maior crescimento. Mas, para a velha turma do quanto pior melhor, nem se o crescimento fosse superior a 13% seria considerado razoável.

5 questões que desafiam a grande imprensa
A imprensa comercial joga contra o Brasil. No time da oposição, é a camisa 9 da propaganda anti-governo, se posicionando na grande área para as eleições

Daniel Quoist - Carta Maior - 05/03/2014

1. O PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2013. Numa lista de 13 grandes economias, incluindo China e Estados Unidos, o Brasil apresentou o terceiro maior crescimento. Esse crescimento é ruim para o país? Para o país não, mas para a oposição além de medíocre, é sofrível! É como se os bicos dos tucanos tivessem rachado ao colidir com a parede da realidade mundial. Qualquer país adoraria conviver com a mediocridade de um crescimento de sofríveis 2,3% em seu PIB. Mas, para a velha turma do quanto pior melhor, nem se o crescimento fosse superior a 13% seria considerado razoável.
LINK: Em 2013 PIB cresce 2,3% e totaliza R$ 4,84 trilhões
2. Qualquer militante oposicionista pode infernizar a vida dos petistas presos na Papuda? Pode e é simples: basta um jornal qualquer publicar que José Dirceu se comunicou com alguém usando um celular e então ou o ministro Joaquim Barbosa ou seu preposto, o delegado da Vara de Execuções Penais, Bruno Ribeiro, o mantém em regime fechado e adia até não mais poder o prazo para decidir sobre seu pedido para trabalhar fora do presídio. Se um site instrumentalizado pela oposição difundir com algum sucesso a notícia de que Delúblio Soares ofereceu uma feijoada na Papuda, tal versão já será mais que suficiente para trazê-lo de volta ao regime fechado. Mais um pouco e o estagiário de uma revista dirá que José Genoíno começou uma briga ao estilo “Velozes e Furiosos” no pátio de sua casa. Resultado: em meia hora estará amargando o regime fechado no pátio da Papuda.
LINK: Petistas enfrentam Globo e Band durante protesto contra prisão de Dirceu e Genoino
3.  Qual a reação do colunismo político sobre os rompantes, diatribes e chiliques de Joaquim Barbosa ao vivo e a cores na TV Justiça quando insiste em mostrar indisfarçável repulsa ao voto proferido por Luiz Roberto Barroso? Consideram politicamente muito pertinente e juridicamente muito natural. Recebe até conselhos para se aposentar antecipadamente e se candidatar nas eleições de 2014. Os motivos oferecidos à guisa de conselhos ao irritadiço ministro estão a um passo da infâmia: porque amargar uma derrota no STF e se “submeter” à presidência de Ricardo Lewandowski dentro de mais alguns meses? O ministro faz intervenções abruptas e histriônicas sempre de olho no relógio da Corte – há que estar sincronizado com o início do Jornal da Nacional da Globo. Não lhe parece natural que a bancada do JN deixe de mencionar seu nome e de lhe reforçar a aura de justiceiro solitário sempre que é feita a escalada das matérias.
LINK: Joaquim Barbosa é eleito Messias no 1º turno
4. Porque um jornal espanhol – o influente El País – afirma em sua capa que é praticamente unânime a avaliação de que a Petrobras é um sucesso no longo prazo e que a petrolífera brasileira será capaz de reduzir o endividamento este ano seguindo seu plano estratégico e, ao mesmo tempo, notícia como essa nem mesmo chega a ser considerada como nota de rodapé em qualquer dos tradicionais jornais brasileiros? Nossa imprensa tradicional só repercute no Brasil matéria publicada no exterior que diminua o prestígio do Brasil, ataque suas instituições econômicas a começar pela insistência na demissão do ministro Mantega ou que espinafre a organização da Copa 2014 e preveja a falência da Petrobras. Em síntese, repercussão apenas para o Brasil que não pode de modo algum dar certo. Porque o que dá certo levanta a bola do governo e levantando essa bola, mais água cairá no moinho da reeleição da presidenta Dilma. O risco para a grande imprensa é que o PT seja vitorioso e dessa vez... em primeiríssimo turno.
LINK: Sucesso exploratório no pré-sal é de 100% em 2013
5. Luiz Roberto Barroso tem feito os mais brilhantes e bem fundamentados votos que um ministro do STF tenha proferido nos últimos anos sobre a AP-470, o dito mensalão, muito bem, porque então não recebe qualquer aplauso da grande imprensa? Porque o que interessa é manter o STF em seu viés máximo de partidarismo político, atuando como partido político de forma escancarada, transformando seu presidente Joaquim Barbosa em candidato à presidência da República e no único capaz de levar as eleições de outubro próximo para um hipotético segundo turno. Barroso é jurista, é professor de direito, é reconhecido nos meios jurídicos por um refinamento intelectual que destoa profundamente dos demais integrantes da Corte. Porque ao se posicionar sobre quaisquer temas jurídicos, Barroso tem mais é que ser escanteado para o banco de reservas. Sua postura, altivez e independência o tornam impossível de ser patrulhado e menos ainda de ser “colonizado” pela grande imprensa.

