domingo, 8 de fevereiro de 2015

O auto-de-fé de Graça Foster. O enredo de sua vida que bem poderia sugerir uma homenagem de uma escola de samba, acabou destruído pelo fogo inquisidor. As fogueiras foram substituídas pelas capas de jornais e revistas. Virou máscara de carnaval e viu, do seu apartamento, dezenas de pessoas a lhe atacar a honra e a dignidade.

O auto-de-fé de Graça Foster
"O enredo de sua vida que bem poderia sugerir uma homenagem de uma escola de samba, acabou destruído pelo fogo inquisidor. Muitas daquelas pessoas que lá foram a sua casa, não seriam capazes de fazer um escracho em frente à casa de um torturador da época da ditadura, mas foram capazes de insultar uma mulher que foi vítima de injusta campanha vilipendiosa.

Estamos todos a pequeno um passo midiático de sermos tidos por corruptos e criminosos. Saiu uma nova delação, mas qual? As capas de revistas e jornais prescindem de realidade concreta, basta a manchete. Para justificá-la, apenas se diz que Sicrano envolveu o nome de Fulano em uma delação premiada e pronto.
"

Por Patrick Mariano - Justificando - 07/02/2015


Nelly Senff é uma doutora em engenharia química que em 1975 resolve sair do leste para oeste de Berlim em busca de uma nova vida com o filho Alexej, após a morte do namorado. A vida nova na Alemanha Ocidental esbarra na difícil experiência de morar em um centro de refugiados e nos intermináveis e torturantes interrogatórios a que é submetida.

Aos poucos, descobre que a burocracia estatal da qual quis fugir e a insensibilidade impregnada nos procedimentos e processos administrativos não é muito diferente de um lado a outro. No Ocidente, fica à mercê do serviço secreto dos EUA que impiedosamente a coloca num jogo cruel de incontáveis interrogatórios sobre seu namorado. A ação faz com que Nelly desenvolva o medo e a desconfiança de tudo e de todos, até mesmo sobre a veracidade da morte do pai de seu filho. O processo pode despertar quadros paranoicos e isso Kafka bem ilustrou.


Tudo isso se passa no filme Westen (Alemanha, 2013), de Christian Schwochow. O filme faz parte da nova safra de filmes alemães e retrata, com profundidade, o drama do sujeito face ao estado. A luta é desigual e, quando não se dá em conformidade as regras estabelecidas, causa dor, sofrimento e a destruição do outro.

Nelly fugia de algo que ultrapassava as fronteiras e mal sabia que a sedução do poder punitivo sem freios é capaz de atravessar regimes e ideologias políticas.

Vivemos tempos parecidos. Existem algumas semelhanças entre a personagem do filme e Graça Foster, para além do fato de ambas serem engenheiras químicas. A personagem brasileira foi condenada sem julgamento por fatos que sequer participou. Como Nelly, sem sequer saber do que era acusada, passou meses sendo defenestrada na “opinião pública”, virou máscara de carnaval e viu, do seu apartamento, dezenas de pessoas a lhe atacar a honra e a dignidade.

De Foster pode se dizer (embora questionável seja) que não tenha sabido gerir uma empresa no momento de sua maior crise, mas não é disso que se trata. As pessoas que foram à sua residência não traziam cartazes escrito[1]: “má gestora”. Entre os inquisidores que foram a rua se ouvia:

“a gente quer que ela abra a boca e conte [o que sabe sobre os esquemas de corrupção dentro da estatal] e deixe de blindar os envolvidos. Ela está envergonhando todo mundo”.

E nas janelas, moradores aplaudiam o protesto e gritavam:

“Ô Graça Foster, você vai ver, o seu vizinho tem vergonha de você”.

Aqui há muitas semelhanças com as cerimônias de penitência (auto-de-fé) ocorridos na península ibérica séculos atrás. As fogueiras foram substituídas pelas capas de jornais e revistas.

Poucos ali sabiam que Maria das Graças Silva Foster saiu do interior de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, morou em favela da zona carioca e chegou a catar papelão e latas para contribuir na economia de casa até se tornar a primeira mulher a ocupar o cume da maior empresa brasileira.

