quinta-feira, 1 de outubro de 2015

E o "PIG" segue tocando a manada: grupo de pessoas oscila entre o amor e o ódio ao governo Dilma e seu partido ao sabor das manchetes dos UOLs da vida - A reforma ministerial e o comportamento de manada nas redes sociais

A reforma ministerial e o comportamento de manada nas redes sociais 
O governo “acaba” ou “ressuscita” toda semana no Twitter e no Facebook, ao sabor da pauta dos UOLs da vida

Por Lino Bocchini - CartaCapital - 01/10/2015 13h53


A presidenta na posse de Renato Janine Ribeiro, em abril deste ano. Ali, era a "Dilmãe"

Dilma anuncia Levy: “O governo acabou antes de começar!”. Dilma anuncia Juca Ferreira: “Dilmãe!”. Cunha derruba Cid Gomes: “O governo acabou!”. Dilma anuncia Renato Janine Ribeiro na Educação: “Sensacional, valeu meu voto!”. Dilma tira Janine: “Nunca mais voto no PT!”.

O imediatismo, a ansiedade e a superficialidade das redes sociais produzem reações curiosas. Um mesmo grupo de pessoas oscila entre o amor e o ódio ao governo Dilma e seu partido ao sabor das manchetes dos UOLs da vida com uma facilidade tremenda.

Agora é a reforma ministerial. Deixemos de lado o juízo de valor sobre a política tradicional de troca de cargos por apoios. Esta forma de governar vigora no Brasil e no mundo há séculos, e foi a tônica do governo Dilma desde o começo --bem como de todos os seus antecessores.

O PMDB é governo eleito. Michel Temer apareceu na urna eletrônica de todos os que digitaram 13 e confirma. O partido já têm um enorme espaço na esplanada, ampliado agora. Difícil comemorar mas, sinceramente, não há nada de novo no front. É mais do mesmo.

No termômetro das redes sociais, contudo, o paciente está sempre com febre. Lá, novamente, o governo Dilma “acabou”. Deve ser a vigésima vez que o tribunal do Facebook decretou esta morte.

"O cidadão de hoje é muito melhor informado. Quem o trata como Hommer Simpson vai se dar mal. Até porque essa crise vai ter dia seguinte. E no dia seguinte gente como Marta, Aécio, Paulinho da Força, Roberto Freire e vários colunistas da mídia tradicional que não estão respeitando a inteligência do eleitor, vão se dar mal. E Cunha está ajudando muito neste processo. Porque Cunha deixou a mídia e a oposição nuas em praça pública."

Cunha deixou a mídia e a oposição nuas em praça pública
Renato Rovai - Blog do Rovai - 01/10/2015

Se fosse Dilma ou Lula que tivessem quatro contas na Suíça, o que vocês acham que a mídia e o PSDB estariam fazendo?

Claro que o Jornal Nacional e todos os outros programas de todas as outras TVs seriam dedicados ao tema e tucanos de todos os cantos estariam chamando protestos de rua e bombando hastags como #LulanaCadeia e #DilmaCorrupta.

Alguém pode dizer, mas isso é política.

Não amigos, não é.

Para começar, veículo de comunicação que se respeite não trata de forma tão desequilibrada assim atores políticos.

Principalmente se for um veículo concessionário.

Rádios e TV são concessões públicas e usam um espectro limitado.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

"Caso Banestado": POR QUE NUNCA SE SEGUIU O RASTRO DOS 124 BILHÕES DE DÓLARES DESVIADOS PARA O EXTERIOR?

Requião cobra retomada do "Caso Banestado", escândalo-mãe da corrupção no Brasil 

O senador Roberto Requião relembrou nesta quarta-feira (30) a "Operação Macuco", da Polícia Federal e Ministério Público Federal, que desvendou o escândalo do Banestado, quando se apurou o desvio de 124 bilhões de dólares ao exterior, através do então banco estadual do Paraná. Os valores desviados à época, afirmou o senador, somavam muito mais do que as reservas brasileiras na moeda norte-americana. Segundo o senador, a "Operação Macuco", conduzida pelo delegado José Castilho Netto e pelo procurador Celso Três, foi o ponto de partida para desvendar os métodos e os caminhos da corrupção no país. No entanto, denunciou Requião, a operação foi abafada e desmontada, sem a punição pelos responsávis pelos desvios. A seguir, texto e vídeo do discurso de Requião sobre o "Caso Banestado".


