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domingo, 31 de dezembro de 2017

CORAGEM, é o que vamos para 2018 para continuar na luta contra o Golpe de 16 (em progresso).

O que mais precisamos, neste próximo ano de 2018, é de CORAGEM

Por Afranio Silva Jardim - Via Facebook - 30/12/2017

O que mais precisamos, neste próximo ano de 2018, é de CORAGEM (vejam o vídeo e a linda letra da música).

Precisamos de CORAGEM para vencer as vicissitudes do dia a dia;

Precisamos de CORAGEM para vencer esta apatia e tristeza que assolam a nossa sociedade, diante deste momento de obscurantismo;

Precisamos de CORAGEM para não nos rendermos a esta sociedade hipócrita e egoísta, sendo por ela contaminados;

Precisamos de CORAGEM para continuarmos correndo em direção ao nosso "horizonte utópico"; para que o pragmatismo não vença a poesia;

Precisamos de CORAGEM para continuarmos honrando aqueles que morreram, lutando pelos mesmos sonhos que ainda tornam nossas vidas sadias e relevantes;

Precisamos de CORAGEM para que não achemos normal a miséria e o sofrimento das pessoas que são exploradas em nossa sociedade;

Precisamos de CORAGEM para continuar a luta por uma sociedade mais justa; mesmo que esta luta importe em certas rupturas e sacrifícios pessoais.

Precisamos de coragem para "continuarmos vivos entre tantos mortos", como disse Leon Gieco, em uma de suas belas músicas.

Afranio Silva Jardim

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Leandro Fortes: A Globo é formadora de zumbis. Desliguem, libertem-se, vocês conseguem.

DESLIGUEM

Por Leandro Fortes - via Facebook - 25/05/2017 (378º dia do Golpe de 16)

Um monte de gente indignada porque o Jornal Nacional chamou os manifestantes de vândalos, porque o Bom Dia Brasil disse que a PM atirou para se defender de paus e pedras, que a Globo News só tem cagão, que o Jornal Hoje é patético.

Gente, simplesmente, PAREM DE VER ESSA MERDA.

Ver a Globo envenena a alma, traz desesperança, torna o presente ignóbil e o futuro, impraticável.

Aquilo é um negócio que nada tem a ver com jornalismo, muito menos com humanidade.

Esqueçam essa bobagem de tenho-que-ver-para-saber-como-eles-pensam.

Porra, eles não pensam! Funcionam apenas para manter o próprio negócio capitalizado, às custas dos zumbis que formaram, ao longo dos anos.

Libertem-se, vocês conseguem.

domingo, 21 de maio de 2017

O “golpe dentro do golpe” é entregar, em uma eleição indireta, a Presidência do país a Henrique Meirelles, com o aval da Globo.

Meirelles: um financista, vindo da J&F, no golpe dentro do golpe

Por SOS BRASIL SOBERANO · 20/05/2017 (373º dia do Golpe de 16)

O “golpe dentro do golpe” é entregar, em uma eleição indireta, a Presidência do país a Henrique Meirelles, representante histórico dos interesses do capital financeiro internacional e ex-executivo da própria J&F. Ele parece ter credenciais melhores do que as de Michel Temer para fazer as reformas ultraliberais do projeto derrotado nas urnas – e que motivaram a derrubada da presidenta eleita, Dilma Rousseff –, pelo menos na avaliação dos atores que deflagraram o ataque recente ao governo Temer, uma articulação que uniu Grupo Globo, J&F (dono da JBS) e Procuradoria Geral da República.


Essa parece ser a aposta por trás da guinada súbita do noticiário da Globo, acometido de uma inusitada indignação republicana. O editorial “A renúncia do presidente” foi divulgado no meio da tarde da última sexta-feira (19) e pede a saída de Temer com base em uma argumentação que não se constrange, contudo, de usar a Constituição para defender eleições indiretas, depois de tê-la rasgado: derrubando a presidenta eleita e promovendo o desmonte do Sistema de Seguridade Social previsto no texto constitucional de 88.

Desde a última quarta-feira (17), a sociedade assiste perplexa a uma saraivada de acusações, áudios, vídeos, comentários, fotos, que constroem um roteiro de promiscuidade e ilícitos envolvendo o governo Michel Temer, parlamentares e partidos, de um lado, e a J&F, do outro. O fato de o atual ministro da Fazenda e potencial candidato à sucessão de Temer ter sido, até a queda de Dilma, executivo de ponta do grupo corruptor não mereceu destaque. Henrique Meirelles foi presidente do conselho de administração da J&F, de 2012 a 2016, e presidente do banco Original, controlado pela J&F, entre 2015-2016. Totalmente digital e criado como projeto pessoal de Meirelles dentro do grupo, o banco Original não vai bem. Em março deste ano, segundo o jornal Valor Econômico, o Original vendeu sua marca à J&F, sua própria controladora, numa operação de R$ 422 milhões, que permitiu ao banco fechar o exercício de 2016 com lucro. Sem o negócio, teria apresentado prejuízo operacional de R$ 278,6 milhões no ano.

Meirelles assumiu na J&F em março de 2012 com a missão de criar estratégias para a expansão da empresa dentro e fora do país. Em matéria da revista Exame, na ocasião, Joesley Batista, o delator e um dos donos da J&F, explicava a contratação: “O Meirelles não vai ser apenas um consultor. Vai cobrar resultados dos executivos e traçar estratégias para a expansão do negócio”. Nesse contexto, não é possível ignorar – política ou judicialmente – a participação altamente estratégica do ministro nas atividades da J&F.

Tirar um presidente por seu comprometimento com um grupo empresarial e substituí-lo por um ex-funcionário e estrategista direto do mesmo grupo não pode ter motivação republicana. O que se pretende, com a troca, é buscar legitimar o golpe dado na Presidência e que continua em curso, com ataques à vontade popular e à cidadania brasileira. (Desprezadas as demais motivações de ordem econômica puramente empresarial que podem estar envolvidas no lance, considerando que a JBS, controlada pelo J&F, é uma das maiores anunciantes do Grupo Globo).

