segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Procuradores e juízes envolvidos coma a “Operação Lava Jato” tentam, já há tempos, transformar, aos olhos do país, em uma sofisticada e acachapante conspiração, o que nada mais é do que o velho Presidencialismo de Coalizão em seu estado puro.

O PRESIDENCIALISMO E A CONSPIRAÇÃO VERMELHA.

Mauro Santayana - 30/11/2015

(Jornal do Brasil) - Informações publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo, na semana passada, dão conta de que a Procuradoria Geral da República teria enviado ao STF pedido de reversão da decisão do Ministro Teori Zavascki, de afastar da órbita da Operação Lava Jato, ações que não pertencem à sua jurisdição, como a relacionada à Eletronuclear, já encaminhada para o Juiz Marcelo Bretas, da Sétima Vara Federal, no Rio de Janeiro.

O pedido estaria baseado em duas justificativas, a de que “aponta “ação” (sic) de uma “sistemática” (sic) criminosa igual à investigada na Petrobrás” e a de que “um esquema único de “compra” de apoio político teria nascido na Casa Civil em 2004, com o objetivo de garantir a governabilidade e a permanência no poder. Para isso, segue o texto, “teriam sido distribuídos cargos em diferentes áreas do governo, gerando uma “máquina” “complexa” e estruturada de desvios para financiar partidos, políticos e campanhas eleitorais.”

Ora, se a questão é a “sistemática” ser igual, todos os crimes de latrocínio, por exemplo, deveriam ser investigados por um mesmo grupo e julgados pelo mesmo magistrado, já que têm uma mesma mecânica e um mesmo resultado.

Um único juiz ficaria responsável por todos os crimes de tráfico de drogas do país; a outro, seriam encaminhadas todas as ações relacionadas a estelionato, e vários inquéritos, envolvendo corrupção e financiamento indireto de candidatos e partidos, como o Mensalão “Mineiro”, o escândalo dos trens de São Paulo, e dezenas de outros, ainda dos tempos das privatizações, nos anos 90, também deveriam ser encaminhados ao Juiz Sérgio Moro, se – como demonstra a sua atuação no Caso Banestado – ele viesse a agir com o mesmo “rigor” e “empenho” com que está agindo agora. 
Link da imagem: Sérgio Moro Presidente do Brasil

Neófitos em política – ou exatamente o contrário – os procuradores que encaminham o pedido ao STF (segundo a matéria, “ligados” ao Procurador Geral da República, Sr. Rodrigo Janot); assim como os seus colegas e o juiz que estão envolvidos com a “Operação Lava Jato” tentam, já há tempos, transformar, aos olhos do país, em uma sofisticada e acachapante conspiração, o que nada mais é do que o velho Presidencialismo de Coalizão em seu estado puro.

Um sistema com todos os defeitos e eventuais problemas de uma democracia em funcionamento pleno, que se desenvolve – como em qualquer lugar do mundo - na base da negociação de interesses de indivíduos, grupos de pressão, partidos políticos, funcionários públicos de confiança e de carreira e empresas estatais e privadas.

Sem obras – casas, pontes, estradas, refinarias, usinas hidrelétricas, ferrovias, navios, plataformas de petróleo - não há desenvolvimento e não existem votos.

Desde que o mundo é mundo, e não desde 2004, como quer nos fazer acreditar a Operação Lava Jato, votam-se verbas para obras – aí estão as emendas parlamentares que não nos deixam mentir – indicam-se diretores de estatais, loteiam-se cargos entre partidos aliados, apresentam-se empreiteiras para a sua execução, realizam-se os projetos e as empresas – preventivamente - para evitar ficar de fora das licitações, ou antipatizar-se com gregos e troianos, financiam partidos e candidatos de todas as cores e de todos os matizes, porque não têm como adivinhar quem vai ganhar que eleição, ou qual será a correlação de forças que sobrevirá a cada pleito.

Esse esquema funciona, assim, desde os tempos do Império e da República Velha e se repete nos Estados, com as Assembléias Legislativas, e nos municípios, com os executivos e câmaras municipais, e, se o PT conspirou ou conspira para “manter-se no poder”, na essência e na lógica da atividade política, ele não faz mais do que faria qualquer outro partido;

Ou há alguém que acredite existir agremiação política que tenha como “objetivo” programático o abandono do poder?

Nisso, o PT, e os outros partidos, fazem o que sempre fizeram os chefes tribais, desde que deixamos de ser coletores e caçadores e nos reunimos em comunidades, ou os políticos gregos, ou os imperadores romanos, ou os reis medievais, ou os partidos e forças que antecederam a ascensão do próprio Partido dos Trabalhadores ao Palácio do Planalto, que, para manter-se nele, chegaram até mesmo a mudar o texto da Constituição Federal, para passar no Congresso – em polêmica e questionável manobra - o instituto da reeleição.

A Democracia - e o Presidencialismo de Coalizão, ou o Parlamentarismo, em que muito menos se governa sem negociação e conciliação de interesses - pode ter defeitos, mas ainda é o melhor sistema conhecido de governo.