O enredo de sua vida que bem poderia sugerir uma homenagem de uma escola de samba, acabou destruído pelo fogo inquisidor. Muitas daquelas pessoas que lá foram a sua casa, não seriam capazes de fazer um escracho em frente à casa de um torturador da época da ditadura, mas foram capazes de insultar uma mulher que foi vítima de injusta campanha vilipendiosa.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Terrorismo antinacional em curso. Quem quer o fim do Brasil? O Brasil não vai acabar em 2015. Mas se nada for feito para desmitificar a campanha antinacional em curso, poderemos, sim, assistir ao “fim do Brasil” como o conhecemos. É esse país – que em 11 anos aumentou sua economia em 400%, passou de devedor a credor do FMI e quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, que duplicou a safra agrícola, que reduziu a menos de 5% o desemprego – que malucos estão dizendo que irá “quebrar” em 2015

Quem quer o fim do Brasil?

Mauro Santayana - Rede Brasil Atual - 31/01/2015 

Combate à corrupção deve ser entendido como meio de sanar nossas grandes empresas, públicas e privadas, não de inviabilizá-las como instrumentos estratégicos

É esse país – que em 11 anos aumentou sua economia em 400%, passou de devedor a credor do FMI e quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, que duplicou a safra agrícola, que reduziu a menos de 5% o desemprego – que malucos estão dizendo que irá “quebrar” em 2015

Já há alguns meses, e mais especialmente na época da campanha eleitoral, grassam na internet mensagens com o título genérico de “O Fim do Brasil”, defendendo a estapafúrdia tese de que a nação vai quebrar nos próximos meses, que o desemprego vai aumentar, que o país voltou, do ponto de vista macroeconômico, a 1994 etc. etc. – em discursos irracionais, superficiais, boçais e inexatos. Na análise econômica, mais do que a onda de terrorismo antinacional em curso, amplamente disseminada pela boataria rasteira de botequim, o que interessa são os números e os fatos.

Pedidos de falência caem 5,5% em 2014, revela Serasa Experian - Aqui: o levantamento histórico


Segundo dados do Banco Mundial, o PIB do Brasil passou, em 11 anos, de US$ 504 bilhões em 2002, para US$ 2,2 trilhões em 2013. Nosso Produto Interno Bruto cresceu, portanto, em dólares, mais de 400% em dez anos, performance ultrapassada por pouquíssimas nações do mundo. Para se ter ideia, o México, tão “cantado e decantado” pelos adeptos do terrorismo antinacional, não chegou a duplicar de PIB no período, passando de US$ 741 bilhões em 2002 para US$ 1,2 trilhão em 2013; os Estados Unidos o fizeram em menos de 80%, de pouco mais de US$ 10 trilhões para quase US$ 18 trilhões.

Em 11 anos, passamos de 0,5% do tamanho da economia norte-americana para quase 15%. Devíamos US$ 40 bilhões ao FMI, e hoje temos mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais. Nossa dívida líquida pública, que era de 60% há 12 anos, está em 33%. A externa fechou em 21% do PIB, em 2013, quando ela era de 41,8% em 2002. E não adianta falar que a dívida interna aumentou para pagar que devíamos lá fora, porque, como vimos, a dívida líquida caiu, com relação ao PIB, quase 50% nos últimos anos.

Em valores nominais, as vendas nos supermercados cresceram quase 9% no ano passado, segundo a Abras, associação do setor, e as do varejo, em 4,7%. O comércio está vendendo pouco? O eletrônico – as pessoas preferem cada vez mais pesquisar o que irão comprar e receber suas mercadorias sem sair de casa – cresceu 22% no ano passado, para quase US$ 18 bilhões, ou mais de R$ 50 bilhões, e o país entrou na lista dos dez maiores mercados do mundo em vendas pela internet.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Denúncia. Vem.aí "PRIVATARIA TUCANA II" - A "solução" para que a mídia e uma meia dúzia de expoentes do PSDB possam enriquecer de forma inimaginável com uma eventual privataria também na Petrobrás, é uma só: há que derrubar Dilma Rousseff e estraçalhar politicamente o PT. Aí estará aberto o caminho para o maior saque ao patrimônio público da história do Brasil.

"A “grande imprensa brasileira” já se beneficiou de privatizações antes. Ao longo da famigerada “privataria tucana”, levada ao cabo no fim do século passado pelo governo Fernando Henrique Cardoso, veículos de comunicação que divulgavam editoriais furiosos em favor das privatizações foram os primeiros a comprar o que estava sendo vendido a preço de banana."

