sábado, 23 de maio de 2015

Juiz não é Deus, mas os seus salários, junto com os benefícios, estão perto de atingir níveis divinos. Juízes são funcionários públicos, assim como professores. E temos aqui uma desproporção inacreditável.

Juízes e o salário dos deuses
Miguel do Rosário - Tijolaço - 23/05/2015

Bem, juiz não é Deus, mas os seus salários, junto com os benefícios, estão perto de atingir níveis divinos.

Sinceramente?

A única frase que me vem ao espírito é uma citação de Boris Casoy, o âncora reaça do SBT: isso é uma vergonha!



Acho que juízes devem ganhar muito bem e ter excelentes condições de trabalho.

Mas são funcionários públicos, assim como professores. E temos aqui uma desproporção inacreditável.

Enquanto professores tomam cacete da polícia porque tentam melhorar um pouquinho seus salários, ou pior, porque tentam evitar que alguns governos lhes roubem o fundo de previdência, os juízes brasileiros batalham para aumentar sua renda mensal para valores que, francamente, correspondem a um acinte a grande maioria dos servidores públicos!

Me parece evidente que o Brasil deve buscar um equilíbrio democrático. O salário dos juízes sai do bolso dos contribuintes, então deveria haver uma fórmula para que houvesse um equilíbrio entre os salários de professores e juízes.

Só poderia haver aumento no salário dos juízes se houvesse aumento no salário dos professores. E que se buscasse uma fórmula para que a distância entre um e outro fosse reduzida.

Se os juízes querem ganhar 70-80-100 mil ao mês, então que tenham coerência! Façam lobby para que a carga tributária seja ampliada para os muito ricos, que a CPMF seja reinstalada. Sobretudo, punam severamente a sonegação!

Como assim? Querem salários divinos e deixam a Zelotes, que investiga desvios de R$ 20 bilhões, morrer porque o juiz não faz nada?

Se querem dinheiro, então que ajudem o Estado a recuperar o dinheiro da sonegação!

E punam governadores que espancam professores da rede pública e lhes obriguem a conceder generosos aumentos de salário aos profissionais de educação!

E os paneleiros, hein?

Não batem panelas contra quem bate em professor, não batem panela para salário de juiz, não batem panelas contra a sonegação.

Estou achando que esses paneleiros são uns farsantes.

*

Publicado no site SindjusMA.

STF debate projeto de nova Loman que cria mais vantagens para a magistratura brasileira

19/05/2015 | 10:04

O novo projeto estaria criando uma infinidade de vantagens para os juízes.O novo projeto estaria criando uma infinidade de vantagens para os juízes.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, enviou aos demais ministros da corte a minuta de anteprojeto do Estatuto da Magistratura, que altera a Lei Orgânica da Magistratura (Loman), de 1979.

O presidente do STF pretende discutir com os demais colegas alterações no texto antes de mandar o projeto ao Congresso Nacional, onde será votado. No entanto, o novo projeto estaria criando uma infinidade de vantagens para os juízes.

Segundo a nova Loman, um juiz de primeira instância receberá: R$ 31.542,16 de salário a partir de 2015; R$ 1.577,10 a cada cinco anos de magistratura; R$ 1.577,10 de auxílio-transporte, pois não conta com carro oficial; R$ 1.577,10 de auxílio-alimentação; R$ 6.308,43 de auxílio-moradia; R$ 3.154,21 de auxílio-plano de saúde. No total, neste cenário simplório, o juiz receberá ao final do mês R$ 45.734,05.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A visita chinesa mostra que Pequim está se lixando, literalmente, para o que dizem as agências de "classificação", e as empresas de "auditoria" ocidentais, sobre o Brasil e a Petrobras.

A SAÍDA ESTÁ NOS BRICS. E NA CHINA.