Tendo, no entanto, problemas – e sempre os terá, em qualquer país do mundo, pois que se trata mais de um processo do que de um modelo acabado - cabe à classe política, que, com todas as suas mazelas, recebeu a unção do voto – todo poder emana do povo e em seu nome será exercido, ou já nos esquecemos disso? – resolvê-los e não ao Ministério Público, ou a um juiz de primeira instância fazê-lo.

E, muito menos, inventar com esse pretexto, uma teoria conspiratória cujo único objetivo parece ser o de garantir que se lhe transfira, a ele e ao seu grupo, cada vez mais poder e força.

Até mesmo porque, como todos os cidadãos, os jovens procuradores da PGR, assim como os da Operação Lava Jato e o juiz responsável por ela, têm, como qualquer brasileiro, suas preferências políticas, simpatias ocultas, idiossincrasias, seu time de futebol do coração, sua confissão religiosa, seu piloto preferido de Fórmula Um.

Afinal, como diz o ditado, o que seria do azul, se todos gostassem do amarelo?

O que não se pode esquecer é que, se quiserem fazer política, devem candidatar-se e ir atrás de votos e de um lugar no Parlamento, e não misturar alhos com bugalhos, ou querer exercer atribuições que não têm, e que não podem ter, nesta República, pois que não lhes foram conferidas por mandato popular.

Deve, portanto, quem está à frente da Operação Lava Jato, limitar-se, sem paixão, parcialidade, vaidade ou messianismo, tecnicamente, ao seu trabalho, que pode ser exercido por quaisquer outros policiais, procuradores ou juízes, em outros lugares do país, respeitando-se a jurisdição, as regras e os limites impostos à sua atuação, porque nem mesmo a justiça pode se colocar - como muitos parecem ter se esquecido nos últimos tempos - acima da Lei e da Constituição, cujo maior guardião é, como reza o seu próprio nome, o Supremo Tribunal Federal.

Ninguém discute a necessidade de se combater a corrupção, de preferência - como nem sempre tem ocorrido – a de todos os partidos.

Ninguém também vai querer botar a mão no fogo com relação a partidos que, depois de chegar ao poder, deixaram entrar toda espécie de oportunistas, oriundos de outras agremiações, ou nomeados por governos anteriores, que depois fizeram falcatruas no cargo que estavam ocupando.

Como quase todos os partidos políticos, o PT teve seus acertos e também seus eventuais erros nos últimos anos, e deve enfrentá-los de frente, até mesmo porque a imensa maioria de seus militantes é correta, nacionalista, mão entrou no partido de pára-quedas e não andou por aí prestando "consultorias".

O que não se pode aceitar é pôr ao alcance de apenas uma pessoa, de um único juiz, um imenso universo de milhares de empresas que realizaram negócios com o governo federal nos últimos anos, em qualquer lugar ou circunstância, colocando automaticamente sob suspeição qualquer pessoa que tiver, em princípio, feito negócios com qualquer uma dessas empresas.

Também não se pode agir, como se partidos de oposição não tenham estado envolvidos, antes e depois de 2004, em alguns dos maiores escândalos de corrupção da história recente, dos mais antigos, como o do Banestado, passando pelos mais simbólicos, como o do Mensalão “Mineiro”, aos mais novos, como o do Trensalão Paulista – cujo inquérito está completando seu primeiro aniversário na gaveta do Ministério Público de São Paulo - todos abafados, ou conduzidos de forma a prescreverem, ou não se punirem os seus principais envolvidos, não lhes acarretando - por parte da justiça, ou da mídia, até agora - quase que nenhuma conseqüência.

Também não se pode acreditar que só o governo federal possa corromper, porque, como explicam os que acreditam nessa fantasiosa teoria conspiratória, é a União que teria a "caneta".

Como, se, por acaso, a oposição também não tivesse a sua, em alguns dos principais estados e municípios do país, como é o caso, emblemático, de São Paulo, unidade da Federação na qual arrecada – e administra - aproximadamente 150 bilhões de reais por ano em impostos, há mais de duas décadas.

Não podemos agir como se a corrupção, no Brasil, tivesse sido inaugurada com o estabelecimento de uma espécie de Protocolo dos Sábios do Sião, do PT, ao urdirem uma conspiração nordestino-bolchevista internacional, com estreitas ligações com o "bolivarianismo", e o "perigosíssimo" Foro de São Paulo, para dominar a América Latina, e, quem sabe - como o "Pink" e o "Cérebro" do desenho animado - o mundo.

Uma conspiração “comunista” que passou o país da décima-terceira economia do mundo, em 2002, para a oitava maior, agora; que pagou, rigorosamente, sem contestar, toda a dívida que tínhamos com o FMI; que emprestou generosamente – e por isso também tem sido acusada – dinheiro do BNDES para empresas privadas, não apenas nacionais, mas também multinacionais; que acumulou mais de 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, aplicando-as majoritariamente em títulos do seu, teoricamente, arqui-inimigo, Estados Unidos da América do Norte; que deu aos bancos alguns dos maiores lucros de sua história; que praticamente duplicou a porcentagem de crédito na economia; e diminuiu a dívida líquida pública pela metade nos últimos 13 anos.

