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sábado, 17 de outubro de 2015

Marilena Chaui: “O que é insuportável é que aqueles que lutaram contra o golpe sejam os golpistas de hoje. É uma obscenidade”, declarou, numa referência a FHC.



Chauí: "Os que lutaram contra o golpe de 64 são os golpistas de hoje"

Fernando Taquari para o Valor - 16/10/2015 - Via Contexto Livre

A oposição e o Tribunal de Contas da União (TCU) foram os principais alvos de críticas por parte de intelectuais e acadêmicos que se reuniram nesta sexta-feira no Centro Universitário Maria Antonia, na capital paulista, para debater as consequências de uma tentativa de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A um auditório lotado, a filósofa Marilena Chaui lembrou do golpe militar de 1964 para criticar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao ressaltar que a última vez que esteve no prédio, onde funcionava a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, o tucano a acompanhava em uma corrente para defender o local contra a invasão de militares.

“O que é insuportável é que aqueles que lutaram contra o golpe sejam os golpistas de hoje. É uma obscenidade”, declarou, numa referência a FHC.

“Não podemos admitir que aqueles que sabem o que significa a oligarquia brasileira, a exclusão política, social, econômica e cultural, os que sabem o custo que foi de vidas e ações, se prestem a fazer uma irresponsabilidade histórica desse tamanho”, acrescentou Marilena. Segundo ela, o país está diante de um golpe comandado por figuras que pretendem uma regressão ao período pré-64.

“Temos de um lado a figura do menino bem nascido, bonitinho, que fala às classes médias e urbanas. Temos ainda o homem da Opus Dei (grupo católico ultraconservador) que fala ao conservadorismo das classes urbanas e médias. E nós temos também aquele que fala a linguagem messiânica das igrejas evangélicas”, disse Marilena, sem dar nomes, mas em referência indireta a quadros da oposição, como, pela ordem, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A filósofa assinou nesta sexta-feira um documento com críticas à hipótese de impeachment de Dilma com base nas propostas apresentadas pela oposição. O texto também é assinado pelo ex-ministro Paulo Sérgio Pinheiro, o ex-porta-voz da Presidência André Singer, o escritor Fernando de Morais e o jurista Fábio Konder Comparato, entre outros, que consideram não haver base jurídica até o momento para o afastamento da presidente.

Pinheiro ainda colocou em xeque a moral do TCU para julgar a presidente ao ressaltar que trata-se de um tribunal administrativo, que nunca antes na história do Brasil sequer examinou as contas de governos anteriores. “É um playground de políticos fracassados. Quatro dos sete ministros estão sendo processados por crime”, afirmou o diplomata, que foi ministro dos Direitos Humanos e integrou a Comissão Nacional da Verdade.

Já o escritor Fernando Morais observou que as articulações da oposição visam, mais do que determinar o destino de Dilma e do PT, uma mudança no projeto de Estado. “Se eles querem tirar a Dilma só tem um caminho, que é do voto. Temos que deixar claro que no golpe eles não levam. Na mão grande nós não permitiremos”, afirmou Morais, defendendo a necessidade de o núcleo acadêmico unir forças com os movimentos sociais.

A ex-presidente da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo Margarida Genevois, por sua vez, lamentou o ódio de parte da população contra o governo e o PT. “As pessoas parecem que são nossas inimigas. Ninguém respeita a opinião do outro. Isso é uma coisa nova na nossa sociedade”, enfatizou.

Fernando Taquari
No Valor

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Seguem as demais intervenções disponibilizadas no canal de Artur Scavone  

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Marilena Chauí: “não. As manifestações de junho não mudaram o país”. Podem servir “não para acordar o Brasil, mas acordar o PT”.

Marilena Chauí: “não. As manifestações de junho não mudaram o país”
Carta Maior - 11/09/2013

Carta Maior entrevistou Laymert Garcia dos Santos e Marilena Chauí por ocasião de debate ocorrido na USP. Enquanto Laymert nota os partidos “visivelmente anacrônicos” e “incapazes de falar com a juventude”, Marilena pensa que as manifestações podem servir “não para acordar o Brasil, mas acordar o PT”.
Carta Maior entrevistou Laymert Garcia dos Santos e Marilena Chauí por ocasião do debate Brasil em Tempo de Manifestações, ocorrido na Universidade de São Paulo (USP).

Para Laymert, professor de Sociologia da Unicamp e doutor em Ciências da Informação pela Universidade de Paris VII, o que as manifestações de junho trouxeram de novo foi a politização dos jovens, tanto nas ruas quanto nas redes.

Segundo o professor, “é extremamente importante pensar nessa relação rua/rede porque é no entre os dois que está a novidade da política”.