Mauro Santayana - 19/05/2015

A vinda do Primeiro Ministro chinês ao Brasil, e a assinatura de acordos com o governo brasileiro em um valor de mais de 50 bilhões de dólares, é alvissareira, mas pontual. O que o Brasil precisa fazer com a China é um acordo estratégico de longo prazo, que nos permita queimar etapas na área de infra-estrutura e desenvolvimento, permitindo que os bancos estatais chineses, que estão nadando em dinheiro, complementem, meio a meio, a capacidade de investimento do BNDES em novos projetos conjuntos, e trazer para o Brasil, com a associação de construtoras chinesas com construtoras brasileiras, o know-how chinês na construção, em prazo recorde e a baixo custo, de grandes obras de engenharia.
A presidenta Dilma Rousseff e o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, durante cerimônia de assinatura de atos, no Palácio do Planalto (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A prioridades devem ser a associação dos chineses com as empresas que estão sendo prejudicadas pelos efeitos "colaterais" - quase fatais - da Operação Lava a Jato, em que a elevação de declarações "premiadas" à categoria de provas quase incontestáveis, ameaça destruir milhares de empregos; e preservar do sucateamento dezenas de projetos de grande porte que estão em andamento, todos eles essenciais para o desenvolvimento nacional nos próximos anos, com prioridade para as refinarias, navios e plataformas de petróleo da Petrobras, sem os quais não se poderia prosseguir na exploração do pré-sal e no atendimento ao mercado interno, com o aumento da oferta de combustível nacional e a consequente diminuição das importações.

Além disso, é preciso terminar as ferrovias, rodovias, grandes represas hidroelétricas, linhas de transmissão, sistemas de irrigação, hidrovias, portos, rodovias e aeroportos, que não se construíam há décadas no Brasil, e cujas obras estão em andamento ou sob ameaça de paralisação, e, para isso, nada melhor que um parceiro que - ao contrário do que pensam aqueles que acham que a força da China está em seus baixos salários - possui capital e trabalha na fronteira da expansão do conhecimento e da tecnologia, usa inovações como impressoras 3D na construção civil que erguem casas inteiras e monta edifícios de dezenas de andares em poucas semanas. Mesmo que venham, temporariamente, para o Brasil, trabalhadores chineses, é melhor criar novos postos de trabalho para eles e também para brasileiros, do que deixar que o desemprego se aprofunde - também como consequência da permanente sabotagem - para gaudio dos que querem ver o circo pegar fogo.

A visita chinesa mostra que Pequim está se lixando, literalmente, para o que dizem as agências de "classificação", e as empresas de "auditoria" ocidentais, sobre o Brasil e a Petrobras.

Organizações de duvidosa reputação, como a Standard & Poors e a PriceWaterhouseCoopers, que não conseguiram prever - quando não ocultaram, deliberadamente - a quebra de bancos como o Lehman Brothers, e as várias crises econômicas nascidas no "ocidente", desde o ano 2.000.

Aliás, do alto de suas reservas internacionais - só a China possui 4 trilhões de dólares e o Brasil ainda é o terceiro maior credor individual dos EUA, com 370 bilhões de dólares* - os BRICS já afirmaram que pretendem fazer suas próprias agências de classificação, assim como estão montando um fundo de reservas de bilhões de dólares e o Banco dos BRICS, com 100 bilhões de dólares de capital inicial, para criar novas alternativas ao FMI e ao Banco Mundial.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Como desmontar ódio social? Todos devem ser um Simão Cireneu que ajudou o Mestre a carregar a cruz. As igrejas, os caminhos espirituais, os grupos de reflexão e ação, os partidos especialmente a mídia e todas as pessoas de boa-vontade podem colaborar no desmonte desta carga negativa.

Como desmontar ódio social?"

Leonardo Boff - 30/03/2015

Estamos constatando que vigora atualmente muito ódio e raiva na sociedade, seja pela situação particular de corrupção no Brasil, seja pela situação geral de insatisfação que perpassa a humanidade, mergulhada numa profunda crise civilizacional, sem que ninguém nos passa dizer como seria a sua superação e para onde este voo cego nos poderia conduzir. O inconsciente coletivo detecta este mal-estar como já antes Freud o descrevera em seu famoso texto O mal estar na cultura (1929-1930) e que, de alguma forma, previa os sinais de uma nova guerra mundial.