Como se, anteriormente, partidos não negociassem alianças e coligações, nem as financiassem, como fez o PT, no caso da Ação 470, ajudado em um empréstimo, pago, depois, a um banco, obtido pelo Sr. Marcos Valério, que, claro, para o Ministério Público, ao que parece, é como se nunca tivesse trabalhado para o PSDB antes.

Como se os 12 Sábios do Sião do PT, reunidos, bebendo cachaça, em algum boteco do ABC, tivessem resolvido, inédita e insidiosamente, em certo encontro secreto, primitivo e clandestino, corromper a pobre classe política nacional - tão ingênua e impoluta como um bando de carneiros - e também o empresariado brasileiro.

Como se, anteriormente, nenhuma empreiteira fizesse doação de campanha, ninguém fosse a Brasília para conseguir obras, não existisse lobby nem Caixa 2, políticos e ex-políticos não prestassem “consultorias” a empresas particulares, e nem se montasse a negociação de partidos para aprovação de medidas provisórias, ou de emendas, como, por exemplo, lembramos mais uma vez, a da reeleição do Sr. Fernando Henrique Cardoso.

E a Nação dormisse, inocente e serena, sonhando com flores e passarinhos em berço esplêndido, e tivesse sido despertada violentamente, de repente, por um emissário do inferno, vermelho e barbudo como o diabo, que chegou do Nordeste de pau de arara, para acabar com o seu sono e conspurcar-lhe, covarde e impiedoso, a virginal moralidade que ostentava antes.

Finalmente, se formos nos deixar dominar pela imaginação e pelo delírio conspiratório, qualquer um poderá pensar e afirmar o que quiser.

Até mesmo que pode haver, mesmo, uma conspiração em curso.

Mas não para entregar o Brasil ao PT ou ao comunismo.

Mas para derrubar, usando como biombo uma campanha anticorrupção pseudo moralista, seletiva, dirigida e paranoica, um governo legitimamente eleito há pouco mais de um ano.

Trabalhando deliberadamente para chegar, de qualquer forma, e o mais depressa possível, à Presidente da República, na tentativa de tirá-la do Palácio do Planalto da forma que for possível, com um jogo escalado e proposital de prisões sucessivas e de “delações”.

Uma espécie de “corrente” no qual uma pessoa é presa – seja por qual motivo for (na falta de provas, muitos podem imaginar que se estejam produzindo “armadilhas”, suposições, ilações, combinações) e delata outra, que também é presa e passa a participar, obrigatoriamente, da trama, delatando também o próximo da “fila” – ou o novo degrau de uma escada que até mesmo no exterior já se imagina aonde vai chegar - sob pena, caso se recuse, de permanecer anos e anos na cadeia sem nenhuma garantia ou perspectiva real de proteção por parte do direito ou da justiça, enquanto bandidos apanhados com contas de milhões de dólares no exterior vão sendo, paulatina e paradoxalmente, soltos.

sábado, 28 de novembro de 2015

Elo perdido. Esqueçam o que o PIG publica. É questão de dias para o "Petrolão Tucano" explodir.

Prisão de Delcídio deflagra o "Petrolão Tucano"

Zé Augusto - Blog Amigos do Presidente Lula - 29/11/2015

Esqueçam o que o PIG publica. É questão de dias para o "Petrolão Tucano" explodir.

Nas cerca de 1 hora e meia de gravação da conversa do senador Delcídio Amaral (PT-MS) gravadas por Nestor Cerveró, ele não cita absolutamente nada de maracutaia envolvendo Lula e Dilma. Nem mesmo cita nada envolvendo o PT. E era uma conversa privada com parceiros dele nas maracutaias, portanto poderia falar à vontade de malfeitos, como falou de alguns.

Charge Renato Aroeira - "O Elo Perdido?" 

Mas conversou sobre negociatas com a Alstom dos tempos em que era diretor de Gas e Energia da Petrobras no governo FHC (entre 1999 e 2001), antes de virar a casaca para o PT em 2002.

Fala também sobre o senador José Serra (PSDB-SP) ter jantado com ele para sondar se Gregório Preciado (ex-sócio e casado com uma prima de Serra) estava na delação de Cerveró e Fernando Baiano. Delcídio comenta que Gregório é quem está por trás de Baiano.

Conversa sobre propinas na compra de Pasadena ter sido uma "operação interna" da diretoria internacional "sem ter política" no meio. Cerveró teria pego uma parte da propina e disse que doou para campanha eleitoral de Delcídio sem o senador saber de malfeitos, coisa que os procuradores não acreditaram, segundo a conversa.

Além da gravação, pelo menos quatro ex-diretores e gerentes da Petrobras que foram subordinados a Delcídio e Cerveró são acusados de receberem propinas em Pasadena.

É curioso como Delcídio em nenhum momento fala que vai conversar com Dilma ou com Lula para aliviar Cerveró e outros diretores corruptos na Lava Jato. Fala em conversar com Temer, com Renan e com ministros do STF.

A única citação à Dilma é sobre ter visto na delação premiada de Cerveró vazada conter o tópico "Dilma sabia de todos os movimentos de Passadena" (uma afirmação dúbia, que não serve para incriminar). E Delcídio não faz nenhuma interferência para retirar isto da delação, só se preocupa em retirar seu próprio nome e o do banqueiro André Esteves. Logo, é ridículo jornalistas do PIG dizerem que Delcídio estaria ali no interesse de Dilma.