Henrique Meirelles fez sua carreira no setor financeiro internacional. Começou no BankBoston em 1974, e lá ficou por 28 anos. Entre outras funções, ocupou a presidência da instituição no Brasil e na matriz – o BankBoston mundial. Em 1999, o banco se fundiu ao grupo financeiro Fleet, criando o FleetBoston Financial, também presidido por Meirelles. O engenheiro que virou financista acumula prêmios pelos serviços prestados ao setor bancário. Melhor Banqueiro da América Latina em 2006, Prêmio Lide de Personalidade do Ano, dado em 2010 pela organização lobista de João Doria Jr.; Prêmio Bravo Awards de Financista do Ano em 2008; Prêmio Emerging Market Awards de Melhor Banqueiro Central para América Latina, também em 2008.

Já foi do PSDB, do PMBD, e agora é filiado ao PSD, partido de Gilberto Kassab. Nenhuma sigla, contudo, reflete o compromisso fundamental de sua biografia: o setor financeiro internacional e as empresas transnacionais atreladas a ele, para os quais pretende entregar o Brasil. E já começou a fazê-lo, ao congelar os gastos públicos por um período de 20 anos, ao propor medidas que inviabilizam a aposentadoria e fomentam o mercado de previdência privada, ao atacar direitos dos trabalhadores, ou ao permitir uma política econômica sem um banco forte de apoio ao desenvolvimento, induzindo o BNDES a atuar com taxas de mercado, entre outras iniciativas que Meirelles defende em todos os eventos públicos de que participa.

Contra o golpe, e contra o golpe dentro do golpe, e quaisquer outras manobras que agravem as violações às instituições brasileiras, é preciso restabelecer legitimidade ao governo e desfazer as medidas recentes que não contam com nenhum respaldo popular: eleições gerais diretas. Já.

SOS BRASIL SOBERANO:
Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge)
Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Depois da Globo, "Barbudinho" invade transmissão ao vivo do SBT: "Cunha e Globo mandam no Temer"

Barbudinho invade transmissão ao vivo do SBT "Cunha e Globo mandam no Temer"




Aqui para assistir a reportagem completa no SBT:

Barbudinho invade transmissão ao vivo do Jornal da Globo: "#GLOBO GOLPISTA QUER INCENDIAR O PAÍS"


Saiba mais:

Ao vivo, homem invade link do Jornal da Globo e deixa William Waack irritado 

Homem invade link do 'Jornal da Globo' ao vivo e chama emissora de golpista. Repórter do telejornal comandado por William Waack estava direto do Congresso Nacional para falar do pedido de prisão preventiva de Lula, quando o manifestante surgiu com o cartaz
continue lendo no link

sábado, 23 de abril de 2016

25 dias depois, Le Monde lamenta seu editorial sobre o "golpe" no Brasil de 2016. O Globo levou 49 anos para reconhecer que seu apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro.

Le Monde admite ter ignorado parcialidade da mídia brasileira

RFI - As Vozes do Mundo - 23/04/2016

Na edição antecipada de domingo (24), o mediador entre os leitores e a redação do vespertino francês Le Monde, Franck Nouchi, faz a seguinte pergunta: "Le Monde foi parcial na cobertura da crise politica brasileira?"


O questionamento foi feito depois do jornal ter recebido dezenas de cartas de brasileiros e franceses vivendo na França e no Brasil. O jornal cita a carta, que elogia como muito bem argumentada, de quatro brasileiras residentes em Paris," movidas pela consciência do impacto que o Monde tem sobre a opinião pública ". Na carta, elas perguntam porque Le Monde escolheu a parcialidade para abordar a crise politica brasileira ao invés de indagar, abordar novos ângulos... e não seguir o coro uníssono da grande mídia brasileira.

Na mesma linha, Le Monde também levou em consideração o correio de um outro grupo de ex-exilados políticos brasileiros da França e da Bélgica, que interrogam porque não foram feitas reportagens mais balanceadas com personalidades de destaque como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros nomes, sobre suas razões para se posicionarem com tanta firmeza pela democracia. Na contramão, é citado somente um leitor que elogia diversos artigos e o mediador defende as coberturas de algumas matérias.

Parcialidade das mídias brasileiras é reconhecida


No entanto, reconhece e lamenta que o editorial de 31 de março, intitulado"Brésil: ceci n'est pas un coup d'Etat" (Brasil: isto não é um golpe de Estado, em tradução livre), não tenha sido equilibrado, em especial por ter omitido que os apoiadores do impeachment são acusados de corrupção, a começar por Eduardo Cunha, presidente da Câmara, assim como por não ter abordado suficientemente a parcialidade das mídias nacionais. Nesse contexto, o mediador lembra um dossiê completo publicado em janeiro de 2013 pela ONG Repórteres sem Fronteiras, que chamava o Brasil de "o país dos trinta Berlusconi"*, lembrando que os dez principais grupos econômicos, familiares, dividem o mercado da comunicação de massa.

Finalizando, o jornal admite que o ideal teria sido enviar um jornalista de Paris para apoiar sua correspondente em São Paulo, Claire Gatinois, para relatar com mais profundidade as fraturas sociais da população, reveladas durante esta crise.

* referência ao ex-premiê italiano Silvio Berlusconi, dono de um império midiático na Itália.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Anunciante da Globo: "Todos respeitamos a Globo pelo seu profissionalismo e pela larga vantagem sobre os demais órgãos de comunicação, mas o jornalismo está manipulando de forma criminosa e já há movimentos nas redes sociais pressionando nossos consumidores a não comprarem os produtos que produzimos. Assim não dá. Isso não pode crescer"

Protestos contra a Globo preocupam anunciantes

Redação SRZD - 01/04/2016 - Portal Sidney Rezende

A sucessiva multiplicação de palavras de ordem, faixas e cartazes contrários ao Grupo Globo nas manifestações populares a favor da democracia e a rejeição estampada nas redes sociais - inclusive expressada por artistas contratados - começa a preocupar anunciantes. O temor de algumas companhias é que este movimento possa crescer e expor ao risco as suas marcas e o consumo dos seus produtos.