O nosso mal-estar é singular e se deriva das várias vitórias do PT com suas políticas de inclusão social que beneficiaram 36 milhões de pessoas e elevaram 44 milhões à classe média. Os privilegiados históricos, a classe alta e também a classe média se assustaram com um pouco de igualdade conseguida por aqueles que estavam fora. O fato é que, por um lado vigora uma concentração espantosa de renda e, por outro, uma desigualdade social que se conta entre as maiores do mundo. Essa desigualdade, segundo Marcio Pochmann no segundo volume de seu Atlas da Exclusão social no Brasil (Cortez 2014) diminuiu significativamente nos últimos dez anos mas é ainda muito profunda, fator permanente de desestabilização social.

Como notou bem o economista e bom analista social, do partido do PSDB, Luiz Carlos Bresser Pereira, o que foi assumido em sua coluna dominical ((8/3) por Verissimo, tal fato “fez surgir um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos a um partido e a um presidente; não é preocupação ou medo; é ódio…; a luta de classes voltou com força; não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita”.

sexta-feira, 6 de março de 2015

O que se esconde atrás do ódio ao PT? Ódio induzido pela mídia conservadora e por aqueles que na eleição não respeitaram rito democrático

O que se esconde atrás do ódio ao PT (I)?
Leonardo Boff - 07/03/2015

Há um fato espantoso mas analiticamente explicável: o aumento do ódio e da raiva contra o PT. Esse fato vem revelar o outro lado da “cordialidade” do brasileiro, proposta por Sérgio Buarque de Holanda: do mesmo coração que nasce a acolhida calorosa, vem também a rejeição mais violenta. Ambas são “cordiais”: as duas caras passionais do brasileiro.

Esse ódio é induzido pela midia conservadora e por aqueles que na eleição não respeitaram rito democrático: ou se ganha ou se perde. Quem perde reconhece elegantemene a derrota e quem ganha mostra magnanimidade face ao derrotado. Mas não foi esse comportamento civilizado que triunfou. Ao contrário: os derrotados procuram por todos os modos deslegitimar a vitória e garantir uma reviravolta política que atendesse a seu projeto, rejeitado pela maioria dos eleitores.

Imagem: Luiz Muller
Para entender, nada melhor que visitar o notório historiador, José Honório Rodrigues que em seu clássico Conciliação e Reforma no Brasil (1965) diz com palavras que parecem atuais:

”Os liberais no império, derrotados nas urmas e afastados do poder, foram se tornando além de indignados, intolerantes; construíram uma concepção conspiratória da história que considerava indispensável a intervenção do ódio, da intriga, da impiedade, do ressentimento, da intolerância, da intransigência, da indignação para o sucesso inesperado e imprevisto de suas forças minoritárias” (p. 11).

Esses grupos prolongam as velhas elites que da Colônia até hoje nunca mudaram seuethos. Nas palavras do referido autor: “a maioria foi sempre alienada, antinacional e não contemporânea; nunca se reconciliou com o povo; negou seus direitos, arrasou suas vidas e logo que o viu crescer lhe negou, pouco a pouco, a aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence”(p.14 e 15). Hoje as elites econômicas continuam a abominar o povo. Só o aceitam fantasiado no carnaval. Mas depois tem que voltar ao seu lugar na comunidade periférica (favela).

quarta-feira, 4 de março de 2015

Caiu a máscara do locaute dos caminhões: Movimento Golpista Reforça as Ameaças e Intimidações! "(...) há uma articulação subterrânea, Golpista, formada por grupos de direita descontentes com a perda de poder e com a possibilidade de regulação dos mecanismos de financiamento da mídia, com o combate à corrupção e à sonegação fiscal realizados nos governos de Dilma e Lula"

Caiu a máscara do locaute dos caminhões: Movimento Golpista Reforça as Ameaças e Intimidações! 

