sexta-feira, 9 de maio de 2014

Os gêmeos ideológicos (Aécio e Eduardo Campos) e a mídia complacente desconversam sobre os efeitos indigestos da receita que anunciam como se fosse um biscoito fino para o país.

Uma receita para a desigualdade
Saul Leblon - Carta Maior - 07/05/2014
Os gêmeos ideológicos e a mídia complacente desconversam sobre os efeitos indigestos da receita que anunciam como se fosse um biscoito fino para o país.

O conservadorismo costuma se declarar vítima do maniqueísmo que regularmente carimbaria na testa de seus candidatos rótulos depreciativos aos olhos da população.

Elitistas e entreguistas, por exemplo.

O problema real parece ser outro. Candidaturas conservadoras mostram dificuldade para conciliar o discurso de palanque com a identidade do projeto que defendem para o país.

Na história recente tornou-se emblemático o caso do governador Geraldo Alckmin.

Presidenciável tucano em 2006, ele se fantasiou com adesivos de estatais brasileiras na vã tentativa de afastar compreensíveis suspeitas do eleitor.

Convenceu tanto quanto o lobo vestido de vovozinha na história da Chapeuzinho Vermelho.

Ou então Serra. Em 2010, já descendo a ladeira, aliado ao humanista bispo Malafaia para atacar gays, aborto e petistas, o tucano chegou a acenar com um gesto generoso.

O governo propunha então R$ 538 reais para o salario mínimo válido a partir de 2011, um valor calculado conforme a regra pactuada com CUT e sindicatos quatro anos antes.

‘Acho pouco’, disse o tucano e sapecou:

‘Vou fixar em R$ 600 reais’ (veja aqui: www.youtube.com/watch?v=qzyOIv--uKw).

Não contente, prometeu um aumento de 10% para os aposentados.

E arrematou com o compromisso de incluir 15 milhões no Bolsa Família (o programa reunia então 12,3 milhões; hoje são 13, 8 milhões), ademais de assegurar um 13º pagamento a todos os beneficiados.

Digamos que Dilma tomasse decisão semelhante hoje.

Uma visão holística do socialismo. Ou: zen socialismo

Uma visão holística do socialismo. Ou: zen socialismo

Por Cynara Menezes - CartaCapital - 06/05/2010 

Muitos leitores, sobretudo os jovens, me perguntam o que é o socialismo que defendo. Quando “o comunismo chegar”, como é que vai ser? Os ricos vão ser mortos? O Brasil vai virar uma Cuba ou uma Coreia do Norte? Meu Iphone será confiscado? Enfim, todo tipo de pergunta. Não sou nenhuma teórica, mas vou falar aqui como eu vejo o socialismo à luz do século 21.

Em primeiro lugar, não acredito em revolução, mas em revoluções. Acho que a ideia de que a classe trabalhadora irá se levantar e tomar o poder foi superada, pelo menos em um futuro próximo –não posso falar do que pode acontecer daqui a 300 anos. No entanto, acredito ser possível revolucionar, sob inspiração socialista, vários setores da sociedade: a educação e a saúde, por exemplo. Os socialistas defendem que a educação e a saúde sejam universais. Isso significa que devem ser públicas e gratuitas. Capitalistas acham que não.

Socialistas também defendem que todos tenham acesso à terra para plantar. Por que seria necessário matar alguém para isso, se pode ser feita uma reforma agrária de maneira perfeitamente legal, pelo Congresso, tirando o excesso de terras em mãos de latifundiários e redistribuindo para quem precisa? O mundo mudou e os socialistas mudaram com ele –quem continua a matar gente é o capitalismo. Outra revolução possível no campo seria garantir que a nossa comida não seja alvo de experimentos científicos motivados pela vontade de produzir mais para ganhar mais dinheiro, sem nenhuma preocupação com o bem-estar do ser humano. Capitalistas não estão nem aí para isso. Socialistas, sim.