A sistemática cobertura a favor do impedimento da presidente Dilma Rousseff e o noticiário envolvendo o ex-presidente Lula acenderam o sinal de alerta nas direções de marketing de grandes empresas.

Numa reunião fechada realizada ontem no fim da tarde, em São Paulo, e que o SRZD teve acesso ao resultado final, dois presidentes que representam os interesses de companhias que estão entre os 30 maiores anunciantes do Brasil, seis vice-presidentes de empresas de áreas diversas que atuam em higiene e limpeza, setor automotivo e varejo decidiram encomendar uma análise a uma agência internacional de acompanhamento de postagens na internet para avaliar os humores dos consumidores em relação aos produtos e serviços dos patrocinadores.

A ideia é que o estudo seja concluído em até 90 dias. E o parecer se restringirá às marcas que já anunciam nos veículos do Grupo Globo.

Um dos executivos chegou a desabafar: "Todos respeitamos a Globo pelo seu profissionalismo e pela larga vantagem sobre os demais órgãos de comunicação, mas o jornalismo está manipulando de forma criminosa e já há movimentos nas redes sociais pressionando nossos consumidores a não comprarem os produtos que produzimos. Assim não dá. Isso não pode crescer". A fala causou um certo mal estar no ambiente. O silêncio enigmático dos demais sinalizou concordância com a análise e a preocupação de como criar uma alternativa publicitária ao maior meio de comunicação do Brasil.

A Globo, por sua vez, já se manifestou oficialmente, várias vezes, no sentido de que apenas informa os fatos políticos com isenção. E que não é geradora dos acontecimentos políticos e econômicos que noticia.


Manifestações do dia 31 de março de 2016. Foto: Roberto Parizotti/CUT
Manifestações do dia 31 de março de 2016. Fotos: Reprodução/Mídia Ninja
Manifestações do dia 31 de março de 2016. Foto: Eduardo Magalhães

segunda-feira, 7 de março de 2016

A mídia e a direita escancararam a guerra; agora chegam a pedir ação dos militares contra aqueles que ousam desafiá-las. Não há mais "em cima do muro".

A partir de agora, é FUNDAMENTAL se manifestar... Acredite: o silêncio só fortalecerá os golpistas


Pablo Villaça - Via Facebook - 06/03/2016

Aqueles que me acompanham há algum tempo sabem que frequentemente escrevo sobre a necessidade da serenidade na política. Inúmeras vezes falei que não era aceitável tratar oponentes políticos como inimigos. Salientei que o debate não se faz com violência.

Infelizmente, se sempre adotei esta postura de forma natural, sem qualquer esforço, nos últimos dias passei a ter que me obrigar a mantê-la. Se os acontecimentos de quinta/sexta-feira conseguiram algo, foi radicalizar até mesmo quem se orgulhava da moderação.

Na quinta-feira, uma delação não homologada (e que, mesmo se fosse, deveria ser sigilosa) foi publicada na IstoÉ. Enquanto o suposto delator se recusou a confirmá-la, o procurador-geral da república, que seria o responsável por fazê-la, foi mais enfático: negou sua existência. Isto não impediu a Globo e suas cúmplices de transformarem a tal "delação" em destaque absoluto. Se Delcídio antes era retratado por elas como um sujeito sem escrúpulos, imediatamente sua palavra passou a ter peso de lei - não eram necessárias mais quaisquer provas; Delcídio havia afirmado e pronto. Até que, claro, ele se negou a confirmar a delação e voltou a ser sumariamente ignorado.

Já na sexta-feira de madrugada, por volta de duas da manhã, o editor da Época (ligada à Globo), que há muito já deixou de sequer simular qualquer objetividade jornalística, tuitou duas vezes sobre a ação da PF que só aconteceria horas depois. Uma ação que, de novo, deveria ser sigilosa, mas sobre a qual a imprensa já havia sido informada há dez dias (como comprovou a denúncia feita pelo blogueiro Eduardo Guimarães uma semana antes). Antes que a PF chegasse ao apartamento de Lula, um helicóptero da Globo sobrevoava seu apartamento e repórteres da Foxlha esperavam na porta. Já os ADVOGADOS do ex-presidente ainda não haviam sido notificados.

Mas o abuso maior estava por vir: sem ter sido sequer intimado previamente, Lula foi submetido à humilhação do depoimento coercitivo - um abuso tão grande de poder que até dois ministros do STF (um deles historicamente crítico à esquerda) condenaram a ação, bem como juristas respeitados e até mesmo (pasmem) um dos fundadores do PSDB, Bresser Pereira.

O abuso, claro, foi ignorado pela Globo e suas comparsas; o Jornal Nacional chegou a aumentar em meia hora sua duração para celebrar a ação. Já no sábado, quando a sede do PT foi atacada em Belo Horizonte, a Globo chamou de "protesto" o que era claramente um ato de violência - e quando algo similar aconteceu em outra capital, a emissora ENTREVISTOU os "manifestantes".

Por outro lado, quando manifestantes se posicionaram diante dos prédios da emissora neste domingo, foram chamados de "milícia" e os colunistas Merval e Noblat chegaram a convocar OS MILITARES pra combater a "turba".
Charge Renato Aroeira
Como manter a serenidade assim? Como tentar se manter ponderado quando passamos a viver em um país no qual a oposição agora, mesmo perdendo nas urnas, se vê no direito até de dizer quem pode ou não ser ministro? No qual a mídia escancarou de vez o objetivo de destruir toda a esquerda? No qual um juiz, "premiado" pela Globo e celebrado por tucanos, usa o poder judiciário para perseguir os inimigos políticos das corporações?

O golpismo está sendo televisionado, especialmente pela Globo.

