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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A direita está certa! Vamos copiar os EUA! E legalizar maconha, casamento gay e aborto.

A direita está certa: devemos imitar os EUA. E legalizar maconha, casamento gay e aborto
Cynara Menezes - Socialista Morena - 06/08/2014

(Marcha pró-aborto nos EUA. O aborto é legalizado no país desde 1973. Foto: Peter Keegan)
Os reacionários brasileiros adoram os Estados Unidos. Costumam passar, inclusive, as férias em Miami o que corrobora seu profundo mau gosto, já que o país é imenso e tem dezenas de outras cidades mais interessantes. Para a direita tupiniquim, os EUA são a Terra Prometida, onde jorra leite e mel. A economia deles é fantástica, a educação, a saúde, o cinema… Eles admiram até a junk food, aquela comida péssima que fez os índices de obesidade irem à estratosfera por lá. Enfim, se dependesse dos reaças, o Brasil imitaria o Tio Sam em tudo. Tudo mesmo? Será?
Claro que não! Existem conquistas dos norte-americanos que a direita brasileira faz tudo para esconder de você. Quando se trata destes assuntos, eles preferem mirar o Irã, o Afeganistão ou qualquer nação islâmica radical onde as mulheres andam de burca e onde tudo é proibido em nome de Deus. A Terra Prometida dos reaças, na verdade, é um mix de Estados Unidos por fora e país fundamentalista por dentro. Uma miragem para enganar trouxa.
Imagine se a reaçada brasileira, que adora macaquear os EUA, iria querer que nós imitássemos, por exemplo, a lei de aborto norte-americana. A obscura direita nativa, que em toda eleição tenta criar celeuma em torno do aborto, prefere ocultar do povo que, na terra de George Bush e Barack Obama, pode-se interromper a gravidez legalmente em absolutamente TODOS os 50 Estados desde 1973. A interrupção pode ser feita até a 22ª semana de gestação e, em 17 Estados, o atendimento ao aborto é realizado pelo serviço público de saúde. Nos demais, em clínicas particulares.
O aborto, além de ser um direito e uma escolha da mulher, é uma questão de saúde pública. Centenas de mulheres morrem anualmente por causa de abortos mal-sucedidos no Brasil, porque, é claro, eles continuam a ocorrer mesmo proibidos por lei. E o número de abortos com a legalização, ao contrário do que a direita costuma dizer, vem caindo a cada ano nos EUA. Segundo um estudo divulgado em março deste ano, o total de abortos praticados nos EUA caiu para o mesmo patamar de antes da decisão da Suprema Corte, em 1973 (leia aqui).
abortográfico
Outra coisa que nós poderíamos imitar dos gringos: 23 Estados e o Distrito de Colúmbia, onde está situada a capital, Washington, já aprovaram leis descriminalizando o porte de pequenas quantidades de maconha; 22 Estados permitem o seu uso medicinal; e dois deles, Colorado e Washington, legalizaram a maconha inclusive para o uso recreativo.

sábado, 23 de novembro de 2013

Eleições 2014. A cruzada anti-aborto já começou. Estreia "Bood Money - Aborto Legalizado"

"Nos EUA, o objetivo da peça panfletária é tentar reverter a decisão da Suprema Corte que legalizou o aborto. Por aqui, me parece haver três metas claras: primeiro, derrubar a decisão do STF sobre o aborto de anencéfalos, que o filme sobre Vitória irá reforçar; em segundo lugar, aprovar no Congresso o absurdo estatuto do nascituro, que estabelece pena de prisão para quem abortar e dá pensão aos filhos de mulheres que não abortarem, inclusive em caso de estupro; e, por último, influir na eleição de 2014 contra qualquer possibilidade de discussão da legalização do aborto no País como uma questão de saúde pública."

A cruzada anti-aborto já começou
Cynara Menezes - Socialista Morena - 23/11/2013

Enquanto o PSDB e o PT se digladiam pelo poder, os fundamentalistas já estão pavimentando o caminho para, novamente, mergulhar a disputa presidencial e o País no obscurantismo. E temo que nenhum dos dois partidos terá a coragem necessária para romper de uma vez por todas com a dependência, com fins meramente eleitoreiros, das lideranças religiosas medievais, erguendo a bandeira do estado laico que a modernidade exige.

No último final de semana tive uma experiência sinistra. Entrei ao acaso no cinema para ver o filme Blood Money – O Aborto Legalizado. A curta resenha que li dizia se tratar de um documentário contra o aborto. Fiquei curiosa. Ao comprar o bilhete, pensei: “Deve estar vazio”. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que havia no máximo meia dúzia de lugares vagos na sala do Espaço Itaú, cinema onde normalmente entram em cartaz filmes considerados “cult”. Ou entravam, sei lá.