Além disso, Laymert faz coro com os que notam os partidos “anacrônicos” e “incapazes de falar com a juventude”.

Já Marilena Chauí, filósofa da USP e membro-fundadora do PT, foi lacônica e não menos polêmica do que em suas últimas intervenções públicas: “não. As manifestações de junho não mudaram o país”, afirmou.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Marilena Chauí. O posicionamento da mídia em relação às manifestações no Brasil, a "classe média", a não adesão da USP ao ENEM...

" A decisão sobre a adesão ou não ao ENEM é tomada pelo conselho universitário da reitoria, que é majoritariamente ligada ao PSDB. Então, eu não diria que é uma ação imediata e direta do governo estadual para contrapor a proposta de democratização do ensino feita pelo governo federal, mas sim uma ação indireta de PSDBistas ligados à reitoria da USP, um fato deplorável no meu ponto de vista. Esta resistência por parte da USP me entristece muito. Sou muito cautelosa ao concordar que somos a vanguarda do ensino. Podemos até ser em algumas áreas, porém em outras eu diria que somos a pior retaguarda de todas, principalmente nas questões políticas que dizem respeito à democratização dos direitos humanos." 

Marilena Chaui: “Não existe nova classe média”
Socialista Morena (Cynara Menezes) - Carta Capital - 12/08/2013

“Eu odeio a classe média!”, bradou a filósofa e professora da USP Marilena Chauí em uma palestra em maio, causando furor na direita e perplexidade em parte da esquerda. “A classe média é uma abominação política porque é fascista; é uma abominação ética porque é violenta; e é uma abominação cognitiva porque é ignorante. Fim”, completou. Confesso que eu mesma fiquei confusa com a afirmação. Não somos todos nós, progressistas, também classe média? Não seria uma generalização? Ou é apenas uma provocação?
O leitor João Paulo Martins, estudante de jornalismo na Cásper Líbero, me mandou uma entrevista que fez com Marilena onde ela fala das manifestações pelo país, de Espinosa, do ENEM e também explica a que classe média se referia em sua diatribe. E diz mais: para Chaui, a tal “nova” classe média não é classe média coisa nenhuma, mas sim “uma nova classe trabalhadora”.
Eu ainda tô na dúvida. Concordo quando ela diz que “ideologicamente, vitoriosa é a classe média”, porque se refere a uma determinada linha de pensamento que, desafortunadamente, vem ganhando espaço no País –inclusive nesse “nova” classe ascendente que a filósofa diz que é a “trabalhadora”. Mas continuo achando que há várias classes médias e não apenas uma. Me digam o que vocês pensam.
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Por João Paulo Martins
Como a senhora analisa as manifestações que estão acontecendo pelo Brasil?

sábado, 18 de maio de 2013

Paulo Nogueira. A ira santa de Marilena Chauí. As justas pancadas da filósofa na mídia e na classe média "fascista, violenta e ignorante"

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Marilena Chauí sobre a "classe média": “Eu odeio a classe média!” - "é uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta, e é uma abominação cognitiva porque é ignorante. Fim”
Mino Carta - A herança da casa-grande - Por que os super-ricos me incomodam menos do que seus aspirantes.



A ira santa de Marilena Chauí
PAULO NOGUEIRA 17 DE MAIO DE 2013

As justas pancadas da filósofa na mídia e na classe média.
Você só encontra essa voz provocadora e inteligente na internet
Você só encontra essa voz provocadora e inteligente na internet
A filósofa Marilena Chauí fez duas apreciações interessantes nesta semana, uma sobre a mídia, outra sobre a classe média.

Numa, sobre a mídia, ela foi econômica. Noutra, sobre a classe média, foi torrencial.

Em ambas, ela estava essencialmente certa.

Sobre a mídia, ela disse que qualquer apreciação que fizesse conteria obscenidades.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Marilena Chauí sobre a "classe média": “Eu odeio a classe média!” - "é uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta, e é uma abominação cognitiva porque é ignorante. Fim”


Dez anos pós-neoliberais são marcados por gestos inaugurais
Por Cezar Xavier - Publicado em 14.05.2013

O ineditismo de medidas governamentais e seus resultados surpreendentes foram analisados durante o lançamento do livro 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma, com presença de Lula, Emir Sader, Márcio Pochmann e Marilena Chauí.

Nesta segunda-feira à noite, o aquário do Centro Cultural São Paulo recebeu o público para um espetáculo diferente daqueles que costumam lotar o teatro de arena. Embora tenha no palco o sociólogo Emir Sader e o economista Márcio Pochmann, quem esteve ali filosofou. Não apenas pela presença militante rara e contundente de Marilena Chauí, mas principalmente pelos raciocínios e sínteses aguçadas do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.