No socialismo moderno, não enxergo a necessidade de se “eliminar” os ricos ou de “reeducá-los”, como se defendia nos primórdios. O que tem que ser feito com os ricos é fazê-los pagar os impostos que nos devem, proporcionalmente à fortuna que acumularam. Não é possível que gente bilionária pague os mesmos impostos que todo mundo. É claro que esse tipo de distorção precisa ser corrigida. Os ricos do Brasil pagam menos imposto até mesmo que os ricos de outros países. Quem você acha que está interessado em acabar com essa injustiça? Os capitalistas é que não.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Colunista tucana, Eliane Cantanhêde, da Folha de SP, aborda o “sincericídio” de Aécio e Eduardo Campos e passa recibo da grande discussão que o PT levará à campanha eleitoral: Desde a eleição de Lula em 2002, o Estado brasileiro deixou de empurrar para o povo o custo de crises econômicas internas ou externas.

“Sincericídio” de Aécio e Eduardo permeará o debate eleitoral
Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania - 06/05/2014
Aécio e Eduardo Campos no Fórum de Comandatuba
PSDB, PSB, suas respectivas militâncias e a mídia tucana andam eufóricos com pesquisas eleitorais esquisitas, feitas para produzir números favoráveis àquele que este Blog sempre disse que seria o candidato dessa mídia (Aécio Neves). Os mais afoitos já dão até como certo que a eleição acabou e o tucano já se elegeu presidente.

Há, também, os que veem maior potencial em Eduardo Campos, que teria mais possibilidades de crescer por ser “desconhecido”, como se um candidato se fazer conhecer tivesse que ser necessariamente positivo para ele, quando, muitas vezes, quanto mais conhecido um candidato for menos aceito ele será.

Aliás, vale lembrar que Aécio também está no mesmo processo de se tornar conhecido em que está Eduardo. E é aí que a situação se complica para ambos.

Não vale tratar dos boatos sobre a vida íntima de Aécio, por exemplo. Não é por aí que se deve atuar. Boatos sobre a vida pessoal de um candidato são armas que podem ser usadas contra qualquer lado. É melhor se ater à natureza político-ideológica de cada um.

Nesse aspecto, começa a ganhar fôlego o que está sendo chamado de “sincericídio” de Aécio e Eduardo, que vêm dando palestras a empresários para lhes afiançar que, se eleitos, não hesitarão, “como Dilma”, em adotar “medidas impopulares” ou “amargas”.

Em pronunciamento recente, Dilma Rousseff não perdeu a chance de dizer que seu governo nunca cogitou – nem vai cogitar – adotar medidas “impopulares” ou “amargas”.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Somos Todos Macacos Coisa Nenhuma

#Somos Todos Macacos Coisa Nenhuma
Marcos Sacramento - Diário do Centro do Mundo - 28/04/2014

Imagem: Facebook - Vitor Teixeira
A reação foi rápida. Horas depois de Daniel Alves reagir com maestria a uma provocação racista, Neymar postou no Instagram uma foto segurando uma banana com a hashtag “somostodosmacacos”. O protesto viralizou e ganhou a adesão de famosos: Luciano Huck e Angélica, Ivete Sangalo, Alexandre Pires e até Inri Cristo posaram com a banana.

Seria tudo lindo e altruísta não fossem duas coisas.

A primeira é que nós, negros e pardos, não somos e nem gostamos de ser chamados de macacos. Chamar uma pessoa de cor de macaco é um dos xingamentos mais comuns e cruéis. Coloca o negro em uma posição subalterna em relação ao branco, ao aludir a um animal que apesar de semelhante aos humanos está alguns andares abaixo na escala evolutiva. É pesado e cheio de subtextos, diferente de “tição”, por exemplo, que alude só ao tom da pele.

Admitir que “somos todos macacos” é uma defesa equivocada e perigosa. Equivocada porque nenhum racista questiona que os humanos são primatas. Perigosa porque traz o significado implícito de que somos todos iguais, mas para combater o racismo de frente é melhor destacar as diferenças.

O outro problema é que o movimento “Somos todos macacos” não foi tão espontâneo. A sacada de Neymar na verdade já estava planejada por uma agência de publicidade. Até aí tudo bem, porque as ofensas são tão corriqueiras que não surpreende deixar uma resposta pronta.