Com relação à Lula, acontece a mesma coisa. Delcídio comenta que Fernando Baiano pegou o "roteiro" da delação de Cerveró que falava do Bumlai e usou antes de Cerveró. Ou seja, Delcídio sabia que o nome de Lula seria usado e também não tava nem aí, só preocupando consigo e com André Esteves.

No final Delcídio ainda fala de Dilma, mas comentando achar que nem o Ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM), apita na Petrobras, indicando que Dilma não está deixando haver ingerência política. E demonstra ter pouco conhecimento do que se passa dentro da Petrobras hoje.

As capas dos jornalões de sábado são sintomáticas. Globo, Folha e Estadão já começam a jogar Delcídio para segundo plano. Não fazem ataques a Lula no caso Delcídio.

E só Estadão dá algum destaque em Delcídio ter falado em depoimento na Polícia Federal que Dilma o teria consultado sobre a indicação de Cerveró em 2003. Dilma desmentiu prontamente.

Segundo a Secretaria de Comunicação Social, "a presidenta Dilma Rousseff nunca consultou o senador Delcídio Amaral ou qualquer outra pessoa acerca da nomeação de Nestor Cerveró, para a diretoria da Petrobras" e "no período em que exerceu a função de ministra de Minas Energia, nunca sequer foi consultada ou mesmo participou, em qualquer medida, dessa indicação".

O Planalto informa que "aliás, como é público e notório, a presidenta da República não manteve relações pessoais com Nestor Cerveró, seja antes ou depois da sua designação para a diretoria da Petrobras".

Na cúpula das redações já sabem: o Petrolão Tucano vem aí.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Mauro Santayana - "grandes potências impõem acordos comerciais, e os pequenos países os assinam." - "Não adianta ficar ganindo e mendigando com olhar pidão, para ter atenção ou uma migalha, porque não vamos ceder um centímetro, e, mesmo que vocês façam tudo, tudo o que queremos, poderão não ganhar nada em troca, está claro?"

O porrete e o vira-lata

Mauro Santayana - 27/1/2015

(Jornal do Brasil) - No momento em que se levantam, novamente, as vozes do neoliberalismo tupiniquim, exigindo uma rápida abertura comercial do Brasil para o exterior, e o PMDB inclui, em seu documento Uma Ponte para o Futuro, a necessidade do Brasil estabelecer acordos comerciais com a Europa e os EUA, lembrando a iminência e a imposição “histórica” do Acordo Transpacífico, e em que mídia tradicional segue com sua insistência em defender como modelo a ridícula Aliança do Pacífico, a União Européia - depois de enrolar, durante anos, nas negociações com o MERCOSUL - parece que vai simplesmente “congelar” as negociações entre os dois blocos nesta sexta-feira.
A razão é clara.

Por mais que se esforcem os vira-latas tupiniquins, fazendo tudo que os gringos querem, oferecendo quase 90% de liberação de produtos, os protecionistas europeus simplesmente se recusam a concorrer com o Mercosul na área agrícola - justamente onde somos mais competitivos.

E, além disso, como se não bastasse, a UE como um todo, para dificultar, hipocritamente, ainda mais o fechamento de um acordo, exige o equivalente a uma rendição total da nossa parte:

A liberação de quase 100% dos produtos e livre acesso, para suas empresas, como se nacionais fossem, a setores como serviços de engenharia e advocacia e ao gigantesco mercado de compras governamentais brasileiro, de dezenas de bilhões de dólares.

O recado é óbvio:

Não adianta ficar ganindo e mendigando com olhar pidão, para ter atenção ou uma migalha, porque não vamos ceder um centímetro, e, mesmo que vocês façam tudo, tudo o que queremos, poderão não ganhar nada em troca, está claro?

Como lembramos outro dia, grandes potências impõem acordos comerciais, e os pequenos países os assinam.

Nações que não tem uma indústria tão desenvolvida como a nossa, como a Argentina, ou outras, que, com salários miseráveis, se transformaram em mera linha de maquila, tendo prejuízos no comércio exterior, apesar de trabalharem como burros de carga montando produtos destinados a terceiros mercados, como o México (vide O México e a América do Sul), não tem outra saída a não ser se associar a outros países (esse é o projeto do Brasil para a América do Sul, por meio do Mercosul e da UNASUL) ou assinar acordos comerciais desvantajosos, para se integrar, subalternamente, à economia mundial.

Países maiores, com grandes mercados consumidores reais ou potenciais, como a China, preferem fechar suas economias durante anos, dedicando-se a desenvolver seu mercado interno, a indústria e a tecnologia, abrindo seletivamente seu território a empresas estrangeiras e cobrando um alto preço para quem quisesse ter acesso a ele, para depois se impor, comercialmente, ao mundo.

A pergunta é a seguinte:

Vamos nos atrelar, como um mero vagão de commodities, ao trem puxado pela Europa e os Estados Unidos, onde sempre seremos tratados, apesar de nossos eventuais progressos, como um povo de segunda classe, ou, em nossa condição de oitava economia do planeta, vamos tentar estabelecer um projeto próprio e soberano, de longo prazo, como fazem outras potências intermediárias do nosso tipo, como a China, a Rússia e a Índia, que, aliás, não têm - nenhuma delas - acordos de livre comércio com a Europa ou os EUA?