Sandro Ari Andrade de Miranda - Sul21 - 04/03/2015 

Charge: Latuff Sul 21
Parece incrível, mas existem pessoas, no Brasil, que não sabem viver num Estado Democrático de Direito e não tem a dimensão da importância das liberdades de opinião e de expressão. Destaco que falo de direitos fundamentais, os quais possuem eficácia concreta e imediata, independentemente de regulamentação legal.

Pois acreditem, logo após a publicação e divulgação de artigo na última sexta-feira, denunciando o caráter Golpista do movimento paredista que caracteriza o Locaute dos Caminhões, e não dos caminhoneiros, o signatário deste artigo recebeu ameaças pessoais.

O fato infeliz ocorreu neste domingo, por meio de uma ligação telefônica anônima de um suposto “caminhoneiro autônomo”, uma pessoa bem falante e bem articulada, porém que se negou a se identificar, e afirmou que o autor deste texto, caso continuasse denunciando o locaute das empresas de caminhões, passaria a ter problemas nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

Chama atenção como algumas pessoas tentam separar o Sul do restante do país, numa clara postura xenófoba e racista!

Ora, se alguma mentira foi proferida no artigo da sexta-feira, qual é a razão das ameaças? A resposta é muito simples, há uma articulação subterrânea, Golpista, formada por grupos de direita descontentes com a perda de poder e com a possibilidade de regulação dos mecanismos de financiamento da mídia, com o combate à corrupção e à sonegação fiscal realizados nos governos de Dilma e Lula, e com a garantia de reais direitos a caminhoneiros e de outros profissionais, além, é claro, dos oportunistas de toda a ordem.

Conferir direitos trabalhistas aos caminhoneiros, com a sanção sem vetos da Lei Geral pela Presidenta Dilma, será um duro golpe num dos últimos campos do escravagismo no Brasil, no qual trabalhadores são submetidos a jornadas absurdas para atender demanda de alguns poucos empresários exploradores, eque hoje se utilizam de um movimento farsesco para chantagear a população.

Pois os escândalos da mídia oligopolista começam a fazer água. No caso da operação Lava-jato borbulham, com toda a força, nomes de caciques do PSDB e de outros partidos de direita. No escândalo do HSBC, que resultará numa CPI na Câmara dos Deputados, que é incrivelmente ignorado pela mídia, surgirão vários nomes de barões do capital, de sonegadores que estão sendo investigados em todo o planeta por lavagem de dinheiro. As Operações Satiagraha e Castelos de Areia já estão em apreciação no STF, o que poderá resultar numa limpeza no legado de corrupção na venda de estatais pelo Governo FHC. Além disso, nem mesmo as “vistas processuais” intermináveis do Ministro Gilmar Ferreira Mendes poderão evitar a derrota do poder econômico na ADI que pede a declaração de inconstitucionalidade dos financiamentos de campanhas por empresas no STF.

Assim, peço vênia aos golpistas para desconsiderar as suas ameaças. Já participei de várias lutas em prol do fortalecimento da Democracia, na oposição do privatismo de FHC e Cia, e nunca, absolutamente nunca, aceitei que fosse utilizado qualquer tipo de intimidação contra terceiros, como ligações telefônicas anônimas ou outras formas de violência.

Quem se utiliza deste tipo de estratégia é um criminoso comum, alguém que não tem coragem de defender as suas ideias na esfera pública, e não um agente legítimo de qualquer causa política, e precisa das sombras do anonimato para mostrar poder, assim como faziam os nazistas, os fascistas e os torturadores da ditadura.

Não haverá Globo, RBS, Folha de São Paulo, ou qualquer outro tipo de mídia golpista para silenciar as vozes dos milhões de militantes que lutaram para eleger Lula, Dilma e o PT para a Presidência da República, e para construir o maior processo de geração de empregos e transferências de renda da história desse país.