[Papo Reto] O golpismo está sendo televisionado

Via Blog Levante Popular Juventude - 07/03/2016

Nos últimos dias vivenciamos mais uma tentativa de golpe das elites brasileiras ao Estado Democrático de Direito, e no fundo um golpe no povo brasileiro. Mas como assim golpe? Não era apenas um procedimento jurídico para apurar a corrupção? Não, não era. Pra desmentir esta farsa jurídica vários ministros, advogadas/os e professores de Direito já emitiram notas, escreveram textos explicando por A + B os excessos cometidos pelo famoso juiz Sérgio Moro. Mas de onde vem tanta força desse juiz? Por que ele tem esse poder de armar um verdadeiro ‘circo’, com centenas de policiais para criar um clima de guerra, de prisão de líder de grupo terrorista?

Charge RIBS
Até bem pouco tempo atrás não sabíamos quem era Sérgio Moro, mas um setor das elites brasileiras fez direitinho seu trabalho: a mídia! Em especial a rede Globo que dedica algumas horas de sua programação diária para destacar noticias vindo da operação “Lava-jato”, plim plim por plim plim, buscando criar um clima de guerra, por que finalmente “descobrimos quem inventou e quem opera a corrupção no país: o PT”. Falando assim a gente até parece concordar, afinal nunca se sabe de onde veio e pra onde foi as grandes quantias de dinheiro do povo brasileiro desviado pelas elites desde os tempos do Brasil Império, e agora… sabemos! Esta é a sensação que a ‘grande mídia’ quer construir na população, e de que o grande responsável pelo combate à corrupção seria o juiz Sérgio Moro, uma espécie de herói, paladino da justiça. Contudo, esse ímpeto do Juiz Moro, só se aplica nos segmentos políticos em que há interesse desconstituir. As suspeitas que envolvem os tucanos, não são dignas de investigação, pelo aparato jurídico-policial, e não são dignas de espetacularização pela mídia. Basta lembrar que Aécio Neves já foi citado em 3 delações diferentes, e qual a repercussão que isso teve?

Nunca é demais nos perguntarmos: quem são os donos da mídia? Quem escolhe o que vai ser transmitido para pelo menos 150 milhões de pessoas ao mesmo tempo? Há anos os movimentos populares vêm denunciando a concentração da mídia nas “mãos” de 9 famílias no Brasil e de como estas famílias interferem no poder político. Uma família em especial atua como o quarto poder: os Marinho. Os comandantes das organizações Globo estiveram junto com os militares na ditadura, acobertando suas atrocidades. Após a redemocratização foram decisivos em todos os pleitos eleitorais, em especial na eleição de 1989, quando promoveram a famosa trapaça no debate entre Lula e Fernando Collor (veja aqui). A Globo sempre atuou no sentido de criminalizar toda forma de protesto e manifestação democrática que ferisse os seus interesses, das jornadas de junho até as ocupações das escolas em São Paulo.

Em síntese, não se trata de imprensa, mas de uma empresa que atua incisivamente na definição dos rumos do nosso país, sempre em favor de seus interesses, e da elite à qual representa. Portanto, o que estamos vendo na cobertura da operação Lava-Jato, não é a transmissão de uma informação, mas a construção de uma narrativa que convença a população de que alguns atores políticos podem ser eliminados, mesmo que isso viole as regras do jogo constitucional.

Independentemente das criticas que possam ser feitas a Lula, e ao projeto que ele representa, inclusive pela incapacidade de avançar na desconstituição do oligopólio da mídia, ao qual hoje o próprio Lula é vítima, não se pode deixar de denunciar que o que está em curso é a constituição de um Estado de exceção. Essa mesma operação jurídica-midiatica que hoje se abate sobre o Lula, poderá ser utilizada para criminalizar todas as expressões progressistas e populares em nosso país. A isso que estamos chamando de golpe.

O grande intelectual e militante Florestan Fernandes nos ensinou que as elites brasileiras nunca foram a favor da democracia, elas tem um sistema de Poder próprio, que exclui a classe trabalhadora de qualquer decisão. A este modo de operar das elites Florestan chamou de ‘autocracia burguesa’, um sistema que envolve os latifundiários do agronegócio, os banqueiros, os donos de indústria e os donos da mídia. Em momentos de crise de Poder estas elites buscam definir os rumos do país sem se preocupar e nem consultar a população e nem respeitar as instituições da democracia. E para combater esta autocracia burguesa é necessário unificar todo o povo brasileiro, fazer grandes manifestações de rua, organizar-se por território e disputar corações e mentes. Uma boa briga que quebra um desses alicerces do poder da burguesia é: construir nossos próprios meios de comunicação e lutar pela democratização do acesso à comunicação!

sexta-feira, 4 de março de 2016

No JN Lula foi mais uma vez destruído pela Globo - "Só falta a direção colocar um “Procura-se” na redação com oferta de recompensa para quem trouxer matérias bombásticas contra o ex-presidente."

JN foi histórico e só será superado pela cobertura da Globo no dia 13

Renato Rovai - Revista Forum - 03/03/2016 

O Jornal Nacional de hoje foi histórico. Talvez mais parcial do que a montagem do debate de Lula e Collor, em 1989.

A Globo assumiu como totalmente verdadeira a suposta delação de Delcídio e citou trecho por trecho a matéria da Isto É.

Mesmo absurdos insustentáveis como o da CPI dos Bingos, que teria sido interrompida para não atingir a candidata Dilma, segundo a tal delação, foram dados como verdadeiros, sendo que essa CPI terminou em 2006, quando Lula ainda estava no seu primeiro mandato. E nem tinha se reelegido. Ou seja, não havia a Dilma candidata.

Lula, aliás, foi mais uma vez destruído pela Globo. Que segundo colegas da emissora colocou todos os seus repórteres para investigá-lo. Só falta a direção colocar um “Procura-se” na redação com oferta de recompensa para quem trouxer matérias bombásticas contra o ex-presidente.

Poucas vezes na história desse país uma pessoa foi tão investigada e triturada por um veículo com o peso da Globo como Lula.

Se ele conseguir sair dessa com um mínimo de dignidade, Lula se tornará mais do que um herói. Será um mito.

