segunda-feira, 18 de julho de 2016
domingo, 17 de julho de 2016
Dívida pública. Por que será que os países mais importantes do mundo e as chamadas nações “desenvolvidas” são, em sua maioria, os mais endividados?
DÍVIDA PÚBLICA E ESTRATÉGIA NACIONAL - O BRASIL NA CAMISA DE FORÇA.
Mauro Santayana - 12/07/2016(Revista do Brasil) - Seguindo a linha de criação de factoides adotada por setores do governo interino – exibe-se a bandeira da “austeridade” com a mão e aumenta-se, com a outra, em mais de R$ 60 bilhões as despesas, proventos e contratações. Uma das novidades da equipe econômica interina é a criação de um “teto” para as despesas do setor público para os próximos 20 anos. A principal desculpa para engessar ainda mais o país – e até mesmo investimentos como os de saúde e educação – é, como sempre, o velho conto da dívida pública. Segundo jornais como O Globo, a dívida bruta do Brasil somou R$ 4,03 trilhões em abril, o equivalente a 67,5% do Produto Interno Bruto (PIB) – e pode avançar ainda mais nos próximos meses por conta do forte déficit fiscal projetado para este ano e pelo nível elevado da taxa de juros (14,25% ao ano).
E daí? A pátria do Wall Street Journal, os Estados Unidos, multiplicou, nos primeiros anos do século 21, de US$ 7 trilhões para US$ 23 trilhões a sua dívida pública bruta, que passou de 110% do PIB este ano, e se espera que vá chegar a US$ 26 trilhões em 2020. A Inglaterra, terra sagrada da City e The Economist, que tantas lições tenta dar – por meio de matérias e editoriais imbecis – ao Brasil e aos brasileiros, mais que dobrou a sua dívida pública, de 42% do PIB em 2002 para quase 90%, ou 1,5 trilhão de libras esterlinas (cerca de US$ 2,2 bilhões), em 2014. A da Alemanha também é maior que a nossa, e a da Espanha, e a da Itália, e a do Japão, e a da União Europeia...
Já no Brasil, com todo o alarido e fantástico mito – miseravelmente jamais desmentido pelo partido – de que o PT quebrou o Brasil, a dívida pública em relação ao PIB diminuiu de quase 80% em 2002, para 66,2% do PIB em 2015. Enquanto a dívida líquida caiu de 60% para 35%. E poupamos US$ 414 bilhões desde o fim do malfadado governo de FHC (US$ 40 bilhões pagos ao FMI mais R$ 374 bilhões em reservas em internacionais). E somos um dos dez países mais importantes do board do FMI, e o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos.
Então vamos à inevitável pergunta: por que será que os países mais importantes do mundo e as chamadas nações “desenvolvidas” são, em sua maioria, os mais endividados?
Será que é porque colocam o desenvolvimento na frente dos números? Será que é porque não dão a menor pelota para as agências de classificação de risco, que, aliás, estão a seu serviço, e nunca os “analisaram” ou “rebaixaram” como deveriam? Será que é por que conversam fiado sobre países como o Brasil, mas não cumprem as regras que não param – para usar um termo civilizado – de “jogar” sobre nossas cabeças? Ou será que é porque alguns, como os Estados Unidos, estabelecem seus objetivos nacionais, e não permitem que a conversa fiada de economistas e banqueiros e a manipulação “esperta” de dados, feita também por grupos de mídia que vivem, igualmente, de juros, sabote ou incomode seus planos estratégicos?
Todas as alternativas anteriores podem ser verdadeiras. O que importa não é o limite de gastos. Nações não podem ter amarras na hora de enfrentar desafios emergenciais e, principalmente, de estabelecer suas prioridades em áreas como energia, infraestrutura, pesquisa científica e tecnológica, espaço, defesa. O que interessa é a qualidade do investimento.
Como não parece ser o caso, como estamos vendo, dos reajustes dos mais altos salários da República, e dos juros indecentes que o Estado brasileiro repassa aos bancos, os maiores do mundo. Que tal, senhor ministro Henrique Meirelles, adotar a mesma proposta de teto estabelecida para os gastos públicos exclusivamente para os juros e os respectivos bilhões transferidos pelo erário ao sistema financeiro todos os anos? Juros que não rendem um simples negócio, um prego, um parafuso, um emprego na economia real – ao contrário dos recursos do BNDES, que querem estuprar em R$ 100 bilhões para antecipar em “pagamentos” ao Tesouro?