Só que hoje a grife do Luciano Huck lançou a camisa referente à campanha. Com uma estampa fazendo referência à manjada banana de Andy Warhol, está sendo vendida a 69 reais. A imagem promocional mostra um casal de modelos brancos.

sábado, 26 de abril de 2014

Corruptores. Convenção Antissuborno da OCDE está em vigor desde 1999, mas não impede casos como o do recente escândalo envolvendo o metrô de São Paulo. Prejuízo aos cofres públicos brasileiros estimados em R$ 580 milhões.

Corrupção corporativa dribla leis nos EUA e na Europa

Convenção Antissuborno da OCDE está em vigor desde 1999, mas não impede casos como o do recente escândalo envolvendo o metrô de São Paulo.

Marcel Gomes - Carta Maior - 24/04/2014 

São Paulo – Apesar de possuírem legislações anticorrupção mais antigas do que as brasileiras, países ricos reunidos na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) têm sido criticados pelos recentes casos de corrupção corporativa.

O caso mais recente desvendado teve o sistema metroviário paulista como alvo e envolveu multinacionais como a alemã Siemens, a canadense Bombardier, a espanhola CAF, a francesa Alstom e a japonesa Mitsui. Prejuízo aos cofres públicos brasileiros estimados em R$ 580 milhões.

O esquema, denunciado pela Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em troca de imunidade, envolveria a formação de um cartel para superfaturar contratos de linhas de trens e metrô, incluindo pagamento de subornos a funcionários públicos do governo de São Paulo.

Todos aqueles países, porém, são signatários da Convenção Antissuborno da OCDE, estabelecida em 1999 e que visava extinguir a tradicional prática de subornar funcionários públicos em países em desenvolvimento.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Executivos dos EUA ganham 331 vezes mais do que um trabalhador médio. A maior disparidade entre os países do ocidente. Em 1980, antes de o governo de Ronald Reagan (1981-1989), a diferença era de 42 vezes!

Executivos dos EUA ganham 331 vezes mais do que um trabalhador médio
Jim Lobe - IPS - Carta Maior - 18/04/2014

De todos os países do Ocidente, o que registra maior disparidade entre renda hoje em dia é os Estados Unidos, segundo várias medições e levantamentos.

Uma pesquisa divulgada nesta semana pela maior federação sindical dos Estados Unidos conclui que os diretores executivos das principais corporações do país ganharam 331 vezes mais dinheiro do que um trabalhador médio em 2013.

Segundo a base de dados de 2014 da Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO, na sua sigla em inglês), os executivos de 350 empresas do país ganharam em média 11,7 milhões de dólares no ano passado, em comparação com um trabalhador médio, que recebeu 35.293 dólares.

Esses mesmos chefes tiveram, aproximadamente, uma renda 774 vezes maior que os trabalhadores receberam no salário-mínimo federal por hora, 7,25 dólares, pouco mais de 15 mil dólares ao ano, de acordo com a base de dados.

Outra pesquisa das principais 100 corporações norte-americanas divulgada no domingo, 13, pelo New York Times concluiu que os ganhos médios de uma liderança dessas empresas no ano passado foi ainda superior: 13,9 milhões de dólares.

Esse relatório, o Equilar 100 CEO Pay Study, determina que, ao todo, esses altos executivos ganharam 1,5 bilhão de dólares em 2013, ainda mais do que no anterior. Como nos últimos anos, quem teve mais dinheiro foi Lawrence Ellison, diretor-executivo da Oracle: 78,4 milhões de dólares.

Os dois estudos, divulgados enquanto dezenas de milhões de pessoas fizeram sua declaração anual de impostos, colocam lenha no acalorado debate sobre o aumento da desigualdade de renda nos EUA. Esse fenômeno saltou para o primeiro plano com o movimento Occupy Wall Street de 2011.