Não é pouca coisa o que a Globo fez hoje.

Mas se isso mostra o quanto ela pode inflar uma notícia, também é sintoma de sua fraqueza.

A Globo vem piscando ultimamente. E vem demonstrando que não consegue mais com três minutos do Jornal Nacional impor suas narrativas. Precisa de 30 minutos. De 1 hora.

E além disso, não pode mais ignorar a força de manifestações de uma torcida organizada, como a Gaviões. E nem o poder de influência dos blogues.

E por isso elegeu Lula como vítima. E o governo como alvo.

Só a cobertura do dia 13 deve superar o JN de hoje. O dia 13, das manifestações, deve se tornar algo memorável. E não deve ser desconsiderado como objeto de estudo. Afinal, depois a Globo costuma querer reinventar a história.

Afinal, como os amigos bem sabem, a Globo não apoiou a ditadura. Essa foto é só uma miragem.


Foto: Roberto Marinho de braços dados com o ditador João Figueiredo

terça-feira, 1 de março de 2016

Fernando Morais não dará mais declarações à Globo devido à sordidez do noticiário do JN.

Fernando Morais: "não dou mais declarações para veículos das organizações globo. ninguém vai perceber isso, eu sei, mas dormirei mais tranquilo."

Fernando Morais  - Facebook - 02/03/2016 


minha indignação com a sordidez do noticiário do jornal nacional, agora à noite, fez subir a pressão. é o primeiro troco dos marinho no lula depois do cacete sem dó que o ex-presidente deu na globo, sábado à noite, na festa do pt no rio de janeiro.

o que uma pessoa como eu, que não tem nenhuma arma na mão, nem real nem metafórica, pode fazer para protestar contra essa gente sem vergonha, além desses choramingos aqui no foicebook? quase nada.

faço o que posso. a partir de hoje, estendo aos marinho o solitário protesto que venho mantendo com a revista veja: não dou mais declarações para veículos das organizações globo. ninguém vai perceber isso, eu sei, mas dormirei mais tranquilo.

isso significa que o depoimento que eu tinha agendado com a globonews para a semana que vem, para um especial que estão preparando sobre fidel castro, está desmarcado. sei de gente honesta, competente e isenta que trabalha lá. mas pros marinho não falo mais. sobre nada.

Última entrevista de Fernando Morais no Programa do Jô - 19/09/2014 - Assista aqui


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Lava Jato, a origem. A promiscuidade entre as empreiteiras e políticos teve início com a ditadura militar e com a cumplicidade explicita da mídia.

Samuel Wainer escancara as relações entre a “grande” imprensa no Brasil e as empreiteiras

Por Cynara Menezes - Socialista Morena - 12/06/2016

O jornalista Samuel Wainer (1910-1980) foi, para quem não conhece a sua trajetória, um dos maiores jornalistas do país. Judeu do bairro do Bom Retiro, em São Paulo, de origem humilde, conseguiu construir seu próprio jornal, o Última Hora, um diário de perfil popular que logo conquistaria tiragens gigantescas, ameaçando o poderio da meia dúzia de famílias que detém o controle da imprensa em nosso país. Claro que os coronéis midiáticos não iriam permitir que um joão-ninguém roubasse seu público, e patrocinaram a destruição do império jornalístico fundado por Wainer com o apoio de Getúlio Vargas.

Compara-se muito atualmente a caçada a Lula à perseguição a Getúlio e a Juscelino Kubitschek. Pois eu encontro mais paralelos entre a história da Última Hora/Samuel Wainer e a do PT/Lula: o jornal de um outsider que tenta, para sobreviver, fazer o mesmo que os outros meios de comunicação fazem, ou seja, conseguir dinheiro junto às grandes fortunas brasileiras, ao governo e às empreiteiras. Os demais jornais podiam (e podem) fazer isso. A Última Hora e Wainer, não. O mesmo aconteceu com o PT e Lula: tentaram fazer parte de um clube que não os aceitava como sócios. Obviamente estão sendo expulsos agora. Samuel Wainer e a Última Hora foram investigados, assim como Lula e o PT, enquanto os outros jornais/partidos seguem inimputáveis.

Mas quando foi que começou essa promiscuidade entre as empreiteiras e os políticos? Não é verdade que foi a partir da ditadura militar. Segundo conta Samuel Wainer em sua autobiografia, Minha Razão de Viver, estas relações remontam à década de 1950, e contaram com a cumplicidade explícita dos meios de comunicação. A coisa funcionava assim: os donos de jornais atuavam como representantes das empreiteiras, a garantia de que o serviço prestado seria pago. Chantageavam o governo para que utilizasse tal empreiteira em determinada obra; se não o fizesse, passaria a ser atacado pelo veículo em questão. Se cedesse, o dono do jornal ganhava da empreiteira 10% sobre o valor orçado para a obra. Ora, ora, e nós pensando que foram os políticos que inventaram a propina…

O empreiteiro era, segundo Wainer, “uma figura essencial aos interessados em decifrar os segredos do jogo do poder no Brasil”. E continua sendo… A única diferença é que, em vez da relação direta que tinham com os donos dos jornais, o dinheiro foi providencialmente “limpo”: passaram a ser anunciantes. Ainda hoje as grandes construtoras figuram entre os que mais publicam anúncios na imprensa –só perdem para o governo, que tragédia. Será que se a Lava-Jato fosse uma operação séria estes elos poderiam ser melhor revelados? Difícil acreditar, quando a operação Zelotes, que originalmente foi criada para investigar um escândalo de sonegação de impostos que envolvia meios de comunicação, acabou tendo como único foco o ex-presidente Lula e seus familiares…

Samuel Wainer também fala das benesses que os empresários de comunicação obtinham do governo federal, como a isenção fiscal e a facilidade para a importação de papel-jornal e maquinários –sem contar os anúncios. Quando o PSDB ocupava a presidência não era muito diferente. Em 1999, o BNDES, um banco público, se tornou SÓCIO da Globo Cabo (4,8% de participação). Em 2002, ainda no governo FHC, o BNDES injetou 284 milhões de reais, em valores da época, na emissora. Obviamente o presidente FHC não iria faltar à inauguração do reluzente novo parque gráfico dos Marinho.