Agora mesmo, como o ministro Meirelles deve saber, os juros para igual efeito na Alemanha – com uma dívida bruta maior que a do Brasil – estão abaixo de zero. Os títulos públicos austríacos e holandeses rendem pouco mais de 0,2% ao ano e os da França, pouco mais de 0,3% porque são países que, mesmo mais endividados que o Brasil, não são loucos de matar sua economia, como fazemos historicamente – e seguimos insistindo nisso, com os juros mais altos do planeta, de mais de 14% ao ano, e outros, ainda mais pornográficos e estratosféricos, para financiamento ao consumo, no cheque especial, no cartão de crédito etc.
A diferença entre países que pensam grande e países que pensam pequeno, senhor ministro Henrique Meirelles, é que os primeiros decidem o que querem fazer, e fazem o que decidiram, sem admitir obstáculo entre eles e os seus objetivos. Enquanto os segundos, por meio da ortodoxia econômica – e do entreguismo –, antes mesmo de pensar no que vão fazer, submetem-se servilmente aos interesses alheios, e criam para si mesmos obstáculos de toda ordem, adotando – como as galinhas com relação à raposa na reforma do galinheiro – o discurso alheio.
Aqui, senhor ministro, não determinamos nem discutimos, nem defendemos interesses nacionais, e quando temos instrumentos que possam nos ajudar eventualmente a atingi-los, como ocorre com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, nos dedicamos a enfraquecê-los e destruí-los.
Cortando onde não se deve e deixando de cortar onde se deveria, estão querendo matar o Estado brasileiro, que, de Brasília a Itaipu, foi responsável pelas maiores conquistas realizadas nos últimos 100 anos – na energia, na mineração, na siderurgia, no transporte, na exploração de petróleo, na defesa, na aeronáutica, na infraestrutura.
Não existe uma só área em que, do ponto de vista estratégico, a iniciativa privada tenha sido superior ao Estado, como fator de indução e de realização do processo de desenvolvimento nacional nesse período – até porque, fora algumas raras, honrosas exceções, ela coloca à frente os seus interesses e não os interesses nacionais.
E é com base justamente na premissa e no discurso contrário, que é falso e mendaz, que se quer justificar uma nova onda de entrega, subserviência e privatismo, com a desculpa de colocar em ordem as contas do país, quando, no frigir dos ovos, nem as contas vão tão mal assim. Basta compará-las às outras nações para perceber isso. As dificuldades existem muito mais no universo nebuloso dos números, que mudam ao sabor dos interesses dos especuladores (onde está a auditoria da dívida?) do que na economia real.
Se a PEC do Teto, como está sendo chamada pelo Congresso, for aprovada, as grandes potências, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha – ainda que mais endividadas que o Estado brasileiro – continuarão progredindo tecnológica e cientificamente, e se armando, e se fortalecendo, militarmente e em outros aspectos, nos próximos anos, enquanto o Brasil ficará, estrategicamente, inviável e imobilizado, e ainda mais distante dos países mais importantes do mundo.
Para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais complexo e competitivo, senhor ministro Henrique Meirelles, o Brasil precisa de estratégia, determinação e bom senso. E não de mais camisas de força.
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Os mitos dos coxinhas morreram todos de inanição
COXINHAS
Por Luiz Carlos Azenha - via Facebook - 08/07/2016
Os mitos dos coxinhas morreram todos de inanição. Não são os blogs miseráveis, mas a Globo que abocanha R$ 1 bi anual em dinheiro público; a Friboi não é do Lulinha, mas tinha Henrique Meirelles em cargo-chave quando adotou práticas suspeitas; não tem Chico Buarque, mas sim o Itaú Cultural e a Fundação Roberto Marinho na lista dos maiores beneficiários da Lei Rouanet; o Foro de São Paulo não deu nenhum golpe, mas Washington piscou os olhos para três -- em Honduras, Paraguai e Brasil; tanto era pra ir pra Cuba que Obama e o papa Francisco foram; Hugo Chávez adotou o referendo revogatório na Constituição "ditatorial" da Venezuela, o que dá ao venecoxinhas a chance de afastar o herdeiro de Hugo Chávez; o herói do impeachment tornou-se o pária Eduardo Cunha, contra o qual ninguém bateu panela; a camisa amarela da CBF, mais suja que pau de galinheiro, perdeu com gol de mão do Peru; o movimento "apartidário" do Kataguiri era bancado por partidos; a Janaína é tão jurista quanto o Frota intelectual pornô; a luta contra a corrupção produziu um governo de ladrões; o Bolsonaro saltou e nenhum coxinha segurou; Aécio "limpar o Brasil" Neves virou pó.