Link: Geração Editorial - Brasil Privatizado
Eduardo Cunha é a chave da privataria na Petrobrás

Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania - 31/01/2015

No primeiro domingo de fevereiro, estará em jogo o destino do Brasil nos próximos quatro anos. O homem que ocupará o terceiro posto na linha sucessória da Presidência da República começa a ser definido. Eduardo Cunha, do PMDB (RJ), Júlio Delgado, do PSB (MG), e Arlindo Chinaglia, do PT (SP), disputarão a Presidência da Câmara dos Deputados.

A intensidade da disputa pelo cargo vem surpreendendo o país. Com foco em apenas 513 eleitores, a campanha eleitoral para definir o novo presidente da Câmara vem mobilizando recursos dignos – se é que cabe o termo – de uma eleição para o poder Executivo. Fortunas estão sendo gastas com jatinhos, salões de convenção em hotéis e mimos de toda sorte aos eleitores.

O que mais impressiona é que até o candidato governista vem alardeando “independência” do Planalto. O que antes chegou a ser um ativo, proximidade com o Planalto agora virou demérito.

O favorito para presidir a Casa continua sendo o candidato do PMDB. Desafeto declarado do Planalto, está sendo apoiado (veladamente) pela maioria do PSDB, que, pró-forma, diz apoiar o candidato socialista de Minas. Mas como a eleição do presidente da Câmara deve ir para o segundo turno, Cunha será o beneficiário dos votos tucanos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Nos EUA, crianças 'sem Deus' têm forte senso de moralidade. Um estudo de quase 40 anos da religião e da vida familiar indicou: altos níveis de solidariedade familiar, com proximidade emocional entre pais e jovens não religiosos, e fortes padrões éticos e valores morais transmitidos de uma geração para outra.

Nos EUA, crianças 'sem Deus' têm forte senso de moralidade

Phil Zuckerman - Paulopes - 25/01/2015

Mais crianças estão "crescendo sem Deus" do que em qualquer outro momento na história dos Estados Unidos. Elas são descendentes de uma população secular em expansão que inclui uma relativamente nova e crescente categoria de americanos chamada de nones. São assim apelidados porque afirmam não acreditar em "nada em particular", de acordo com estudo de 2012 pelo Centro de Pesquisas Pew.


O número de crianças sem religião tem aumentado significativamente desde a década de 1950, quando menos de 4% dos americanos relataram que cresceram em uma família não religiosa, segundo estudos recentes.

Esse número atingiu a casa dos dois dígitos quando um estudo de 2012 mostrou que 11% das pessoas nascidas depois de 1970 disseram que tinham sido criadas em lares seculares. Isso pode ajudar a explicar por que 23% dos adultos nos EUA afirmam não ter religião, e mais de 30% entre as idades de 18 e 29 dizem o mesmo.

Então como tem sido a formação moral dessas crianças que não oram antes das refeições nem vão à escola dominical? Vai indo muito bem, ao que parece.


Longe de ser disfuncional, niilista e sem rumo, sem a suposta retidão pregada pela religião, as famílias seculares estão proporcionando aos seus filhos uma sólida base moral, de acordo com o professor de sociologia Vern Bengston.

Por quase 40 anos, Bengston tem supervisionado o Estudo Longitudinal de Gerações, que se tornou o maior estudo da religião e da vida familiar conduzida em várias extratos geracionais nos Estados Unidos.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Obama apresenta medidas para aprofundar o socialismo na América. Barack quer o corte de impostos para as famílias pobres e de classe média e o aumento de tributação de grandes empresas e dos mais ricos, além do fim do embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba desde os anos 60, e o que é pior, ele quer o aumento do salário mínimo americano, pasmem senhores!

Obama apresenta medidas para aprofundar o socialismo na América
Professor Hariovaldo  - 22 de janeiro de 2015

Indo na contramão do mundo pós queda do Muro de Berlim, que luta para se livrar doWelfare State, dos direitos trabalhistas, saúde pública gratuita, taxação da riqueza, e de outras porcarias socialistas, Hussein Obama, já sob influência bolchevista cubana, quercolocar a América definitivamente no caminho do socialismo atroz e anacrônico ao introduzir as medidas rejeitadas pelos homens bons em seu país.