LINK: STF: Barroso é contra "tribunal de exceção"


terça-feira, 4 de março de 2014

Charge. DON´T TRUST THE PRESSTITUTE$!

"Presstitute" segundo o  Wiktionary:
- Mistura de "press" (imprensa) e "prostitute" (prostituta)
- Dos meios de comunicação ou jornalistas que enganosamente "costuram" notícias para atender a uma agenda partidária particular, financeira ou comercial.
- Uma pessoa ou grupo de mídia relatando notícias de uma maneira tendenciosa.

Charge de autoria de Anthony Freda

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A influência da TV aberta na violência difusa. A televisão, chegando onde a escola não chega, está prestando um desserviço à sociedade brasileira, tornou-se um eficiente meio de desagregação moral. Não porque mostra beijos de dois homossexuais, mas porque mostra que os problemas da vida são resolvidos à bala e o valor argentário é o mais relevante!

A influência da TV aberta na violência difusa
Luis Nassif - GGN - 11/02/2014

Criminalista dos mais conhecidos, Antonio Carlos Mariz de Oliveira espantou-se com o nível atual de violência. "Eu entendo a violência do assaltante: ele rouba. Mas e a violência de quem não está sequer praticando crime, mas se torna criminoso de momento, desrespeitando valores? É a banalização do mal. Esse é um problema penal? De repressão? É muito mais grave do que o sistema penal apresenta: é um problema patológico".

A violência difusa tornou-se habitual, nos jogos de futebol, nas manifestações de rua, trazendo mais combustível na fogueira da violência institucionalizada do crime organizado e da polícia.

O país está enfermo. E há muitas causas para essa enfermidade. "Está se assistindo a essa violência incompreensível e nós apenas bradando por cadeias. Que se prenda, mas que se discutam as razões disso".

***

Mariz salienta a responsabilidade da TV aberta na criação desse clima, especialmente os telejornais sensacionalistas. Mas não exime também a imprensa escrita dessa responsabilidade.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

2013, ano que a Rainha Elizabeth 2ª se tornou, na visão dos barões da mídia, a nova “chavista” do planeta.

Derrotas dos barões da mídia em 2013
Por Altamiro Borges - Blog do Miro - 01/01/2014

Em 2013, o debate sobre o poder ditatorial dos meios de comunicação e sobre a urgência da regulação democrática da mídia ganhou impulso no mundo inteiro. Até o Reino Unido, chocado com os escândalos de corrupção e invasão de privacidade do império de Rupert Murdoch, aprovou uma dura legislação. A Rainha Elizabeth 2ª se tornou, na visão dos barões da mídia, a nova “chavista” do planeta. Os avanços mais sensíveis se deram na América Latina. Infelizmente, o Brasil se manteve na posição da “vanguarda do atraso” no enfrentamento desta questão estratégica.

O “Royal Charter” britânico


A nova legislação britânica, assinada em outubro, cria u órgão regulador para a mídia imprensa, estabelece um código de ética para os veículos e fixa multas de até R$ 3,7 milhões para os crimes da imprensa. Ela se soma à regulação já existente há décadas sobre as concessões públicas de rádio e televisão. Os abusos da mídia britânica, principalmente do império Murdoch – o maior do planeta – resultaram num fato inédito. A nova lei foi elaborada pelo governo conservador de David Cameron, obteve o apoio da oposição trabalhista e foi assinada pela Rainha Elizabeth.

Os monopólios do setor fizeram de tudo para sabotar a nova lei. Ingressaram na Justiça, pressionaram parlamentares e até atacaram a “sagrada” monarquia britânica. A pressão, porém, não evitou que a rainha ratificasse a “Royal Charter”, a carta real sobre a mídia imprensa. Os poderes públicos se viram pressionados pela sociedade, que não engoliu os crimes praticados pelo jornal “News of the Word”, do empresário australiano Rupert Murdoch. O tabloide, que subornou e grampeou telefones ilegalmente, inclusive foi fechado e seus diretores podem ir para a cadeia.

Pela lei aprovada, o novo órgão regulador poderá aplicar multas de até 1 milhão de libras (R$ 3,7 milhões), além de impor correções e pedidos de desculpas por parte de jornais e revistas com o mesmo destaque dado pelas matérias caluniosas. Ele será composto por integrantes indicados de forma independente, sendo vedada a participação de editores dos veículos privados. Já o código de ética exige “respeito pela privacidade onde não houver suficiente justificativa de interesse público”. Qualquer pessoa que alegar ter sido atingida por reportagens poderá acionar o órgão.