Os mitos dos coxinhas morreram todos de inanição. Não são os blogs miseráveis, mas a Globo que abocanha R$ 1 bi anual em dinheiro público; a Friboi não é do Lulinha, mas tinha Henrique Meirelles em cargo-chave quando adotou práticas suspeitas; não tem Chico Buarque, mas sim o Itaú Cultural e a Fundação Roberto Marinho na lista dos maiores beneficiários da Lei Rouanet; o Foro de São Paulo não deu nenhum golpe, mas Washington piscou os olhos para três -- em Honduras, Paraguai e Brasil; tanto era pra ir pra Cuba que Obama e o papa Francisco foram; Hugo Chávez adotou o referendo revogatório na Constituição "ditatorial" da Venezuela, o que dá ao venecoxinhas a chance de afastar o herdeiro de Hugo Chávez; o herói do impeachment tornou-se o pária Eduardo Cunha, contra o qual ninguém bateu panela; a camisa amarela da CBF, mais suja que pau de galinheiro, perdeu com gol de mão do Peru; o movimento "apartidário" do Kataguiri era bancado por partidos; a Janaína é tão jurista quanto o Frota intelectual pornô; a luta contra a corrupção produziu um governo de ladrões; o Bolsonaro saltou e nenhum coxinha segurou; Aécio "limpar o Brasil" Neves virou pó.
sábado, 18 de junho de 2016
Tico Santa Cruz: A imprensa continua seu malabarismo para tentar viabilizar o Governo Interino que não ajuda nem os mais fiéis setores que os colocaram lá.
O que percebi após 1 mês de Governo Temer?
Por Tico Santa Cruz - via Facebook - 17/06/2016![]() |
| Charge: PATAXÓ CARTOONS |
1 - pessoas que postavam sistematicamente sobre política, principalmente sobre o impeachment, passaram a postar sobre gatos, cachorros, comidas, filhos, passeios, jogos de futebol e etc.
2 - Aécio
2 - aqueles que diziam estar lutando contra a corrupção, em grande maioria, devem estar dormindo há 1 mês ou mudaram de país, vejo poucos falando sobre Cunha, Temer, Jucá, Renan e etc. Os que ainda falam só mencionam Lula e Dilma, ainda que Dilma não tenha sido inserida na Lava Jato.
3 - Os ataques diários dentro da minha página me acusando de receber dinheiro da Lei Rouanet, defender bandido, ser petista e outras ladainhas, diminuíram consideravelmente.
4 - Muita gente no Facebook percebeu que o problema do Brasil é muito mais Grave do que apenas mudar um presidente ou culpar um Partido. Parece ter ficado claro que envolve praticamente todo o sistema e isso gerou uma descrença total.
5 - Há um constrangimento sincero das pessoas sérias, que estavam indignadas e que se sentiram
Usadas por movimentos que se diziam contra a corrupção e que na verdade estavam atuando por esses que tomaram o poder.
6 - Embora muita gente na esquerda ainda não tenha aceitado a questão de que se Dilma Voltar ela deve pedir plebiscito de Novas eleições - a massa se identifica com essa pauta e deseja que isso aconteça.
7 - Ficou evidente que o objetivo desse governo interino é acabar com a Lava Jato.
8 - A imprensa continua seu malabarismo para tentar viabilizar o Governo Interino que não ajuda nem os mais fiéis setores que os colocaram lá.
9 - Cunha e Machado podem acabar com a República se continuarem contando tudo que sabem.
10 - Não adianta trocar as peças do jogo se as regras forem as mesmas! Só uma reforma política profunda poderá nos dar reais esperanças de ver esse país voltar aos trilhos!