Com a mesma cantilena comunista de Maduro e Morales, Barack quer o corte de impostos para as famílias pobres e de classe média e o aumento de tributação de grandes empresas e dos mais ricos, além do fim do embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba desde os anos 60, e o que é pior, ele quer o aumento do salário mínimo americano, pasmem senhores!

Todos nós sabemos que este discurso de combater a desigualdade, além de falso, é mera verborragia comunista, uma vez que é salutar para a sociedade humana que somente os fortes sobrevivam, sendo portanto um processo natural que aqueles que decaiam para a pobreza, falta de recursos, incapacidade de pagar por boa comida e tratamento médico, etc, pereçam para que os bons avancem e não sintam o peso de carregar tais incapacitados.

Assim não dá, assim não pode, sabíamos que a verdadeira face do socialismo moreno quando fosse revelado ao mundo seria feia, mas não tão horrível assim como nos mostra a realidade, estamos afrontados com tamanha audácia bolchevista trazida por esse senhor aí que, definitivamente, não combina com a White House e suas mais legítimas tradições. É lamentável!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O terror, o ocidente, e a semeadura do caos. Estado Islâmico - Foram os EUA e a Europa que geraram e engordaram a cobra que ameaça agora devorar a metade do Oriente Médio, e seus filhotes, que também armam rápidos botes no velho continente.

O TERROR, O "OCIDENTE", E A SEMEADURA DO CAOS.

Mauro Santayana - 19/01/2015


Há alguns dias, terroristas franceses, ligados, aparentemente, à Al Qaeda, atacaram a redação do jornal satírico parisiense Charlie Hebdo, em represália pela publicação de caricaturas sobre o profeta Maomé.

Doze pessoas foram assassinadas, entre elas alguns dos mais famosos cartunistas e intelectuais do país, e dois cidadãos de origem árabe, um deles, estrangeiro, que trabalhava há pouco tempo na publicação, e um membro das forças de segurança que estava nas imediações.

Logo em seguida, houve, também, outro ataque, a um supermercado kosher na periferia de Paris, em que 4 judeus franceses e estrangeiros morreram.

Dias depois, milhões de pessoas, e personalidades de vários países do mundo, se reuniram nas ruas da capital francesa, para protestar contra o atentado, e se manifestar contra o terrorismo e pela liberdade de expressão.

Na mesma primeira quinzena de janeiro, explodiram carros-bomba, e homens-bomba, também ligados a grupos radicais islâmicos, no Líbano (Beirute), na Síria (Aleppo), na Líbia (Benghazi), e no Iraque (Al-Anbar), com dezenas de mortos, em sua maioria civis.

Mas, como sempre, não seria normal esperar que algum destes fatos tivesse a mesma repercussão do atentado em Paris, capital de um país europeu, ou que a alguém ocorresse produzir cartazes e neles escrever Je suis Ahmed, ou Je suis Ali, ou Je suis Malak, Malak Zahwe, a garota brasileira, paranaense, de 17 anos, que morreu na explosão  de um carro-bomba, junto com mais 4 pessoas (20 ficaram feridas), no dia 2 de janeiro, em Beirute.

No entanto, os homens, mulheres e crianças, mortos, todos os dias, no Oriente Médio e no Norte da África, são tão frágeis e preciosos, em sua fugaz condição humana,  quanto os que morreram na França,  e vítimas dos mesmos criminosos, criados pela onda de radicalização e rápida expansão do fundamentalismo islâmico, nos últimos anos.

Raivosas, autoritárias, intempestivas, numerosas vozes se alçaram, em vários países, incluído o Brasil, para gritar – em raciocínio tão ignorante quanto irascível – que o terrorismo não tem que ser “compreendido” e, sim, “combatido”.

Os filósofos e estrategistas chineses ensinam, há séculos, que sem conhecê-los, não é possível vencer os eventuais adversários, nem mudar o mundo.

Além disso, não podemos, por aqui, por mais que muitos queiram emular os países “ocidentais”, em seu ardoroso “norte-americanismo” e “eurocentrismo”, esquecer que existem diferenças históricas, e de política externa, entre o Brasil, os EUA, e países da OTAN como a França. 