Em 2003, já no governo Lula, os jornais tentaram conseguir junto ao BNDES um novo empréstimo, desta vez em conjunto, para salvar sua situação financeira. O empréstimo não foi concedido. Quando eu vejo a pressão da imprensa pela volta dos tucanos ao poder, fico pensando: não haveria aí algum interesse financeiro? Se o PSDB voltar ao poder, haverá um Proer da mídia? Me parece meio óbvio.



Fiquem com Samuel Wainer e o trecho de Minha Razão de Viver em que fala sobre as relações promíscuas dos donos da imprensa com as empreiteiras.

domingo, 18 de outubro de 2015

Dez Mandamentos para o Jornal Nacional - 10 - "Não cobiçarás os 54 milhões de votos que Aécio Neves não teve nas urnas em 2014, nem desejarás que o Brasil vá por água abaixo, até porque nesse naufrágio afundamos todos e nem a arca de Noé vai ajudar o William Bonner e a Renata Vasconcelos. "

Dez Mandamentos para o Jornal Nacional

Por: Eduardo Nunomura e Pedro Alexandre Sanches - Farofafá - CartaCapital - 16/10/2015

O maior, mais assistido e mais comentado noticiário da televisão brasileira vive uma crise sem precedentes. Perde audiência para a novela Os Dez Mandamentos da TV Record. O Jornal Nacional sem audiência é comoBuchecha sem Claudinho. Estamos perplexos. Abaixo, tentamos encontrar soluções para que o Sansão da TV Globo recupere sua credibilidade diante do Golias da emissora do bispo Edir Macedo.

1

Record-X-Globo

Amarás ao Jornalismo de qualidade sobre todas as coisas e acima de todos os desejos mais secretos (ou não) de manipular os fatos. O povo não é bobo e tem todo o direito de escolher as bondades edulcoradas d’Os Dez Mandamentos em vez das maldades em série do Jornal Nacional.

2

Múmia

Não usarás em vão o santo nome do Jornalismo em histórias de cachorros heróis, lorotas de “apesar da crise” e piadinhas “descontraídas” entre apresentadores, só para fazer hora até que a novela bíblica da Record termine e A Regra do Jogo possa começar.

3

jornal

Assistirás ao Fantástico aos domingos, inclusive porque não há Os Dez Mandamentos aos domingos.

4

IMG_3820

Honrarás o voto e a democracia brasileira, em vez de insinuar pela enésima vez que algum impeachment vai acontecer amanhã.

5

william-bonner-homer-simpsom

Não matarás os fatos, a reputação de políticos sem provas, nem a inteligência do telespectador Homer Simpson. #NãoSomosRacistas

6

UDN

Não adulterarás as notícias, carregando de tintas as denúncias contra o PT, escamoteando falcatruas do PSDB e do PMDB e disfarçando as imposições de sigilo do governador Geraldo Alckmin.

7

CRb-pL2WEAAAsye

Não roubarás o tempo da trabalhadora e do trabalhador brasileiros, que precisam dormir logo após Os Dez Mandamentos (exceto William Waack), nem falsificarás números de ibope agora que o instituto GfK está na área.

8

protesto-globo-AgA

Levantarás o falso testemunho de Eduardo Cunha (que negava ter conta na Suíça, a terra prometida dos sonegadores) e deixarás de ocultar que a companheira dele, Cláudia Cruz, é ex-apresentadora e garota-propaganda da emissora.

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extintor-de-incendio-aparece-em-cena-de-os-dez-mandamentos-original

Não desejarás que a mulher do bispo (Os Dez Mandamentosfracasse no Ibope. O povo já decidiu trocar de canal e prefere assistir à novela do extintor no Egito. 😃😃😃😃😃😃

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bonner-renata-vasconcellos

Não cobiçarás os 54 milhões de votos que Aécio Neves não teve nas urnas em 2014, nem desejarás que o Brasil vá por água abaixo, até porque nesse naufrágio afundamos todos e nem a arca de Noé vai ajudar o William Bonner e a Renata Vasconcelos. #SomosTodosMaju

domingo, 4 de outubro de 2015

'Se a operação Lava Jato investigou cartéis de empreiteiras para combinar e manipular preços, uma operação "Plim-Plim" apuraria se houve combinação entre Rede Globo e Ibope na mediçãoo de audiência para manipular preços de anúncios nas últimas décadas – e portanto lucrar abusivamente pelo recebimento de recursos públicos, além de obstruir o acesso à informação pública a parcela significativa da população. Justifica também uma CPI."

Sugestão à PF: uma "Operação Plim-Plim" sobre manipulação de preços dos anúncios

Entrada de outro instituto de medição de audiência de TVs mostra que números da Globo podem ter sido artificialmente turbinados, com consequências sobre as contas públicas que ensejam investigação e CPI

Helena Sthephanowitz - Rede Brasil Atual - 04/10/2015

Contraste sobre audiências de TV levanta suspeitas sobre a "onipresença" da Globo, que pode ter lesado cofres públicos

Os primeiros números da medição por amostragem de audiência televisiva pelo Instituto alemão Gfk mostram diferenças em relação ao Ibope, que detinha o monopólio deste mercado. E as diferenças mostram que os resultados do Ibope eram favoráveis a Rede Globo.

Imagem: Neto Sampaio
Pelo Gfk, a Rede Record tem uma audiência maior às tardes e à noite do que a registrada pelo instituto concorrente. O SBT também é mais assistido nas manhãs e tardes.

SBT e Record sempre questionaram os dados do Ibope. A Globo nunca reclamou. Pior, boicotou a entrada de qualquer concorrente do Ibope no mercado brasileiro. Todas as emissoras pagam ao Ibope pelos serviços de medição da audiência, mas só Record, SBT e Rede TV contratam o instituto alemão.