Texto do Discurso



Em um país normal seria também interessante lembrar - em benefício do leitor e da verdade - que a dívida líquida pública - que é o que o país verdadeiramente deve, descontando-se o que tem guardado - caiu em quase 50% nos últimos 13 anos, depois do fim do governo FHC, de mais de 60%, em dezembro de 2002, para aproximadamente 34% do PIB agora.






O BRASIL DEVE, MAS ESTÁ LONGE DE ESTAR QUEBRADO - A DÍVIDA PÚBLICA E A MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA.
Mauro Santayana - 29/09/2015

(Jornal do Brasil) - O Governo tem seus defeitos - entre eles uma tremenda incompetência na divulgação da situação real do país - mas também tem suas virtudes.

A maior parte da imprensa está trombeteando, aos quatro ventos, o fato de que a dívida pública subiu 3,68% em agosto, para 2.68 trilhões. Por que não dar a informação completa, e dizer que o Brasil deve essa quantia, mas tem quase um trilhão e meio de reais, 1.48 trilhões, a câmbio de hoje, em reservas internacionais em caixa?

Reservas internacionais de 370 bilhões de dólares, cujo valor, em moeda nacional aumenta - já que o negócio é divulgar grandes números - em contraposição ao que se deve em reais, a cada vez que o dólar sobe?

Em um país normal seria também interessante lembrar - em benefício do leitor e da verdade - que a dívida líquida pública - que é o que o país verdadeiramente deve, descontando-se o que tem guardado - caiu em quase 50% nos últimos 13 anos, depois do fim do governo FHC, de mais de 60%, em dezembro de 2002, para aproximadamente 34% do PIB agora.

Para efeito comparativo, nos países desenvolvidos, essa dívida é quase três vezes maior, de mais de 80% em média.

Quase da mesma forma que a dívida pública bruta, a única a que se dá destaque, que em países como o Japão, a Itália, os Estados Unidos, a França ou Inglaterra, duplica, ou é de quase o dobro da nossa.

Essa é a realidade dos fatos que, hipócrita e descaradamente, não são levados em consideração, por sabotagem e outros interesses de ordem econômica e geopolítica, por agências envolvidas com escândalos e multadas, em bilhões de dólares, por irregularidades, que, sem críticas ou questionamento, são endeusadas e incensadas, interesseiramente, pela mídia conservadora nacional, como a Standard&Poors, por exemplo.

domingo, 27 de setembro de 2015

Leonardo Boff: "Isso deve ficar claro: há um propósito dos países centrais que dispõem de várias formas de poder, especialmente, a militar (podem matar a todos) de recolonizar toda a América Latina para ser um reserva de bens e serviços naturais (água potável, milhões de hectares férteis, grãos de todo tipo, imensa biodiversidade, grandes florestas úmidas, reservas minerais incomensuráveis etc). Ela deve servir principalmente os países ricos, já que em seus territórios quase se esgotaram tais “bondades da natureza” como dizem os povos originários. E vão precisar delas para manterem seu nível de vida."



Qual destino para o Brasil: recolonização ou projeto próprio?
Leonardo Boff - 26/09/2015

Charge Pataxo
Há uma indagação que se faz no Brasil mas também no exterior que se expressa por esta pergunta: qual o destino da sétima economia mundial e qual o futuro de sua incomensurável riqueza de bens naturais?

Analistas dos cenários mundiais do talante de Noam Chomsky ou de Jacques Attali nos advertem: a potência imperial norte-americana segue esse motto, elaborado nos salões dos estrategistas do Pentâgono:”um só mundo e um só império”. Não se toleram países, em qualquer parte do planeta, que possam pôr em xeque seus interesses globais e sua hegemonia universal. Curiosamente, o Papa Francisco em sua encíclicla “sobre o cuidado da Casa Comum”, como que revidando o Pentágono propõe:”um só mundo e um só projeto coletivo”.