O presidente Barack Obama a descreveu como “o desafio que define nosso tempo”, enquanto começa a campanha pelas eleições legislativas de meio de mandato. Ele tentou dar uma resposta aumentando o salário-mínimo e aumentando os benefícios por desemprego e o pagamento de horas extras aos trabalhadores federais, entre outras medidas.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Copa das Confederações já pagou estádios, diz estudo. Foram R$ 9,7 bilhões adicionados à economia até a véspera do evento. R$ 1 bilhão a mais do que a última estimativa. A expectativa é de que o Mundial gere resultado ao menos três vezes maior: R$ 30 bilhões para o PIB. Copa deve gerar 48 mil postos de trabalho no setor turístico

COPA DAS CONFEDERAÇÕES JÁ PAGOU ESTÁDIOS, DIZ ESTUDO

247 - 07/04/2014

Pesquisa que acaba de ser concluída pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) calcula que o impacto dos jogos da competição sediada no Brasil em 2013, durante duas semanas, foi de R$ 9,7 bilhões adicionados à economia até a véspera do evento, quase R$ 1 bilhão a mais do que a última estimativa do que se gastaria com a construção das arenas da Copa do Mundo; com base nesses números, expectativa é de que o Mundial gere resultado ao menos três vezes maior: R$ 30 bilhões para o PIB; "Os números demonstram que investir em turismo e em grandes eventos vale a pena", constata ministro do Turismo, Vinicius Lages


247 – O dinheiro injetado na economia brasileira por conta da Copa das Confederações, que durou duas semanas em 2013, em seis capitais, ultrapassou o valor que deverá ser gasto com a construção dos 12 estádios da Copa do Mundo. É o que revela um estudo que acaba de ser concluído pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que aponta que foram adicionados R$ 9,7 bilhões no País até a véspera do evento. Segundo a última estimativa oficial da Fifa, divulgada em janeiro, o custo dos estádios deverá ser de R$ 8,9 bilhões.

Encomendado pelo ministério do Turismo, o levantamento mostra que o gasto de turistas nacionais durante a Copa das Confederações chegou a R$ 346 milhões, enquanto os estrangeiros desembolsaram R$ 102 milhões no País. O evento gerou ainda 303 mil vagas de trabalho, 40% nas cidades-sede e 60% em outros locais. Os números finais são ainda mais positivos: considerado o efeito multiplicador do evento, ou seja, a partir do impacto na economia para cada real investido, o total movimentado foi de R$ 20,7 bilhões.

terça-feira, 1 de abril de 2014

1964: o uso dos militares pelos grupos civis reacionários. O que houve no Brasil não foi um golpe militar, mas um golpe de classe com uso da força militar.

1964: o uso dos militares pelos grupos civis reacionários
Leonardo Boff - 01/04/2014
Os 50 anos do golpe militar, pela violência que implicou, agora devidamente tirada a limpo pela Comissão Nacional da Verdade, não pode deixar nenhum cidadão honesto indiferente. Importa assinalar claramente que o assalto ao poder foi um crime contra a constituição e uma usurpação da soberania popular, fonte do direito num Estado democrático. O primeiro Ato Institucional de 9/4/1964 alijou esste princípio da soberania popular ao declarar que “a revolução vitoriosa como Poder Constituinte se legitima por si mesma”. Nenhum poder se legitima por si mesmo; só o fazem ditadores que pisoteiam qualquer direito. O golpe militar configurou uma ocupação violenta de todos os aparelhos de Estado para, a partir deles, montar uma ordem regida por atos institucionais, pela repressão e pelo Estado de terror.

Bastava a suspeita de alguém ser subversivo para ser tratado como tal. Mesmo detidos e sequestrados por engano como inocentes camponeses, para logo serem seviciados e torturados. Muitos não resistiram e sua morte equivale a um assassinato. Não devemos deixar passar ao largo, os esquecidos dos esquecidos que foram os 246 camponeses mortos ou desaparecidos entre 1964-1979. E agora está sendo descoberta a eliminação de muitos indígenas, tidos como empecilho ao crescimento econômico. Sobre alguns deles foram lançadas até bombas de napalm.

O que os militares cometeram foi um crime lesa-pátria. Alegam que se tratava de um estado de guerra, um lado querendo impor o comunismo e o outro defendendo a ordem democrática. Esta alegação não se sustenta. O comunismo nunca representou entre nós uma ameaça real pois qualquer manifestação neste sentido foi brutalmente reprimida, não sem o apoio da CIA dos EUA. Na histeria do tempo da guerra-fria, todos os que queriam reformas na perspectiva dos historicamente condenados e ofendidos – as grandes maiorias operárias e camponesas – eram logo taxados de comunistas e de marxistas, mesmo que fossem bispos como o insuspeito Dom Helder Câmara.