Não há infelicidades do palavrório economicista do Ministro Levy, nem pressão do mercado financeiro para derrubar a defesa de uma Petrobrás Pública, de uma ação efetiva do estado na geração de emprego e de renda, no combate à sonegação e ao trabalho escravo, e na defesa de direitos fundamentais.

O Brasil mudou desde 2003, e não há mais espaços para a pregação de Golpe de Estado, nem para movimentos que tentam derrubar a Presidenta Democraticamente Eleita por meio de matérias jornalísticas com conteúdo tão verdadeiro como uma nota de sete reais.

Se “Lula venceu o medo”, e “Dilma venceu a mentira”, o “Povo Brasileiro Vencerá o Golpismo”.

No dia 13 de março de 2015, a grande militância de esquerda, os nacionalistas, os verdadeiros democratas, e todos os que acreditam que os movimentos políticos devem ser realizados sem violência, “vão passar como um rolo compressor sobre os anseios daqueles que não aceitaram a derrota eleitoral de outubro”!

Não podemos aceitar ameaças e intimidações! As verdades da história e da luta democrática estão conosco! Portanto, vamos defendê-las!


Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

segunda-feira, 2 de março de 2015

O ajuste fiscal e a esquizofrenia esquerdista. O esquerdismo, incluindo setores do PT, vem se posicionando contra as medidas de ajuste fiscal. A única tábua de salvação que o governo tem é a recuperação da economia. Para que a economia se recupere é preciso restabelecer a confiança. O ajuste fiscal pode ser um meio para ajudar a restabelecê-la.

O ajuste fiscal e a esquizofrenia esquerdista, por Aldo Fornazieri

Aldo Fornazieri - Jornal GGN - Luiz Nassif Online - 02/03/2015

O indefectível Maquiavel advertia que muitas vezes um governante, pensando em estar fazendo o bem está fazendo o mal. Em outras vezes, é preciso fazer o que o senso comum considera que é o “mal” para fazer o bem. Ou seja, a piedade pode ser cruel e a crueldade pode ser piedosa. Em se tratado dos problemas fiscais dos Estados, invariavelmente, as visões esquerdistas não conseguem compreender esse paradoxo e propendem a defender ou fazer o mal ao invés de manter a saúde fiscal do poder público – condição necessária para o exercício do bom governo, entendido como governo que prioriza o interesse público comum.



É certo que nem só a esquerda (ou aquilo que é considerado como tal) é responsável pela irresponsabilidade fiscal. A crise europeia recente mostra que partidos socialdemocratas e liberais-conservadores também são useiros em promover desequilíbrios e depois tentar corrigi-los com violentas políticas de austeridade jogadas nos ombros dos trabalhadores e do funcionalismo público. A irresponsabilidade fiscal faz com que determinados Estados e sociedade vivam acima de suas condições durante determinado período. Mas no final da festa, alguém sempre tem que pagar a conta. Os mais ricos mostram-se os mais avaros nesse momento.

No primeiro mandato do governo Dilma foram feitas algumas “bondades” que agora vêm se revelando cruéis: desonerações fiscais, incentivos e vultosas concessões de empréstimos a juros subsidiados com dinheiro público via BNDES. Essa “brincadeira” toda custou caro, como disse Joaquim Levy. O resultado fiscal de 2014 foi R$ 100 bilhões inferior ao prometido. Outras torneiras. desnecessária e ineficientemente abertas do gasto público. também contribuíram para o agravamento da situação fiscal do país. As desonerações e os incentivos não resultaram em mais investimentos por parte dos setores beneficiados e, consequentemente, não geraram novos empregos. As “bondades” do BNDE$S alavancaram os Eike Batistas da vida ou a Friboi, que doou o equivalente a 10% dos empréstimos a juros subsidiados para campanhas eleitorais. Desonerações e subsídios geralmente são feitos sem critérios e resultam em injustiça, pois determinados setores são beneficiados sem que outros o sejam. Setores que, normalmente, são amigos do rei.