Vi o documentário inteiro boquiaberta. Para começar, não é um filme religioso, mas a religião aparece como subtexto todo o tempo: uma Bíblia na mesa aqui, uma cruz detrás do entrevistado acolá, uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus ao fundo… Para dar um verniz “humanista” à coisa, quem apresenta o documentário, dirigido por David Kyle, é a sobrinha de Martin Luther King, a pastora conservadora Alveda King, empenhada em espalhar a mentira de que o tio era contrário à legalização do aborto.

sábado, 28 de setembro de 2013

Descriminalizar o aborto é salvar vidas. 28/09 - dia latino-americano pela descriminalização do aborto

Descriminalizar o aborto é salvar vidas
Maíra Kubík Mano - CartaCapital - Território de Maíra - 28 de Setembro de 2013

Hoje, 28/09, é o dia latino-americano pela descriminalização do aborto e atos e protestos em diversas cidades vão lembrar o que ninguém deveria esquecer: que a interrupção voluntária da gravidez é uma realidade no Brasil e uma questão de saúde pública.

De acordo com dados do SUS (Sistema Único de Saúde), mais de um milhão de mulheres recorrem ao aborto voluntário anualmente em nosso país e boa parte deles é feita em condições precárias de higiene. Apenas aquelas que possuem recursos financeiros conseguem ter acesso a clínicas especializadas e podem pagar não só pelo tratamento médico, mas também pelo silêncio.


Cálculos da OMS (Organização Mundial de Saúde) indicam que a taxa de mortalidade em decorrência de abortos induzidos varia de 0,2 a 1,2 mortes a cada 100 mil abortos nos países onde a prática é legalizada – ou seja, segura. Naqueles onde não é, o número sobe para 330 mortes a cada 100 mil abortos.

Adaptando um pouco essa conta: se o aborto é um fato cotidiano no Brasil e possui duas modalidades que dependem diretamente da renda da pessoa – a segura e a insegura, não é difícil concluir que estamos condenando à morte as mulheres pobres.

Reproduzo abaixo uma matéria que escrevi à época da campanha presidencial de 2010 e que continua absolutamente atual. Somos todas clandestinas.

Tabu no Brasil, aborto é menos restrito na maioria dos países

Estamos em um país sul-americano colonizado por europeus católicos. Nação que sofreu com uma ditadura sangrenta e só anos depois, com a democracia já instaurada, assistiu aos generais responsáveis por dizimar a esquerda armada serem julgados e condenados. Em seguida, e não sem grande polêmica, seu Senado aprovou o casamento gay. Agora, a próxima pauta em discussão é a descriminalização do aborto.

O país colonizado a que se refere o parágrafo não é o Brasil. Diz respeito à Argentina. Nesse mesmo mês de outubro de 2010, enquanto nossos vizinhos iniciam um debate com chances reais de legalizar interrupções voluntárias de gravidez (IVG), assistimos aqui ao oposto, com a perseguição a quem defende tal posicionamento. Que o digam os candidatos à Presidência do Brasil José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), cujas campanhas buscam dissociá-los de qualquer ação pró-aborto. Afinal, qual a explicação para tamanha discrepância, em países tão próximos, geográfica e historicamente?

domingo, 4 de agosto de 2013

Pílula do dia seguinte no SUS já reduziu 50% abortos permitidos por lei

Pílula do dia seguinte no SUS já reduziu 50% abortos permitidos por lei
Por: Zé Augusto - Do Blog Amigos do Presidente Lula - 04/08/2013

Nesta semana a presidenta Dilma sancionou a lei que obriga o atendimento integral e humanizado no SUS (Sistema Único de Saúde) para vítimas de estupro, após a Câmara e o Senado ter aprovado a lei por unanimidade. A lei acolhe todas as vítimas desta violência, seja de qualquer sexo e pessoas vulneráveis, como crianças e pessoas com deficiência.

As medidas de acolhimento incluem desde o tratamento de eventuais lesões, passando por medidas preventivas como medicação preventiva para impedir contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, atendimento psicológico, assistência social e orientação criminal, e, no caso de mulheres em idade fértil, a oferta da chamada pílula do dia seguinte, que evita o início da gravidez antes dela começar, se tomada até 72hs após a violência sexual, e é a mulher quem decide se deseja tomar. Essa medicação já era oferecida, por portaria do Ministério da Saúde, antes da lei, e, desde o início de sua aplicação, reduziu em 50% os casos de mulheres que recorrem ao aborto previsto em lei, como acontece no caso de estupro.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, falou sobre o assunto:



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Quem é a mulher brasileira que aborta? De acordo com a Pesquisa Nacional de Aborto feita pela Universidade de Brasília em 2010, a mulher que aborta é casada, tem filhos, religião, pertence a todas as classes sociais e costuma carregar sozinha o peso de sua decisão.