Tentar emular, abjetamente os outros, e lamber o sapato alheio é fácil.

Difícil é trabalhar para erguer – assumindo a missão e o sacrifício – no quinto maior território do mundo - uma nação justa, forte, e independente, e legá-la, como fizeram em outros países que muitos no Brasil admiram e “copiam”, como um estandarte de honra e de prosperidade, para os nossos filhos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

"Nesta carta singela desejo lhe dizer que me senti ofendido e desrespeitado como cidadão com seu discurso ao justificar seu voto a favor da prisão de Delcídio do Amaral, nesta manhã. A senhora disse que antes nos fizeram acreditar que a esperança venceu o medo. É evidente que a senhora se referiu à campanha eleitoral e eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem citá-lo."

Carta aberta à ministra Carmen Lúcia, do STF

Por Dom Orvandil Moreira Barbosa - Cartas Proféticas - 25/11/2015

Prezada Ministra Carmem Lúcia

Nosso País acordou estupefato com a prisão de um senador da República. Por outro lado, alivio-me com a prisão de um banqueiro, um dos mais ricos do Brasil.

Não guardo intimidade com o pensamento do Senador Delcídio do Amaral em virtude de suas origens políticas, ligadas à privatizações e ao nefasto neoliberalismo. Porém, sua prisão nos coloca sob espanto pelo colorido de arbitrariedade em face da imunidade parlamentar de que gozam os eleitos pelo povo para ocupar cadeira na mais alta casa legislativa.

Perdoe-me, ministra Carmem, por me dirigir a senhora sem o traquejo jurídico próprio dos advogados, já que não sou um e sem a formalidade de um tribunal, já que não pertenço a nenhum.

Aqui tenho o objetivo de questioná-la pelo que disse na 2ª turma do STF ao justificar seu voto na decisão do ministro Teori Zavascki ao ordenar a prisão do Senador Delcídio do Amaral e do Banqueiro André Esteves.

É de se esperar que os homens e as mulheres eleitos e eleitas sejam honestos, honestas, probos e probas nas suas atividades parlamentares, embora alguns afrontem e desrespeitem a sensibilidade social e a cidadania, como é o caso do Senador Ronaldo Caiado, que frequentemente usa camiseta amarela com os sinais de 9 dedos, em deboche a deficiência física do ex-presidente Luiz Inácio Luiz da Silva, sem que seja incomodado em momento algum por esse preconceito e crime.

Nesta carta singela desejo lhe dizer que me senti ofendido e desrespeitado como cidadão com seu discurso ao justificar seu voto a favor da prisão de Delcídio do Amaral, nesta manhã.

A senhora disse que antes nos fizeram acreditar que a esperança venceu o medo. É evidente que a senhora se referiu à campanha eleitoral e eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem citá-lo.

E vencemos mesmo, ministra Carmem. Milhões de brasileiros fomos ameaçados com o estouro do dólar, com a fuga dos empresários que investiriam em outros Países abandonando o Brasil ao desemprego e à pobreza. Uma atriz da TV Globo apareceu em noticiários e na propaganda eleitoral do PSDB fazendo caras teatrais de assustada e dizendo: “ai, estou com medo”. Pois vencemos essa tentativa. Os milhões de votos investidos em Lula transcenderam fronteiras partidárias para afirmar nossa esperança contra as ameaças rasteiras e desonestas. Vencemos o medo, com muita esperança. O Brasil se sentiu recompensado com essa vitória. A senhora sabe!

Como cidadão e como povo me sinto ofendido e agredido em minha esperança e em minha fé com essa sua fala, para mim irônica e sem nenhuma relação com o mensalão da mídia, com muitos casos dúbios e influenciados pela opinião publicada.

A senhora carregou sobre a ironia sem nexo ao afirmar que “agora o escárnio venceu o cinismo”.
Qual a relação do possível crime do Senador Delcídio do Amaral, nem investigado totalmente e, muito menos julgado e condenado, com a vitória da esperança em 2002?

A senhora quer nos envolver em todos os possíveis crimes de Delcídio? A senhora falou pensando em investigação e condenação do ex-presidente Lula, o candidato a respeito de quem se usou o slogan “a esperança venceu o medo”? A senhora já sabe, mesmo sem julgamento, que o Senador Delcídio do Amaral é criminoso, até mesmo antes da manifestação da casa onde ele é parlamentar?
Na fundamentação de seu voto a favor da prisão do aludido senador a senhora asseverou que “ agora o escárnio venceu o cinismo”.

Pergunto se o seu voto não se referia a um senador? Se se referia ao Senador Delcídio do Amaral qual a relação da ironia com os votos de milhões de brasileiros que tiveram esperança de mudar aquela realidade triste de desemprego, de miséria e de pobreza em 2002?

A senhora ameaçou quem ao afirmar posteriormente que “criminosos não passarão sobre a justiça”, alertando a todos do mundo da corrupção?