No Brasil esse debate se dá principalmente no campo da macroeconomia: o Brasil se alinhará às estratégias político-sociais-economico-ideológicas impostas pelo Império e com isso terá vantagens significativas em todos os campos, mas aceitando ser sócio menor e agregado (opção dos neoliberais e dos conservadores) ou o Brasil procurará um caminho próprio, consciente de suas vantagens ecológicas, do peso de seu mercado interno com uma população de mais de duzentos milhões de pessoas e da criatividade de seu povo. Aprende a resistir às pressões que vêm de cima, a lidar inteligentemente com as tensões, a praticar uma política do ganha-ganha (o que supõe fazer conceções) e assim a manter o caminho aberto para um projeto nacional próprio que contará para o devenir da nossa e da futura civilização (opção do PT, das esquerdas e dos movimentos sociais).


Isso deve ficar claro: há um propósito dos países centrais que dispõem de várias formas de poder, especialmente, a militar (podem matar a todos) de recolonizar toda a América Latina para ser um reserva de bens e serviços naturais (água potável, milhões de hectares férteis, grãos de todo tipo, imensa biodiversidade, grandes florestas úmidas, reservas minerais incomensuráveis etc). Ela deve servir principalmente os países ricos, já que em seus territórios quase se esgotaram tais “bondades da natureza” como dizem os povos originários. E vão precisar delas para manterem seu nível de vida.

Estimamos que dentro de um futuro não muito distante, a economia mundial será de base ecológica. Finalmente não nos alimentamos de computadores e de máquimas, mas de água, de grãos e de tudo o que a vida humana e a comunidade de vida demandam. Daí a importância de manter a América Latina, especialmente, o Brasil no estágio o mais natural possível, não favorecendo a industrializção nem algum valor agregado a suas commodities.

Seu lugar deve ser aquele que foi pensado desde o início da colonização: o de ser uma grande empresa colonial que sustenta o projeto dos povos opulentos do Norte para continurem sua dominação que vem desde o século XVI quando se iniciaram as grandes navegações de conquista de territórios pelo mundo afora. Analiticamente, esse processo foi denunciado por Caio Prado Jr, por Darcy Ribeiro e, ultimamente, com grande força teórica, por Luiz Gonzaga de Souza Lima com seu livro ainda não devidamente acolhido A refundação do Brasil: rumo à sociedade biocentrada (RiMa, São Bernardo 2011).

Em razão desta estratégia global, as políticas ambientais dominantes reduzem o sentido da biodiversidade e da natureza a um valor econômico. A tão propalada “economia verdade” serve a este propósito econômico e menos à preservação e ao resgate de áreas devastadas. Mesmo quando isso ocorre, se destina à macroeconomia de acumulação e não à busca de um outro tipo de relação para com a natureza.

O que cabe constatar é o fato de que o Brasil não está só. As experiências recentes dos movimentos populares socioambientais se recusam a assumir simplesmente a dominação da razão econômica, instrumental e utilitarista que tudo uniformiza. Por todas as partes estão irrompendo outras modalidades de habitar a Casa Comum a partir de identidades culturais diferentes. Os conhecimentos tradicionais, oprimidos e marginalizados pelo pensamento único técnico-científico, estão ganhando força na medida em que mostram que podemos nos relacionar com a natureza e cuidar da Mãe Terra de uma forma mais benevolente e cuidadosa. Exemplo disso é o “bien vivier y convivir” dos andinos, paradigma de um modo de produção de vida em harmonia com o Todo, com os seres humanos entre si e com a natureza circundante.

Aqui funciona a racionalidade cordial e sensível que enriquece e, ao mesmo tempo, impõe limites à voracidade da fria razão instrumenal-analítica que, deixada em seu livre curso, pode pôr em risco nosso projeto civilizatório. Trata-se de uma nova compreensão do mundo e da missão do ser humano dentro dele, como seu guardador e cuidador. Oxalá este seja o caminho a ser trilhado pela humanidade e pelo Brasil.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Rafucko convida Ana Maria Braga a passar um dia de doméstica no Rio de Janeiro. Um dia de doméstica para Ana Maria Braga

Após a polêmica do quadro "Dia de Patroa" lançado pelo programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga. Prêmios? Um pacote de horas extras não pagas, dentre outros. 