2 - Aécio
2 - aqueles que diziam estar lutando contra a corrupção, em grande maioria, devem estar dormindo há 1 mês ou mudaram de país, vejo poucos falando sobre Cunha, Temer, Jucá, Renan e etc. Os que ainda falam só mencionam Lula e Dilma, ainda que Dilma não tenha sido inserida na Lava Jato.
3 - Os ataques diários dentro da minha página me acusando de receber dinheiro da Lei Rouanet, defender bandido, ser petista e outras ladainhas, diminuíram consideravelmente.
4 - Muita gente no Facebook percebeu que o problema do Brasil é muito mais Grave do que apenas mudar um presidente ou culpar um Partido. Parece ter ficado claro que envolve praticamente todo o sistema e isso gerou uma descrença total.
5 - Há um constrangimento sincero das pessoas sérias, que estavam indignadas e que se sentiram
Usadas por movimentos que se diziam contra a corrupção e que na verdade estavam atuando por esses que tomaram o poder.
6 - Embora muita gente na esquerda ainda não tenha aceitado a questão de que se Dilma Voltar ela deve pedir plebiscito de Novas eleições - a massa se identifica com essa pauta e deseja que isso aconteça.
7 - Ficou evidente que o objetivo desse governo interino é acabar com a Lava Jato.
8 - A imprensa continua seu malabarismo para tentar viabilizar o Governo Interino que não ajuda nem os mais fiéis setores que os colocaram lá.
9 - Cunha e Machado podem acabar com a República se continuarem contando tudo que sabem.
10 - Não adianta trocar as peças do jogo se as regras forem as mesmas! Só uma reforma política profunda poderá nos dar reais esperanças de ver esse país voltar aos trilhos!
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Íntegra da entrevista especial com Dilma Rousseff para TV Brasil com Luis Nassif
Publicado em 9 de jun de 2016
A TV Brasil, em parceria com a Rede Minas, apresentou nesta quinta-feira (9), entrevista gravada com a presidenta afastada, Dilma Rousseff, feita pelo jornalista Luis Nassif.
sexta-feira, 3 de junho de 2016
O livro “Resistência ao Golpe de 2016” foi organizado por acadêmicos, jornalistas, cientistas políticos, advogados e líderes de movimentos sociais
Livro 'Resistência ao golpe de 2016' nasce movido à indignação
Foi pensando nesse processo que tantas vidas nos custou que o grupo se uniu para usar a arma que tínhamos às mãos. O teclado dos computadores.
Denise Assis - Carta Maior - 31/05/2016

O livro “Resistência ao Golpe de 2016” foi organizado por acadêmicos, jornalistas, cientistas políticos, advogados e líderes de movimentos sociais, que, ao longo da crise, se reuniam para trocar idéias e textos que escreveram. Alguns desses textos foram publicados em blogs, outros poucos em jornais. Participam 100 autores.
A coletânea foi organizada pela coordenadora do Programa de Doutorado em Direito da PUC-Rio, Gisele Cittadino, pela professora de Direito Internacional da UFRJ, Carol Proner, pelo advogado Marcio Tenebaun e o advogado trabalhista Wilson Ramos Filho, e será lançado nesta terça-feira, dia 31 de maio, às 19h, no Teatro Casa Grande, no Leblon, na Zona Sul do Rio, com a presença do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso.
Alguns autores foram convidados, como o acadêmico da Universidade de Coimbra, Boaventura de Souza Santos, um dos idealizadores do Fórum Social Mundial, e o cientista polítco, Wanderley Guilherme dos Santos. O deputado federal Wadih Damous consta do livro, bem como o deputado Paulo Pimenta.
À medida que a crise se instalava a discussão em torno do tema ficava mais animada e frequente. Wilson Ramos foi quem teve a iniciativa de reunir os textos em livro. Recolheu o material produzido pelo grupo e assim nasceu o compilado de 450 páginas.
Tudo começou quando no dia 4 de março o ex-presidente, Lula da Silva, foi buscado em casa sob forte aparato, por uma operação da Polícia Federal, e conduzido para uma sala especial do Aeroporto de Congonhas, onde foi ouvido coercitivamente. Daquele momento em diante, ninguém mais teve dúvidas. Era o golpe se instalando. Os que viveram tempos sombrios sentiram no ar o cheiro de enxofre. E para quê esperar mais? Quem pôde, em todas as capitais, saiu às ruas, para demonstrar que não, não seria assim, de bandeja.
