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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

"Querer exigir que a autoridade monetária do país elevasse uma taxa de juros que já se encontra na estratosfera num mercado onde as causas básicas da inflação no atual cenário não encontra-se exatamente no consumo é exigir que o remédio seja substituído pelo veneno."

A ganância dos agentes que ditam as regras do mercado financeiro. 

Por Carlos Fernandes - Diário do Centro do Mundo - 21/01/2016
Charge: Cicero - Correio Brasiliense

O “Day After” da manutenção da taxa básica de juros da economia nos já obscenos 14,25% pelo Banco Central do Brasil revela a ganância desenfreada dos agentes que ditam as regras no mercado financeiro.

Decepcionados com o fato de que perderam uma grande oportunidade de faturar ainda mais em ganhos de capital que nada produzem enquanto relaxam em seus iates milionários em algum paraíso do Caribe ou do Mediterrâneo, fizeram o dólar atingir um novo recorde na sua cotação frente ao real.

Essa é a lógica dos parasitas internacionais que vivem de manipular cotações ao redor do mundo e ganhar milhões com a especulação financeira, pouco importando a sanidade dos fundamentos econômicos dos países em que atuam.

Querer exigir que a autoridade monetária do país elevasse uma taxa de juros que já se encontra na estratosfera num mercado onde as causas básicas da inflação no atual cenário não encontra-se exatamente no consumo é exigir que o remédio seja substituído pelo veneno.

Incrível como essa gente ainda encontra defensores ardorosos na grande mídia nacional, nos oportunistas da oposição e numa turma de economistas conservadores que parecem desconhecer o mal causado pelo rentismo.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Os gêmeos ideológicos (Aécio e Eduardo Campos) e a mídia complacente desconversam sobre os efeitos indigestos da receita que anunciam como se fosse um biscoito fino para o país.

Uma receita para a desigualdade
Saul Leblon - Carta Maior - 07/05/2014
Os gêmeos ideológicos e a mídia complacente desconversam sobre os efeitos indigestos da receita que anunciam como se fosse um biscoito fino para o país.

O conservadorismo costuma se declarar vítima do maniqueísmo que regularmente carimbaria na testa de seus candidatos rótulos depreciativos aos olhos da população.

Elitistas e entreguistas, por exemplo.

O problema real parece ser outro. Candidaturas conservadoras mostram dificuldade para conciliar o discurso de palanque com a identidade do projeto que defendem para o país.

Na história recente tornou-se emblemático o caso do governador Geraldo Alckmin.

Presidenciável tucano em 2006, ele se fantasiou com adesivos de estatais brasileiras na vã tentativa de afastar compreensíveis suspeitas do eleitor.

Convenceu tanto quanto o lobo vestido de vovozinha na história da Chapeuzinho Vermelho.

Ou então Serra. Em 2010, já descendo a ladeira, aliado ao humanista bispo Malafaia para atacar gays, aborto e petistas, o tucano chegou a acenar com um gesto generoso.

O governo propunha então R$ 538 reais para o salario mínimo válido a partir de 2011, um valor calculado conforme a regra pactuada com CUT e sindicatos quatro anos antes.

‘Acho pouco’, disse o tucano e sapecou:

‘Vou fixar em R$ 600 reais’ (veja aqui: www.youtube.com/watch?v=qzyOIv--uKw).

Não contente, prometeu um aumento de 10% para os aposentados.

E arrematou com o compromisso de incluir 15 milhões no Bolsa Família (o programa reunia então 12,3 milhões; hoje são 13, 8 milhões), ademais de assegurar um 13º pagamento a todos os beneficiados.

Digamos que Dilma tomasse decisão semelhante hoje.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Paul Krugman. Juros baixos = a eutanásia do rentista = eutanásia do poder opressor cumulativo do capitalista para explorar o valor da escassez de capital. Eles não estão dispostos a aceitar graciosamente sua eutanásia.

"Descrevi em diversas ocasiões como os defensores do dinheiro justo estão constantemente mudando de argumentos – tem a ver com a inflação; não, tem a ver com o funcionamento robusto do mercado; não, tem a ver com estabilidade financeira –, mas sempre com a mesma conclusão: as taxas têm de subir já."

"Bem, o que eu acho que estamos ouvindo são as vozes dos rentistas – e daqueles que, explícita ou implicitamente, trabalham para eles – pedindo seu direito natural a ganhar bons retornos mesmo que o recurso que eles controlam não seja mais escasso, na verdade. Eles não estão dispostos a aceitar graciosamente sua eutanásia." 

A eutanásia do rentista
por Paul Krugman  - CartaCapital - 03/02/2014

O fim do direito natural a bons retornos de capital com juros altos não será aceito graciosamente

Um leitor citou recentemente John Maynard Keynes: “Os principais erros da sociedade econômica em que vivemos são seu fracasso em oferecer pleno emprego e sua distribuição arbitrária e desigual de riqueza e rendas”. É claro que também é uma citação perfeita para nosso tempo. Está no último capítulo da Teoria Geral, o qual definitivamente suporta uma releitura à luz dos debates atuais.