Na Globo. O Mais Você, de Ana Maria Braga, lança o quadro "Dia de Patroa" - No Twitter e Facebook, usuários criticam a iniciativa. "A que horas ela volta? [No caso, estamos falando da noção]"

Ps. No site do Gshow internautas também criticaram: 
"Que tal um dia de empregada doméstica para a sua patroa?"

Globo oferece “dia de patroa” para empregadas domésticas e gera repúdio nas redes sociais
Revista Fórum - 24/09/2015

Quadro foi lançado pelo programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga. No Twitter e Facebook, usuários criticam a iniciativa da TV Globo: “‘Dê um dia de patroa a sua empregada.’ Acho que dar 365 dias de CLT é mais negócio!”

O servilismo e segregação embutidos nas relações entre patrões e empregadas domésticas no Brasil voltaram a ser discutidos massivamente desde que foi lançado o filme Que horas ela volta?, de Anna Muylaert. Coincidentemente ou não, há dois dias, o programa Mais Você, comandado por Ana Maria Braga na Rede Globo, lançou o quadro “Dia de patroa”, ignorando totalmente as reflexões propostas há anos por movimentos sociais e endossadas pelo longa acerca do trabalho doméstico remunerado. A iniciativa acabou gerando manifestações de repúdio nas redes sociais.

“No Mais Você, as empregadas domésticas de qualquer lugar do Brasil podem receber uma surpresa no meio do expediente. As sortudas vão largar tudo que estiverem fazendo para viver um ‘Dia de Patroa’”, informa a descrição do concurso, criado, segundo a emissora, para “homenagear” as trabalhadoras domésticas. Uma rápida busca na internet mostra que a “atração” global não é recente: em 2012 ela já existia.

No Twitter e Facebook, houve uma chuva de comentários críticos à iniciativa:

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O dólar a 4 reais é o final dos tempos?
Por Cesar Locatelli*, especial para Jornalistas Livres

Entenda o que significa a desvalorização do real atualmente em comparação com 1999, primeiro semestre do segundo mandato de FHC, em que o dólar chegou a 2 reais.

Toda vez que o dólar sobe, nos lembramos das vezes que o país quebrou. Não tínhamos dólares para pagar nossas dívidas, necessitávamos de importações e não existia saída além de decretar moratória ou nos ajoelhar diante do Fundo Monetário Internacional (FMI). Sempre que isso acontecia, o FMI passava a ditar a política econômica em nossas terras. O FMI é um organismo internacional que empresta recursos aos países em dificuldade financeira e que é dirigido por representantes dos países desenvolvidos. Podemos, por isso, imaginar quais interesses esse organismo representa, não é mesmo?

Esse é o quadro hoje? Não, não é. Vamos ver o porquê.

O modo mais claro de conseguirmos entender a atual situação brasileira é compará-la com o que ocorreu em 1999, primeiro ano do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, quando o real sofreu uma desvalorização de 70%. A seguir, vamos analisar nossas reservas cambiais e nossa dívida externa nesses dois momentos para concluir se estamos em um período de maior ou menor gravidade.

Reservas cambiais

Reservas cambiais são os dólares, ouro e outras moedas que usamos para comprar produtos que necessitamos do exterior e para pagar nossas dívidas com outros países. Em abril de 1998, já era claro que a taxa de câmbio não se sustentaria, que era necessário desvalorizar o real, mas havia uma eleição presidencial no caminho. O país tinha quase 75 bilhões de dólares em reservas. O regime era de câmbio fixo, o que significa que o Banco Central (BC) era obrigado a vender dólares a uma taxa fixa. Mesmo que a demanda por dólares aumentasse, o BC mantinha a mesma taxa de câmbio. Dessa data até janeiro de 1999, o BC vendeu quase 40 bilhões de dólares a preços entre 1,15 e 1,21 reais por dólar.

Em janeiro de 1999, o dólar foi de 1,21 a 2 reais e as reservas caíram para 36 bilhões de dólares. Em outras palavras, o felizes compradores ganharam perto de 80 centavos de real sobre cada dólar dos 40 bilhões vendidos. Fernando Henrique Cardoso foi reeleito e o país teve de recorrer, novamente, ao FMI para cumprir suas obrigações com os credores internacionais.