Por sorte de Lula e nossa, estava no aeroporto o ministro do Supremo Tribunal de Justiça, Marco Aurélio Mello, que impediu que o ex-presidente fosse seqüestrado para Curitiba, conforme revelou depois. Na pista, um avião da Força Aérea Brasileira já o aguardava, de porta aberta, esperando apenas que cochilássemos, para levá-lo espalhafatosamente para Curitiba, onde desceria preso.
Para os que viveram a ditadura, os sinais eram fortes demais para cruzarmos os braços. Para os que não viveram, mas já ouviram de sobra sobre os seus efeitos - que até hoje reverberam na sociedade, vide o desaparecimento de Amarildo – o quadro que se desenhava era muito característico para ser ignorado.
E foi assim, num sem fim de telefonemas, encontros e reuniões, que fomos passando do estado de perplexidade ao espanto, e do espanto à indignação. Daí vieram os atos, as mobilizações, até que nos vimos difamados mundo a fora, com aquele espetáculo deplorável do dia 17 de abril, quando os deputados, qual freqüentadores do programa da Xuxa, mandavam “um beijo pra mamãe, pro papai e pra você”, votando pelo início do processo de impeachment. Una forma grotesca de maquiar o que o mundo chamou de golpe. Isto, sem falar na ode ao torturador, uma afronta aos mortos e desaparecidos na luta pela redemocratização desse país.
Foi pensando nesse processo que tantas vidas nos custou, tanto sacrifício, tantos picos de inflação galopante, tantos anos em que os salários nada valiam, e conseguir um emprego era quase um prêmio, que o grupo se uniu para usar a arma que tínhamos às mãos. O teclado dos computadores.
Naquele momento, era preciso literalmente botar a boca no mundo e gritar aos quatro ventos, como reagiu Chico Buarque, no Largo da Carioca, em ato no dia 31 de março: “Não, de novo não. Não vai ter golpe”. Passamos todos, cada um ao seu estilo, e correndo em raia própria, a denunciar a quebra da institucionalidade democrática que está ocorrendo no Brasil.
Escrevemos. Incansavelmente escrevemos. Denunciamos. Mas diante dos oligopólios da mídia, da vulnerabilidade de um Congresso minado pela corrupção doentia e digna de uma aprofundada investigação, e um Supremo - com honrosas exceções - acumpliciado com os que jogavam abertamente com o presidente do Congresso, Eduardo Cunha, não houve como salvar um modelo de país que tanto nos custou a ser delineado e construído. Um modelo que incluiu mulheres, negros, índios, foi rapidamente varrido para debaixo do tapete onde hoje pisam Temer e sua turma. Interinamente. É bom que se diga.
Denise Assis - Carta Maior - 31/05/2016
O livro “Resistência ao Golpe de 2016” foi organizado por acadêmicos, jornalistas, cientistas políticos, advogados e líderes de movimentos sociais, que, ao longo da crise, se reuniam para trocar idéias e textos que escreveram. Alguns desses textos foram publicados em blogs, outros poucos em jornais. Participam 100 autores.
A coletânea foi organizada pela coordenadora do Programa de Doutorado em Direito da PUC-Rio, Gisele Cittadino, pela professora de Direito Internacional da UFRJ, Carol Proner, pelo advogado Marcio Tenebaun e o advogado trabalhista Wilson Ramos Filho, e será lançado nesta terça-feira, dia 31 de maio, às 19h, no Teatro Casa Grande, no Leblon, na Zona Sul do Rio, com a presença do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso.
Alguns autores foram convidados, como o acadêmico da Universidade de Coimbra, Boaventura de Souza Santos, um dos idealizadores do Fórum Social Mundial, e o cientista polítco, Wanderley Guilherme dos Santos. O deputado federal Wadih Damous consta do livro, bem como o deputado Paulo Pimenta.
À medida que a crise se instalava a discussão em torno do tema ficava mais animada e frequente. Wilson Ramos foi quem teve a iniciativa de reunir os textos em livro. Recolheu o material produzido pelo grupo e assim nasceu o compilado de 450 páginas.