Perdão, ministra, mas a minha ofensa também vem do fato de a senhora misturar ironicamente fatos e valores sem nenhuma relação, sendo que a esperança realmente venceu o medo e sempre vencerá as vilanias da classe dominante, principalmente da rapinagem dos poderosos internacionais, que atuam por meio de jagunços nacionais.

Pior, a sua referência de falso senso de oportunidade choca por estabelecer nexos irreais entre um senador atual, preso acusado de atrapalhar investigações, com toda a força da esperança de um povo.
Choca mais o fato de a senhora não fazer nenhuma menção ao banqueiro André Esteves, dono do Banco BTG Pactual, também preso como suspeito de fazer uma operação polêmica na área internacional da Petrobras, ao comprar poços de petróleo na África, sendo ele um dos homens mais ricos do Brasil, um País pobre e, mesmo assim, de esperanças que vencem os medos.

A senhora não disse nada sobre André Esteves foi pelo fato de ele ser banqueiro e rico? Haveria na senhora algum senso de seletividade, como o há na mídia que reforçou com grande destaque as suas palavras?

Enfim, perdoe-me pela ousadia de exercer o direito de questionar, de me indignar contra as seletividades e contra o deboche em relação ao povo que tem esperança, apesar do medo que diuturnamente lhe impingem.

• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
• Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Bob Fernandes: "Diante do Choque e Horror com Paris, cabe-nos uma reflexão: e por que, no Brasil, aceitamos, convivemos com média de quase 60 mil homicídios/ano?"

Horror com terror em Paris. Indiferença com Brasil e seus 10% de homicídios do mundo
Por Bob Fernandes via Facebook - 16/11/2015



Horror e Dor diante do Terror que matou 129 e feriu 350 em Paris. Tanto Ódio, Terror e Horror nascem da história do hoje, e do ontem já secular.

Mas, seja a violência histórica ou a dos homens-bomba e seus fuzis, seja a das invasões ou dos assépticos aviões drone e seus defeitos "colaterais", não há desculpa aceitável.

Seja em nome de Deus, ou de "valores" agora tão citados, violência retroalimentando violência é imperdoável. Aceitar é negar a Vida.


Diante do Choque e Horror com Paris, cabe-nos uma reflexão: e por que, no Brasil, aceitamos, convivemos com média de quase 60 mil homicídios/ano?

Na média, mais de 160 homicídios/dia. No Brasil, responsável por 10% dos homicídios do mundo, se assassina uma "Paris" e mais 30 pessoas por dia.

Nesse final do ano em que nos chocamos com o Horror na França, chegaremos a um milhão e meio de homicídios em três décadas e meia... Um Genocídio.

E diante de ampla indiferença, porque quase sempre nas periferias, nas "quebradas" de pobres e miseráveis.

Depois de uma das nossas chacinas alguém cometeu uma explicação: "...ora, porque isso não é mais notícia..."

A frase é um tratado sobre a cultura de indiferença e desprezo. Indiferença que anestesia consciências e impede a percepção do que avança.

Organizações em estágio pré-mafioso, PCC e Comando Vermelho, entre outras, já governam periferias e presídios. E a reação é como se não houvesse o amanhã.

A organização Human Rights Watch informa: em Pernambuco, 32 mil presos se amontoam onde caberiam 10 mil e 500.

O presidio de Igarassu têm 3.800 presos onde cabem 426. Quem "governa" o presídio são 27 presos.

Eles têm as chaves e comandam pavilhões, e milícias. São chamados de "chaveiros" ... Multiplicam-se denúncias de estupros coletivos.

Em Pedrinhas, no Maranhão, dois presos desapareceram, sobraram só pedaços. Relatos internos de canibalismo. Teriam sido cozinhados e comidos.

Natural, humano, o Horror com o Terror em Paris. Assustadora, e reveladora, a indiferença com o Genocídio e o Horror cotidianos no Brasil.

domingo, 15 de novembro de 2015

Coincidência? Na véspera de ser demitido da GloboNews Sidney Rezende criticou o pensamento único da mídia, em seu blog pessoal, com o post intitulado “Chega de notícias ruins” - “Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também”.


Chega de notícias ruins

Sidney Rezende - SRZD - 12/11/2015 - 09H54

Em todos os lugares que compareço para realizar minhas palestras, eu sou questionado: "Por que vocês da imprensa só dão 'notícia ruim'?"

O questionamento por si só, tantas vezes repetido, e em lugares tão diferentes no território nacional, já deveria ser motivo de profunda reflexão por nossa categoria. Não serve a resposta padrão de que "é o que temos para hoje". Não é verdade. Há cinismo no jornalismo, também. Embora achemos que isto só exista na profissão dos outros.

Os médicos se acham deuses. Nós temos certeza!

Há uma má vontade dos colegas que se especializaram em política e economia. A obsessão em ver no Governo o demônio, a materialização do mal, ou o porto da incompetência, está sufocando a sociedade e engessando o setor produtivo.

O "ministro" Delfim Netto, um dos mais bem humorados frasistas do Brasil, disse há poucas semanas que todos estamos tão focados em sermos "líquidos" que acabaremos "morrendo afogados". Ele está certo.

Outro dia, Delfim estava com o braço na tipoia e eu perguntei: "o que houve?". Ele respondeu: "está cada vez mais difícil defender o governo".

Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também.
Charge Laerte Coutinho
O Governo acumula trapalhadas e elas precisam ser noticiadas na dimensão precisa. Da mesma forma que os acertos também devem ser publicados. E não são. Eles são escondidos. Para nós, jornalistas, não nos cabe juízo de valor do que seria o certo no cumprimento do dever.

Se pesquisarmos a quantidade de boçalidades escritas por jornalistas e "soluções" que quando adotadas deram errado daria para construir um monumento maior do que as pirâmides do Egito. Nós erramos. E não é pouco. Erramos muito.

Reconheço a importância dos comentaristas. Tudo bem que escrevam e digam o que pensam. Mas nem por isso devem cultivar a "má vontade" e o "ódio" como princípio do seu trabalho. Tem um grupo grande que, para ser aceito, simplesmente se inscreve na "igrejinha", ganha carteirinha da banda de música e passa a rezar na mesma cartilha. Todos iguaizinhos.

Certa vez, um homem público disse sobre a imprensa: "será que não tem uma noticiazinha de nada que seja boa? Será que ninguém neste país fez nada de bom hoje?". Se depender da imprensa brasileira, está muito difícil achar algo positivo. A má vontade reina na pátria.

É hora de mudar. O povo já percebeu que esta "nossa vibe" é só nossa e das forças que ganham dinheiro e querem mais poder no Brasil. Não temos compromisso com o governo anterior, com este e nem com o próximo. Temos responsabilidade diante da nação.

Nós devemos defender princípios permanentes e não transitórios.

Para não perder viagem: por que a gente não dá também notícias boas?



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Zelotes."No CARF, para “levar algum”, não era preciso licitação, nem contratos, nem o suposto pagamento de propina em forma de doação eleitoral, tese a cada dia mais distante de se provar ou sustentar juridicamente."

NO ESCÂNDALO DO CARF, O QUE IMPORTA SÃO OS BILHÕES.
Mauro Santayana - 13/11/2015

Em novembro de 2011, em matéria escrita para este blog, CARF PERDOA 4 BILHÕES DE REAIS EM IMPOSTOS DO SANTANDER republicada, entre outros lugares, pelo Correio do Brasil, já chamávamos - com estranheza e desconfiança – a atenção para a generosidade do CARF – o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, em decidir perdoar – por votação surpreendentemente unânime - uma gigantesca dívida de impostos no valor de 4 bilhões de reais do banco espanhol Santander para com o governo brasileiro.

Embora se tratasse de uma enorme quantia, de bilhões de dólares, considerando-se o câmbio da época, cujo não pagamento deu um prejuízo aos cofres públicos muito superior ao dos recursos supostamente “recuperados” – incluindo multas e outros expedientes não diretamente ligados a desvios - na Operação Lava-a-Jato até agora, a grande mídia - que hoje não deixa passar em branco quantias de algumas centenas de milhares de reais, desde que se relacionem ao caso julgado pelo Juiz Sérgio Moro, mal noticiou o assunto nem se manifestou com relação ao fato.

Hoje, quatro anos depois, levantamento do Ministério da Fazenda, divulgado pelo "Congresso em Foco", aponta que, apenas entre 2004 e 2015 – e por que não apurar também o período do governo FHC? – passaram pelas mãos dos conselheiros do CARF o julgamento de dívidas contestadas no valor de mais de 524 bilhões de reais, mais de 5 vezes os fantásticos números aventados em diferentes ocasiões por participantes da operação Lava-a-Jato, que até agora não passam, comprovadamente, de algumas centenas de milhões de reais, e que tem sido inflados midiaticamente, com a inclusão de acordos de leniência e a ameaça de multas, agora extensível não apenas a empresas – que doam a gregos e troianos porque não sabem quem vai ganhar cada eleição – mas também partidos políticos (só da situação, é claro).

O importante, no gigantesco montante do escândalo do CARF, é saber – como no caso do Santander – qual foi, percentualmente, o dinheiro “perdoado”, nesse mais de meio trilhão de reais.

Afinal, é muito mais provável que tenha havido corrupção de grandes proporções no CARF do que no âmbito do que está sendo investigado pela Operação Lava-a-Jato.

É muito mais fácil pedir a vista de um processo, emitir um parecer favorável, ou um exame de admissibilidade, ou perdoar uma dívida dentro de uma sala fechada, de forma combinada, com outras pessoas com as quais se trabalha há anos, do que vencer uma licitação para a construção de uma refinaria, de uma hidrelétrica, de um porto, de um navio, de uma plataforma de petróleo, de uma sonda petrolífera, da duplicação de uma rodovia, da construção de um novo trecho de ferrovia, de uma obra no exterior, com a diferença de que no primeiro caso, o lucro para o país foi zero, e no segundo, as obras da Petrobras e do PAC – que se tentam interromper e colocar aleatória e amplamente sob suspeição - geraram centenas de milhares de empregos, em um esforço coordenado de modernização da infra-estrutura nacional que vai beneficiar o país por dezenas de anos.

No CARF, para “levar algum”, não era preciso licitação, nem contratos, nem o suposto pagamento de propina em forma de doação eleitoral, tese a cada dia mais distante de se provar ou sustentar juridicamente.