Podemos dizer que Somos Charlie, porque defendemos a liberdade e a democracia, e não aceitamos que alguém morra por fazer uma caricatura, do mesmo jeito que não podemos aceitar que uma criança pereça bombardeada pela OTAN no Afeganistão ou na Líbia, ou porque estava de passagem, no momento em que explodiu um carro-bomba, por um posto de controle em Aleppo, na Síria.   

Mas é preciso lembrar que, ao contrário da França, nunca colonizamos países árabes e africanos, não temos o costume de fazer charges sobre deuses alheios em nossos jornais, não jogamos bombas sobre países como a Líbia, não temos bases militares fora do nosso território, não colaboramos com os EUA em sua política de expansão e manutenção de uma certa “ordem” ocidental e imperial, e, talvez, por isso mesmo – graças a sábia e responsável política de Estado, que inclui o princípio constitucional de não intervenção em assuntos de outros países – não sejamos atacados por terroristas em nosso território.

As raízes dos atentados de Paris, e do mergulho do Oriente Médio na maior, e, com certeza, mais profunda  tragédia de sua história, não está no Al Corão ou nas charges contra o Profeta Maomé, embora estas últimas possam ter servido de pretexto para ataques como o que ocorreu em Paris.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

2014, O ANO QUE NUNCA VAI ACABAR - O ANO DA DECADÊNCIA DA REVISTA VEJA - E 2014, que parecia ser o ano da glória de Aécio, termina de forma melancólica para o senador mineiro.

2014, O ANO QUE NUNCA VAI ACABAR

Lelê Teles - 247 - 29/12/2014

O ano em que o Brasil sediou, mais uma vez, uma copa do mundo e tomou uma surra em casa, é um ano para nunca mais se esquecer.

Mesmo porque é inútil tentar apagar a história.

Foi no ano da graça de 2014 que o mundo assistiu, estarrecido, ao desaparecimento de um gigantesco boing 777, lotado de passageiros.

Embora vivamos vigiados diuturnamente, com câmeras em satélites, drones, câmeras subaquáticas, em shoppings, ruas, praças, banheiros e até a novíssima e exclusiva glande angular, que criei para ser usada e introduzida em filmes pornôs, a aeronave esvaiu-se sem deixar rastro.

Com mil diabos!

Mas o Brasil, meus amigos, não ficou pra trás. Na terra do jabuti e da jabuticaba, um helicóptero com meia tonelada de cocaína também virou pó e desapareceu do mapa, embora tenha deixado muitos rastros.

Coisa do capeta.

O ANO DA DECADÊNCIA


A revistaveja, todos sabemos, em 2006 abandonou de vez o jornalismo e entrou no ramo do marketing, pessoal e político, construindo e destruindo reputações. Lembro-me de Alckmin, então candidato à presidência, na capa da revistona, estampada panfleticamente em todas as bancas de jornais e em outdoors, às vésperas das eleições.

Propaganda disfarçada de jornalismo. Mas deram com os burros n’água. Lula meteu vexosos 7x1 em Alckmin.

Em 2010, a revistona foi de Serra. Também na capa, foto meiga, mão no rosto, um doce; um leão comendo alface.

E com esse santinho do santíssimo Serra, deram novamente com os burros n’água. O careca foi surrado por Dilma com o mesmo placar de 7x1.

E em 2014, a superação.

Aécio na capa, olhos esbugalhados e fixos, dentes brancos, riso careta, rasgando a blusa e mostrando no peito a tecla verde das urnas.

Era só confirmar.

Às vésperas do pleito, os descarados mandaram, descaradamente imprimir e distribuir a mais abjeta de todas as capas, só a capa, uma vez que não tinha conteúdo jornalístico a peça, tratava-se simplesmente de um endiabrado santinho.

Com esse inusitado panfleto, a revistaveja esticou a corda, testou até o limite o seu poder de influência e manipulação.

E, novamente, deu com os burros n’água.

Este ano, o PT chegou à quarta vitória consecutiva. Da varanda de casa dava pra ouvir Galvão Bueno gritar eufórico, abraçado ao Rei Pelé: “É tetraaaa, é tetraaaa”.

Durma com um barulho desses.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Saudades dos aviões da Panair: os empresários que não toparam pagar pau para a Ditadura. Empresários que, segundo o relatório da CNV, não fizeram como Roberto Marinho, do jornal “O Globo”, que não hesitou em apoiar a conspiração e o golpe de 1964. Dentre eles, Mario Wallace Simonsen (1909-1965) e Celso da Rocha Miranda (1917-1986) criadores da Panair do Brasil e da TV Excelsior.