O Perigo da Esquizofrenia

domingo, 8 de fevereiro de 2015

O auto-de-fé de Graça Foster. O enredo de sua vida que bem poderia sugerir uma homenagem de uma escola de samba, acabou destruído pelo fogo inquisidor. As fogueiras foram substituídas pelas capas de jornais e revistas. Virou máscara de carnaval e viu, do seu apartamento, dezenas de pessoas a lhe atacar a honra e a dignidade.

O auto-de-fé de Graça Foster
"O enredo de sua vida que bem poderia sugerir uma homenagem de uma escola de samba, acabou destruído pelo fogo inquisidor. Muitas daquelas pessoas que lá foram a sua casa, não seriam capazes de fazer um escracho em frente à casa de um torturador da época da ditadura, mas foram capazes de insultar uma mulher que foi vítima de injusta campanha vilipendiosa.

Estamos todos a pequeno um passo midiático de sermos tidos por corruptos e criminosos. Saiu uma nova delação, mas qual? As capas de revistas e jornais prescindem de realidade concreta, basta a manchete. Para justificá-la, apenas se diz que Sicrano envolveu o nome de Fulano em uma delação premiada e pronto.
"

Por Patrick Mariano - Justificando - 07/02/2015


Nelly Senff é uma doutora em engenharia química que em 1975 resolve sair do leste para oeste de Berlim em busca de uma nova vida com o filho Alexej, após a morte do namorado. A vida nova na Alemanha Ocidental esbarra na difícil experiência de morar em um centro de refugiados e nos intermináveis e torturantes interrogatórios a que é submetida.

Aos poucos, descobre que a burocracia estatal da qual quis fugir e a insensibilidade impregnada nos procedimentos e processos administrativos não é muito diferente de um lado a outro. No Ocidente, fica à mercê do serviço secreto dos EUA que impiedosamente a coloca num jogo cruel de incontáveis interrogatórios sobre seu namorado. A ação faz com que Nelly desenvolva o medo e a desconfiança de tudo e de todos, até mesmo sobre a veracidade da morte do pai de seu filho. O processo pode despertar quadros paranoicos e isso Kafka bem ilustrou.


Tudo isso se passa no filme Westen (Alemanha, 2013), de Christian Schwochow. O filme faz parte da nova safra de filmes alemães e retrata, com profundidade, o drama do sujeito face ao estado. A luta é desigual e, quando não se dá em conformidade as regras estabelecidas, causa dor, sofrimento e a destruição do outro.

Nelly fugia de algo que ultrapassava as fronteiras e mal sabia que a sedução do poder punitivo sem freios é capaz de atravessar regimes e ideologias políticas.

Vivemos tempos parecidos. Existem algumas semelhanças entre a personagem do filme e Graça Foster, para além do fato de ambas serem engenheiras químicas. A personagem brasileira foi condenada sem julgamento por fatos que sequer participou. Como Nelly, sem sequer saber do que era acusada, passou meses sendo defenestrada na “opinião pública”, virou máscara de carnaval e viu, do seu apartamento, dezenas de pessoas a lhe atacar a honra e a dignidade.

De Foster pode se dizer (embora questionável seja) que não tenha sabido gerir uma empresa no momento de sua maior crise, mas não é disso que se trata. As pessoas que foram à sua residência não traziam cartazes escrito[1]: “má gestora”. Entre os inquisidores que foram a rua se ouvia:

“a gente quer que ela abra a boca e conte [o que sabe sobre os esquemas de corrupção dentro da estatal] e deixe de blindar os envolvidos. Ela está envergonhando todo mundo”.

E nas janelas, moradores aplaudiam o protesto e gritavam:

“Ô Graça Foster, você vai ver, o seu vizinho tem vergonha de você”.

Aqui há muitas semelhanças com as cerimônias de penitência (auto-de-fé) ocorridos na península ibérica séculos atrás. As fogueiras foram substituídas pelas capas de jornais e revistas.