A defesa do pluralismo na Europa

domingo, 17 de novembro de 2013

Leonardo Boff e o "mensalão". O grande interesse não se concentra na condenação dos acusados, mas através de sua condenação, atingir de morte o PT. Uma elite econômica e intelectual, das mais atrasadas do mundo, conspira, especialmente, através de uma mídia e de seus analistas, amargurados por sucessivas derrotas . Estes grupos se propõem apear o PT do poder e liquidar com seus líderes.

"(...) Essas elites tolerariam Lula no Planalto, apenas como serviçal, mas jamais como presidente. Não conseguem digerir este dado inapagável. Lula presidente representa uma virada de magnitude histórica. Essas elites perderam. E nada aprenderam. Seu tempo passou. Continuam conspirando, especialmente, através de uma mídia e de seus analistas, amargurados por sucessivas derrotas como se nota nestes dias, a propósito de uma entrevista montada de Veja contra Lula. Estes grupos se propõem apear o PT do poder e liquidar com seus líderes."

Para além do “mensalão”
Leonardo Boff - Brasil de Fato - 17/09/2012
De saída quero dizer que nunca fui filiado ao PT. Interesso-me pela causa que ele representa pois a Igreja da Libertação colaborou na sua formulação e na sua realização nos meios populares

Há um provérbio popular alemão que reza: “você bate no saco, mas pensa no animal que carrega o saco”. Ele se aplica ao PT com referência ao processo do “mensalão”. Você bate nos acusados, mas tem a intenção de bater no PT. A relevância espalhafatosa que o grosso da mídia está dando à questão mostra que o grande interesse não se concentra na condenação dos acusados, mas através de sua condenação, atingir de morte o PT.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O editorial de O Globo e a caixa preta da relação da mídia com a ditadura. O exercício editorial de cinismo e memória seletiva de O Globo serve ao menos como oportunidade para trazer à luz um debate que permanece escondido nas sombras no Brasil.

"A participação da mídia brasileira é um episódio que ainda está para ser plenamente contado. Há muitas lacunas e zonas cinzentas nesta história. E isso não parece ocorrer por acaso. Muitos dos compromissos que levaram uma parte importante da imprensa brasileira a se aliar com setores golpistas e autoritários permanecem presentes e se manifestam em outros debates da vida nacional. Enquanto a sociedade não decidir que abrir essa caixa preta é uma condição para o avanço da democracia no país, essas empresas, no Brasil, na Argentina e em outros países da América Latina seguirão praticando um de seus esportes preferidos: pisotear a memória e apresentar os seus interesses privados como se fossem interesses públicos." 
O editorial de O Globo e a caixa preta da relação da mídia com a ditadura
Sul21 - 02/09/2013 - Marco Aurélio Weissheimer

Argumento do editorial de O Globo, em resumo, é: “à luz da história, olhando 50 anos depois, foi um erro, mas naquele momento foi imprescindível para a manutenção da democracia”.
Argumento do editorial de O Globo, em resumo, é: “à luz da história, olhando 50 anos depois, foi um erro, mas naquele momento foi imprescindível para a manutenção da democracia”.
O jornal O Globo publicou editorial, dia 31 de agosto, admitindo que “o apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro”, ou um “equívoco” como também diz o texto. A decisão de tornar pública essa avaliação, diz ainda o editorial. “vem de discussões internas de anos, em que as Organizações Globo concluíram que, à luz da história, o apoio se constituiu um equívoco”. Quase 50 anos depois do golpe civil-militar que derrubou o governo constitucional de João Goulart, as organizações Globo vêm a público falar desse “equívoco”, lembrando que outros grandes jornais do país também aderiram ao movimento golpista (cita o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, o Jornal do Brasil e o Correio do Brasil, “apenas para citar alguns”) e admitindo que as vozes recentes das ruas afirmando que “a Globo apoiou a ditadura” são inquestionáveis.
Mas o que poderia parecer uma autocrítica acaba descambando ao longo do texto do editorial para um exercício cínico de justificação da decisão tomada em 1964 e de ocultamento dos benefícios que a empresa teve por seu apoio aos golpistas. O texto cita um editorial assinado por Roberto Marinho em 1984, que “ressaltava a atitude de Geisel em 13 de outubro de 1978, que extinguiu todos os atos institucionais, o principal deles o AI5,  reestabeleceu o habeas corpus e a magistratura (…)”. Logo em seguida, justifica o apoio ao golpe destacando “os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos” e a crença de que o golpe foi “imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana”. O argumento do editorial, em resumo, é: “à luz da história, olhando 50 anos depois, foi um erro, mas naquele momento foi imprescindível para a manutenção da democracia”.