Pois o que Keynes descreve nesse capítulo é basicamente uma condição da estagnação secular – de retornos de investimentos constantemente baixos, combinados com um excedente crônico de poupança. Ele acreditava, em 1936, que essa seria a situação dos negócios durante as décadas seguintes, e é claro que errou nisso. Mas não errou sobre a possibilidade dessa situação, e desde que Larry Summers, o ex-secretário do Tesouro, se revelou um estagnacionista secular algum tempo atrás, a visão de que talvez estejamos nela agora tornou-se corrente dominante.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Iluminando a "aula" de FHC no Estadão de domingo. No artigo "Mudar o rumo", o príncipe dos sociólogos critica a política externa, balança comercial, política do pré-sal para a Petrobras e inflação! Será que ele esqueceu que nos seus últimos quatro anos de governo a inflação foi de 8,9% (1999), 6,0%(2000), 7,7%(2001) e 12,5%(2002)?

Para Fernando Henrique, “mudar o rumo” é “voltar atrás no tempo”
Hayle Gadelha - Blog do Gadelha  05/01/2014


O artigo de Fernando Henrique Cardoso publicado neste domingo ("Mudar o rumo") é de uma ousadia monumental. Começa pela chamada: “a política externa precisa rever seu foco”. Qual foco? Aquele do seu Ministro das Relações Exteriores, que tirou os sapatos para poder entrar nos Estados Unidos? Política de submissão geopolítica? Ficar de braços cruzados enquanto os Estados Unidos espalham bases em torno do Brasil e ficam de olho grande no Atlântico Sul?

Dando continuidade a sua “aula”, FHC escreve:“Para que exportemos mais e para dinamizar nossa produção para o mercado interno, a ênfase dada ao consumo precisará ser equilibrada por maior atenção ao aumento da produtividade, sem redução dos programas sociais e demais iniciativas de integração social”.
Exportemos mais? Nos seus governos, o ano em que exportamos mais foi 2002, com pouco mais de 60 bilhões de dólares. Desde 2005, nunca mais exportamos menos do que 118 bilhões de dólares e em 2013 exportamos mais de 242 bilhões de dólares.

Sobre a participação da Petrobras nos leilões do pré-sal, escreve: “A imposição de que a Petrobras seja operadora única e responda por pelo menos 30% da participação acionária em cada consórcio, somada ao poder de veto dado às PPSA nas decisões dos comitês operacionais, afugenta número maior de interessados nos leilões do pré-sal, reduz o potencial de investimento em sua exploração e diminui os recursos que o Estado poderia obter com decantado regime de partilha”. Como reduz?!? O Estado torna-se sócio, participando diretamente dos ganhos. Além disso, a Petrobras é uma das maiores empresas do mundo, domina como ninguém a exploração em águas profundas e tem realizado um trabalho excepcional para o país. Se ela não serve para essa função, quem mais serviria?

Ataca também a inflação, que, segundo ele, só não estaria fora da meta “porque os preços públicos estão artificialmente represados”. Será que ele esqueceu que nos seus últimos quatro anos de governo a inflação foi de 8,9% (1999), 6,0%(2000), 7,7%(2001) e 12,5%(2002)? Isso apesar das taxas de juros altíssimas: 18,99% (dez/1999), 15,76% (dez/2000), 19,05%(dez/2001) e 24,9% (dez/2002).

Fernando Henrique tem a suprema ousadia de encerrar seu artigo dizendo que a esperança que tem é a da vitória das oposições em 2014. Ou seja, quer sua turma de volta ao poder. Mas para que ninguém perca o rumo por causa dessas loucuras de verão de um ex-presidente, reapresento algumas manchetes da Folha de 3 de março de 1999:

Nesse túnel do tempo ninguém quer entrar. O povo é contra o "meia-volta, volver"" da oposição.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Saul Leblon. Mídia e mercados: é hora de tirar uma lasca do Brasil. Um pedaço do pré-sal, talvez. Ou um naco das reservas em dólar. Quem sabe um escalpo extra da população para atingir ‘a meta cheia’ do superávit fiscal.

"Se é para tirar uma lasca do país, há que ser agora, na turbulência que o ajuste de ciclo internacional provoca nos portfólios especulativos.
Depois pode ficar tarde.
Um jornalismo rudimentar no conteúdo, ressalvadas as exceções de praxe, mas prestativo na abordagem, reveste esse assalto com uma camada de verniz naval de legitimidade incontrastável." 

Mídia e mercados: é hora de tirar uma lasca do Brasil
Saul Leblon - Carta Maior - 17/08/2013
O capital parasita – leia-se, rentistas, especuladores e a república dos acionistas sem pátria – acha que chegou a hora de tirar uma lasca do Brasil.

Um pedaço do pré-sal, talvez. Ou um naco das reservas em dólar. Quem sabe um escalpo extra da população para atingir ‘a meta cheia’ do superávit fiscal.

Os preparativos para o assalto começaram há algumas semanas; deixaram os rastros de sempre nas manchetes nada sutis do jornalismo ‘especializado’.