Poucos ali sabiam que Maria das Graças Silva Foster saiu do interior de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, morou em favela da zona carioca e chegou a catar papelão e latas para contribuir na economia de casa até se tornar a primeira mulher a ocupar o cume da maior empresa brasileira.

O enredo de sua vida que bem poderia sugerir uma homenagem de uma escola de samba, acabou destruído pelo fogo inquisidor. Muitas daquelas pessoas que lá foram a sua casa, não seriam capazes de fazer um escracho em frente à casa de um torturador da época da ditadura, mas foram capazes de insultar uma mulher que foi vítima de injusta campanha vilipendiosa.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Terrorismo antinacional em curso. Quem quer o fim do Brasil? O Brasil não vai acabar em 2015. Mas se nada for feito para desmitificar a campanha antinacional em curso, poderemos, sim, assistir ao “fim do Brasil” como o conhecemos. É esse país – que em 11 anos aumentou sua economia em 400%, passou de devedor a credor do FMI e quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, que duplicou a safra agrícola, que reduziu a menos de 5% o desemprego – que malucos estão dizendo que irá “quebrar” em 2015

Quem quer o fim do Brasil?

Mauro Santayana - Rede Brasil Atual - 31/01/2015 

Combate à corrupção deve ser entendido como meio de sanar nossas grandes empresas, públicas e privadas, não de inviabilizá-las como instrumentos estratégicos

É esse país – que em 11 anos aumentou sua economia em 400%, passou de devedor a credor do FMI e quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, que duplicou a safra agrícola, que reduziu a menos de 5% o desemprego – que malucos estão dizendo que irá “quebrar” em 2015

Já há alguns meses, e mais especialmente na época da campanha eleitoral, grassam na internet mensagens com o título genérico de “O Fim do Brasil”, defendendo a estapafúrdia tese de que a nação vai quebrar nos próximos meses, que o desemprego vai aumentar, que o país voltou, do ponto de vista macroeconômico, a 1994 etc. etc. – em discursos irracionais, superficiais, boçais e inexatos. Na análise econômica, mais do que a onda de terrorismo antinacional em curso, amplamente disseminada pela boataria rasteira de botequim, o que interessa são os números e os fatos.

Pedidos de falência caem 5,5% em 2014, revela Serasa Experian - Aqui: o levantamento histórico


Segundo dados do Banco Mundial, o PIB do Brasil passou, em 11 anos, de US$ 504 bilhões em 2002, para US$ 2,2 trilhões em 2013. Nosso Produto Interno Bruto cresceu, portanto, em dólares, mais de 400% em dez anos, performance ultrapassada por pouquíssimas nações do mundo. Para se ter ideia, o México, tão “cantado e decantado” pelos adeptos do terrorismo antinacional, não chegou a duplicar de PIB no período, passando de US$ 741 bilhões em 2002 para US$ 1,2 trilhão em 2013; os Estados Unidos o fizeram em menos de 80%, de pouco mais de US$ 10 trilhões para quase US$ 18 trilhões.

Em 11 anos, passamos de 0,5% do tamanho da economia norte-americana para quase 15%. Devíamos US$ 40 bilhões ao FMI, e hoje temos mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais. Nossa dívida líquida pública, que era de 60% há 12 anos, está em 33%. A externa fechou em 21% do PIB, em 2013, quando ela era de 41,8% em 2002. E não adianta falar que a dívida interna aumentou para pagar que devíamos lá fora, porque, como vimos, a dívida líquida caiu, com relação ao PIB, quase 50% nos últimos anos.

Em valores nominais, as vendas nos supermercados cresceram quase 9% no ano passado, segundo a Abras, associação do setor, e as do varejo, em 4,7%. O comércio está vendendo pouco? O eletrônico – as pessoas preferem cada vez mais pesquisar o que irão comprar e receber suas mercadorias sem sair de casa – cresceu 22% no ano passado, para quase US$ 18 bilhões, ou mais de R$ 50 bilhões, e o país entrou na lista dos dez maiores mercados do mundo em vendas pela internet.