O sujeito - ou a empresa – devia milhões, dezenas de milhões, centenas de milhões, ou vários bilhões de reais para o governo, recorria a um conselho absurdamente formado por meia dúzia de iluminados, nenhum deles guindado a tal posto por concurso público, e suas dívidas eram julgadas improcedentes ou perdoadas, aos bilhões, com repasse de comissões para quem eventualmente decidisse a seu favor, ou levasse o grupo a fazê-lo.
Charge: Pataxo Cartoons
No entanto, estranha que a Operação Zelotes – e o caso CARF – continuem a obter – pelo menos nas aparências – muito menos atenção do que a Operação Lava-a-Jato.

E, também, que, nessa pouca atenção recebida, apesar de quase 600 bilhões de reais envolvidos, a Justiça e a imprensa dediquem tanto trabalho e tanta atenção, a um milhão e quinhentos mil reais recebidos pela empresa do filho de certo ex-presidente da República.

Um empresário que – mesmo que não tenhamos nenhum motivo para colocar em dúvida sua lisura - faria um grande desfavor aos adversários de seu pai se fechasse suas empresas e abandonasse a iniciativa privada.

Afinal, deveria preocupar mais à imprensa e à opinião pública, saber o que está por trás dos 4 bilhões de reais perdoados ao Santander – quem assinou essa decisão e se houve eventualmente enriquecimento ilícito – beneficiando um banco eivado de escândalos em sua história no exterior, que até hoje está sendo processado por “tungar” as ações que pertenciam a milhares de aposentados do Banespa - criminosamente privatizado no governo de Fernando Henrique Cardoso.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Cidadania - Senado aprova lei que regulamenta direito de resposta a ofendidos pela mídia. Se ganhar na Justiça o direito de resposta, o ofendido poderá gravar vídeo, áudio ou mesmo ocupar a bancada de um telejornal para ler sua resposta.

Senado aprova lei que regulamenta direito de resposta a ofendidos pela mídia
EBC - 04/11/15 - Por Mariana Jungmann Edição:Armando Cardoso Fonte:Agência Brasil

O plenário do Senado aprovou hoje (4) projeto do senador Roberto Requião (PMDB-PR) regulamentando o direito de resposta nos meios de comunicação, mas exclui os comentários feitos por usuários da internet nas páginas eletrônicas dos veículos de comunicação social.

O texto determina o direito de resposta à pessoa (física ou jurídica) ofendida por qualquer reportagem, nota ou notícia “divulgada por veículo de comunicação social, independentemente do meio ou plataforma de distribuição, publicação ou transmissão que utilize, cujo conteúdo atente, ainda que por equívoco de informação, contra a honra, intimidade, reputação, conceito, nome, marca ou imagem”.

De acordo com a proposta, a resposta poderá ser divulgada, publicada ou transmitida no mesmo espaço, dia da semana e horário em que ocorreu o agravo e deverá ser exercida no prazo de 60 dias, “contados da data de cada divulgação, publicação ou transmissão da matéria ofensiva”.

Os senadores retiraram do texto uma modificação da Câmara, estabelecendo que a resposta seria divulgada por um representante do meio de comunicação e retomaram o texto original, que permite ao ofendido, no caso de veículo de mídia televisiva ou radiofônica, requerer o direito de responder ou fazer a retificação pessoalmente.

Desse modo, se ganhar na Justiça o direito de resposta, o ofendido poderá gravar vídeo, áudio ou mesmo ocupar a bancada de um telejornal para ler sua resposta.

Ao fim da votação, o senador Requião comemorou a aprovação e dedicou a nova lei ao falecido senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC). “Só quero oferecer este projeto à memória do senador Luiz Henrique da Silveira, agredido, sem a menor possibilidade de resposta. Ele morreu magoado por não ter tido o direito ao contraditório e o direito de defesa”, afirmou Requião.


O texto segue para sanção presidencial e, em seguida, para publicação no Diário Oficial da União.

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Roberto Requião dedicou o projeto ao senador Luiz Henrique da Silveira, falecido em maio deste ano pouco tempo após enfrentar denúncias do uso da sua influência para encaminhar pacientes a hospital público.


20 anos do dia em que Brizola venceu a Globo. O milagre em que nem a gente acreditava

Fernando Brito - Tijolaço - 15/03/2014


Hoje, se completam 20 anos do dia em que Cid Moreira, com seu ar afetado e seus cabelos brancos (nem os muito velhos se lembram dele de cabelos pretos…), começou a ler o histórico direito de resposta de Leonel Brizola no Jornal Nacional.

Foi a penúltima vitória do guri que saiu de Carazinho para enfrentar o mundo, um quixote gaúcho, do tempo em que os gaúchos eram quixotes e provocavam os versos geniais do pernambucano Ascenso Ferreira: Riscando os cavalos!/Tinindo as esporas!/Través das cochilhas!/Sai de meus pagos em louca arrancada!/— Para que?/— Pra nada!

Durante 22, 23 anos, convivi com ele, 19 dos quais diariamente.

Praticamente formei, com ele, a minha vida adulta, pois era um garoto de 22 anos quando esse contato começou, numa reunião num apartamento na Rua Cabuçu, no Lins de Vasconcellos, subúrbio da Zona Norte carioca.