Saudades dos aviões da Panair: os empresários que não toparam pagar pau para a Ditadura

Laura Capriglione - Blog da Laura Capriglione - Yahoo - 10/12/2014 


Filme: PANAIR DO BRASIL 
“O medo em minha vida nasceu muito depois
descobri que minha arma é o que a memória guarda dos tempos da Panair
Nada de triste existe que não se esqueça
Alguém insiste e fala ao coração
Tudo de triste existe e não se esquece
Alguém insiste e fere o coração
Nada de novo existe nesse planeta
Que não se fale aqui na mesa de bar”
(Milton Nascimento, “Saudade dos Aviões da Panair”)

O texto divulgado nesta quarta-feira (10 de dezembro) pela Comissão Nacional da Verdade é um texto histórico tão necessário quanto duro e desagradável. Que fala de torturas e torturadores; de ganância e de empresários ambiciosos; de gente que se empenhou para matar a democracia e que ajudou a financiar os verdadeiros matadouros humanos construídos para calar a oposição.
Mas tem também o relato sobre os heróis que não toparam fazer qualquer negócio para se dar bem. É desses que se quer falar.
Milton Nascimento tem uma música incrivelmente linda chamada “Saudades dos Aviões da Panair”, que apareceu no disco Minas, de 1975, no mesmo ano em que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado no Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna de São Paulo), num canto do quartel do II Exército, no bairro do Paraíso, em São Paulo.
Para quem não conhece esse pedaço hoje supervalorizado da capital paulista, informo: trata-se de um bairro de classe média vizinho ao parque do Ibirapuera, um endereço aprazível. Com sorte ou muito azar, quem naqueles dias estivesse andando pela rua Thomás Carvalhal, quase na esquina com a rua Tutoia, poderia escutar os gritos dos que eram barbarizados ali. Mas não havia para quem pedir socorro.
A Comissão Nacional da Verdade (CNV) concluiu que até dezembro de 1974, 2.148 pessoas haviam sido presas ali para serem interrogadas. Outros 795 presos foram encaminhados de outros órgãos. Somem-se mais 3.276 “elementos [que …] prestaram declarações e foram liberados” e tem-se uma idéia do congestionamento, do entra-e-sai de “suspeitos” naquela esquina. Cinquenta nunca puderam sair dali com vida. Morreram sob tortura.
Henning Albert Boilesen, o sinistro presidente do então poderoso Grupo Ultra, […] foi um dos elementos civis mais identificados com a repressão naquele período, embora não tenha sido o único. Boilesen ficou conhecido como o personagem que cuidava da arrecadação de recursos para a [… repressão]. Frequentava a sede da entidade, observava os presos políticos ali mantidos, assistia a sessões de tortura. Existem evidências de que tenha participado de algumas sevícias de prisioneiros políticos. Sua participação em atos de tamanha crueldade, crimes contra a humanidade, envolveu inclusive a importação de um equipamento para produzir choques nos prisioneiros políticos torturados. Acionado por um teclado, com a estrutura de um piano, o equipamento aumentava a frequência das descargas à medida que notas mais agudas eram tocadas.”
“Descobri que minha arma é o que a memória guarda dos tempos da Panair”, disse a voz mais linda das Geraes. Pois a memória dos tempos da Panair serve para também desenterrar das sombras os invulgares relatos de heroísmo entre os poderosos.
Anote os nomes de alguns homens que dignificam os homens justos:
José Mindlin (1914-2010), empresário, dono da Metal Leve, bibliófilo e escritor.
Antonio Ermírio de Moraes (1928-2014), empresário, dono do grupo Votorantim.
Fernando Gasparian (1930-2006), empresário, editor e político.
Mario Wallace Simonsen (1909-1965), empresário, foi um dos criadores da Panair do Brasil e da TV Excelsior.
Celso da Rocha Miranda (1917-1986), empresário, foi um dos criadores da Panair do Brasil e da TV Excelsior.
Esses são empresários que, segundo o relatório da CNV, não fizeram como Roberto Marinho, do jornal “O Globo”, que não hesitou em apoiar a conspiração e o golpe de 1964, primeiro, e que, depois, na fase mais dura, apoiou diretamente o porão da tortura, das mortes e desaparecimentos.