Tudo começou quando no dia 4 de março o ex-presidente, Lula da Silva, foi buscado em casa sob forte aparato, por uma operação da Polícia Federal, e conduzido para uma sala especial do Aeroporto de Congonhas, onde foi ouvido coercitivamente. Daquele momento em diante, ninguém mais teve dúvidas. Era o golpe se instalando. Os que viveram tempos sombrios sentiram no ar o cheiro de enxofre. E para quê esperar mais? Quem pôde, em todas as capitais, saiu às ruas, para demonstrar que não, não seria assim, de bandeja.
Por sorte de Lula e nossa, estava no aeroporto o ministro do Supremo Tribunal de Justiça, Marco Aurélio Mello, que impediu que o ex-presidente fosse seqüestrado para Curitiba, conforme revelou depois. Na pista, um avião da Força Aérea Brasileira já o aguardava, de porta aberta, esperando apenas que cochilássemos, para levá-lo espalhafatosamente para Curitiba, onde desceria preso.
Para os que viveram a ditadura, os sinais eram fortes demais para cruzarmos os braços. Para os que não viveram, mas já ouviram de sobra sobre os seus efeitos - que até hoje reverberam na sociedade, vide o desaparecimento de Amarildo – o quadro que se desenhava era muito característico para ser ignorado.
E foi assim, num sem fim de telefonemas, encontros e reuniões, que fomos passando do estado de perplexidade ao espanto, e do espanto à indignação. Daí vieram os atos, as mobilizações, até que nos vimos difamados mundo a fora, com aquele espetáculo deplorável do dia 17 de abril, quando os deputados, qual freqüentadores do programa da Xuxa, mandavam “um beijo pra mamãe, pro papai e pra você”, votando pelo início do processo de impeachment. Una forma grotesca de maquiar o que o mundo chamou de golpe. Isto, sem falar na ode ao torturador, uma afronta aos mortos e desaparecidos na luta pela redemocratização desse país.
Foi pensando nesse processo que tantas vidas nos custou, tanto sacrifício, tantos picos de inflação galopante, tantos anos em que os salários nada valiam, e conseguir um emprego era quase um prêmio, que o grupo se uniu para usar a arma que tínhamos às mãos. O teclado dos computadores.
Naquele momento, era preciso literalmente botar a boca no mundo e gritar aos quatro ventos, como reagiu Chico Buarque, no Largo da Carioca, em ato no dia 31 de março: “Não, de novo não. Não vai ter golpe”. Passamos todos, cada um ao seu estilo, e correndo em raia própria, a denunciar a quebra da institucionalidade democrática que está ocorrendo no Brasil.
Escrevemos. Incansavelmente escrevemos. Denunciamos. Mas diante dos oligopólios da mídia, da vulnerabilidade de um Congresso minado pela corrupção doentia e digna de uma aprofundada investigação, e um Supremo - com honrosas exceções - acumpliciado com os que jogavam abertamente com o presidente do Congresso, Eduardo Cunha, não houve como salvar um modelo de país que tanto nos custou a ser delineado e construído. Um modelo que incluiu mulheres, negros, índios, foi rapidamente varrido para debaixo do tapete onde hoje pisam Temer e sua turma. Interinamente. É bom que se diga.
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Do luto à luta” torna-se uma forma de expor o que foi o extermínio realizado por policiais e grupos paramilitares de extermínio ligados à Polícia Militar.
Do Luto à Luta - 10 anos dos crimes de Maio, Documentário sobre as Mães de Maio.
Os Curtas - 01/06/2016O documentário “Do luto à luta - 10 anos dos crimes de maio” retrata a luta das mães de maio atrás de justiça aos assassinatos ocorridos em maio de 2006. Mostrando a história do movimento e suas conquistas.
Com a finalidade de compartilhar a memória e luta das mães junto aos órgãos do Estado, “Do luto à luta” torna-se uma forma de expor o que foi o extermínio realizado por policiais e grupos paramilitares de extermínio ligados à Polícia Militar.
Mães de Maio - Facebook
https://www.facebook.com/maes.demaio
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Bemvindo Sequeira liga para Juca. "Qualquer senador que tiver vergonha na cara agora, depois desse seu telefonema, não pode votar o impeachment da Dilma"
"Não é nem golpe nem impeachment, é uma puta de uma manobra... pra impedir a Lava Jato, para impedir a investigação, pra impedir todo mundo ir pra cadeia."
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