"A maior hipocrisia que existe no Brasil em relação ao aborto é o fato de que mulheres que tem dinheiro podem realizar o procedimento com segurança e apoio. Argentina e Uruguai estão com propostas de legalização do aborto em seus órgãos legislativos. Se uma delas for aprovada, a salvação de várias brasileiras poderá estar em uma promoção de passagem aérea. Clínicas clandestinas brasileiras perderão muito dinheiro com isso. Quem ganha com a criminalização do aborto? A criminalização não evita o aborto, apenas força as mulheres a realizá-lo na clandestinidade. Uma mulher que decide colocar sua vida em risco, por meio de um procedimento abortivo inseguro, tem muita certeza de que não quer estar grávida, muito menos passar nove meses gestando." 
Bia Cardoso - Blogueiras Feministas - 17/05/2012 

Post relacionado:
Aborto Legal. Em seis meses de legalização, Uruguai não registra mortes de mulheres que abortaram

Quem é a mulher brasileira que aborta?

Pragmatismo Político - 2 ago 2013 às 0:54

O aborto no Brasil não deve ser tratado como uma chantagem, como vem fazendo os setores religiosos e conservadores, mas como uma questão de saúde pública e de respeito pela plenitude dos direitos reprodutivos das mulheres

Bia Cardoso*
A mulher que aborta pode estar sentada ao seu lado no ônibus. Ela pode ser sua mãe, sua esposa, sua irmã, ou a colega da faculdade. De acordo com a Pesquisa Nacional de Aborto feita pela Universidade de Brasília em 2010, a mulher que aborta é casada, tem filhos, religião, pertence a todas as classes sociais e costuma carregar sozinha o peso de sua decisão. Tratada pela lei como uma criminosa, sempre foi apontada pela moral e pelos bons costumes como uma mulher desonrada e sem sentimentos. Uma pária. Porém, essa mulher está muito mais próxima de você e de mim. De acordo com a pesquisa, uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 anos já realizou ao menos um aborto na vida, o equivalente a uma multidão de 5 milhões de mulheres. Elas merecem ir para a cadeia? Criminalizar o aborto resolve? Vai pensando aí.
Keila Rodrigues é uma dessas mulheres. Alega ser usuária de drogas e mãe de duas crianças criadas pela avó. Ontem, foi noticiado que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo reformou a sentença da Justiça de Rio Preto e determinou que a ré Keila Rodrigues seja julgada pelo Tribunal do Júri pelo crime de aborto, cuja pena varia de um a três anos de reclusão.

A hipocrisia da desigualdade

Num país em que o aborto é ilegal, Keila procurou o auxílio de uma colega para interromper uma gravidez indesejada. Tomou a decisão de colocar sua vida em risco, porque sabia que essa gravidez não lhe faria bem, nem a ela e nem ao bebê. O médico ginecologista Daniel Jarreta Coelho poderia ter alegado sigilo médico, mas confirmou o atendimento da ré em trabalho de parto, e que ela relatou a utilização de dois comprimidos do medicamento abortivo.

domingo, 28 de julho de 2013

Tijolaço no Fascismo em nome de Deus. Drauzio Varella peita o integralista que se diz “pró-vida”. ”Quem são, e quantos são, esses arautos da moral e dos bons costumes? De onde lhes vem a autoridade para ameaçar em público a presidente da República?”.

Drauzio Varella peita o integralista que se diz “pró-vida”
Tijolaço - 27 de Jul de 2013 | 15:15

Não foi só o meu estômago que se embrulhou com a história do integralista Paulo Fernando Melo Costa, que foi ao Palácio do Planalto fazer ameaças à Presidenta Dilma Rousseff para que ela vetasse a lei, já aprovada no Congresso, que manda a rede pública dar assistência às mulheres vítimas de estupro.

Também o Dr. Drauzio Varella, com décadas de medicina, narrou hoje na Folha que se revoltou com a história. Varella, claro, com suas década de experiência médica, fala do tema com muito mais propriedade do que eu seria capaz, mostrando o drama das mulheres vítimas de violência sexual.

Só posso ajudar a responder, com a investigação feita por este Tijolaço, à pergunta que ele faz, indignado:”Quem são, e quantos são, esses arautos da moral e dos bons costumes? De onde lhes vem a autoridade para ameaçar em público a presidente da República?”.

São fascistas mesmo, Dr. Drauzio, e não em sentido figurado. São os herdeiros tupiniquins das malditas ideias de Hitler e Mussolini, que cobriram o mundo de vergonha e morte.


Fascismo em nome de Deus
Drauzio Varella

Há manhãs em que fico revoltado ao ler os jornais.

Aconteceu segunda-feira passada quando vi a manchete de “O Globo”: “Pressão religiosa”, com o subtítulo: “À espera do papa, Dilma enfrenta lobby para vetar o projeto para vítimas de estupro que Igreja associa a aborto”.