O mercado de TV aberta, mesmo em crise devido à linha de programação excessivamente oposicionista espantar consumidores, faturou cerca de R$ 33 bilhões apenas no primeiro semestre. A Globo fica com a fatia do leão deste valor. Mas estranhamente se recusa a dividir com as demais emissoras um investimento relativamente pequeno, de cerca de US$ 130 milhões, para trazer outro instituto que dê mais confiança, controle e transparência para os anunciantes neste mercado bilionário.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Rafucko convida Ana Maria Braga a passar um dia de doméstica no Rio de Janeiro. Um dia de doméstica para Ana Maria Braga

Após a polêmica do quadro "Dia de Patroa" lançado pelo programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga. Prêmios? Um pacote de horas extras não pagas, dentre outros. 

Na Globo. O Mais Você, de Ana Maria Braga, lança o quadro "Dia de Patroa" - No Twitter e Facebook, usuários criticam a iniciativa. "A que horas ela volta? [No caso, estamos falando da noção]"

Ps. No site do Gshow internautas também criticaram: 
"Que tal um dia de empregada doméstica para a sua patroa?"

Globo oferece “dia de patroa” para empregadas domésticas e gera repúdio nas redes sociais
Revista Fórum - 24/09/2015

Quadro foi lançado pelo programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga. No Twitter e Facebook, usuários criticam a iniciativa da TV Globo: “‘Dê um dia de patroa a sua empregada.’ Acho que dar 365 dias de CLT é mais negócio!”

O servilismo e segregação embutidos nas relações entre patrões e empregadas domésticas no Brasil voltaram a ser discutidos massivamente desde que foi lançado o filme Que horas ela volta?, de Anna Muylaert. Coincidentemente ou não, há dois dias, o programa Mais Você, comandado por Ana Maria Braga na Rede Globo, lançou o quadro “Dia de patroa”, ignorando totalmente as reflexões propostas há anos por movimentos sociais e endossadas pelo longa acerca do trabalho doméstico remunerado. A iniciativa acabou gerando manifestações de repúdio nas redes sociais.

“No Mais Você, as empregadas domésticas de qualquer lugar do Brasil podem receber uma surpresa no meio do expediente. As sortudas vão largar tudo que estiverem fazendo para viver um ‘Dia de Patroa’”, informa a descrição do concurso, criado, segundo a emissora, para “homenagear” as trabalhadoras domésticas. Uma rápida busca na internet mostra que a “atração” global não é recente: em 2012 ela já existia.

No Twitter e Facebook, houve uma chuva de comentários críticos à iniciativa:

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Paulo Henrique Amorim: O PIG está muito mais raivoso. O PIG adquiriu um ódio que é só comparável aquele que existia no tempo de Vargas.




O PIG está muito mais raivoso. O PIG adquiriu um ódio que é só comparável aquele que existia no tempo de Vargas. Um dos motivos pelos quais Vargas se matou em 1954 foi porque ele fez a Petrobras. Um dos motivos do ódio contra Dilma e Lula hoje... está o contrato de partilha da Petrobras." 

William Waack pôs Joaquim Levy de castigo no canto da sala, de madrugada, para ao vivo lhe dar aquele pito. "Depois desse fuzilamento verbal e antes do "boa noite" de praxe quase deu para ouvir William Waack decretar: "Ministro, o senhor está demitido"!"

William Waack quase demite Levy ao vivo
Alex Solnik - Brasil 247 - 10/09/2015

Rebaixado, de "castigo", no cantinho da sala, esperando pelo pito do professor Waack e professora Pelajo (assista aqui as perguntas e respostas

No finzinho do jogo Santos vs. São Paulo, o locutor da Globo Cleber Machado anunciou: daqui a pouco o ministro Joaquim Levy ao vivo no Jornal da Globo. Passava de meia-noite. Pensei que ele estaria falando diretamente de seu gabinete, em Brasília, envolvido em sucessivas reuniões para destrinchar esse osso duro de roer que foi o rebaixamento do Brasil para a Série B do mundo capitalista, mas não: ele estava no estúdio, frente a frente com William Waack e Cristiane Pelajo. Não exatamente frente a frente, mas num nicho solitário, abaixo dos apresentadores, confortavelmente instalados na bancada. Ele parecia aquele aluno de castigo que o professor colocou no canto da sala com aquele chapeuzinho de bobo na cabeça porque tirou nota zero. William Waack disse logo de cara que o que aconteceu foi que o Brasil ficou com nome sujo na praça e Levy engoliu em seco. Percebendo que o ministro, que deveria ser o mais forte do governo, estava visivelmente com a guarda baixa e mais desanimado que habitualmente (alguém já o viu sorrindo?), Waack partiu para cima dele com uma intensidade de que nem a presidente Dilma seria capaz. Enquadrou o ministro e o encurralou no canto neutro com algumas perguntas que o deixaram grogue. Ele deve ter achado, certamente, que fora convidado para dar uma palavra de alento aos brasileiros e não para sofrer um bombardeio. Primeira pergunta:

"Ministro, o senhor assumiu com a missão explícita de evitar que o Brasil perdesse a nota de crédito de uma agência como a Standard & Poor's, mas o Brasil perdeu a nota de crédito. Isso impõe escolhas políticas ao senhor".

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O escândalo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — Carf –, que pode superar 19 bilhões de reais, recebe uma cobertura muito acanhada da imprensa brasileira, apesar de sua magnitude e implicações de toda ordem.

Para velhos jornais, crime de sonegação não é notícia
Por que a mídia dá tão pouco destaque à Operação Zelotes, que flagrou fraudes fiscais de mega-empresas? Que interesses levam editores, em certos casos, a não cobrar Judiciário?

Por Luís Humberto Rocha Carrijo - Outras Palavras - 22/06/2015 

O escândalo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — Carf –, que pode superar 19 bilhões de reais, recebe uma cobertura muito acanhada da imprensa brasileira, apesar de sua magnitude e implicações de toda ordem. Dentro do ponto de vista jornalístico, não há nada que justifique um tratamento tão desinteressado e desatento por parte das redações. Ao contrário, os vultosos desvios de recursos da Receita, com a participação de personagens graúdos do PIB nacional (bancos e empresas, boa parte, grandes anunciantes), fundamentam os princípios do que é notícia, pelo menos em veículos que praticam jornalismo em sua mais ampla definição — corajoso e isento, dedicado a informar a população.

Inúmeros fatos novos, que merecem uma investigação jornalística profunda, recebem, ao contrário, coberturas episódicas. A imprensa ignora que há o risco de a investigação não chegar a um resultado efetivo. Em operações de caráter semelhante, essa fase já teria resultado em prisões preventivas, por exemplo. A mídia ignora também a inexplicável morosidade do Poder Judiciário, que não autoriza medidas invasivas, a fim de levantar provas contra a corrupção. Dentro dos critérios puramente jornalísticos e de interesse da sociedade, o que diferem os escândalos de corrupção envolvendo políticos, como a Operação Lava Jato, daqueles que atingem apenas empresas, como a Operação Zelotes?

sábado, 9 de agosto de 2014

O “escândalo da Wikipédia” e a autofagia da TV Globo. No atual cenário eleitoral com uma frágil oposição política, a grande mídia começa a consumir a si mesma ao oferecer seus próprios integrantes como matéria-prima das bombas semióticas.

O “escândalo da Wikipédia” e a autofagia da TV Globo
Wilson Roberto Vieira Ferreira - Cinegnose - 09/08/2014 

O “escândalo da fraude da Wikipédia” é a confirmação de que nada mais resta para a grande mídia do que a bomba semiótica da não-noticia. Em nova “denúncia” jornalistas Miriam Leitão e Carlos Sardenberg tiveram seus perfis na enciclopédia virtual Wikipédia “fraudados” com a inserção de difamações e críticas. E tudo teria partido do endereço virtual “da presidência”... ou teria sido “do Palácio do Planalto”... ou, então, “de um rede pública de wi fi?”. A ambiguidade dá pernas à não-notícia que revela um insólito desdobramento de um jornalismo cuja fonte primária (a Wikipédia) nega a si própria como fonte confiável de investigação. Abre uma surreal possibilidade de um tipo de jornalismo que se basearia exclusivamente em fontes onde o próprio repórter pode criá-las para turbinar a sua pauta. E de quebra revela o momento autofágico da TV Globo que oferece suas próprias estrelas jornalísticas em sacrifício no seu desespero de ter que lutar em duas frentes simultâneas: a política e a audiência.


Com o “escândalo Wikipédia” e a perspectiva de uma hilária “CPI do wi fi” está se confirmando que na atual batalha semiótica pela opinião pública a única arma que restou para a grande mídia é a da não-notícia – sobre esse conceito clique aqui.

O jornal O Globo deu a manchete (“Planalto altera perfil de jornalistas com críticas e mentiras”) e a TV Globo repercutiu nos seus telejornais durante todo o dia a “notícia” de que os perfis dos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão na enciclopédia virtual foram alterados com o objetivo de criticá-los. E o IP (endereço virtual) de onde partiram as alterações era da rede do Palácio do Planalto.

As supostas “críticas” inseridas no perfil dos jornalistas qualificam as análises e previsões econômicas de Miriam Leitão como “desastrosas” e de ter defendido “apaixonadamente” os ex-banqueiro Daniel Dantas quando foi preso pela Polícia Federal em escândalo de crimes contra o patrimônio público. E o jornalista Sardenberg de ser crítico à política econômico do governo por ter um irmão economista da Febraban que tem interesse em manter os juros altos no Brasil.


Jimmy Walles: Wikipédia não é apropriada como fonte primária
Três características chamam a atenção nessa segunda detonação seguida de uma bomba semiótica da não-notícia (a anterior foi a tentativa de transformar a existência do media trainning na Petrobrás em escândalo político): a irrelevância, o timming e o tautismo.

Wikipédia é relevante?
Como a própria Wikipédia já admitiu, a enciclopédia não deve ser utilizada como fonte primária de investigação (“Wikipedia Reasearching With Wikipedia”). Jimmy Walles, co-fundador da Wikipedia, afirmou que “enciclopédias de qualquer tipo não são apropriadas como fontes primárias, e não devem ser invocadas como autoridades”.

Pelo seu caráter colaborativo onde qualquer usuário pode alterar o conteúdo dos verbetes, o uso da Wikipédia não é aceito em escolas e universidades. No máximo é utilizada como indicadora para fontes externas. Mas repentinamente para a grande mídia a Wikipédia passou a ter uma surpreendente relevância como documento primário de investigação.

Como “dar pernas” à não-notícia?

Estamos na típica situação jornalística em que se tenta “dar pernas” para a notícia que, em si, não possui relevância. A melhor forma de dar algum gás à não-notícia é por meio da retórica da ambiguidade.


A matéria do jornal O Globo ora fala que o IP era da “Presidência da República”, ora do “Palácio do Planalto”, ou também de “computadores do Palácio” e “IP da Presidência” para no final diluir tudo no “endereço geral do servidor da rede sem fio do Palácio do Planalto”. Naturalmente o teaser é dado pela manchete e primeiro parágrafo que tentam aproximar ao máximo o fato (irrelevante em si mesmo) da figura da presidente da República. Se o leitor persistir a leitura até o final da matéria, perceberá a diluição do próprio impacto noticioso.

Qual a matéria-prima dessa suposta notícia? De um lado a própria enciclopédia virtual que é até cautelosa consigo mesma e do outro uma rede wi fi pública. Com isso se projeta a possibilidade de que se alguém alterar o perfil do governador Geraldo Alckimin em rede wi fi pública instalada pela prefeitura de São Paulo, o gabinete do prefeito seria responsabilizado... A matéria abre uma surreal possibilidade de um tipo de jornalismo que se basearia exclusivamente em fontes primárias de investigação onde o próprio repórter pode criar para turbinar a sua pauta.

O timming do escândalo